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4/10/2007

Um conto de Luiz Lima Barreiros


Um dia na vida cabreira de João Carioca Macaxeira

(Dedicado a Aleksandr Soljenítsin e a Jonh Lennon)

Era nos idos de 1971. E o ônibus se dirigia célere para o balneário da ilha de Outeiro. Contava-me ele, que teve um caso com uma mulher casada, e nem pediu endereço e nada... O aperta-cunha do lotação de Icoaraci, bairro de Belém, um aperreio, tu te moras?, fez com que uma senhora de branco e vermelho, coroa nova ainda, acompanhada de dois filhos pequenos, ao lado da babá deles, se encostasse em nosso herói João, que, com os braços levantados, se apegava no corrimão do teto. E, é claro, ele nem se mexeu. E ela, que não tinha um rosto muito bonito, mas era boa, se encostava mais ainda. E , então, ele baixou um dos braços, e não me disse qual, pois pouco importava, é verdade, já com tantos detalhes! Pondo a mão do braço abaixado, próxima dos seios dela, de leve os pressionava, aproveitando os solavancos do carro que não tinha. E o outro braço continuava elevado; e algo mais se elevou, e ele então o ajeitou. Ele já sentia que ela queria. E ela arriou a cabecinha no seu ombro e quase chora. E eles continuavam silenciosos. E, na certa, consigo mesmo, ele cantarolou: “Carolina, hum hum hum, Carolina, hum hum hum, gente que nunca dançou, Carolina”...e pensou nos paus-de-arara nordestinos. E, ainda frisou que roçando as coxas, se instalou aconchegante na brecha entre as bundas. E acabou atracando-a com jeito, porque ele era maneiroso. E o ônibus se dirigia célere para o balneário de Outeiro.
Ele, meio irado, macucou a jogada, pegou todos os macetes, cara esperto era aquele, e achou tudo natural, porque afinal ele era um herói amazônida incompreendido, e era muito justo que isso acontecesse com ele. O ônibus, na margem da travessia chegando, depois de muito trepidar pelas ruas e estradas mal pavimentadas, por causa deles que nada fazem, nisto ele também pensou, porque cada ser humano tem um tipo diferente de pensamento... Mas, ele deixou isso para lá, porque agora ele estava na dele! Ia aproveitar o doce e cheiroso domingo de sol. E segunda-feira, iria chegar bronzeado no escritório, com o status aumentado, e ai do chefe se viesse com onda com ele! Ele diria: “Doutor, cada qual tem seu modo de pensar...assim como eu o compreendo, o senhor tem que me compreender...o ser humano tem que agir”... Blá-blá-blá pra cá e blá-blá-blá pra lá... E ele iria ficando com mais raiva, não aguentaria... Explodiria: “e fique sabendo de uma coisa: eu tenho um negócio aí, estou vendo se abro uma agência de loteria esportiva, estou com uma ligação lá com o sul, conheço um piloto que vai levar e trazer os talões, e eu mesmo vou fazer umas viagens até Manaus!” E, deslanchou: “porque o negócio é ser vivo, o cara tem que ser vivaldo, eu não sou otário, tô com o olho aberto pra todos esses caras! Eu não me meto na vida de ninguém, como é que vêm se meter na minha vida? Não! Eu sei me defender! Eu ainda apago um! Tu me entendes? Olha, caboclo, eu estou vivo... fico só urubusservando! Sou malandro, não nego, mas trabalho... cada qual tem de ter seu ofício; eu não podia ficar numa escola daquela... eu tenho olhos é pra ver, ninguém mete aqui na bundinha, não!” E pensou em apagar aquele seu amigo-da-onça que sempre tirava um barato com ele, dizendo que o caso dele, Carioca Macaxeira, era de manicômio judiciário...
E tinham que pegar o barco, para atravessar para o outro lado, onde havia praias, e aproveitar o sonoro e luminoso domingo de sol... E ela disse, quando o barco deslizava pelas ondas: “Esqueci meu maiô, Maria! Chegando lá na beira, eu te dou dinheiro e tu voltas para apanhá-lo; ele está na porta esquerda do guarda-roupa, perto duns vestidos... ainda está cedo, dá pra tu voltares com as crianças, e ainda tomar um banho”. Carioca entendeu o lance da patroa se desvencilhar da empregada. Maré cheia, só mais logo. E ele então se mancou, abriu mais os olhos, e foi aí que falou, em tom filosoficamente compassado, porque notou que ela, no íntimo, se dirigia era para ele (e para quem mais poderia ser?): “É, madame... ainda está cedo...” E havia outras pessoas no barco que pensaram que eles fossem bem conhecidos. E uma brisa ligeira soprou as velas ufanantes.
Entre grandes nuvens brancas, o sol acelerava seu vôo alvissareiro. Mas Maria nem voltou, e eles cinco já se dirigiam para a praia. E ele, na maior intimidade, já falava com ela, mas não me disse o que falou. Só depois, quando quis distanciar-se dos outros banhistas, pois conhecia tudo quanto era buraco, nos subúrbios e nos balneários, ele, galã atrevido, que não dá bobeira, a ela observou: “Eu sei dum lugar onde a senhora pode tomar banho, sem maiô” E notou pela expressão dela, que ela não gostou. Mas logo após, para surpresa dele, e minha, ela surgiu de biquíni vermelho, muito curto , daqueles de Ipanema. E ele , de novo falou :_“Se a madame permite , acho que esse biquíni está muito indecente!” Indecente! Palavra forte ... porque ele era durão (e talvez estivesse, ou com a conta certa, e a cuca não). Com ele não tinha essa de moleza não, aqui ó ! , e fazia toc-toc com o jogo das mãos. Cara esperto , vivo e malandro estava aí, em pessoa , personificando todas as proezas. E ele continuou: “Manda os garotos darem uma voltinha, e vamos mais pra lá !” Se ele tivesse um iate e fosse navegador, seu lema seria, é óbvio, plus ultra . Gostava de astronautas. Lia Erich von Däniken. Ulisses vagueador, de praia em praia durante dez anos; fingiu-se até de louco, para não ir à guerra de Tróia. Ó bela Araguaia! Ele admirava os hippies que falavam em paz , mas lhes era superior, pois não usava fitinha de índio na testa, essas frescuras, e nem mochila nas costas, por aí afora, porque cada ser humano tem um pensamento bem diferente ...
E ela, já completamente fascinada , obedeceu-lhe , e mandou que Maria se afastasse com os dois garotinhos , por causa do calor . E Maria ,também paquerada , se afastou . E eles se afastaram , e foram indo para locais ermos . Locais estes onde nem sequer um viajor haja pisado . Esta terra lhe era bem conhecida . Tristes trópicos ! E ele , então , largou-lhe um beijo na boca , de improviso , e ela se assustou levemente , porque ele era muito impulsivo . E continuaram se afastando , e ele viu que aqui esta bom . E mal deu tempo deles se acomodarem , e já investia sobre ela . E ela se abandonava . E se agarravam , e se beijavam . Beijavam-se e se agarravam . E ele queria que ela conhecesse a sua força , e ela queria ser moldada , e chupou-lhe todo , disse-me . Ó! E fez uma pausa , porque era mau . Puxou do bolso um estranho cigarro , vindo de Bragança ou do Maranhão, ela estranhou, e ele disse : “ Isso é cigarro americano minha filha veio lá da Zona Franca” . E começou a tragar e lhe ofereceu , e ela acabou aceitando , pois quem podia resisti-lo ? E recomendou para que ela não soltasse logo a fumaça . Se precisasse mais papel para fazer outro ela arrancaria uma folha da revista “Ele e Ela”, que trouxera, e ele outro faria. Mesmo assim , havia “ O Pasquim ”. E como ela , ainda desconfiada , não acatasse sua recomendação , quando puxou outra vez , ele , para impedir que a fumaça saísse , e deu ênfase para este detalhe , abocanhou sua boca . E disse : “ não solta! ”... “Aahhn?... ” E a fumaça saiu . E se agarravam , e se beijavam numa desagregação psíquica... o pescoço , os ombros , os seios ... E ela , de repente , despida já estava , talvez até tarde , num resquício de filme censurado . E dizia : “ ai , meu filho , você é louco ! ” E o vento assanhava os cabelos deles . E João Macaxeira se libertava de suas frustrações , nem que fosse pela imaginação . E eles rolavam pela areia quente . Era uma brasa , mora! Laço firme , braço forte. E nenhum tira apareceria naquela fantástica toca . Da areia quente, eles escorregavam para a areia molhada . Ninguém os presenciava . E , de repente , acenderam-se os holofotes ! E o diretor pedia mais luz , e eles se aproximavam da água resplandecente . Um bando de gaivotas cortou o azul celestial . E houve um close-up das bocas sugadoras . E uma gaivota mergulhou , e pegou um peixe , e outra imitou-a , e depois outra , mais devagar . E o povo bradava : viva Mao , viva Mao ! E outros : eu quero mocotó , mocotó é um barato ! E o troço já estava maçante . E as ondas se quebravam nos rochedos imersos parcialmente na água . Os sinos badalavam . E já era quase meio-dia . E a terra girava célere no espaço !
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■ Este conto obteve o troféu de 4° lugar, no XV Concurso Nacional de Contos de Paranavaí (PR) , em novembro /1983.

4/08/2007


CAOS EM MACAPÁ

Amapá em chamas


Brasília – Será que o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), escapa da guilhotina? A Polícia Federal está fazendo o dever de casa. Mas o prefeito de Macapá, João Henrique (PT), que já foi até algemado, está soltinho, e de olho no governo do Amapá. Vamos aos fatos.
Há indícios de que Waldez Góes utilizou caixa dois e de que tem ligação com a quadrilha da Secretaria de Saúde, responsável pela morte de vários pacientes. O Ministério Público Federal do Amapá já está cuidando de encaminhar à Procuradoria Geral da República documentos e escutas telefônicas que supostamente envolvem Waldez Góes em fraudes em licitações para compra de remédios e em possível doação ilegal de campanha.
Os peixes, presos ou não, são graúdos. Além de três ex-secretários de Saúde e um sobrinho de Waldez Góes, estão enredados também os deputados federais Jurandil Juarez (PMDB), ex-secretário de Planejamento e Orçamento, e Sebastião Rocha (PDT). Depoimento do empresário Nivaldo Aranha da Silva, 45 anos, proprietário da Globo Distribuidora de Medicamentos, envolve o governo do Amapá em esquema de caixa dois na última campanha, na qual o governador Waldez Góes (PDT) foi reeleito. Silva afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que entregou pessoalmente propina aos deputados Jurandil Juarez e Sebastião Rocha.
Os inquéritos na PF de Macapá correm em segredo de Justiça, mas o jornal Folha de S.Paulo obteve cópia do depoimento de Nivaldo Aranha da Silva, prestado dia 23 de março. Silva narra que, em setembro de 2006, foi procurado pelo então chefe de gabinete da Secretaria de Saúde do Amapá, José Gregório Ribeiro de Farias, para participar de um esquema ilegal de R$ 2 milhões para a campanha do PDT e de partidos coligados.
R$ 1 milhão, segundo Silva, foi depositado na conta-corrente 14.931-4 da Globo Distribuidora, Agência 4544-6 do Banco do Brasil, em Macapá. R$ 600 mil foram entregues, parceladamente, para Farias, entre o fim de setembro e o início de outubro de 2006. Segundo Silva, o mesmo esquema foi feito com o dono da JR Hospitalar, Aparício Couto Júnior, que teria fugido com cerca de R$ 1 milhão. Couto Júnior foi preso em Belém (PA).
Na campanha de 2002, quando Waldez Góes foi eleito pela primeira vez, Nivaldo Silva fizera um depósito de R$ 100 mil para a campanha do governador. Nivaldo Silva entregou o comprovante do depósito à Polícia Federal. Disse também que pagou R$ 100 mil, pessoalmente, ao ex-secretário de Planejamento e Orçamento, eleito deputado federal, Jurandil Juarez (PMDB). Já os pagamentos para Sebastião Rocha teriam ocorrido entre 2003 e 2004, quando Rocha era secretário de Saúde do Amapá.
Sebastião Rocha é citado em conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal, durante as investigações que culminaram na Operação Antídoto, deflagrada nos dias 22 e 27 de março, quando foram presas 25 pessoas, acusadas de participar de uma quadrilha que fraudava o fornecimento de medicamentos às secretarias da Saúde do Amapá, do Pará e do Ceará. Todos já estão de volta às ruas. O rombo foi de pelo menos R$ 20 milhões. Esse dinheiro será devolvido? Os pacientes assassinados serão ressuscitados?
Em nota, a Secretaria da Comunicação do Amapá diz: “O governador repele veementemente qualquer tentativa de envolvê-lo num assunto que ainda está com investigação em andamento". Dia 4, do plenário da Câmara, o deputado Evandro Milhomen (PCdoB-AP), defendeu Waldez Góes e pôs a culpa na imprensa: "Gostaria de registrar a insistência com que a imprensa tem envolvido o nome do governador Waldez Góez, ao tratar de assuntos do
Amapá, em especial os relacionados à Operação Antídoto e a uma história naturalmente ilegal e imoral... ficamos preocupados, porque sabemos que não há envolvimento direto do governador nesse crime; não há citação do Ministério Público sobre envolvimento do governador, mas a imprensa tem noticiado... Temos notado que há pessoas interessadas em mandar essas notícias para a imprensa, inclusive os adversários, os derrotados das urnas na eleição passada. Eles estão tentando colocar essa matéria nas mãos de jornalistas como se o governador tivesse algum envolvimento com esses criminosos".
E adverte, tratando os jornalistas (ou a Polícia Federal?) como retardados: "Aviso aos adversários que não vale a pena insistirem em incriminar o governador porque eles já perderam as eleições. Eles foram derrotados e têm de se conformar com a derrota. O governador está limpo. E queremos chamar a atenção da imprensa para que fique atenta a essas pessoas que plantam notícias".
E Macapá?
Enquanto o Amapá pega fogo, Macapá, a capital, mergulha no caos. O prefeito, João Henrique, não está nem aí para as greves que pipocam no município - professores, agentes de saúde, agentes de combate à dengue, caçambeiros, o diabo.
Na Operação Pororoca, da Polícia Federal, João Henrique foi algemado, indiciado pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva, fraude
em licitação de obras públicas e desvio de verbas.

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Cortesia do site ABC Político

4/06/2007

ELOY SANTOS. Icoaraci chora a morte do filho ilustre


Eloy Albuquerque de Oliveira Santos já mais existe.
Uma das importantes referências do rádio paraense se foi de forma violenta, vítima de atropelamento de motocicleta. Como disse Hilbert Nascimento, diretor da Rádio Liberal AM, última emissora que em trabalhou e por onde se aposentou há cinco anos. “Eloy Santos foi um homem que marcou a sua época, com um jeito muito pessoal de fazer rádio, sempre polêmico e firme nas suas colocações, e que o consagraram como o “Rei do Rádio”.
“Chegou o lindo, chegou o lindo, veio contente, seja bom-vindo. Meu carro é vermelho....” estas músicas Eloy iniciavam todos os dias o seu programa na Rádio Liberal, levado ao ar todos os dias de 15 às 18 horas, com quase 100 por cento de Ibope.
Não tinha pra ninguém.
Eloy Santos nasceu aqui perto de casa na Rua Manoel Barata, esquina da Travessa Itaboraí há 69 anos, onde hoje se encontra o Laboratório Guadalupe. Ali funcionava a farmácia do seu Santos, pai do nosso herói. Mas quem disse que o Eloy Santos queria saber de remédio? O caso dele sempre foi o microfone. Depois de cursar o curso primário no antigo Grupo Escolar Coronel Sarmento – mais antigo da minha Vila Sorriso -, se mandou pra Belém. Precisamente para o bairro da Pedreira.
O empresário Raul Ferreira, criador dos Sonoros Rauland – ele comprou dois automóveis “Pontiac” nos quais instalou duas “cornetas” na capota e saia todos os dias pelos bairros de Belém fazendo propaganda volante. Raul brigava com a Propaganda Volante A Voz do Dia, de Manoel Buraco, “a única que se mantém no ar diariamente com o seu programa Belém Bom Dia”. Eles foram os pioneiros desta atividade – arrendou o “Pedreira Bar’ na parte frontal do Mercado Municipal da Pedreira, esquina da Travessa Mauriti e, além da propaganda instalou um serviço de alto-falante que fez história. e que revelou grandes nomes e vozes do rádio paraense de antanho – Jaime Bastos, Laércio Ramos (falecido), Max Menezes, Diel Carvalho (onde andas, meu?), Antônio Maria Zacharias da Costa, o nosso Costa Filho, que à época era conhecido como Costinha, Jorge Silva e outros.
E um belo dia adivinham quem aparece no “Pedreira Bar”? O Eloy Santos – moço de 16 anos esperto, simpático, prestativo, - já com aquele vozeirão - doido para falar para no microfone super sensível RCA Victor do "Pedreira Bar". O “seu” Raul não deixava por menos: importava todo o equipamento eletrônico diretamente dos Estados Unidos. O “Pedreira Bar” tinha uma programação noturna que começava às 18 horas e encerrava às 21 horas. Foi o precursor das chamadas rádios de porte. Só que transmitia com vários projetores no próprio local. Os técnicos davam um jeito e o som ia longe!
Eloy conquistou todo mundo e foi “adotado” pelo “seu” Raul. Fazia “de tudo” sendo muito útil para a empresa e principalmente para o Laércio Ramos que era genro do patrão.
Não demorou muito e lá estava o Eloy Santos de microfone na mão rodando pelas ruas de Belém no carro volante.
Passaram-se os anos e vamos encontrar Eloy Santos sendo motorista de praça fazendo ponto na Praça da República próximo do Teatro da Paz, com carro próprio, sem nunca perder a proteção do velho Raul. Depois disso ele virou patrão sendo dono de vários carros e ajudando outros colegas motoristas, dentre esses o mais famoso – o Nenca.
Eloy nunca negou que começo a sua vida profissional como motorista de praça.
Logo após houve um teste para locutor da PRC-5 – Rádio Clube do Pará – a voz que fala e canta para a planície. Muita gente se inscreveu. Sabe quem levou o primeiro lugar? Ora, o Eloy Santos.
Começou como locutor comercia; todavia, Mário Barradas, diretor artístico da emissora, acreditou no moço - que só “andava na pinta” e era muito querido pelos ouvintes - e lhe deu a responsabilidade de apresentar o “Parabéns pra Você” – o calendário social de Eloy Santos – tradicional programa de emissora que era apresentado de segunda a sábado de 13 as 14 horas.
Foi o começo.
Da Rádio Clube foi para a Rádio Marajoara, TV Guajará (atual Rede Boas Novas) e depois para Rádio Liberal AM onde encerrou a carreira em grande estilo, com os programas Eloy Santos Show e A Hora e a vez do boêmio, de 22 à zero hora.
Autodidata e muito inteligente, lia muito e estava por dentro de tudo o que girava na cidade, no estado e no país. Ele próprio escrevia o texto do Comentário de Eloy Santos, que era lido no início do seu programa. Mesmo usando uma linguagem simples e elegante, não livrava a cara de ninguém. Suas manifestações críticas eram acatadas pelo público senão os muitos telefonemas e as suas muitas cartas que recebia.
De 1987 a 1989 fui Assessor Parlamentar do prefeito Coutinho Jorge, dando expediente no plenário da Câmara Municipal, época em Eloy Santos era vereador. Posso testemunhar que ele sempre foi um político sério, ético, responsável e comprometido com o seu eleitorado. Seus pronunciamentos eram incisivos, polêmicos sempre em favor dos humildes. Tudo o que falaram dele nos jornais, rádio e TV, é verdadeiro.
Eloy Santos ingressou na política através do coronel Jarbas Passarinho. Filiou-se à então Arena e nunca mudou de partido. Até mesmo quando perdeu a eleição, após duas legislaturas, permaneceu na legenda, apesar dos muitos convites para mudar de time.
Uma das muitas virtudes de Eloy Santos era ser autêntico, verdadeiro. Muitas vezes arranjava inimigos devido a essa sua postura. Reconhecido, quando Passarinho exercia poderes em Brasília e anunciava a sua vinda a Belém, Eloy era primeiro chegar ao aeroporto para recebê-lo e fazia questão de conduzi-lo â cidade no seu carro.
A morte de Eloy Santos é mais um golpe na chamada era de ouro do rádio paraense, dos grandes comunicadores do porte de Paulo Ronaldo, Jaime Bastos, Grimoaldo Soares, considerados grande comunicadores.
O estilo polêmico será a maior lembrança deixada por Eloy, assim como os bordões ainda hoje recitados por centenas de ouvintes, entre eles o famosíssimo 'Desejo vida longa aos meus inimigos para que possam assistir de pé a minha vitória'.
E muitos passaram... e ele ficou... até ontem.
Pois é, Se fosse das muitas facetas da vida de Eloy Santos o espaço deste blog seria pouco;
Eloy Santos, - icoaraciense de muitos amores, o amigo dos humildes, dos desafortunados e das velhinhas se foi, infelizmente.
Todas às vezes quando encerrava o seu programa, com aquela voz magnífica que Deus lhe deu, ele dizia: Linda, já vou... bem.
E foi... para não mais voltar.
Tchau conterrâneo.
Até qualquer dia.

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Aldemyr Feio

4/05/2007

Alfredo Ramos


04/04 - Será que agora deu para cair à ficha? O Paysandu foi a Recife mostrar via TV para todo mundo que quisesse ver que seu futebol atual não dá para encarar os mais fracos dos fracos times do Pará. Imaginem só ter a presunção de jogar futebol fora de casa, em outro estado. Ah, sim! Desculpe nossa falha. A culpa é o rombo no Papão. Assim sendo, ta desculpado. Futebol não é mais a praia do Paysandu pelo menos enquanto esse papo vestir a camisa do time de futebol.

O Náutico que anda meio freguês em Pernambuco pegou o time de Sinomar Naves e deitou e rolou. Um, dois, três, quatro, cinco,

Sinomar Naves que dizem é o melhor treinador do Pará, mas só fez estágios nas divisões de bases do Papão, e no Ananindeua, mas não passou dos portões da Curuzu, não pode ter “diploma” de treinador. Se tivesse aproveitado seu tempo, quando podia, ter feito estágios em clubes do sudeste, mesmo da Bahia, poderia ter aprendido um pouco mais. Hoje, ficou olhando o PC treinador do Náutico armar o time pernambucano e assistir sem poder fazer nada, ver sua tática errada de armação ter virado uma esculhambação só visto em times sem categoria alguma. Gogó até que ele tem. Disse que ia armar o Papão pra dá um nó no Náutico. Coitado... Acho que o nó vão dá nele em Belém. Mas se não der, tudo bem. Afinal o Paysandu tem futebol? Tem rombo nas finanças. Desculpa que satisfaz quem gosta de tomar Coca-Cola.

Feito do Papão. Desta feita jogando fora de Belém, não pegou de seis a zero. Melhorou pacas, mas poderia ter pegado de nove que dava no mesmo.

Gama vai ao Maraca, enfrenta a festa do Vasco dá de 2 a 1 e elimina os cariocas. Se fosse o Paysandu, Romário teria feito o milessimo gol e de quebra mais alguns. Essa é a diferença atual. Quem diria que o Papão da Libertadores chegasse esse ponto.


06 min/1t – Valença
22 min/1t – Kuki
29 min/1t – Felipe
42 min/1t – Felipe
08 min/2t – Felipe

Paysandu: Ronaldo, Cleidir (Lecheva), Cametá, Silvio, Alex; Sam, Arcelino, Ricardo Oliveira, Fábio Baiano (Flamel), Robson e Marcelo Maciel.

Volto qualquer dia.

4/03/2007

Parabéns, Vereador Adalberto Aguiar


Peço licença mais uma vez aos muitos acessadores do Jornal do Feio, para registrar com muita alegria o aniversário natalício de um grande amigo; aliás, amigo como poucos,que gosta da gente, briga pela gente, que nos acolhe, orienta, critica, e se entusiasma com as nossas poucas vitórias como se fossem dele.
Um amigo de fato.
Trata-se do vereador, contador, administrador de empresas e ex-líder sindical Adalberto Aguiar Nunes.
Conheci Adalberto Aguiar há quase 10 anos quando assumiu a Agência Distrital de Icoaraci – após trabalhar por muito tempo no Departamento Financeiro das Centrais Elétricas do Pará S.A/Celpa - em substituição ao hidrogeólogo Manfredo Ximenes Ponte que foi transferido para a Administração Regional do Outeiro.
O trabalho de dois anos e meio de Adalberto Aguiar na administração icoaraciense, objetivo e transparente, agradou tanto que foi para a Câmara Municipal e, atualmente, encontra-se em seu segundo mandato.
E é devido a tudo isso;para dizer que o querem bem, que os seus funcionários, amigos e correligionários farão uma festa para comemorar a grande data no "Palácio dos Bares! (Condor), a partir das das nove da noite, sem hora para acabar.
Tudo mundo está convidado.
Parabéns Adalberto, Muitas felicidades. Muitos anos de vida e obrigado pelo privilégio que me concede de fazer parte de seu círculo de amizades.

4/02/2007

Aqui, Outeiro


O Ministro Alfredo Nascimento visitou o Outeiro em 2004


Imortais na Ilha

- A Ilha de Caratateua (Outeiro), - como todos leram na bela matéria publicada aqui no Jornal do Feio - teve uma sessão especial da Academia Paraense de Letras, no dia 23 (sexta-feira passada), ás 17h no auditório da Escola Bosque. O evento se deu em homenagem aos 80 anos de Alonso Rocha, que ostenta o título de Príncipe dos Poetas Paraenses. O orador da reunião foi o acadêmico Júlio Victor Moura.

Cultura
- Já e dado como certa a fundação de um Conselho de Cultura para a ilha de Caratateua, os membros deste seleto e importante segmento. O primeiro encontro foi também na Escola Bosque, no próximo sábado/ dia 24, às 10h. Na pauta foi discutida a definição e as atribuições do referido conselho.

Insuportável

- Os moradores da ilha, dividem com parte dos moradores de Icoaraci a terrível experiência de sentir o dor exalado da indústria de couro do Curtume Ideal, simplesmente horrível após ás chuvas.

PREMIAÇÃO

- Será nesta sexta-feira; dia 06 de março, a cerimônia de entrega do Prêmio “Os melhores do ano, de 2006”, às 18h, no restaurante Parque do Igarapé, na orla da Praia do Amor. Na oportunidade haverá apresentações de artistas locais e a nona edição do Jornal das Ilhas (edição n° 8, a primeira foi a nº “0”).

Comercial

- A Associação Regional Comercial de Outeiro - ARCO, Sucursal da ACII no Daout, programa a vinda por 3 dias do SEBRAE e JUCEPA. Em breve certificaremos a data.

GUilherme Augusto

- O jornalista Guilherme Augusto (Diário do Pará), pública com freqüência notas sobre a ilha de Caratateua em sua coluna. Nossos agradecimentos.

Ciganinha

O grupo Junino "A Ciganainha da Ilha", agora sob a direção de Cristiany e dona Sabá, iniciou ensaio, visando apresentarem bonito na quadra junina vindoura. O grupo comemora 15 anos ininterruptos de tradição.

Semana que vem teremos mais assuntos.
Até lá então.

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Luiz Carlos Freire

3/31/2007




FICÇÃO OU REALIDADE?
Jogo virtual revela desleixo dos presidentes brasileiros para com a Amazônia


Brasília
– O caso da peça pregada por meio de um vídeo falso pregando a privatização da Amazônia tem várias leituras. Uma, é que a ficção abeberou-se na fonte da realidade; outra, que não é verdade que o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) tenha pagado mico – o senador amazonense foi apenas ágil ao perceber um gancho para a defesa regular que faz da soberania da Amazônia. O vídeo, lançado no ciberespaço, não deixa de ser uma advertência ao desprezo que os brasileiros, inclusive amazônidas, sentem pela região mais cobiçada do planeta, a qual, se os governos brasileiros não prestarem atenção, será mesmo ocupada, de modo sofisticado, pelas potências mundiais, que têm como testa-de-ferro a Organização das Nações Unidas (ONU).
A editora assistente do jornal Folha de S.Paulo, Malu Delgado, investigou e descobriu que o referido vídeo é uma brincadeira na internet. Mas, como desconfia o jornalista Chico Bruno, do site Folha do Amapá, não haverá reais intenções por trás de brincadeira tão séria? “A notícia divulgada, pela Agência Amazônia, é extremamente grave, exista ou não a empresa, pelo simples fato de estar disponível na internet um vídeo propondo a internacionalização da Amazônia, com ofensas ao país e aos sul-americanos em geral” - adverte Chico Bruno.
A jornalista da Folha, Malu Delgado, descobriu que a Arkhos é uma empresa fictícia criada em jogo virtual - Alternate Reality Games -, no site www.zonaincerta.com, sob patrocínio do guaraná Antarctica, em parceria com a Editora Abril. A sinopse do jogo virtual é uma misteriosa história envolvendo um biólogo que teria descoberto segredos de fabricação do guaraná. A Arkhos é a vilã e quer a Amazônia sob controle privado.
O jogo trata a Amazônia com desprezo real. Mas tem um lado positivo: alerta para o desleixo dos governos brasileiros para com a região mais rica do planeta, em bioversidade, água e minerais estratégicos e preciosos.

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Cortesia do site ABC Político

3/29/2007

“Naga Rip” está mandando ver em Sampa


O moço aí da foto é Fábio Franco Rodrigues, Nagash para os íntimos, apelido recebido desde a adolescência, em virtude de gostar muito de desenhos, e quadrinhos japonês, mangás, etc.
Ele é meu sobrinho, filho de um irmão que nasceu e mora em São Paulo, Ricardo Rodrigues, que nas horas vagas mexe com engenharia metalúrgica; e da Fátima que é Assistente Social.
Desde criança Nagash desenhava muito bem. Tanto que se formou em Desenho de Comunicação,pela Escola Superior Rocha Mendes É criativo e vidrado em computador – onde faz miséria de traz para frente e de frente para traz – como também é apreciador da arte e música.
Além disso, toca guitarra baixo, bateria e é DJ – especialista em rock - bem conceituado, sendo convidado a tocar inclusive fora de São Paulo.
Profissionalmente, começou fazendo sites; e hoje é Diretor de Design na Space Produções Ltda. Antes atuou na Ciclelogic e Labone - Empresa do Grupo Abril.
Entre vários projetos é responsável pelo site Space Kids, direcionado ao público infantil, altamente educativo, bem conceituado pela mídia, sendo destaque no programa "Olhar Digital", exibido pela Rede TV, na semana passada e que pode ser conferido no endereço http://olhardigital.uol.com.br/centralvideos.php?VideoID=1007
Fábio é conhecido nos meios artísticos e nas baladas da Paulicéia como Naga Rip.
Nagash, 27, é especial. Gosta de cinema, fotografias e de restaurante de comidas exóticas.
Meu sobrinho é grande.
Pena que seja são paulino doente... como o pai.
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Minha família só tem artista.
Um irmão que morreu há sete anos – lá mesmo em Sampa, mesmo que tenha nascido em Belém – era cantor e compositor; um tio, Oswaldo Uchoa (Vavá), paraense, radicado em São Paulo - onde, aliás, morei no início da minha adolescência por cinco anos.... a minha turma quase toda fez de Sampa a sua segunda casa – dominava um violão com desenvoltura, com maestria, e cantava como ninguém. De vez quando. apresentava-se em programas da antiga TV Record - Canal 7, quando ainda funciona no bairro do Aeroporto (Av. Miruna, uma das transversais da Av. Moreira Guimarães, atual Rubem Berta.Pena que também já se foi.
Para completar, tenho uma prima aqui em Belém que é uma grande cantora e compositora, a Andréa Pinheiro, filha do primo Everaldo – meu colega de bancos escolares – e que mora em Brasília.
Como dá para observar, toda a minha família é artista.
Menos eu que ao invés de advogar, resolvi mergulhar de cabeça no jornalismo primeiramente; e no ramo da comunicação a posteriori.
Dá pro gasto.

3/27/2007

Vicente Cecim lança “Ó Serdespanto” na Sexta-feira/30



O escritor, jornalista e publicitário Vicente Cecim estará lançando nesta sexta-feira/20, na Livraria Jinkings (Rua dos Tamoios, a poucos metros da Praça Batista Campos) mais uma obra: Ó Serdespanto.
Mistura de prosa e poesia, ficção e ensaio, Ó Serdespanto, de Vicente Cecim, é um dos volumes visíveis do que o autor denomina Viagem a Andara - O livro invisível.
Comparada a criações de Heráclito, Nietzsche, Michaux, Silesius, Novalis e Guimarães Rosa, a obra de Cecim tem melodia única. "Mesmo a Escritura, rompendo limites na Literatura, ainda contém a insuficiência respiratória do Verbo", diz. "Busco escapar pelo retorno às Imagens, à matriz das Palavras. Tento, agora, a Iconescritura." A Viagem a Andara, onde inexiste a oposição entre o natural e o sobrenatural, não tem fim e pode ser iniciada em qualquer de seus momentos (trechos/percursos).
Mas o que é Andara? É, sim, uma transfiguração, em região-metáfora da vida, da Amazônia, onde Vicente Cecim nasceu e vive até hoje, mas não deixa de ser também o próprio autor, o leitor, o universo.
Uma das definições aparece numa entrevista de Cecim à revista Azougue: "Andara é Coisa que viaja por dentro e no sentido inverso: quer retornar dos dedos dos pés ao calcanhar de Aquiles do homem, ali onde ele é mais sensível à Hipótese Onírica e Lúdica e Naturalmente Sagrada da vida. Andara quer a Origem, o Antes do ponto em que tudo começou a se perder do Todo, o ponto oculto de nós, homens, que só se consente a nós em Relances, Vislumbres."Como afirma o poeta Fabrício Carpinejar, "a Bíblia não terminou de ser escrita. Ó Serdespanto é um papiro encontrado na Amazônia, sujo de vento, sujo de verdade, aos 40° de Belém do Pará. Versículos, fábulas, parábolas." A jornada ao mundo de Andara, onde sentidos, sentimentos e pensamentos se combinam e tomam vida, é um passeio inesquecível e indescritível.

3/23/2007



Maior grileira do Brasil é expulsa do Pará

Brasília - Empresa do grupo CR Almeida, a Incenxil (Indústria, Comércio, Exportação e Navegação do Xingu Ltda.) terá que se retirar imediatamente da fazenda Curuá, na Terra do Meio, região do Pará entre os rios Xingu e Tapajós, por determinação da Justiça Federal, em atendimento ao Ministério Público Federal (MPF). Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informam que a fazenda Curuá é a maior área grilada do Brasil, quase 5 milhões de hectares - Holanda e Bélgica juntas.
O juiz Herculano Martins Nacif proferiu a sentença dia 15 de março. Além dos sócios, prepostos e funcionários da Incenxil, policiais militares que estejam guarnecendo o latifúndio também devem desocupá-lo já. À Polícia Federal cabe garantir o cumprimento da sentença. E caso de desobediência da sentença, a Incenxil pagará multa de R$ 100 mil por dia.
Herculano Nacif também proibiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de pagar indenizações que a Incenxil estava cinicamente pleiteando pela desapropriação da terra grilada, pertencente ao Pará e à União. Além de grilar a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, a Incenxil grilou todas as terras indígenas Xypaia e Curuaya, toda a Floresta Nacional de Altamira e 82% da Terra Indígena Baú.
“O fundado receio de dano de difícil reparação decorre, além do risco de legitimar a “grilagem”, da possibilidade de irreversível lesão ao meio ambiente pelos atuais possuidores, por intermédio da extração ilegal de madeira ou desmatamentos e queimadas para a criação de bovinos” - diz a ação proposta pelo procurador da República em Altamira, Marco Antônio Delfino de Almeida.

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Cortesia do site ABC Político

3/17/2007

Blog do Afonso Klautau é muito bom


Nesses dias em que se vêem bobagens na internet, quando não intrigas, xingamentos e papos furados que não levam a nada, vale a pena dar uma curujada no blog do Afonso de Liguório Dias Klautau, ou apenas Afonso Klautau.
A questão de uns dois ou três meses atrás o Hamilton Pinheiro – HP – quando ainda dirigia o Núcleo de Rádio e TV da Comus (NUR) me chamou a atenção para a novidade: “Feio, o nosso Afonso Klautau está com blog na internet. Agora ele mora no Mosqueiro e nas horas – já que o homem é jornalista 24 horas por dia – empresta um pouco do muito do que ele sabe pra todo mundo”.
Conferi. Era mesmo.
O blog é muito bom.
Afonso Klautau é um monstro da nossa profissão; e forma outros monstros, já que é professor do Curso de Comunicação Social (Área de Jornalismo) da Universidade Federal do Pará.
É isso aí, Afonso. Tive muito orgulho em trabalhar com você, amigão.
Acessem o blog dele - http://akaamazonia.blogspot.com/

3/11/2007

Aqui, Outeiro


A classe cultural e artística em geral da ilha de Caratateua (Outeiro), organiza-se para a criação de um Conselho de Cultura com vistas ao desenvolvimento de projetos comuns a todos. Reclamam que estão ficando de fora de vários eventos promovidos pela Fundação Cultural do Município de Belém - Fumbel, Administração Regional do Outeiro - AROUT - e Prefeitura Municipal de Belém como um todo.
Na busca de reafirmarem sua identidade cultural própria e assim encontrarem soluções, o coletivo espera que com a criação do Conselho possa ser dada respostas para sanar os problemas; como, por exemplo: durante as últimas comemorações do aniversário de Belém realizado na Praia Grande, tiveram que ficar assistindo a atrações vindo de outros bairros pois se quer sabiam que haveria esse evento para pedirem para se apresentarem.
Assessoria de Cultura - Zé Nacau Lima, líder do grupo Tupiniquim e Ronaldo Farias, líder do grupo Curuperé, verificaram recentemente que além da atual Aministração Regional do Outeiro não contar com uma Assessoria de Cultura, não têm cadastro dos grupos e artistas locais na citada repartição pública – isso é um absurdo, reclamam.
Em contrapartida a criação do Conselho serviria, também, para o desenvolvimento de projetos e um calendário de programações culturais que poderá fazer o diferencial para o levante da cultura na ilha, já que por parte da AROUT as únicas trações culturais oficiais são o Carnaval e o São João.
Sem querer me promover, eu Luiz Carlos Freire, produtor cultural dos mais antigos na localidade, figuro no meio artístico cultural como o fundador da agremiação folclórica Rainha da Juventude, e a hoje escola de samba Raio-X, ambas do bairro da Brasília.
Além de ter sido o coordenador executivo do Festival Artístico e Folclórico da Ilha de Caratateua (FAFIC), realizado em 2004, - mas que ficou pendente a execução de sua 2º edição por falta de parceiros, principalmente o da AROUT e a Fumbel -, é-me creditado o levantamento histórico da localidade que propôs a realização do aniversário de 113 anos da ilha, realizado pela AROUT na data de 22 de abril do ano passado.
O projeto, originalmente, previa a apresentação de todos os grupos culturais de Outeiro, mas foi alterado e realizado com a participação da Banda Sayonara. Nada Contra. Todavia, com o dinheiro pago à famosa banda, daria para dar um bom cachê para os grupos e artistas locais que poderiam investir em uma maior produção ao seu repertório e equipamentos.
A data do aniversário de Outeiro - 14 de abril - já está próxima e até a presente data, a direção da AROUT ainda não convidou os produtores para um diálogo;ao menos para ganharem as camisas promocionais, já que nesta administração são impedidos de participarem com apresentações. Infelizmente.
Pela falta de incentivos e apoio já deixaram de ser executados no Outeiro os eventos: “Arraial da Praça da Água Boa”, “Projeto Rio-Mar” e “Malhação do Judas”, por exemplo, explica o produtor cultural Zé Nacau Lima. A criação do Conselho de Cultura é nossa última esperança de manter viva as nossas raízes culturais - desabafa o líder do grupo Tupiniquim.
A Ilha de Caratateua é o celeiro que abriga entre outros monstros consagrados os cantores Kinkas Paraense, Cláudio Melo, Renata Mourão e os grupos culturais Tucuxí e Encanto da Mata, além do poeta popular Apolo Barros, também presidente da escola de samba campeã da ilha - Parafuseta da Caratateua. A reunião que definirá as atribuições do Conselho se dará no próximo dia 24 de março, âs 10h na Escola Bosque.
Semana que vem, estarei de volta.

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Luiz Carlos Freire

(Correspondente do Jornal do Feio no Distrito de Outeiro)



AMAPÁ É PARAENSE

Açaí nosso de cada dia

Brasília - Todos nós, que nascemos, fomos criados ou vivemos no Amapá, na Amazônia Caribenha, somos, também, paraenses, por diversas razões: até 1943, o Amapá integrava o Pará; temos o falar semelhante, entremeado de tupi, chiando os ss e utilizando o "tu" de Portugal; e a culinária amapaense é, claro, a mesmíssima dos paraenses – não pode faltar farinha d'água, nem peixe, nem açaí, nem um mundo de outras inumeráveis coisas das quais só mesmo sendo paraense-amapaense para entender.
Quanto ao que chamo de Amazônia Caribenha, trata-se do rio Amazonas – sementes do Trópico Úmido são encontradas na Flórida, sul dos Estados Unidos, carregadas pelo maior rio do mundo através do Mar dos Caraíbas e do Gulf Stream, no Golfo do México; trata-se do Atlântico Norte, do gosto por peixes, merengue, o trópico, o realismo fantástico, a mulher negra, a sensualidade da mulher equatorial, a poesia de Isnard Lima Filho.
Açaí - comido de forma tão estranha no resto do país - é um dos elementos integradores entre o Pará e o Amapá. Alimento sagrado. O antropólogo e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Romero Ximenes, pesquisou durante quatro anos a produção e o consumo de açaí no Pará, num estudo intitulado “O açaí como teoria geral da sociedade paraense”, apresentado no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPA. “A partir do açaí, podem ser rastreadas as formas como a sociedade paraense se vê nas artes, na cultura, no padrão alimentar, enfim, em todas as suas dimensões, porque permite descobrir a sociedade paraense e entender como ela se explica, se justifica e encontra suas formas de legitimação” - ensina.
Por exemplo: no Pará e no Amapá é comum “jibuiar” - o hábito de tomarmos açaí no almoço e fazer a sesta em seguida. Já ouvi paulistanos achando que isso é preguiça. Não sabem nada do Trópico Úmido. “Jibuiar” é um neologismo advindo das jibóias, que ficam horas, paradas, digerindo o animal que engoliram. E da mornidão equatorial.
“Com o processo de globalização, é impossível proibir a produção externa do açaí, mas a solução para manter o seu valor identitário no Pará seria transformar o estado em um grande centro de excelência na fabricação do melhor açaí” - propõe Romero Ximenes. “O açaí é um dos elementos de construção da própria identidade regional paraense e da sua própria autodefinição. A expressão “Chegou no Pará, parou! Tomou açaí, ficou!” é a marca na qual a sociedade paraense se constitui historicamente” - observa o pesquisador, que fez a reflexão teórica do seu estudo baseada em autores consagrados, como Claude Lévi-Strauss e Johann Wolfgang von Goethe, além de autores regionais, como Dalcídio Jurandir, o genial marajoara autor de Chove nos campos da Cachoeira.
Para o caboclo, o ribeirinho, açaí é um depositório de ferro, deixando os curumins fortes e saudáveis. Mas o fato é que a quantidade de ferro no açaí é insignificante, segundo o doutor em Engenharia de Alimentos da UFPA, o belga Hervé Rogez, estudioso do precioso líquido há mais de uma década. Ele esclarece que, em 1963, um cientista fez pesquisa sobre a composição do açaí utilizando aparelhos de ferro; o mineral encontrado era dos aparelho e não da fruta.
Contudo, o açaí é rico em proteínas, potássio, cálcio, vitaminas E e B1, e lipídios. Importante: contém flovanóides, substância encontrada no vinho tinto, excelente lubrificante do coração; e fibras, que auxiliam na digestão, além de agentes antioxidantes e grande quantidade de óleo semelhante ao azeite de oliva. Importantíssimo: açaí não é energético e não engorda - diabéticos podem bebê-lo à vontade, desde que sem açúcar e farinha.
Nasci em Macapá, a capital do Amapá, no estuário do rio Amazonas, esquina com a Linha Imaginária do Equador. Sou, portanto, caboclo da Amazônia Caribenha. Belém é a mais cabocla e caribenha das cidades amazônicas. No início da tarde, no Ver-O-Peso, a mais fantástica feira do mundo, pedimos dourada frita e açaí. Despejamos farinha no açaí e o adoçamos. A dourada é fresca e derrete-se na nossa boca; o açaí é redentor. A sombra da barraca é refrescante e aonde nossa vista alcança há mulheres lindas para nos alegrar e a baía do Guajará navegando na tarde, a perder-se de vista.
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Cortesia do site ABC Político

3/03/2007

MULHER - um ser que Deus inventou. E não se arrependeu


Nesta quinta-feira, 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. O motivo pelo qual foi instituída essa data, deve-se a um fato ocorrido em 1857, quando 130 operárias de uma indústria têxtil, em Detroit, nos Estados Unidos, foram assassinadas. Elas haviam ocupado o interior da fábrica para reivindicar equiparação salarial a seus companheiros homens, redução de jornada de trabalho e melhores condições de trabalho. O proprietário da fábrica, em represália, mandou trancar todas as saídas do prédio, espalhou gasolina e tocou fogo provocando um incêndio sem precedentes.
Nenhuma das operárias salvou-se.
O fato trágico chocou o mundo e mereceu repúdio de todos os países. Em vista disso, a Organização das Nações Unidas (ONU) resolveu instituir o dia 8 de março, dia do infausto acontecimento, como o Dia Internacional da Mulher.
Mulher, a amante, a companheira, a confidente, a amiga, cantada em prosa e verso pelos aedos, pelos poetas, pelos romancistas. Mulher, motivo-maior das cantatas e da lira de Vinícius de Moraes – que mais do que ninguém soube dar-lhe o devido valor. Mulher, Maria, Mãe de Deus; Maria, doce Maria “...um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta, uma mulher que merece, viver e amar como qualquer outra no planeta; é o som, é a cor, é o suor, é a dose mas forte e lenta de uma gente que ri quando deve chorar e não vive, apenas agüenta...mas é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho sempre, quem traz na pele essa marca, possui a estranha mania de ter fé na vida”, como diz Milton Nascimento e Fernando Brandt, na sua canção.
A essência - Mesmo considerando-se a violência um fenômeno existente em todos os tempos e lagares, seria utópico imaginar um mundo em que a mulher se extinguisse de vez, observa a advogada e escritora e poetisa Lucy Gorayeb Mourão, líder feminista, dirigente de várias entidades e presidente da Associação Cristã Feminina – Capítulo de Belém. Não há como negar que estamos vivendo uma época de exaltação à violência, inclusive contra a mulher.
Há milênios o sexo feminino tem sido vítima de violência em todos os níveis. Imposta por uma sociedade dominada excessivamente pelo homem que sempre determinou como deveria ser o comportamento da mulher.
Discriminação existe, - prossegue Lucy Mourão, - desde que o mundo é mundo; haja vista que todas as leis eram feitas e administradas por homens. Como usar a lei como recurso, se esse instrumento útil só beneficiava os legisladores? Indaga.
Não podemos afirmar que a violência só ocorre na cidade. Também ocorrem no meio rural, nas mais variadas situações: física, psicológica, sexual e jurídica. A violência atinge não apenas o nosso país, como todos os demais, em todo mundo, mostrando que a opressão da mulher da sociedade é o resultado de situação de inferiorização.
Esse aspecto data do início do mundo, afirma Lucy, quando as mulheres ficavam quase inteiramente reclusas ao “gineceu”. Em Atenas, as mulheres dirigiam as tarefas domésticas e cuidavam da educação dos filhos menores. Havia confinação dentro do lar e elas só saiam por ocasião das festas religiosas pagãs, assim mesmo acompanhadas dos pagens e sob os olhares policialescos dos maridos.
Na idade média, a Igreja deve muita influência. Na França, Napoleão estabeleceu o seu famoso “Código” cujo texto continha severos castigos às esposas que por algum motivo faltassem com seu dever ou prevaricassem.
Ao longo dos séculos, chegamos também ao Brasil, onde o costume de castigar as mulheres vem desde os primórdios da sua colonização, continuando a denominação do sexo oposto. Só aproximadamente em 1827 foi dado o direito à mulher de freqüentar escola, persistindo o preconceito e a discriminação, pois no entendimento da época, mulher era mais para aprender o manejo da agulha, para a procriação, do que para a instrução.
Participação – Conforme Lucy Gorayeb Mourão, a participação da mulher na vida econômica, política e social do país foi importante para a sua valorização, quer como profissional ou mesmo como cidadã, na defesa de seus direitos, e na conquista do seu espaço. “Enquanto enfrentarmos a discriminação de uma sociedade de machista, - que não quer dividir privilégios, - teremos que lutar incansavelmente em defesa de nossa causa, tanto no âmbito das leis, quando no aspecto social” (...) “Assim, dizemos que direitos são conquistados e não dados gratuitamente; porisso é necessário que as mulheres se mobilizem para alcançar os seus objetivos”, destaca.
Apesar das constantes transformações porque passa a nossa sociedade, a mulher tem consciência de que muito tem a oferecer em benefício do ser humano; ainda mais pelo fato de que, a justiça social, antes de tudo é um direito das pessoas, e como tal deve ser por elas desfrutados, defende a líder feminista.
Conquistas – A presidente da Associação Cristã Feminina lembra que a “nossa Lei maior” diz que o poder emana do povo e em seu nome deverá ser exercido. Em uma análise rápida, verifica-se que a Constituição de 88 possui alguns avanços, não encontrados em legislações de outros países E, destaca duas conquistas obtidas pelo sexo feminino na Carta Magna, como a licença-maternidade de 120 dias para as gestantes, e o direito da mulher de aceitar um emprego sem autorização prévia e formal do marido, exigência legal, fatos inconcebíveis que as outras constituições continham, e derrubada pela Constituição de 88, em vigor
Profissionalização - Atualmente, o país está dotado de uma legislação preocupada em oferecer melhores condições à mulher, como uma forma de valorização feminina, corrigindo uma deficiência que se arrastava ao longo do tempo. Dessa forma, acentua Lucy Goraeyb Mourão, a preocupação das mulheres não está mais numa ausência de instrumentos legais, e sim no real cumprimento “in legis” dessa legislação; ou mesmo na conscientização da mulher desenformada, sobre como deve ser a forma legal de fazer valer os direitos, porquanto, vivemos numa sociedade moderna onde a divisão de atribuições é fundamental para o desenvolvimento da comunidade.
“Todos nós, especialmente as mulheres – aspiramos por uma sociedade mais justa onde não se verifiquem conflitos, discriminações ou quaisquer outros tipos de inferiorização do ser humano. E para conseguir o avanço de desses direitos é necessário somar esforços; ou seja, tanto o homem como a mulher são considerados iguais perante à lei, com os mesmos direitos e obrigações. Sem citar o fato de que a legislação punirá como crime, qualquer discriminação atentatória aos direitos humanos.
As mulheres sofrem atualmente uma barreira comum: o preconceito e a discriminação e, também, a violência. Contudo, a experiência tem demonstrado que a sua participação no mercado de trabalho tem sido notável, não apenas nos setor público, como na iniciativa privada e até mesmo na política, a nível local, nacional e internacional. A mulher, atualmente, em muitos aspectos, tem ultrapassado o homem e mostrando a sua importância, o seu valor”, diz orgulhosa Lucy Mourão.
Entidades – Lucy Gorayeb Mourão explica, finalmente, que em Belém existem entidades que procuram orientar as mulheres em todos os aspectos de suas vidas, como a Liga das Mulheres Eleitoras do Brasil (Libra); a Associação Cristã Feminina (ACF); a Comissão Permanente da Mulher Advogada (CPMA); a Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica (ACMCJ); o Movimento de Promoção da Mulher (MOPROM); o Movimento das Mulheres do Campo e da Cidade; o Grupo das Mulheres Prostitutas da Área Central (GEMPAC), dentre outras, no campo privado. Na área oficial, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM). Todas com o mesmo objetivo: a conceituação e valorização do sexo feminino.
O Dia Internacional da Mulher é uma forma de homenagear a mulher. Em Belém durante a semana, os governos municipal – que no ano passado ofereceu a cada mulher que compareceu ao Palácio Antônio Lemos uma rosa natural e uma linda mensagem assinada por Duciomar Costa; alem de música, ao violino, executada por Francisco Ronaldo Sarmanho de Souza Filho - e estadual, as entidades festejam essa data, para mostrar ao mundo de hoje que esse ser tão frágil e ao mesmo tempo tão importante e maravilhoso, é útil, necessário e indispensável na vida do homem, no prosseguimento do existir. É como diz Erasmo Carlos: “...da escola em que você foi ensinada, jamais tirei um dez, sou forte mas não chego a teus pés”.

►Importante

Quando se fala no Dia Internacional da Mulher lembramos de uma figura muito importante: Dulce Maria Faria Accioly, falecida há 13 anos, quatro dia após ter completado 82 anos, no dia 14 de maio de 1994. Foi líder feminista de escol e defendeu intransigentemente a causa da mulher.
Dulce Accioly nasceu em Belém do Pará. Fez os estudos, primário, ginasial e colegial no Colégio Santo Antônio, diplomando-se como professora primária. Deixou de cursar faculdade, pois se casou logo em seguida.
Mesmo casada lutou, mesmo de forma inglória, pelos interesses da mulher. Viúva, com dois filhos. Dedicou-se totalmente aos problemas e interesses da mulher paraense. Ajudou a trazer para Belém a Associação Cristã Feminina. Fez vários cursos de dinâmica de grupo e outros de defesa da mulher em vários estados da Federação.
De 1973 a 1978 foi secretária da Pastoral Regional da Mulher, da CNBB.
Deixando a função dedicou-se ao trabalho de assistência à mulher marginalizada (prostitutas), sendo por isso muito criticada. Alheia aos comentários, juntamente com outras companheiras fundou a Movimento de Promoção da Mulher (Moprom), de cujo trabalho surgiram duas creches, a “Casa da Gente”, no bairro do Telegrafo, em 1986; e uma outra na Marambaia.
Conhecida internacionalmente – pois era membro da associação “Companheiros da América” – através dessa relação conseguiu ajuda do exterior para as suas atividades em prol da mulher, realizando um trabalho dos mais apreciáveis.
Através do Moprom, desde 1988 promovia anualmente o Intertecmulher – Intercâmbio Técnico Cultural para a atuação da mulher – que tinha como objetivo a discussão específica das questões da mulher em busca de uma cidadania plena, interrompido desde a sua morte, que trouxe para Belém nomes consagrados na defesa da mulher no Brasil, como a escritora e feminista Rose-Marie Muraro.
Ao falecer de parada cardíaca, era presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina (antigo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher), que ajudou a criar, juntamente com outras líderes feministas na administração Coutinho Jorge.
O prefeito, à época, Hélio Gueiros reconhecendo o valor e a importância de Dulce Accioly deu o seu nome à uma creche da Funpapa, no Telegrafo, onde a grande desaparecida teve maior atuação.

(*) Transcrito d ´O ESTADO - Fevereiro de 2006

■ Dedico este texto à Doutora Telma Menezes (foto. Minha irmã. Minha amiga. Minha cúmplice. Minha mulher. Minha amada última. Meu tudo... uma heroína que me atura há 20 anos. Um anjo bom que iluminou a minha vida e que, espero, possa me conduzir pelo resto do caminho.(A.F.)

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Aquecimento global muda o rumo da raça humana

Brasília – A Terra passou por várias glaciações e degelo só nos últimos 20 mil anos - um segundo na idade do planeta azul. Mudanças climáticas são cíclicas. Mas, agora, cientistas desconfiam que é o homem que está sacudindo com cataclismos o mundo. De qualquer modo, a advertência é oportuna; servirá para os líderes da raça humana reverem o comportamento de gente da espécie de George Bush e de Lula.
Bush, por representar um império que não abre mão de um grama sequer da fuligem que manda para o espaço. Os Estados Unidos são os maiores poluidores do mundo, seguidos pela China, Rússia e Brasil, este, com 7%.
Lula, pela sua incapacidade, ou falta de entusiasmo, de comandar o desenvolvimento sustentável, único futuro do Brasil, subcontinente detentor da maior biodiversidade do planeta.
Não importa que o aquecimento global seja cíclico ou conseqüência da queima de petróleo e carvão. Importa que, desta vez, há 6 bilhões de humanos no planeta e se não houver planejamento global vai faltar mais comida e água. Milhões já morrem de fome e de sede, bem como varridos por cataclismos de toda ordem.
Estudos encomendados pelo Ministério do Meio Ambiente, divulgados terça-feira 27, mostram que na Amazônia, ainda um paraíso, a temperatura poderá atingir facilmente 40 graus centígrados. Então, muita gente será devorada por carapanã e outros mosquitos realmente diabólicos, como o condutor da malária. A exuberante floresta, que, atualmente, fazendeiros se empenham em arrasar, para encher os bolsos, transformar-se-á numa savana africana.
O mar engolirá um terço da ilha do Marajó, que mede 50 mil quilômetros quadrados, no Mar Dulce formado pelos rios Amazonas e Tocantins. Deverá engolir também cidades como Recife, a menos que a transformem numa Holanda.
O fato é que, há coisa de dois anos, a Amazônia secou e tufões aterrorizaram no Sul. Assim como a natureza faz, de vez em quando, é preciso varrer a politicalha.

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Cortesia do site ABC Político

2/26/2007





EFEITO SUCURI
José Sarney não quer João Capiberibe comandando a Sudam



Brasília – Quando o senador maranhense José Sarney, eleito pelo PMDB do Amapá, foi presidente da República, biônico, o povo brasileiro foi apenado com devastadora hiperinflação. Também, durante quatro décadas, o coronel travou o crescimento do Maranhão até torná-lo o estado mais pobre do país – uma espécie de Haiti. Eleito pelo Amapá, Sarney criou, em Macapá, uma zona franca de quinquilharias da China, atraindo levas de maranhenses atrás de emprego. Macapá inchou, sem condições de abrigar decentemente nossos irmãos do belo estado nordestino. As favelas proliferaram e a violência, devido ao desemprego e ao pirão pouco, explodiu.
Agora, o imortal da Academia Brasileira de Letras vem trabalhando para prejudicar não só seu torrão natal, o Maranhão, mas também o Amapá - sobre quem pulou (sic) de pára-quedas - e o Pará.
Segundo um dos mais bem-informados jornalistas amapaenses, Corrêa Neto (www.correaneto.com.br), o Maranhão e o Pará sofrem do “efeito sucuri”, cobra que atinge dez metros e que esmaga suas vítimas, até boi, entes de engoli-las inteiras. “Os paraenses acreditam em prejuízos para os dois estados (Pará e Maranhão) com a derrota da senadora Roseana Sarney, PFL-MA, no Maranhão, e o lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Em Brasília, uma sucuri gigante prepara o laço para sufocar a economia maranhense, por vingança, empurrando milhares de desempregados na direção sul-sudeste do Pará, passageiros da esperança da ferrovia de Carajás” – escreveu Corrêa Neto.
Walter Jr., outro jornalista amapaense sem rabo preso, comenta no seu blog (canetasemfronteira.blogspot.com): “Está explicada a ausência do senador Sarney na homenagem que a escola de samba amapaense Emissários da Cegonha fez pra ele. Sarney, que não faz parte de nenhuma comissão permanente no Senado, estaria dedicando-se em tempo integral para evitar que João Capiberibe assuma a superintendência da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) e comandaria um torniquete financeiro ao Maranhão para impedir que o novo governo maranhense desenvolva o estado”.
Ainda Walter Jr.: “O trem da Vale do Rio Doce (Companhia Vale do Rio Doce, CVRD) ficará lotado de maranhenses desempregados que virão abarrotar as periferias das cidades do sul e sudeste do Pará. Tudo por conta dos restos a cobrar da derrota da filha Roseana”.
João Capiberibe (PSB) teve de deixar o Senado no tapetão. Governou o Amapá, de 1996 a 2002. Capi, como é conhecido, pôs a economia do estado caribenho nos trilhos, de acordo com a teoria do desenvolvimento sustentado, sem colonialismo, com a participação de índios, negros, quilombolas e caboclos. Eleito para o Senado, Sarney - segundo a deputada Janete Capiberibe (PSB) – teria comandado um processo jurídico ridículo contra Capi. Se assim é, Sarney sabia o que estava fazendo. Capi foi apeado do Senado da República.
A quilombola Cristina Almeida, do mesmo PSB de Capi, quase manda Sarney de volta para o Maranhão, nas eleições de outubro passado para o Senado. Agora, Capi é cotado para dirigir a Sudam, mas Sarney não quer. A Amazônia precisa de Capi na Sudam; o problema é que Sarney tem grande ascendência sobre Lula.

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Cortesia do site ABC Político

2/18/2007





PÚBLICO OU PRIVADO?

Desembargador do Amapá quer a imprensa amordaçada

Brasília
– De 1943 a 1990, especialmente durante a ditadura dos generais, de 1964 a 1985, os jornalistas do então Território Federal do Amapá sobreviviam numa espécie de front, pois o estado não se fazia presente em terras tão longínquas do Rio de Janeiro e, depois, de Brasília. O estado democrático muito menos. Com a ditadura, jornalista que se metesse a rabequista era logo jogado na Fortaleza São José de Macapá e, de lá, em algum porão em Belém do Pará. Mas, ainda hoje, o Amapá, estado desde 1990, está muito distante de Brasília. Ou perto demais.
Só para dar um exemplo, nas últimas eleições, o senador maranhense José Sarney, eleito pelo PMDB do Amapá, instituiu a censura aos jornalistas que participaram do movimento “Xô, Sarney!”. Em outubro passado, o TRE do Amapá acatou incontáveis ações, multou e censurou vários jornalistas amapaenses, entre eles Corrêa Neto e Alcinéa Cavalcante, apenados em mais de R$ 1 milhão.
Há até um caso hilariante. Sarney entrou com uma ação na Justiça e conseguiu que agentes da Polícia Federal deixassem seu trabalho de lado para inquirir a jornalista Alcinéa Cavalcante, ao longo de três horas, porque um internauta registrou no blog da jornalista, em agosto do ano passado, que a família de Sarney “fede”.
Agora, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE), desembargador Honildo Amaral de Mello Castro, está movendo ações civis e criminais contra os jornalistas Corrêa Neto e Alcinéa Cavalcante e uma interpelação judicial contra a jornalista Luciana Capiberibe, filha do ex-senador João Capiberibe e da deputada Janete Capiberibe.
O crime: Honildo Castro se ofendeu porque os jornalistas publicaram que o juiz está construindo um hotel no centro de Macapá, estimado em mais de R$ 1 milhão.
Segundo o site Folha do Amapá, recentemente, o juiz Antônio Ernesto Colares concedeu liminar em ação de indenização por danos morais movida pelos advogados de Honildo Castro, determinando a retirada de “fotografias do prédio e comentários sobre o proprietário dele”, publicados na mídia, por entender que não existe “interesse público” na notícia. Mas Honildo não é funcionário público? Não é ele pago com nosso suado dinheirinho?
“Na ação civil contra Corrêa Neto e Alcinéa Cavalcante, o desembargador cobra indenização no valor de R$ 105 mil por danos morais” – diz a Folha.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) deverá enviar um representante ao Amapá para acompanhar os processos.

Bem-vindo Walter Jr


Li na humorada e bem escrita página do Dr. Hélio Gueiros (Diário do Pará) – ele é meu colega duas vezes, mas eu não consigo deixar de chamá-lo de Doutor!!! É habito -, que o Walter Júnior do Carmo, – o nosso querido Walter Jr. - está de volta a Belém após submeter-se a uma bateria de exames na capital paulista.
Ou seja, o cara está zero-bala.
Para quem sabe, Walter Jr foi um dos melhores coordenadores de comunicação social que a Prefeitura de Belém teve nesses últimos 20 anos. Como profissional do ramo, zeloso e competente, sabia o que queria. Sabia mandar – aliás, pedir. Ele não mandava... com aquele papo... não havia como não atendê-lo -, conhecia cada um dos seus subordinados e o que mais importante, sabia ouvir. Ético, justo, enérgico quando necessário, o macapaense aprendeu amar e querer bem a "Cidade das Mangueiras". Com as suas atitudes firmes e inteligentes contribuiu grandemente para o sucesso da administração.
Walter Jr fez toda campanha de Hélio Gueiros utilizando a música de Roberto Carlos – “como é o meu amor por você’. Esse case – que obteve prêmios em concursos nacionais – fez com que com HG ganhasse no primeiro turno.
De goleada.
Icoaraci e Outeiro devem muito a Hélio Gueiros e, de certa forma, a Walter Jr.
Como jornalista e publicitário, ele assessorou com dados técnicos e informações - eu também estive nessa ajudando o cara! - Hélio e a Dra. Terezinha Gueiros na concepção, criação, planejamento e implantação do Liceu de Artes e Ofícios Mestre Raimundo Cardoso – que substituiu a Escola Sabino Oliveira, mantida pelos artesãos há mais de 30 anos -; e a Escola Bosque que homenageia o professor Eldorfe Moreira.
Também é de Walter Jr – juntamente com Terezinha Gueiros – no final da administração HG, a idéia do Centro de Cultura de Icoaraci, que funcionava no pavilhão ao lado da Escola Municipal Alfredo Chaves, na “7ª Rua”; e o Museu do Artesanato de Icoaraci, instalado num chalé suspenso, estilo colonial, na Travessa Pimenta Bueno, ao lado da capelinha de São Sebastião.
O primeiro diretor do museu foi o artesão Raimundo Sarava Cardoso,falecido no dia 10 de abril de 2006
Infelizmente, tanto o Centro de Cultura como o Museu do Artesanato foram esquecidos.
Detalhe - na administração passada quiseram instalar na Biblioteca Municipal Avertano Rocha, o Museu do Artesanato, como se fosse idéia original. Eu que acompanhei tudo desde o início, protestei.
Botei a boca do trombone e projeto foi cancelado. Até mesmo a festa de “inauguração”.
Graças a Deus, que o esforçado e competente “subprefeito” de Icoaraci, o economista, publicitário e microempresário José Croelhas, pretende reativar Centro de Cultura – aliás, já reativou.
Muito bem.
Pois é. Meu bom amigo Walter Jr está na área. Saúdo a sua volta.
Precisamos botar o papo em dia.
Não pela internet, mas pessoalmente, para aquele abraço interromçido há dez anos. A.F.

2/14/2007

Aqui,Outeiro





Luiz Carlos Freire

Comerciantes de Outeiro se
unem para criar Associação


O ano de 2007 iniciou com bons ares para o fortalecimento da economia e do comercio da Ilha de Caratateua,a qual conhecemos como Outeiro. A classe empresarial da localidade se empenhou em formar a tão esperada Associação Comercial visando o fortalecimento através de campanhas de conscientização junto aos moradores para buscar capitar o poder econômico, disperso, estimado em mais de 25 mil pessoas economicamente ativas que moram na ilha e não tem tradição em consumir em estabelecimentos comerciais de lá.
Param realizar o intento,a organização promoveu uma “festa de adesão” que ocorreu a partir às 9:00h do domingo dia 21 do corrente, nas dependências do Clube dos Servidores do Ministério da Fazenda.

Parceria com A ACII

Através do associativismo solidário entre os comerciantes a coordenação do movimento com o apoio da Associação Comercial de Icoaraci – ACII, que tem como presidente o empresário do ramo de materiais de construção Marcos Rezende, conseguiu já nesse primeiro momento contar com a adesão de 50 comerciantes para dar inicio aos trabalhos.
Durante o evento embalado por música voz e violão pelo cantor Jean, o consultor do SEBRAE Sérgio Raposo Pinheiro deu uma palestra sobre associativismo colocando aos empreendedores presentes as vantagens que terão ao agirem dentro de um grupo como Associação Regional Comercial de Outeiro.
A presidência da ARCO coube a Douglas Augusto Schmmelpfennig Industriário e sua primeira diretoria (provisória) ficou composta com os empreendedores Luiz Carlos Freire do Jornal das Ilhas na vice-presidência, Alex Gonçalves da Casa Nova; secretário de finanças, Elizabete Wanzeller do Kiosk da Ilha; além da participação dos empreendedores Marcos Cerqueira da Construmix,Luiz Gonzaga do descartáveis Necessários, que dirigirão a entidade até as eleições que se darão em maio próximo.
Primeiros Passos - A diretoria da Arco intenta trazer para a ilha de Caratateua, o serviço de banda larga, para que seja possível o maior uso da Internet. Para tanto, a diretoria se empenha em marcar agenda com a Telemar, impulsionados por cerca de treze empreendedores que pretendem lançar Lan houses.
Em outra frente a entidade já se posiciona para organizar demandas de educação de ensino superior e parcerias que garantam a presença de vários serviços públicos como a retirada de documentos entre outros.
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N.da R. - Luiz Carlos Freire a partir desta semana assinará a coluna "Aqui,Outeiro" neste espaço virtual. (A.F.)

Mais uma do irriquieto Carlinhos Correia



Queridos amigos,

Partilho com vocês uma linda conquista.
Nesta última terça feira, dia 13 de fevereiro, o jornal Estado de São Paulo, o famoso “Estadão”, publicou na capa de seu Caderno 2 uma matéria de página inteira sobre dramaturgos brasileiros que vêm se destacando em concursos nacionais.
Assinado pela jornalista Beth Néspoli, o título do texto é “TEATRO DE VENCEDORES”.
Foram ouvidos 14 autores. Seis receberam destaque na reportagem. Além de terem depoimento no corpo da matéria, ganharam um mini resumo de seus feitos teatrais com foto no centro da página.
Bem, tive a honra de ser um desses seis autores em destaque.
O único da Região Norte,

2/10/2007



TRISTES TRÓPICOS
De uma forma ou de outra, vamos perder a Amazônia

Brasília – Estamos fadados a perder a Amazônia, seja para mudanças climáticas cíclicas no planeta; seja em conseqüência da poluição planetária, principalmente nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e na China; seja para os Estados Unidos, pois que o Trópico Úmido é a região mais rica da Terra, de longe; seja para a Organização das Nações Unidas (ONU) – leiam-se Estados Unidos e Inglaterra -, que, como está comprovado, a Grande Floresta funciona como um refrigerador planetário.
A Grande Floresta vem sendo torada, desde a década de setenta do século passado, em cerca de 100 mil quilômetros quadrados por governo, isto é, de quatro em quatro anos. No sertão, vige a lei da bala e escravidão é comum.
O número de fiscais do pomposo Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pela fiscalização do cumprimento da lei na floresta, é ridículo. Árvores centenárias, madeira de lei valiosa como ouro, são traficadas para a Europa, Estados Unidos e São Paulo. De vez em quando se descobre corrupção dentro do Ibama. Obras como as eclusas de Tucuruí, a Hidrovia do Marajó, a Hidrelétrica de Balbina, são procrastinadas ad infinitu. Essas obras, e políticas sociais, levarão ao desenvolvimento da Amazônia.
O Trópico Úmido só experimentou desenvolvimento verdadeiro nos governos de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek, quando foram criadas instituições como o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), sediado em Belém; e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), sediado em Manaus.
Nesse período, também, houve a redivisão territorial do continente amazônico, com a criação dos estados de Rondônia, desmembrado de Mato Grosso; Roraima, desmembrado do Amazonas; e Amapá, desmembrado do Pará. Ligou-se, ainda, embora equivocadamente, a Amazônia ao Sudeste, via Belém-Brasília, que deveria ser uma ferrovia.

Aí, abateu-se sobre o país o golpe militar de 1964, que, tragicamente, durou duas décadas e um ano. Nesse período, sangrou-se a floresta para construir-se rodovias a um custo louco e tentou-se povoar a Amazônia jogando-se sulistas e sudestinos na mata. Morriam como peixe nos rios poluídos das suas regiões de origem, vítimas dos inúmeros e peçonhentos mosquitos que infestam o Inferno Verde, sem ter para onde correr.
Veio José Sarney. Um desastre completo. O senador maranhense foi substituído por Fernando Collor de Melo, hoje, senador. Collor foi apeado do poder – seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, estava saqueando o erário - e foi sucedido pelo seu vice, Itamar Franco. E aí veio Fernando Henrique Cardoso, que não liderou a implementação de reformas fundamentais para o país. Assim, tudo ficou como dantes no quartel de Abrantes.
Então, veio Lula. Uma tragédia em andamento. Enquanto ele se concentra no seu despautério verbal, companheiros seus se concentram nos seus projetos pessoais, como já ficou comprovado no Ministério Público. A Amazônia de Lula? É só falácia.
Mas a grande responsável pela desdita da Amazônia é sua elite. Sai governadores, entram governadores, a pilhagem é a mesma. Os governadores que entram divulgam o rombo dos seus antecessores, nepotismo, superfaturamento, contratos espúrios, mentiras em estado puro. Os parlamentares vivem, quase sempre, preocupados em manter seus currais eleitorais, custe o que custar, com mordomia e em roubalheira pura e simples. E o empresariado engorda, constrói mansões, empoleira-se em apartamentos-mansões, anda, nas ruas esburacadas, em Mercedes. Nos miseráveis, mandam as polícias meter bala em quem sair dos guetos, pocilgas erguidas sobre os esgotos das metrópoles amazônicas. A poucos ocorre colaborar com as escolas públicas e universidades.
Milhões de amazônidas, principalmente citadinos, vêem-se a si mesmos sob a lente do colonizador, sob o ponto de vista do paulistano, do carioca, do europeu, e não na ótica da sua cultura, a cultura amazônida, a cultura do caboclo. Um exemplo: a Universidade Federal do Amapá (Unifap) oferece curso de Direito, mas não oferece curso de Oceanografia. As costas do Amapá são as mais ricas do mundo em frutos do mar, mas o peixe consumido em Macapá é, geralmente, do Pará ou do Amazonas, quando não é do Rio de Janeiro, ou até mesmo do Chile - enlatado.
A solução para o Brasil seria uma revolução, como a francesa, em 1789. Mas isso é utopia na geopolítica de 2007. Então, só resta os parlamentares amazônidas que detêm verdadeira liderança fundarem, seja como for, um congresso amazônico permanente, legítimo, pois a Amazônia é um país mesmo.

2/07/2007



ALTAR EM CHAMAS
João de Jesus Paes Loureiro oferta rosas para Belém do Pará

Brasília – O mundo já conta com o blog de um dos maiores escritores da Amazônia, o poeta paraense João de Jesus Paes Loureiro (paesloureiro.blogspot.com). Prêmio nacional de poesia, com Altar em Chamas, o poeta já foi publicado nos Estados Unidos, França, Alemanha, Japão, Itália, Portugal e Colômbia, além do Brasil. Doutorou-se na Sorbonne, Paris, com a tese Cultura Amazônica - Uma poética do imaginário, livro fundamental para se entender a Amazônia.
Paes Loureiro é filho ilustre da cidade de Abaetetuba.

O poeta inaugurou seu blog com um poema que é um beijo em Belém do Pará, Mangueiras de Belém. Deguste-o.

Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?
O rio se curva e te oferta
um branco buquê de espuma.
A noite deita nos becos
e a cuia da lua derrama.

Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?
Ruas de anjos com asas
de verde beleza arcana.
Ai! Mangueiras da Cidade,
que o sol esculpiu na sombra,
por vós o poeta implora,
por vós a poesia clama...
Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?

Por que vagam na cidade
assassinos de mangueiras,
matando-as por querer
ou matando de encomenda,
matando à sombra da lei,
essa lei sem lei, sem lenda?
Essa triste lei da morte
que tem na morte sua vida.

Não deixem que passe impune
esse crime, essa desdita.
Fotografem, multipliquem
vosso “não” pela internet,
pelos blogs, no youtube,
nos orkuts, nos e-mails,
nas asas dos passarinhos
que estão perdendo seus ninhos,
no peito dos que se amam,
nos muros e nos caminhos...

Quem pode lavar a mão
olhando esse arvorecídio?
Que frutos hão de brotar
nos galhos da solidão?
Que é feito do coração
desses que sem piedade
arrancam pela raiz
as raízes seculares
da alma desta cidade?

Ai! Mangueiras de Belém!
Anjos de verde folhagem,
que fazem sombra com as asas
mas são em poste enforcadas.
Verdes berlindas de mangas
no Círio de cada dia.
Campanários de andorinhas
nos corais da ave-maria.

Quem te vê e não te ama?
Tua leve melancolia
presa em gaiolas de chuva.
Teu dia, garanhão de auroras
tua noite sempre viúva...
Belém, donzela das águas,
no rio do verso encantada.
Oh! Barca de verdes velas,
no Ver-o-Peso aportada.

Chegou o Gabriel Amoras


Este espaço não e coluna social, mas, de vez em quando faço uma exceção.
Os leitores devem estar lembrados de que no mês passado dei destaque – com justiça, por sinal - para dois bons amigos, Edílson Amoras e Nelson Delgado competentes técnicos em informática que dão “aquele grau” no sistema virtual do Palácio Antônio Lemos. Principalmente agora que a Cinbesa voltou ao ar cheia de autoridade e com mais potencia.
Pois é.
Um deles, Edílson, acaba de ser papai novamente.
Na segunda-feira/5, ele e a sua Andreza, com o apoio da médica Lia Afonso – via Hospital Saúde da Mulher – ganharam o Gabriel.
O novo rebento chegou às 07h15m cheio de saúde fazendo um berreiro que acordou todo mundo, pesando 2,330 kg e medindo 53 cm.
A primeira providência do orgulhoso papai foi – como não poderia deixar de ser – presentear o filho com uma camiseta do Payssandu Sport Clube.
Gabriel veio fazer companhia ao Mateus, um menino de cinco anos, muito inteligente, primogênito do casal.
Agora a família está completa.
O Jornal do Feio e seus leitores cumprimentam o casal Dr. Edílson (Andreza) pela chegada do Gabriel.
Que seja feliz, com a graça de Deus.

2/03/2007


HILÉIA
Amazônia se integra ao Mercosul pela Venezuela


Brasília – O Mercado Comum do Sul (Mercosul) foi criado, em 1991, praticamente entre Brasil e Argentina, os dois países mais industrializados da América do Sul. Ouvia-se falar em Mercosul praticamente de Brasília para baixo. A entrada da Venezuela no bloco muda esse enfoque. A Amazônia, hoje um sub-continente colonizado por São Paulo, sempre dependeu e foi explorado pelo Hemisfério Norte: antes, Lisboa e Londres; agora, os Estados Unidos – por exemplo, em 40 anos, o Amapá praticamente doou para os Estados Unidos uma jazida do melhor manganês do mundo. Digo assim, doou, porque a grana ficou no bolso de um ou dois cartolas.
De 1835 a 1840, o Grão Pará, que englobava o estado do Amapá, tentou sair do império do Brasil, então sediado no Rio de Janeiro, num movimento sangrento, a Cabanagem, que redundou na tentativa de escravos negros, índios e caboclos, os cabanos, escaparem da senzala - extinta por lei, mas uma realidade até hoje, 2007. Como na Revolução Francesa (1789), cabanos mataram inúmeros aristocratas, portugueses e brasileiros. A propósito, quando se fala em escravidão no país evoca-se apenas africanos. Os índios foram escravizados tanto quanto os africanos.
Há muito tempo, bem antes do Mercosul, comerciantes e prestadores de serviços do Pará e do Amapá mantêm intenso intercâmbio com a Guiana Francesa, o Suriname e a Guiana; Amazonas e Roraima, com a Venezuela; e o Acre, com a Bolívia.
Agora mesmo, a superintendente da Zona Franca de Manaus, Flávio Skrobot Grosso, e o embaixador da Venezuela no Brasil, Julio José Garcia Montoya, reuniram-se, dia 31 de janeiro, em Manaus, para articular maior integração comercial entre o Amazonas e a Venezuela, nas áreas comercial e turística.
Na Venezuela, eles têm algo semelhante à Suframa, a Cooperação Venezuelana de Guayana (CVG), com a finalidade de aproveitar, de forma racional e sustentável, os recursos hídricos e florestais, e minerais, como bauxita, ouro, diamante, metais existentes no sudeste venezuelano. A CVG atua em cinco estados e compreende mais de 50% do território venezuelano.
A Suframa já levou 34 empresários de Manaus para uma rodada de negócios na cidade de Puerto Ordaz. Nova rodada deverá ser feita em Manaus. A Venezuela poderá fornecer insumos, como alumínio, aço e poliestireno, e comprar produtos do Pólo Industrial de Manaus (PIM). Em 2006, a Venezuela importou US$ 285,4 milhões do PIM, mais do que o dobro do que importou em 2005 – US$ 138,6 milhões. Os venezuelanos compram de Manaus principalmente televisores, motocicletas e insumos para bebidas.
Júlio José Montoya acha importante a criação de uma rota aérea regular entre Manaus e a Venezuela, o que poderá ser feito por empresas regionais. Além do transporte de cargas, há interesse, em Manaus, pelas praias caribenhas da Venezuela. Todo ano, nas férias, milhares de amazonenses buscam destinos como Margarita. Em troca, os amazonenses podem oferecer turismo de selva, o que fazem com competência

1/27/2007

Discriminação intelectual, você já foi vitima?


Desculpem-me pela coluna diminuta mais o RE X PA deste final de semana foi a estréia do meu garoto no Mangueirão.

Certo dia presenciei uma tênue discussão entre dois irmãos, um era biólogo formado pela Universidade Federal do Pará e o outro era um radialista. O tema desta pequena discussão era o cação um peixe de água doce da família dos tubarões.
Na ocasião o radialista expôs a explicação que havia recebido da maior autoridade de nossa região na área de pescado, acerca do que é o cação, após a explanação do radialista acerca do assunto o biólogo seu irmão discordou veementemente do que ele havia falado e com um certo ar de superioridade começou a explicar sua teoria acerca do que era o cação.
Após muitos termos técnicos e muita falação percebi que o biólogo acabara chegando ao ponto onde tudo começou, o conceito exposto por seu irmão radialista ou seja aquela troca de idéias que levou cerca de uma hora acabou no mesmo lugar.
Esta troca de idéias aconteceu em um bar, porem a única bebida que eles haviam consumido foi uma coca cola. O que me fez perceber que aquela loucura não foi ocasionada pelo fato de se ingerir bebida alcoólica. Não sei se o fato de terem tomado uma bebida símbolo do poder econômico capitalista influenciou em algo, mais certo mesmo é que acabei presenciando um ato de discriminação intelectual.
O biólogo por ser um homem diplomado, com todo respeito as pessoas formadas, e seu irmão radialista um homem que batalhou como o biólogo, mas não teve oportunidade de estudar até formar-se em uma universidade, acabou achando-se no direito de “desfazer” de seu irmão menos instruído porém não menos inteligente na frente de todos os presentes.
Sabemos que existem muitas formas de discriminação em nosso país, a discriminação por classe social, discriminação por raça, por religião, por sexo e até por idade, mesmo que as neguem nós sabemos que elas existem.
- Porém o que me deixou mais boquiaberto foi ocorrer este tipo de discriminação no seio de uma família por mera vaidade ou por um tema tão banal como o que é o peixe chamado cação!
Que me desculpe o biólogo, seu diploma e todo seu estudo. Mais isso é pura falta de educação !!!!!
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Hélio Dória Jr