5/24/2017

XII Feira Pan-Amazônica do Livro


Sonetos de Tavernard abre semana de lançamentos da IOE


Se vivo estivesse, o escritor Antônio Tavernard faria, em 2018, 110 anos de nascimento. Para lembrar a data e antecipar as homenagens, a Imprensa lança, no próximo dia 28 de maio, às 18h, o livro Sonetos de Tavernard.  Organizado pelo escritor Alfredo Garcia, o evento abre a semana de lançamentos que ocorrerão no estande da IOE, durante  a XXI Feira Pan-Anazônica do Livro, no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia.
O livro reúne diversos sonetos de Antônio Tavernard (1908-1936), emblemático poeta nascido no Pará, mais precisamente no distrito de Icoaraci. “Os poemas haviam sido publicados apenas em uma recolha dos textos do poeta em 1986, quando do cinquentenário de morte dele, pelo Conselho Estadual de Cultura do Pará” explicou Alfredo Garcia.
“Agora voltam aos leitores em um livro com ortografia atualizada, um pequeno estudo crítico que escrevi e uma cronologia, no ano anterior ao dos 110 anos de nascimento do poeta, a ser celebrado em 2018”, completou. O organizador do livro disse que os sonetos foram retirados do primeiro volume das Obras Completas do poeta e que não há nenhum soneto inédito do poeta no livro.
Para Alfredo Garcia, o lançamento do livro é de grande importância para a literatura brasileira. “Principalmente por ser um autor pouquíssimo lembrado por editoras regionais e desconhecido pelas nacionais. A Imprensa Oficial cumpre, com esse livro, um papel primordial de difusora da cultura do Pará, através da palavra impressa”, pontuou.
“Leitor e admirador da obra do jovem escritor, Garcia não mediu esforços para reunir estes sonetos – escritos na Vila Sorriso; quiçá na solidão do Rancho Fundo de Tavernard – para trazer ao leitor uma mostra da mente “torrencial” (para usar o termo dalcidiano quando se refere ao poeta) do jovem que, não tendo chegado aos trinta anos, sofreu os altos e baixos dos exílios de paixões e saudades”, analisa a jornalista Carmen Palheta, que assina a orelha do Livro, editado pela IOE.

CRONOLOGIA

1908
Nasce no dia 10 de outubro na então Vila Pinheiro, atualmente Icoaraci, distrito de Belém, capital do Pará, num chalé sito á rua Siqueira Mendes, número 586 . Seus pais são Othilio Tavernard e Marieta Frazão Tavernard.
A 29 de novembro é batizado como Antônio de Nazareth Frazão Tavernard na Igreja de São Sebastião, na Vila Pinheiro.
Muda-se com a família para Belém. Vai residir na Avenida Conselheiro Furtado, esquina com outra tradicional avenida de Belém, a Generalíssimo Deodoro.
1915
Aos sete anos de idade inicia o curso primário (equivalente hoje ao fundamental menor) no Externato Santa Mônica, da professora Clarisse Proença. No externato é aluno do professor João Pereira de Castro, avô do futuro escritor Acyr Castro. Tavernard foi aluno de João Pereira até o ensino secundário.
1919
– Ingressa no Ginásio Paes de Carvalho. Naquela instituição participa de diversos torneios esportivos. Colabora com o jornal do C.P.C.
1925
– Alista-se no serviço militar. Recebe carteira como reservista de segunda categoria.
1926
– A 24 de março ingressa na Faculdade Livre de Direito do Pará. Colabora com diversos jornais e revistas de Belém.
– Adoece e os médicos diagnosticam que o poeta tem o Mal de Hansen, a hanseníase, na época difundida como lepra, doença incurável. Não conclui nem o primeiro ano da faculdade.
– Vai morar no Rancho Fundo, construção feita a pedido de Tavernard aos seus pais, que ficava no grande quintal da casa da família em Belém.
– Participa intensamente com suas produções literárias de jornais e revistas da época.
– Convidado por Ernestino Souza Filho, que administrava a publicação, aceita ser redator-chefe da revista “A Semana”.
– Em “A Semana” saem textos em verso e prosa de Tavernard, notadamente as “crônicas nazarenas” inseridas na “Ronda Nazarena”, espécie de página mensal que assinava na publicação sob o pseudônimo de Frei Tuck.
1927
– Aos dezenove anos obtém o segundo lugar no Concurso Nacional de Contos Trágicos da Revista Primeira, editada à época por Adolfo Aizen e A.F da Costa Júnior no Rio de Janeiro. A narrativa premiada - “Uma noite trágica” - foi incluída, posteriormente, em “Fêmea” (Contos), de 1930.
1930
– É publicado seu primeiro livro – o único a sair enquanto ele viveu –, o volume de contos intitulado “Fêmea”. O livro foi impresso nas Oficinas Gráficas do Instituto Lauro Sodré, em Belém. A capa do livro traz a figura de uma mulher nua, de costas, agarrada às letras do nome do poeta. A arte é do também poeta e pintor Roberto Reynoso, de origem peruana.
– Publica, em parceria com Fernando de Castro, a comédia “A Menina dos 20.000”. Escreve, nessa mesma época, as peças: “A Casa da Viúva Costa”; “Seringadela”; “Que tarde!” e “Parati”.
– Acadêmicos de Direito representam a peça “Parati” no Palace Teatro do Grande Hotel, que ficava em frente à Praça da República. Hoje no mesmo espaço fica o hotel “Princesa Louçã”. Antes era Hilton Hotel.
– Acadêmicos de Medicina apresentam as peças “Seringadela” e “Que tarde!”, também no Palace.
 1931
– A 18 de junho, no Palace Teatro, é encenada pela primeira vez a comédia “A Menina dos 20.000”, musicada por Fernando Luna.
1932
– O Teatro Moderno, no antigo Largo de Nazaré, é o palco para a comédia-revista “A Casa da Viúva Costa”, da dupla Tavernard-Fernando de Castro. Integram o espetáculo o musical “Louco de Amor” e as seguintes canções feitas em parceria entre o poeta e Waldemar Henrique: “Romance”, “Foi Boto, Sinhá!”, “Matinta Pereira” e “Tem Pena da Nega”.
1936
– Às oito da manhã do dia 02 de maio, vítima de um colapso cardíaco, morre o poeta Antônio Tavernard. É sepultado no cemitério de Santa Isabel, em Belém.
– Deixa obra inédita: “Almas Tropicais” (Contos) e “Os Sacrificados” (Romance).
1953
– Quase duas décadas após a morte de Tavernard é publicado o livro de poemas “Místicos e Bárbaros”, editado por Hermógenes Barra e impresso nas oficinas gráficas da Revista Veterinária. A obra tem apresentação de Georgenor Franco e capa de Angelus Nascimento.
1960
– O escritor Vicente Salles (1931-2013), sob o pseudônimo “João da Roça”, conquista o prêmio “Carlos Nascimento”, no gênero ensaio, no concurso literário anual promovido pela Academia Paraense de Letras, com a obra “O Exilado do Rancho Fundo: a vida e a obra em pequena dimensão de Antônio Tavernard”. 
1981
– A professora Margarida Maria de Nascimento Paiva ganha o prêmio “Samuel Wallace Mac-Dowell”, promovido pela Academia Paraense de Letras, com o ensaio “Antônio Tavernard para as novas gerações”.
1983
– A Imprensa Oficial do Pará lança o livro “Antônio Tavernard para as novas gerações”, da professora Margarida Maria de Nascimento Paiva ganhador do prêmio “Samuel Wallace Mac-Dowell” de 1981, promovido pela Academia Paraense de Letras.
1986
– A 02 de maio é lançado o livro “Obras Reunidas de Antônio Tavernard, Volume I, Poesia”, organizado pelo Conselho Estadual de Cultura do Pará. Estão reunidos neste volume cento e setenta e oito poemas, recolhidos pela comissão formada pelos conselheiros Clóvis Moraes Rego, Inocêncio Machado e Abelardo Santos. Presidia o CEC à epoca a  professora Maria Anunciada Chaves.
– Na mesma data é inaugurada exposição pelo conselho em alusão ao cinquentenário de morte do poeta.
1998
– A 9 de outubro é lançada a revista “Asas da Palavra”, publicação semestral do curso de Letras da Universidade da Amazônia (Unama) contendo um dossiê sobre Antônio Tavernard.
– Na mesma data é realizado pela Unama o Simpósio Antônio Tavernard e uma sessão lítero-musical promovida pelos alunos e professores do curso de Letras da instituição.
2008
– No centenário de nascimento do poeta, ele foi o autor homenageado da XII Feira Pan-Amazônica do Livro, ocorrida de 19 a 28 de setembro, com uma exposição fotográfica retratando sua vida e obra.
 2011
– Mais de oitenta anos após a primeira edição (1930), a editora Paka-Tatu lança um bela reedição do livro de contos “Fêmea”, com posfácio e notas explicativas do escritor e professor Alfredo Guimarães Garcia, responsável pela atualização ortográfica da publicação.
– Izabela de Almeida Alves Jangoux defende dissertação de mestrado, orientada pelo professor doutor Luis Heleno Montoril Del Castilo, junto à Universidade Federal do Pará com o título “Antônio Tavernard: vida em versos de um flâneur estático”. 

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Ronaldo Quadros


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