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3/31/2007




FICÇÃO OU REALIDADE?
Jogo virtual revela desleixo dos presidentes brasileiros para com a Amazônia


Brasília
– O caso da peça pregada por meio de um vídeo falso pregando a privatização da Amazônia tem várias leituras. Uma, é que a ficção abeberou-se na fonte da realidade; outra, que não é verdade que o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) tenha pagado mico – o senador amazonense foi apenas ágil ao perceber um gancho para a defesa regular que faz da soberania da Amazônia. O vídeo, lançado no ciberespaço, não deixa de ser uma advertência ao desprezo que os brasileiros, inclusive amazônidas, sentem pela região mais cobiçada do planeta, a qual, se os governos brasileiros não prestarem atenção, será mesmo ocupada, de modo sofisticado, pelas potências mundiais, que têm como testa-de-ferro a Organização das Nações Unidas (ONU).
A editora assistente do jornal Folha de S.Paulo, Malu Delgado, investigou e descobriu que o referido vídeo é uma brincadeira na internet. Mas, como desconfia o jornalista Chico Bruno, do site Folha do Amapá, não haverá reais intenções por trás de brincadeira tão séria? “A notícia divulgada, pela Agência Amazônia, é extremamente grave, exista ou não a empresa, pelo simples fato de estar disponível na internet um vídeo propondo a internacionalização da Amazônia, com ofensas ao país e aos sul-americanos em geral” - adverte Chico Bruno.
A jornalista da Folha, Malu Delgado, descobriu que a Arkhos é uma empresa fictícia criada em jogo virtual - Alternate Reality Games -, no site www.zonaincerta.com, sob patrocínio do guaraná Antarctica, em parceria com a Editora Abril. A sinopse do jogo virtual é uma misteriosa história envolvendo um biólogo que teria descoberto segredos de fabricação do guaraná. A Arkhos é a vilã e quer a Amazônia sob controle privado.
O jogo trata a Amazônia com desprezo real. Mas tem um lado positivo: alerta para o desleixo dos governos brasileiros para com a região mais rica do planeta, em bioversidade, água e minerais estratégicos e preciosos.

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Cortesia do site ABC Político

3/29/2007

“Naga Rip” está mandando ver em Sampa


O moço aí da foto é Fábio Franco Rodrigues, Nagash para os íntimos, apelido recebido desde a adolescência, em virtude de gostar muito de desenhos, e quadrinhos japonês, mangás, etc.
Ele é meu sobrinho, filho de um irmão que nasceu e mora em São Paulo, Ricardo Rodrigues, que nas horas vagas mexe com engenharia metalúrgica; e da Fátima que é Assistente Social.
Desde criança Nagash desenhava muito bem. Tanto que se formou em Desenho de Comunicação,pela Escola Superior Rocha Mendes É criativo e vidrado em computador – onde faz miséria de traz para frente e de frente para traz – como também é apreciador da arte e música.
Além disso, toca guitarra baixo, bateria e é DJ – especialista em rock - bem conceituado, sendo convidado a tocar inclusive fora de São Paulo.
Profissionalmente, começou fazendo sites; e hoje é Diretor de Design na Space Produções Ltda. Antes atuou na Ciclelogic e Labone - Empresa do Grupo Abril.
Entre vários projetos é responsável pelo site Space Kids, direcionado ao público infantil, altamente educativo, bem conceituado pela mídia, sendo destaque no programa "Olhar Digital", exibido pela Rede TV, na semana passada e que pode ser conferido no endereço http://olhardigital.uol.com.br/centralvideos.php?VideoID=1007
Fábio é conhecido nos meios artísticos e nas baladas da Paulicéia como Naga Rip.
Nagash, 27, é especial. Gosta de cinema, fotografias e de restaurante de comidas exóticas.
Meu sobrinho é grande.
Pena que seja são paulino doente... como o pai.
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Minha família só tem artista.
Um irmão que morreu há sete anos – lá mesmo em Sampa, mesmo que tenha nascido em Belém – era cantor e compositor; um tio, Oswaldo Uchoa (Vavá), paraense, radicado em São Paulo - onde, aliás, morei no início da minha adolescência por cinco anos.... a minha turma quase toda fez de Sampa a sua segunda casa – dominava um violão com desenvoltura, com maestria, e cantava como ninguém. De vez quando. apresentava-se em programas da antiga TV Record - Canal 7, quando ainda funciona no bairro do Aeroporto (Av. Miruna, uma das transversais da Av. Moreira Guimarães, atual Rubem Berta.Pena que também já se foi.
Para completar, tenho uma prima aqui em Belém que é uma grande cantora e compositora, a Andréa Pinheiro, filha do primo Everaldo – meu colega de bancos escolares – e que mora em Brasília.
Como dá para observar, toda a minha família é artista.
Menos eu que ao invés de advogar, resolvi mergulhar de cabeça no jornalismo primeiramente; e no ramo da comunicação a posteriori.
Dá pro gasto.

3/27/2007

Vicente Cecim lança “Ó Serdespanto” na Sexta-feira/30



O escritor, jornalista e publicitário Vicente Cecim estará lançando nesta sexta-feira/20, na Livraria Jinkings (Rua dos Tamoios, a poucos metros da Praça Batista Campos) mais uma obra: Ó Serdespanto.
Mistura de prosa e poesia, ficção e ensaio, Ó Serdespanto, de Vicente Cecim, é um dos volumes visíveis do que o autor denomina Viagem a Andara - O livro invisível.
Comparada a criações de Heráclito, Nietzsche, Michaux, Silesius, Novalis e Guimarães Rosa, a obra de Cecim tem melodia única. "Mesmo a Escritura, rompendo limites na Literatura, ainda contém a insuficiência respiratória do Verbo", diz. "Busco escapar pelo retorno às Imagens, à matriz das Palavras. Tento, agora, a Iconescritura." A Viagem a Andara, onde inexiste a oposição entre o natural e o sobrenatural, não tem fim e pode ser iniciada em qualquer de seus momentos (trechos/percursos).
Mas o que é Andara? É, sim, uma transfiguração, em região-metáfora da vida, da Amazônia, onde Vicente Cecim nasceu e vive até hoje, mas não deixa de ser também o próprio autor, o leitor, o universo.
Uma das definições aparece numa entrevista de Cecim à revista Azougue: "Andara é Coisa que viaja por dentro e no sentido inverso: quer retornar dos dedos dos pés ao calcanhar de Aquiles do homem, ali onde ele é mais sensível à Hipótese Onírica e Lúdica e Naturalmente Sagrada da vida. Andara quer a Origem, o Antes do ponto em que tudo começou a se perder do Todo, o ponto oculto de nós, homens, que só se consente a nós em Relances, Vislumbres."Como afirma o poeta Fabrício Carpinejar, "a Bíblia não terminou de ser escrita. Ó Serdespanto é um papiro encontrado na Amazônia, sujo de vento, sujo de verdade, aos 40° de Belém do Pará. Versículos, fábulas, parábolas." A jornada ao mundo de Andara, onde sentidos, sentimentos e pensamentos se combinam e tomam vida, é um passeio inesquecível e indescritível.

3/23/2007



Maior grileira do Brasil é expulsa do Pará

Brasília - Empresa do grupo CR Almeida, a Incenxil (Indústria, Comércio, Exportação e Navegação do Xingu Ltda.) terá que se retirar imediatamente da fazenda Curuá, na Terra do Meio, região do Pará entre os rios Xingu e Tapajós, por determinação da Justiça Federal, em atendimento ao Ministério Público Federal (MPF). Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informam que a fazenda Curuá é a maior área grilada do Brasil, quase 5 milhões de hectares - Holanda e Bélgica juntas.
O juiz Herculano Martins Nacif proferiu a sentença dia 15 de março. Além dos sócios, prepostos e funcionários da Incenxil, policiais militares que estejam guarnecendo o latifúndio também devem desocupá-lo já. À Polícia Federal cabe garantir o cumprimento da sentença. E caso de desobediência da sentença, a Incenxil pagará multa de R$ 100 mil por dia.
Herculano Nacif também proibiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de pagar indenizações que a Incenxil estava cinicamente pleiteando pela desapropriação da terra grilada, pertencente ao Pará e à União. Além de grilar a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, a Incenxil grilou todas as terras indígenas Xypaia e Curuaya, toda a Floresta Nacional de Altamira e 82% da Terra Indígena Baú.
“O fundado receio de dano de difícil reparação decorre, além do risco de legitimar a “grilagem”, da possibilidade de irreversível lesão ao meio ambiente pelos atuais possuidores, por intermédio da extração ilegal de madeira ou desmatamentos e queimadas para a criação de bovinos” - diz a ação proposta pelo procurador da República em Altamira, Marco Antônio Delfino de Almeida.

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Cortesia do site ABC Político

3/17/2007

Blog do Afonso Klautau é muito bom


Nesses dias em que se vêem bobagens na internet, quando não intrigas, xingamentos e papos furados que não levam a nada, vale a pena dar uma curujada no blog do Afonso de Liguório Dias Klautau, ou apenas Afonso Klautau.
A questão de uns dois ou três meses atrás o Hamilton Pinheiro – HP – quando ainda dirigia o Núcleo de Rádio e TV da Comus (NUR) me chamou a atenção para a novidade: “Feio, o nosso Afonso Klautau está com blog na internet. Agora ele mora no Mosqueiro e nas horas – já que o homem é jornalista 24 horas por dia – empresta um pouco do muito do que ele sabe pra todo mundo”.
Conferi. Era mesmo.
O blog é muito bom.
Afonso Klautau é um monstro da nossa profissão; e forma outros monstros, já que é professor do Curso de Comunicação Social (Área de Jornalismo) da Universidade Federal do Pará.
É isso aí, Afonso. Tive muito orgulho em trabalhar com você, amigão.
Acessem o blog dele - http://akaamazonia.blogspot.com/

3/11/2007

Aqui, Outeiro


A classe cultural e artística em geral da ilha de Caratateua (Outeiro), organiza-se para a criação de um Conselho de Cultura com vistas ao desenvolvimento de projetos comuns a todos. Reclamam que estão ficando de fora de vários eventos promovidos pela Fundação Cultural do Município de Belém - Fumbel, Administração Regional do Outeiro - AROUT - e Prefeitura Municipal de Belém como um todo.
Na busca de reafirmarem sua identidade cultural própria e assim encontrarem soluções, o coletivo espera que com a criação do Conselho possa ser dada respostas para sanar os problemas; como, por exemplo: durante as últimas comemorações do aniversário de Belém realizado na Praia Grande, tiveram que ficar assistindo a atrações vindo de outros bairros pois se quer sabiam que haveria esse evento para pedirem para se apresentarem.
Assessoria de Cultura - Zé Nacau Lima, líder do grupo Tupiniquim e Ronaldo Farias, líder do grupo Curuperé, verificaram recentemente que além da atual Aministração Regional do Outeiro não contar com uma Assessoria de Cultura, não têm cadastro dos grupos e artistas locais na citada repartição pública – isso é um absurdo, reclamam.
Em contrapartida a criação do Conselho serviria, também, para o desenvolvimento de projetos e um calendário de programações culturais que poderá fazer o diferencial para o levante da cultura na ilha, já que por parte da AROUT as únicas trações culturais oficiais são o Carnaval e o São João.
Sem querer me promover, eu Luiz Carlos Freire, produtor cultural dos mais antigos na localidade, figuro no meio artístico cultural como o fundador da agremiação folclórica Rainha da Juventude, e a hoje escola de samba Raio-X, ambas do bairro da Brasília.
Além de ter sido o coordenador executivo do Festival Artístico e Folclórico da Ilha de Caratateua (FAFIC), realizado em 2004, - mas que ficou pendente a execução de sua 2º edição por falta de parceiros, principalmente o da AROUT e a Fumbel -, é-me creditado o levantamento histórico da localidade que propôs a realização do aniversário de 113 anos da ilha, realizado pela AROUT na data de 22 de abril do ano passado.
O projeto, originalmente, previa a apresentação de todos os grupos culturais de Outeiro, mas foi alterado e realizado com a participação da Banda Sayonara. Nada Contra. Todavia, com o dinheiro pago à famosa banda, daria para dar um bom cachê para os grupos e artistas locais que poderiam investir em uma maior produção ao seu repertório e equipamentos.
A data do aniversário de Outeiro - 14 de abril - já está próxima e até a presente data, a direção da AROUT ainda não convidou os produtores para um diálogo;ao menos para ganharem as camisas promocionais, já que nesta administração são impedidos de participarem com apresentações. Infelizmente.
Pela falta de incentivos e apoio já deixaram de ser executados no Outeiro os eventos: “Arraial da Praça da Água Boa”, “Projeto Rio-Mar” e “Malhação do Judas”, por exemplo, explica o produtor cultural Zé Nacau Lima. A criação do Conselho de Cultura é nossa última esperança de manter viva as nossas raízes culturais - desabafa o líder do grupo Tupiniquim.
A Ilha de Caratateua é o celeiro que abriga entre outros monstros consagrados os cantores Kinkas Paraense, Cláudio Melo, Renata Mourão e os grupos culturais Tucuxí e Encanto da Mata, além do poeta popular Apolo Barros, também presidente da escola de samba campeã da ilha - Parafuseta da Caratateua. A reunião que definirá as atribuições do Conselho se dará no próximo dia 24 de março, âs 10h na Escola Bosque.
Semana que vem, estarei de volta.

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Luiz Carlos Freire

(Correspondente do Jornal do Feio no Distrito de Outeiro)



AMAPÁ É PARAENSE

Açaí nosso de cada dia

Brasília - Todos nós, que nascemos, fomos criados ou vivemos no Amapá, na Amazônia Caribenha, somos, também, paraenses, por diversas razões: até 1943, o Amapá integrava o Pará; temos o falar semelhante, entremeado de tupi, chiando os ss e utilizando o "tu" de Portugal; e a culinária amapaense é, claro, a mesmíssima dos paraenses – não pode faltar farinha d'água, nem peixe, nem açaí, nem um mundo de outras inumeráveis coisas das quais só mesmo sendo paraense-amapaense para entender.
Quanto ao que chamo de Amazônia Caribenha, trata-se do rio Amazonas – sementes do Trópico Úmido são encontradas na Flórida, sul dos Estados Unidos, carregadas pelo maior rio do mundo através do Mar dos Caraíbas e do Gulf Stream, no Golfo do México; trata-se do Atlântico Norte, do gosto por peixes, merengue, o trópico, o realismo fantástico, a mulher negra, a sensualidade da mulher equatorial, a poesia de Isnard Lima Filho.
Açaí - comido de forma tão estranha no resto do país - é um dos elementos integradores entre o Pará e o Amapá. Alimento sagrado. O antropólogo e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Romero Ximenes, pesquisou durante quatro anos a produção e o consumo de açaí no Pará, num estudo intitulado “O açaí como teoria geral da sociedade paraense”, apresentado no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPA. “A partir do açaí, podem ser rastreadas as formas como a sociedade paraense se vê nas artes, na cultura, no padrão alimentar, enfim, em todas as suas dimensões, porque permite descobrir a sociedade paraense e entender como ela se explica, se justifica e encontra suas formas de legitimação” - ensina.
Por exemplo: no Pará e no Amapá é comum “jibuiar” - o hábito de tomarmos açaí no almoço e fazer a sesta em seguida. Já ouvi paulistanos achando que isso é preguiça. Não sabem nada do Trópico Úmido. “Jibuiar” é um neologismo advindo das jibóias, que ficam horas, paradas, digerindo o animal que engoliram. E da mornidão equatorial.
“Com o processo de globalização, é impossível proibir a produção externa do açaí, mas a solução para manter o seu valor identitário no Pará seria transformar o estado em um grande centro de excelência na fabricação do melhor açaí” - propõe Romero Ximenes. “O açaí é um dos elementos de construção da própria identidade regional paraense e da sua própria autodefinição. A expressão “Chegou no Pará, parou! Tomou açaí, ficou!” é a marca na qual a sociedade paraense se constitui historicamente” - observa o pesquisador, que fez a reflexão teórica do seu estudo baseada em autores consagrados, como Claude Lévi-Strauss e Johann Wolfgang von Goethe, além de autores regionais, como Dalcídio Jurandir, o genial marajoara autor de Chove nos campos da Cachoeira.
Para o caboclo, o ribeirinho, açaí é um depositório de ferro, deixando os curumins fortes e saudáveis. Mas o fato é que a quantidade de ferro no açaí é insignificante, segundo o doutor em Engenharia de Alimentos da UFPA, o belga Hervé Rogez, estudioso do precioso líquido há mais de uma década. Ele esclarece que, em 1963, um cientista fez pesquisa sobre a composição do açaí utilizando aparelhos de ferro; o mineral encontrado era dos aparelho e não da fruta.
Contudo, o açaí é rico em proteínas, potássio, cálcio, vitaminas E e B1, e lipídios. Importante: contém flovanóides, substância encontrada no vinho tinto, excelente lubrificante do coração; e fibras, que auxiliam na digestão, além de agentes antioxidantes e grande quantidade de óleo semelhante ao azeite de oliva. Importantíssimo: açaí não é energético e não engorda - diabéticos podem bebê-lo à vontade, desde que sem açúcar e farinha.
Nasci em Macapá, a capital do Amapá, no estuário do rio Amazonas, esquina com a Linha Imaginária do Equador. Sou, portanto, caboclo da Amazônia Caribenha. Belém é a mais cabocla e caribenha das cidades amazônicas. No início da tarde, no Ver-O-Peso, a mais fantástica feira do mundo, pedimos dourada frita e açaí. Despejamos farinha no açaí e o adoçamos. A dourada é fresca e derrete-se na nossa boca; o açaí é redentor. A sombra da barraca é refrescante e aonde nossa vista alcança há mulheres lindas para nos alegrar e a baía do Guajará navegando na tarde, a perder-se de vista.
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Cortesia do site ABC Político

3/03/2007

MULHER - um ser que Deus inventou. E não se arrependeu


Nesta quinta-feira, 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. O motivo pelo qual foi instituída essa data, deve-se a um fato ocorrido em 1857, quando 130 operárias de uma indústria têxtil, em Detroit, nos Estados Unidos, foram assassinadas. Elas haviam ocupado o interior da fábrica para reivindicar equiparação salarial a seus companheiros homens, redução de jornada de trabalho e melhores condições de trabalho. O proprietário da fábrica, em represália, mandou trancar todas as saídas do prédio, espalhou gasolina e tocou fogo provocando um incêndio sem precedentes.
Nenhuma das operárias salvou-se.
O fato trágico chocou o mundo e mereceu repúdio de todos os países. Em vista disso, a Organização das Nações Unidas (ONU) resolveu instituir o dia 8 de março, dia do infausto acontecimento, como o Dia Internacional da Mulher.
Mulher, a amante, a companheira, a confidente, a amiga, cantada em prosa e verso pelos aedos, pelos poetas, pelos romancistas. Mulher, motivo-maior das cantatas e da lira de Vinícius de Moraes – que mais do que ninguém soube dar-lhe o devido valor. Mulher, Maria, Mãe de Deus; Maria, doce Maria “...um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta, uma mulher que merece, viver e amar como qualquer outra no planeta; é o som, é a cor, é o suor, é a dose mas forte e lenta de uma gente que ri quando deve chorar e não vive, apenas agüenta...mas é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho sempre, quem traz na pele essa marca, possui a estranha mania de ter fé na vida”, como diz Milton Nascimento e Fernando Brandt, na sua canção.
A essência - Mesmo considerando-se a violência um fenômeno existente em todos os tempos e lagares, seria utópico imaginar um mundo em que a mulher se extinguisse de vez, observa a advogada e escritora e poetisa Lucy Gorayeb Mourão, líder feminista, dirigente de várias entidades e presidente da Associação Cristã Feminina – Capítulo de Belém. Não há como negar que estamos vivendo uma época de exaltação à violência, inclusive contra a mulher.
Há milênios o sexo feminino tem sido vítima de violência em todos os níveis. Imposta por uma sociedade dominada excessivamente pelo homem que sempre determinou como deveria ser o comportamento da mulher.
Discriminação existe, - prossegue Lucy Mourão, - desde que o mundo é mundo; haja vista que todas as leis eram feitas e administradas por homens. Como usar a lei como recurso, se esse instrumento útil só beneficiava os legisladores? Indaga.
Não podemos afirmar que a violência só ocorre na cidade. Também ocorrem no meio rural, nas mais variadas situações: física, psicológica, sexual e jurídica. A violência atinge não apenas o nosso país, como todos os demais, em todo mundo, mostrando que a opressão da mulher da sociedade é o resultado de situação de inferiorização.
Esse aspecto data do início do mundo, afirma Lucy, quando as mulheres ficavam quase inteiramente reclusas ao “gineceu”. Em Atenas, as mulheres dirigiam as tarefas domésticas e cuidavam da educação dos filhos menores. Havia confinação dentro do lar e elas só saiam por ocasião das festas religiosas pagãs, assim mesmo acompanhadas dos pagens e sob os olhares policialescos dos maridos.
Na idade média, a Igreja deve muita influência. Na França, Napoleão estabeleceu o seu famoso “Código” cujo texto continha severos castigos às esposas que por algum motivo faltassem com seu dever ou prevaricassem.
Ao longo dos séculos, chegamos também ao Brasil, onde o costume de castigar as mulheres vem desde os primórdios da sua colonização, continuando a denominação do sexo oposto. Só aproximadamente em 1827 foi dado o direito à mulher de freqüentar escola, persistindo o preconceito e a discriminação, pois no entendimento da época, mulher era mais para aprender o manejo da agulha, para a procriação, do que para a instrução.
Participação – Conforme Lucy Gorayeb Mourão, a participação da mulher na vida econômica, política e social do país foi importante para a sua valorização, quer como profissional ou mesmo como cidadã, na defesa de seus direitos, e na conquista do seu espaço. “Enquanto enfrentarmos a discriminação de uma sociedade de machista, - que não quer dividir privilégios, - teremos que lutar incansavelmente em defesa de nossa causa, tanto no âmbito das leis, quando no aspecto social” (...) “Assim, dizemos que direitos são conquistados e não dados gratuitamente; porisso é necessário que as mulheres se mobilizem para alcançar os seus objetivos”, destaca.
Apesar das constantes transformações porque passa a nossa sociedade, a mulher tem consciência de que muito tem a oferecer em benefício do ser humano; ainda mais pelo fato de que, a justiça social, antes de tudo é um direito das pessoas, e como tal deve ser por elas desfrutados, defende a líder feminista.
Conquistas – A presidente da Associação Cristã Feminina lembra que a “nossa Lei maior” diz que o poder emana do povo e em seu nome deverá ser exercido. Em uma análise rápida, verifica-se que a Constituição de 88 possui alguns avanços, não encontrados em legislações de outros países E, destaca duas conquistas obtidas pelo sexo feminino na Carta Magna, como a licença-maternidade de 120 dias para as gestantes, e o direito da mulher de aceitar um emprego sem autorização prévia e formal do marido, exigência legal, fatos inconcebíveis que as outras constituições continham, e derrubada pela Constituição de 88, em vigor
Profissionalização - Atualmente, o país está dotado de uma legislação preocupada em oferecer melhores condições à mulher, como uma forma de valorização feminina, corrigindo uma deficiência que se arrastava ao longo do tempo. Dessa forma, acentua Lucy Goraeyb Mourão, a preocupação das mulheres não está mais numa ausência de instrumentos legais, e sim no real cumprimento “in legis” dessa legislação; ou mesmo na conscientização da mulher desenformada, sobre como deve ser a forma legal de fazer valer os direitos, porquanto, vivemos numa sociedade moderna onde a divisão de atribuições é fundamental para o desenvolvimento da comunidade.
“Todos nós, especialmente as mulheres – aspiramos por uma sociedade mais justa onde não se verifiquem conflitos, discriminações ou quaisquer outros tipos de inferiorização do ser humano. E para conseguir o avanço de desses direitos é necessário somar esforços; ou seja, tanto o homem como a mulher são considerados iguais perante à lei, com os mesmos direitos e obrigações. Sem citar o fato de que a legislação punirá como crime, qualquer discriminação atentatória aos direitos humanos.
As mulheres sofrem atualmente uma barreira comum: o preconceito e a discriminação e, também, a violência. Contudo, a experiência tem demonstrado que a sua participação no mercado de trabalho tem sido notável, não apenas nos setor público, como na iniciativa privada e até mesmo na política, a nível local, nacional e internacional. A mulher, atualmente, em muitos aspectos, tem ultrapassado o homem e mostrando a sua importância, o seu valor”, diz orgulhosa Lucy Mourão.
Entidades – Lucy Gorayeb Mourão explica, finalmente, que em Belém existem entidades que procuram orientar as mulheres em todos os aspectos de suas vidas, como a Liga das Mulheres Eleitoras do Brasil (Libra); a Associação Cristã Feminina (ACF); a Comissão Permanente da Mulher Advogada (CPMA); a Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica (ACMCJ); o Movimento de Promoção da Mulher (MOPROM); o Movimento das Mulheres do Campo e da Cidade; o Grupo das Mulheres Prostitutas da Área Central (GEMPAC), dentre outras, no campo privado. Na área oficial, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM). Todas com o mesmo objetivo: a conceituação e valorização do sexo feminino.
O Dia Internacional da Mulher é uma forma de homenagear a mulher. Em Belém durante a semana, os governos municipal – que no ano passado ofereceu a cada mulher que compareceu ao Palácio Antônio Lemos uma rosa natural e uma linda mensagem assinada por Duciomar Costa; alem de música, ao violino, executada por Francisco Ronaldo Sarmanho de Souza Filho - e estadual, as entidades festejam essa data, para mostrar ao mundo de hoje que esse ser tão frágil e ao mesmo tempo tão importante e maravilhoso, é útil, necessário e indispensável na vida do homem, no prosseguimento do existir. É como diz Erasmo Carlos: “...da escola em que você foi ensinada, jamais tirei um dez, sou forte mas não chego a teus pés”.

►Importante

Quando se fala no Dia Internacional da Mulher lembramos de uma figura muito importante: Dulce Maria Faria Accioly, falecida há 13 anos, quatro dia após ter completado 82 anos, no dia 14 de maio de 1994. Foi líder feminista de escol e defendeu intransigentemente a causa da mulher.
Dulce Accioly nasceu em Belém do Pará. Fez os estudos, primário, ginasial e colegial no Colégio Santo Antônio, diplomando-se como professora primária. Deixou de cursar faculdade, pois se casou logo em seguida.
Mesmo casada lutou, mesmo de forma inglória, pelos interesses da mulher. Viúva, com dois filhos. Dedicou-se totalmente aos problemas e interesses da mulher paraense. Ajudou a trazer para Belém a Associação Cristã Feminina. Fez vários cursos de dinâmica de grupo e outros de defesa da mulher em vários estados da Federação.
De 1973 a 1978 foi secretária da Pastoral Regional da Mulher, da CNBB.
Deixando a função dedicou-se ao trabalho de assistência à mulher marginalizada (prostitutas), sendo por isso muito criticada. Alheia aos comentários, juntamente com outras companheiras fundou a Movimento de Promoção da Mulher (Moprom), de cujo trabalho surgiram duas creches, a “Casa da Gente”, no bairro do Telegrafo, em 1986; e uma outra na Marambaia.
Conhecida internacionalmente – pois era membro da associação “Companheiros da América” – através dessa relação conseguiu ajuda do exterior para as suas atividades em prol da mulher, realizando um trabalho dos mais apreciáveis.
Através do Moprom, desde 1988 promovia anualmente o Intertecmulher – Intercâmbio Técnico Cultural para a atuação da mulher – que tinha como objetivo a discussão específica das questões da mulher em busca de uma cidadania plena, interrompido desde a sua morte, que trouxe para Belém nomes consagrados na defesa da mulher no Brasil, como a escritora e feminista Rose-Marie Muraro.
Ao falecer de parada cardíaca, era presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina (antigo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher), que ajudou a criar, juntamente com outras líderes feministas na administração Coutinho Jorge.
O prefeito, à época, Hélio Gueiros reconhecendo o valor e a importância de Dulce Accioly deu o seu nome à uma creche da Funpapa, no Telegrafo, onde a grande desaparecida teve maior atuação.

(*) Transcrito d ´O ESTADO - Fevereiro de 2006

■ Dedico este texto à Doutora Telma Menezes (foto. Minha irmã. Minha amiga. Minha cúmplice. Minha mulher. Minha amada última. Meu tudo... uma heroína que me atura há 20 anos. Um anjo bom que iluminou a minha vida e que, espero, possa me conduzir pelo resto do caminho.(A.F.)

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Aquecimento global muda o rumo da raça humana

Brasília – A Terra passou por várias glaciações e degelo só nos últimos 20 mil anos - um segundo na idade do planeta azul. Mudanças climáticas são cíclicas. Mas, agora, cientistas desconfiam que é o homem que está sacudindo com cataclismos o mundo. De qualquer modo, a advertência é oportuna; servirá para os líderes da raça humana reverem o comportamento de gente da espécie de George Bush e de Lula.
Bush, por representar um império que não abre mão de um grama sequer da fuligem que manda para o espaço. Os Estados Unidos são os maiores poluidores do mundo, seguidos pela China, Rússia e Brasil, este, com 7%.
Lula, pela sua incapacidade, ou falta de entusiasmo, de comandar o desenvolvimento sustentável, único futuro do Brasil, subcontinente detentor da maior biodiversidade do planeta.
Não importa que o aquecimento global seja cíclico ou conseqüência da queima de petróleo e carvão. Importa que, desta vez, há 6 bilhões de humanos no planeta e se não houver planejamento global vai faltar mais comida e água. Milhões já morrem de fome e de sede, bem como varridos por cataclismos de toda ordem.
Estudos encomendados pelo Ministério do Meio Ambiente, divulgados terça-feira 27, mostram que na Amazônia, ainda um paraíso, a temperatura poderá atingir facilmente 40 graus centígrados. Então, muita gente será devorada por carapanã e outros mosquitos realmente diabólicos, como o condutor da malária. A exuberante floresta, que, atualmente, fazendeiros se empenham em arrasar, para encher os bolsos, transformar-se-á numa savana africana.
O mar engolirá um terço da ilha do Marajó, que mede 50 mil quilômetros quadrados, no Mar Dulce formado pelos rios Amazonas e Tocantins. Deverá engolir também cidades como Recife, a menos que a transformem numa Holanda.
O fato é que, há coisa de dois anos, a Amazônia secou e tufões aterrorizaram no Sul. Assim como a natureza faz, de vez em quando, é preciso varrer a politicalha.

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Cortesia do site ABC Político

2/26/2007





EFEITO SUCURI
José Sarney não quer João Capiberibe comandando a Sudam



Brasília – Quando o senador maranhense José Sarney, eleito pelo PMDB do Amapá, foi presidente da República, biônico, o povo brasileiro foi apenado com devastadora hiperinflação. Também, durante quatro décadas, o coronel travou o crescimento do Maranhão até torná-lo o estado mais pobre do país – uma espécie de Haiti. Eleito pelo Amapá, Sarney criou, em Macapá, uma zona franca de quinquilharias da China, atraindo levas de maranhenses atrás de emprego. Macapá inchou, sem condições de abrigar decentemente nossos irmãos do belo estado nordestino. As favelas proliferaram e a violência, devido ao desemprego e ao pirão pouco, explodiu.
Agora, o imortal da Academia Brasileira de Letras vem trabalhando para prejudicar não só seu torrão natal, o Maranhão, mas também o Amapá - sobre quem pulou (sic) de pára-quedas - e o Pará.
Segundo um dos mais bem-informados jornalistas amapaenses, Corrêa Neto (www.correaneto.com.br), o Maranhão e o Pará sofrem do “efeito sucuri”, cobra que atinge dez metros e que esmaga suas vítimas, até boi, entes de engoli-las inteiras. “Os paraenses acreditam em prejuízos para os dois estados (Pará e Maranhão) com a derrota da senadora Roseana Sarney, PFL-MA, no Maranhão, e o lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Em Brasília, uma sucuri gigante prepara o laço para sufocar a economia maranhense, por vingança, empurrando milhares de desempregados na direção sul-sudeste do Pará, passageiros da esperança da ferrovia de Carajás” – escreveu Corrêa Neto.
Walter Jr., outro jornalista amapaense sem rabo preso, comenta no seu blog (canetasemfronteira.blogspot.com): “Está explicada a ausência do senador Sarney na homenagem que a escola de samba amapaense Emissários da Cegonha fez pra ele. Sarney, que não faz parte de nenhuma comissão permanente no Senado, estaria dedicando-se em tempo integral para evitar que João Capiberibe assuma a superintendência da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) e comandaria um torniquete financeiro ao Maranhão para impedir que o novo governo maranhense desenvolva o estado”.
Ainda Walter Jr.: “O trem da Vale do Rio Doce (Companhia Vale do Rio Doce, CVRD) ficará lotado de maranhenses desempregados que virão abarrotar as periferias das cidades do sul e sudeste do Pará. Tudo por conta dos restos a cobrar da derrota da filha Roseana”.
João Capiberibe (PSB) teve de deixar o Senado no tapetão. Governou o Amapá, de 1996 a 2002. Capi, como é conhecido, pôs a economia do estado caribenho nos trilhos, de acordo com a teoria do desenvolvimento sustentado, sem colonialismo, com a participação de índios, negros, quilombolas e caboclos. Eleito para o Senado, Sarney - segundo a deputada Janete Capiberibe (PSB) – teria comandado um processo jurídico ridículo contra Capi. Se assim é, Sarney sabia o que estava fazendo. Capi foi apeado do Senado da República.
A quilombola Cristina Almeida, do mesmo PSB de Capi, quase manda Sarney de volta para o Maranhão, nas eleições de outubro passado para o Senado. Agora, Capi é cotado para dirigir a Sudam, mas Sarney não quer. A Amazônia precisa de Capi na Sudam; o problema é que Sarney tem grande ascendência sobre Lula.

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Cortesia do site ABC Político

2/18/2007





PÚBLICO OU PRIVADO?

Desembargador do Amapá quer a imprensa amordaçada

Brasília
– De 1943 a 1990, especialmente durante a ditadura dos generais, de 1964 a 1985, os jornalistas do então Território Federal do Amapá sobreviviam numa espécie de front, pois o estado não se fazia presente em terras tão longínquas do Rio de Janeiro e, depois, de Brasília. O estado democrático muito menos. Com a ditadura, jornalista que se metesse a rabequista era logo jogado na Fortaleza São José de Macapá e, de lá, em algum porão em Belém do Pará. Mas, ainda hoje, o Amapá, estado desde 1990, está muito distante de Brasília. Ou perto demais.
Só para dar um exemplo, nas últimas eleições, o senador maranhense José Sarney, eleito pelo PMDB do Amapá, instituiu a censura aos jornalistas que participaram do movimento “Xô, Sarney!”. Em outubro passado, o TRE do Amapá acatou incontáveis ações, multou e censurou vários jornalistas amapaenses, entre eles Corrêa Neto e Alcinéa Cavalcante, apenados em mais de R$ 1 milhão.
Há até um caso hilariante. Sarney entrou com uma ação na Justiça e conseguiu que agentes da Polícia Federal deixassem seu trabalho de lado para inquirir a jornalista Alcinéa Cavalcante, ao longo de três horas, porque um internauta registrou no blog da jornalista, em agosto do ano passado, que a família de Sarney “fede”.
Agora, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE), desembargador Honildo Amaral de Mello Castro, está movendo ações civis e criminais contra os jornalistas Corrêa Neto e Alcinéa Cavalcante e uma interpelação judicial contra a jornalista Luciana Capiberibe, filha do ex-senador João Capiberibe e da deputada Janete Capiberibe.
O crime: Honildo Castro se ofendeu porque os jornalistas publicaram que o juiz está construindo um hotel no centro de Macapá, estimado em mais de R$ 1 milhão.
Segundo o site Folha do Amapá, recentemente, o juiz Antônio Ernesto Colares concedeu liminar em ação de indenização por danos morais movida pelos advogados de Honildo Castro, determinando a retirada de “fotografias do prédio e comentários sobre o proprietário dele”, publicados na mídia, por entender que não existe “interesse público” na notícia. Mas Honildo não é funcionário público? Não é ele pago com nosso suado dinheirinho?
“Na ação civil contra Corrêa Neto e Alcinéa Cavalcante, o desembargador cobra indenização no valor de R$ 105 mil por danos morais” – diz a Folha.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) deverá enviar um representante ao Amapá para acompanhar os processos.

Bem-vindo Walter Jr


Li na humorada e bem escrita página do Dr. Hélio Gueiros (Diário do Pará) – ele é meu colega duas vezes, mas eu não consigo deixar de chamá-lo de Doutor!!! É habito -, que o Walter Júnior do Carmo, – o nosso querido Walter Jr. - está de volta a Belém após submeter-se a uma bateria de exames na capital paulista.
Ou seja, o cara está zero-bala.
Para quem sabe, Walter Jr foi um dos melhores coordenadores de comunicação social que a Prefeitura de Belém teve nesses últimos 20 anos. Como profissional do ramo, zeloso e competente, sabia o que queria. Sabia mandar – aliás, pedir. Ele não mandava... com aquele papo... não havia como não atendê-lo -, conhecia cada um dos seus subordinados e o que mais importante, sabia ouvir. Ético, justo, enérgico quando necessário, o macapaense aprendeu amar e querer bem a "Cidade das Mangueiras". Com as suas atitudes firmes e inteligentes contribuiu grandemente para o sucesso da administração.
Walter Jr fez toda campanha de Hélio Gueiros utilizando a música de Roberto Carlos – “como é o meu amor por você’. Esse case – que obteve prêmios em concursos nacionais – fez com que com HG ganhasse no primeiro turno.
De goleada.
Icoaraci e Outeiro devem muito a Hélio Gueiros e, de certa forma, a Walter Jr.
Como jornalista e publicitário, ele assessorou com dados técnicos e informações - eu também estive nessa ajudando o cara! - Hélio e a Dra. Terezinha Gueiros na concepção, criação, planejamento e implantação do Liceu de Artes e Ofícios Mestre Raimundo Cardoso – que substituiu a Escola Sabino Oliveira, mantida pelos artesãos há mais de 30 anos -; e a Escola Bosque que homenageia o professor Eldorfe Moreira.
Também é de Walter Jr – juntamente com Terezinha Gueiros – no final da administração HG, a idéia do Centro de Cultura de Icoaraci, que funcionava no pavilhão ao lado da Escola Municipal Alfredo Chaves, na “7ª Rua”; e o Museu do Artesanato de Icoaraci, instalado num chalé suspenso, estilo colonial, na Travessa Pimenta Bueno, ao lado da capelinha de São Sebastião.
O primeiro diretor do museu foi o artesão Raimundo Sarava Cardoso,falecido no dia 10 de abril de 2006
Infelizmente, tanto o Centro de Cultura como o Museu do Artesanato foram esquecidos.
Detalhe - na administração passada quiseram instalar na Biblioteca Municipal Avertano Rocha, o Museu do Artesanato, como se fosse idéia original. Eu que acompanhei tudo desde o início, protestei.
Botei a boca do trombone e projeto foi cancelado. Até mesmo a festa de “inauguração”.
Graças a Deus, que o esforçado e competente “subprefeito” de Icoaraci, o economista, publicitário e microempresário José Croelhas, pretende reativar Centro de Cultura – aliás, já reativou.
Muito bem.
Pois é. Meu bom amigo Walter Jr está na área. Saúdo a sua volta.
Precisamos botar o papo em dia.
Não pela internet, mas pessoalmente, para aquele abraço interromçido há dez anos. A.F.

2/14/2007

Aqui,Outeiro





Luiz Carlos Freire

Comerciantes de Outeiro se
unem para criar Associação


O ano de 2007 iniciou com bons ares para o fortalecimento da economia e do comercio da Ilha de Caratateua,a qual conhecemos como Outeiro. A classe empresarial da localidade se empenhou em formar a tão esperada Associação Comercial visando o fortalecimento através de campanhas de conscientização junto aos moradores para buscar capitar o poder econômico, disperso, estimado em mais de 25 mil pessoas economicamente ativas que moram na ilha e não tem tradição em consumir em estabelecimentos comerciais de lá.
Param realizar o intento,a organização promoveu uma “festa de adesão” que ocorreu a partir às 9:00h do domingo dia 21 do corrente, nas dependências do Clube dos Servidores do Ministério da Fazenda.

Parceria com A ACII

Através do associativismo solidário entre os comerciantes a coordenação do movimento com o apoio da Associação Comercial de Icoaraci – ACII, que tem como presidente o empresário do ramo de materiais de construção Marcos Rezende, conseguiu já nesse primeiro momento contar com a adesão de 50 comerciantes para dar inicio aos trabalhos.
Durante o evento embalado por música voz e violão pelo cantor Jean, o consultor do SEBRAE Sérgio Raposo Pinheiro deu uma palestra sobre associativismo colocando aos empreendedores presentes as vantagens que terão ao agirem dentro de um grupo como Associação Regional Comercial de Outeiro.
A presidência da ARCO coube a Douglas Augusto Schmmelpfennig Industriário e sua primeira diretoria (provisória) ficou composta com os empreendedores Luiz Carlos Freire do Jornal das Ilhas na vice-presidência, Alex Gonçalves da Casa Nova; secretário de finanças, Elizabete Wanzeller do Kiosk da Ilha; além da participação dos empreendedores Marcos Cerqueira da Construmix,Luiz Gonzaga do descartáveis Necessários, que dirigirão a entidade até as eleições que se darão em maio próximo.
Primeiros Passos - A diretoria da Arco intenta trazer para a ilha de Caratateua, o serviço de banda larga, para que seja possível o maior uso da Internet. Para tanto, a diretoria se empenha em marcar agenda com a Telemar, impulsionados por cerca de treze empreendedores que pretendem lançar Lan houses.
Em outra frente a entidade já se posiciona para organizar demandas de educação de ensino superior e parcerias que garantam a presença de vários serviços públicos como a retirada de documentos entre outros.
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N.da R. - Luiz Carlos Freire a partir desta semana assinará a coluna "Aqui,Outeiro" neste espaço virtual. (A.F.)

Mais uma do irriquieto Carlinhos Correia



Queridos amigos,

Partilho com vocês uma linda conquista.
Nesta última terça feira, dia 13 de fevereiro, o jornal Estado de São Paulo, o famoso “Estadão”, publicou na capa de seu Caderno 2 uma matéria de página inteira sobre dramaturgos brasileiros que vêm se destacando em concursos nacionais.
Assinado pela jornalista Beth Néspoli, o título do texto é “TEATRO DE VENCEDORES”.
Foram ouvidos 14 autores. Seis receberam destaque na reportagem. Além de terem depoimento no corpo da matéria, ganharam um mini resumo de seus feitos teatrais com foto no centro da página.
Bem, tive a honra de ser um desses seis autores em destaque.
O único da Região Norte,

2/10/2007



TRISTES TRÓPICOS
De uma forma ou de outra, vamos perder a Amazônia

Brasília – Estamos fadados a perder a Amazônia, seja para mudanças climáticas cíclicas no planeta; seja em conseqüência da poluição planetária, principalmente nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e na China; seja para os Estados Unidos, pois que o Trópico Úmido é a região mais rica da Terra, de longe; seja para a Organização das Nações Unidas (ONU) – leiam-se Estados Unidos e Inglaterra -, que, como está comprovado, a Grande Floresta funciona como um refrigerador planetário.
A Grande Floresta vem sendo torada, desde a década de setenta do século passado, em cerca de 100 mil quilômetros quadrados por governo, isto é, de quatro em quatro anos. No sertão, vige a lei da bala e escravidão é comum.
O número de fiscais do pomposo Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pela fiscalização do cumprimento da lei na floresta, é ridículo. Árvores centenárias, madeira de lei valiosa como ouro, são traficadas para a Europa, Estados Unidos e São Paulo. De vez em quando se descobre corrupção dentro do Ibama. Obras como as eclusas de Tucuruí, a Hidrovia do Marajó, a Hidrelétrica de Balbina, são procrastinadas ad infinitu. Essas obras, e políticas sociais, levarão ao desenvolvimento da Amazônia.
O Trópico Úmido só experimentou desenvolvimento verdadeiro nos governos de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek, quando foram criadas instituições como o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), sediado em Belém; e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), sediado em Manaus.
Nesse período, também, houve a redivisão territorial do continente amazônico, com a criação dos estados de Rondônia, desmembrado de Mato Grosso; Roraima, desmembrado do Amazonas; e Amapá, desmembrado do Pará. Ligou-se, ainda, embora equivocadamente, a Amazônia ao Sudeste, via Belém-Brasília, que deveria ser uma ferrovia.

Aí, abateu-se sobre o país o golpe militar de 1964, que, tragicamente, durou duas décadas e um ano. Nesse período, sangrou-se a floresta para construir-se rodovias a um custo louco e tentou-se povoar a Amazônia jogando-se sulistas e sudestinos na mata. Morriam como peixe nos rios poluídos das suas regiões de origem, vítimas dos inúmeros e peçonhentos mosquitos que infestam o Inferno Verde, sem ter para onde correr.
Veio José Sarney. Um desastre completo. O senador maranhense foi substituído por Fernando Collor de Melo, hoje, senador. Collor foi apeado do poder – seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, estava saqueando o erário - e foi sucedido pelo seu vice, Itamar Franco. E aí veio Fernando Henrique Cardoso, que não liderou a implementação de reformas fundamentais para o país. Assim, tudo ficou como dantes no quartel de Abrantes.
Então, veio Lula. Uma tragédia em andamento. Enquanto ele se concentra no seu despautério verbal, companheiros seus se concentram nos seus projetos pessoais, como já ficou comprovado no Ministério Público. A Amazônia de Lula? É só falácia.
Mas a grande responsável pela desdita da Amazônia é sua elite. Sai governadores, entram governadores, a pilhagem é a mesma. Os governadores que entram divulgam o rombo dos seus antecessores, nepotismo, superfaturamento, contratos espúrios, mentiras em estado puro. Os parlamentares vivem, quase sempre, preocupados em manter seus currais eleitorais, custe o que custar, com mordomia e em roubalheira pura e simples. E o empresariado engorda, constrói mansões, empoleira-se em apartamentos-mansões, anda, nas ruas esburacadas, em Mercedes. Nos miseráveis, mandam as polícias meter bala em quem sair dos guetos, pocilgas erguidas sobre os esgotos das metrópoles amazônicas. A poucos ocorre colaborar com as escolas públicas e universidades.
Milhões de amazônidas, principalmente citadinos, vêem-se a si mesmos sob a lente do colonizador, sob o ponto de vista do paulistano, do carioca, do europeu, e não na ótica da sua cultura, a cultura amazônida, a cultura do caboclo. Um exemplo: a Universidade Federal do Amapá (Unifap) oferece curso de Direito, mas não oferece curso de Oceanografia. As costas do Amapá são as mais ricas do mundo em frutos do mar, mas o peixe consumido em Macapá é, geralmente, do Pará ou do Amazonas, quando não é do Rio de Janeiro, ou até mesmo do Chile - enlatado.
A solução para o Brasil seria uma revolução, como a francesa, em 1789. Mas isso é utopia na geopolítica de 2007. Então, só resta os parlamentares amazônidas que detêm verdadeira liderança fundarem, seja como for, um congresso amazônico permanente, legítimo, pois a Amazônia é um país mesmo.

2/07/2007



ALTAR EM CHAMAS
João de Jesus Paes Loureiro oferta rosas para Belém do Pará

Brasília – O mundo já conta com o blog de um dos maiores escritores da Amazônia, o poeta paraense João de Jesus Paes Loureiro (paesloureiro.blogspot.com). Prêmio nacional de poesia, com Altar em Chamas, o poeta já foi publicado nos Estados Unidos, França, Alemanha, Japão, Itália, Portugal e Colômbia, além do Brasil. Doutorou-se na Sorbonne, Paris, com a tese Cultura Amazônica - Uma poética do imaginário, livro fundamental para se entender a Amazônia.
Paes Loureiro é filho ilustre da cidade de Abaetetuba.

O poeta inaugurou seu blog com um poema que é um beijo em Belém do Pará, Mangueiras de Belém. Deguste-o.

Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?
O rio se curva e te oferta
um branco buquê de espuma.
A noite deita nos becos
e a cuia da lua derrama.

Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?
Ruas de anjos com asas
de verde beleza arcana.
Ai! Mangueiras da Cidade,
que o sol esculpiu na sombra,
por vós o poeta implora,
por vós a poesia clama...
Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?

Por que vagam na cidade
assassinos de mangueiras,
matando-as por querer
ou matando de encomenda,
matando à sombra da lei,
essa lei sem lei, sem lenda?
Essa triste lei da morte
que tem na morte sua vida.

Não deixem que passe impune
esse crime, essa desdita.
Fotografem, multipliquem
vosso “não” pela internet,
pelos blogs, no youtube,
nos orkuts, nos e-mails,
nas asas dos passarinhos
que estão perdendo seus ninhos,
no peito dos que se amam,
nos muros e nos caminhos...

Quem pode lavar a mão
olhando esse arvorecídio?
Que frutos hão de brotar
nos galhos da solidão?
Que é feito do coração
desses que sem piedade
arrancam pela raiz
as raízes seculares
da alma desta cidade?

Ai! Mangueiras de Belém!
Anjos de verde folhagem,
que fazem sombra com as asas
mas são em poste enforcadas.
Verdes berlindas de mangas
no Círio de cada dia.
Campanários de andorinhas
nos corais da ave-maria.

Quem te vê e não te ama?
Tua leve melancolia
presa em gaiolas de chuva.
Teu dia, garanhão de auroras
tua noite sempre viúva...
Belém, donzela das águas,
no rio do verso encantada.
Oh! Barca de verdes velas,
no Ver-o-Peso aportada.

Chegou o Gabriel Amoras


Este espaço não e coluna social, mas, de vez em quando faço uma exceção.
Os leitores devem estar lembrados de que no mês passado dei destaque – com justiça, por sinal - para dois bons amigos, Edílson Amoras e Nelson Delgado competentes técnicos em informática que dão “aquele grau” no sistema virtual do Palácio Antônio Lemos. Principalmente agora que a Cinbesa voltou ao ar cheia de autoridade e com mais potencia.
Pois é.
Um deles, Edílson, acaba de ser papai novamente.
Na segunda-feira/5, ele e a sua Andreza, com o apoio da médica Lia Afonso – via Hospital Saúde da Mulher – ganharam o Gabriel.
O novo rebento chegou às 07h15m cheio de saúde fazendo um berreiro que acordou todo mundo, pesando 2,330 kg e medindo 53 cm.
A primeira providência do orgulhoso papai foi – como não poderia deixar de ser – presentear o filho com uma camiseta do Payssandu Sport Clube.
Gabriel veio fazer companhia ao Mateus, um menino de cinco anos, muito inteligente, primogênito do casal.
Agora a família está completa.
O Jornal do Feio e seus leitores cumprimentam o casal Dr. Edílson (Andreza) pela chegada do Gabriel.
Que seja feliz, com a graça de Deus.

2/03/2007


HILÉIA
Amazônia se integra ao Mercosul pela Venezuela


Brasília – O Mercado Comum do Sul (Mercosul) foi criado, em 1991, praticamente entre Brasil e Argentina, os dois países mais industrializados da América do Sul. Ouvia-se falar em Mercosul praticamente de Brasília para baixo. A entrada da Venezuela no bloco muda esse enfoque. A Amazônia, hoje um sub-continente colonizado por São Paulo, sempre dependeu e foi explorado pelo Hemisfério Norte: antes, Lisboa e Londres; agora, os Estados Unidos – por exemplo, em 40 anos, o Amapá praticamente doou para os Estados Unidos uma jazida do melhor manganês do mundo. Digo assim, doou, porque a grana ficou no bolso de um ou dois cartolas.
De 1835 a 1840, o Grão Pará, que englobava o estado do Amapá, tentou sair do império do Brasil, então sediado no Rio de Janeiro, num movimento sangrento, a Cabanagem, que redundou na tentativa de escravos negros, índios e caboclos, os cabanos, escaparem da senzala - extinta por lei, mas uma realidade até hoje, 2007. Como na Revolução Francesa (1789), cabanos mataram inúmeros aristocratas, portugueses e brasileiros. A propósito, quando se fala em escravidão no país evoca-se apenas africanos. Os índios foram escravizados tanto quanto os africanos.
Há muito tempo, bem antes do Mercosul, comerciantes e prestadores de serviços do Pará e do Amapá mantêm intenso intercâmbio com a Guiana Francesa, o Suriname e a Guiana; Amazonas e Roraima, com a Venezuela; e o Acre, com a Bolívia.
Agora mesmo, a superintendente da Zona Franca de Manaus, Flávio Skrobot Grosso, e o embaixador da Venezuela no Brasil, Julio José Garcia Montoya, reuniram-se, dia 31 de janeiro, em Manaus, para articular maior integração comercial entre o Amazonas e a Venezuela, nas áreas comercial e turística.
Na Venezuela, eles têm algo semelhante à Suframa, a Cooperação Venezuelana de Guayana (CVG), com a finalidade de aproveitar, de forma racional e sustentável, os recursos hídricos e florestais, e minerais, como bauxita, ouro, diamante, metais existentes no sudeste venezuelano. A CVG atua em cinco estados e compreende mais de 50% do território venezuelano.
A Suframa já levou 34 empresários de Manaus para uma rodada de negócios na cidade de Puerto Ordaz. Nova rodada deverá ser feita em Manaus. A Venezuela poderá fornecer insumos, como alumínio, aço e poliestireno, e comprar produtos do Pólo Industrial de Manaus (PIM). Em 2006, a Venezuela importou US$ 285,4 milhões do PIM, mais do que o dobro do que importou em 2005 – US$ 138,6 milhões. Os venezuelanos compram de Manaus principalmente televisores, motocicletas e insumos para bebidas.
Júlio José Montoya acha importante a criação de uma rota aérea regular entre Manaus e a Venezuela, o que poderá ser feito por empresas regionais. Além do transporte de cargas, há interesse, em Manaus, pelas praias caribenhas da Venezuela. Todo ano, nas férias, milhares de amazonenses buscam destinos como Margarita. Em troca, os amazonenses podem oferecer turismo de selva, o que fazem com competência

1/27/2007

Discriminação intelectual, você já foi vitima?


Desculpem-me pela coluna diminuta mais o RE X PA deste final de semana foi a estréia do meu garoto no Mangueirão.

Certo dia presenciei uma tênue discussão entre dois irmãos, um era biólogo formado pela Universidade Federal do Pará e o outro era um radialista. O tema desta pequena discussão era o cação um peixe de água doce da família dos tubarões.
Na ocasião o radialista expôs a explicação que havia recebido da maior autoridade de nossa região na área de pescado, acerca do que é o cação, após a explanação do radialista acerca do assunto o biólogo seu irmão discordou veementemente do que ele havia falado e com um certo ar de superioridade começou a explicar sua teoria acerca do que era o cação.
Após muitos termos técnicos e muita falação percebi que o biólogo acabara chegando ao ponto onde tudo começou, o conceito exposto por seu irmão radialista ou seja aquela troca de idéias que levou cerca de uma hora acabou no mesmo lugar.
Esta troca de idéias aconteceu em um bar, porem a única bebida que eles haviam consumido foi uma coca cola. O que me fez perceber que aquela loucura não foi ocasionada pelo fato de se ingerir bebida alcoólica. Não sei se o fato de terem tomado uma bebida símbolo do poder econômico capitalista influenciou em algo, mais certo mesmo é que acabei presenciando um ato de discriminação intelectual.
O biólogo por ser um homem diplomado, com todo respeito as pessoas formadas, e seu irmão radialista um homem que batalhou como o biólogo, mas não teve oportunidade de estudar até formar-se em uma universidade, acabou achando-se no direito de “desfazer” de seu irmão menos instruído porém não menos inteligente na frente de todos os presentes.
Sabemos que existem muitas formas de discriminação em nosso país, a discriminação por classe social, discriminação por raça, por religião, por sexo e até por idade, mesmo que as neguem nós sabemos que elas existem.
- Porém o que me deixou mais boquiaberto foi ocorrer este tipo de discriminação no seio de uma família por mera vaidade ou por um tema tão banal como o que é o peixe chamado cação!
Que me desculpe o biólogo, seu diploma e todo seu estudo. Mais isso é pura falta de educação !!!!!
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Hélio Dória Jr

INFERNO VERDE

Ministério Público entrega o Marajó aos ratos d’água


Brasília – O arquipélago do Marajó é um momento inspirado de Deus. É o maior do planeta, com mais de 1.200 ilhas, entre a foz do maior rio do mundo, o Amazonas, a oeste; a boca do rio Tocantins, a leste; o rio Pará, ao sul; e o mar Atlântico, ao norte - mar doce e salgado. A linha imaginária do Equador o corta na altura da ilha Mexiana, antes de dividir Macapá, a capital do Amapá, em duas. Marajó, como o Amapá já foi, é do Pará, mas algumas ilhas emergem no Amapá, como Bailique, santuário no município de Macapá.

No mapa múndi, a principal ilha, Marajó, destaca-se maior do que a Jamaica, Porto Rico ou Tinidad e Tobago, no Caribe; ou do que a Córsega, na França mediterrânea, ou a ilha de Creta, no mesmo mar europeu-africano. O arquipélago é rico. Suas praias atlânticas são estonteantes; seus açaizais, imensos; seu rebanho bubalino, o maior do Brasil; sua cerâmica, exportada para o mundo inteiro, via Icoaraci, bairro de Belém; sua produção de frutos do mar faz do Pará o maior produtor de peixe do país. E o genial romancista Dalcídio Jurandir nasceu em Ponta de Pedras, Marajó.

O arquipélago é um três-por-quatro da Amazônia: paradoxal. A Amazônia é rica, e miserável. Seus recursos naturais são explorados por uma elite escravocrata. Assim, o caboclo – que é mais uma cultura do que uma etnia -, o caboclo que tentou redenção na Cabanagem, continua na senzala, como máquina mecânica a ser usada até suas peças se quebrarem. Imersos nesse mundo medieval e sem perspectiva política, índios aculturados, negros, cafuzos, mamelucos e mulatos continuam sob o látego da elite cartorial portuguesa.

Nesse arquipélago paradisíaco, curumins morrem devorados por vermes e micróbios; crianças são estupradas em balsas e iates a troco de comida; ratos d’água atacam famílias de ribeirinhos, estupram as mulheres e levam o que encontram. Essa realidade horrenda se desenrola com música incidental, a ladainha dos governos paraenses – Jader Barbalho, Almir Gabriel, Simão Jatene, qualquer um deles, incluindo os antecedentes, e, agora, Ana Júlia Carepa –, de que vão criar um grupo de trabalho que estudará ações para o desenvolvimento do Marajó, quando a mais importante ação atual, a Hidrovia do Marajó, foi engavetada pelo Ministério Público Federal, em 1998.

Quando Luiz Inácio Lula da Silva, do inoperante Partido dos Trabalhadores (PT), que Lula criou, assumiu, em 2003, aí é que a coisa se complicou mesmo para o Marajó, pois como ocorre em todo o país, o Marajó estacou. Agora, com Ana Júlia Carepa - do PTMDB, uma espécie de fusão oficiosa do PT e o PMDB de Jader Barbalho – no comando do Pará é que a situação piora. A menos que os tucanos, que se viram na oposição tanto no âmbito federal quanto estadual, pressionem o Ministério Público, Lula e Ana Júlia, com competência. Mas terão competência para tanto?

Mário Couto, deputado estadual do PSDB, eleito senador, andou mexendo no caso da Hidrovia do Marajó. Eleito para o Senado, Mário Couto se tornou um líder no tucanato paraense, fazendo frente aos seus correligionários, o ex-governador Simão Jatene e até mesmo ao ainda cacique Almir Gabriel, derrotado para o governo do Pará pelo deputado Jader Barbalho, do PMDB, estrategista da vitória de Ana Júlia Carepa. Contudo, segundo noticiou em sua edição desta sexta-feira, na coluna principal, o jornal Amazônia Hoje, Mário Couto já estaria dizendo amém a Jader Barbalho. Inclusive o jornal humilha Mário Couto, ao acrescentar Zôo ao seu nome – Mário Zôo Couto -, evocando o passado de bicheiro do senador eleito. Segundo ainda o jornal, Jader Barbalho teria prometido a Mário Couto elegê-lo o próximo governador do Pará.

Voltando ao Marajó, a hidrovia é fundamental para o desenvolvimento do arquipélago e do vizinho Amapá, já que encurtará a distância entre Belém, capital do Pará e a mais importante cidade da Amazônia, e a capital amapaense, Macapá, que mantém intenso comércio com os belenenses. Sítio de antigas civilizações amazônicas, o Marajó sofre saque arqueológico sistemático e sua população é atingida intensamente por várias doenças endêmicas. Isso tudo já poderia ser evitado com a construção da hidrovia, mas, em 1998, o Ministério Público Federal entrou com ação civil pública embargando a obra, considerada como a única possibilidade de reverter o secular isolamento e empobrecimento da região.

Mário Couto, presidente da Assembléia Legislativa do Pará, fez, em agosto do ano passado, antes das eleições, um apelo veemente aos zelosos e insensíveis ecologistas do Ministério Público: "A geografia e a história do arquipélago do Marajó são notoriamente conhecidas e reconhecidas como elemento fundamental no cotidiano dos seus habitantes, e é em nome dessa população que apelamos ao Ministério Público no sentido de que seja retirada a ação civil pública que emperra o desenvolvimento e condena à miséria o povo do Marajó".

Segundo Mário Couto, o Pará perdeu, só de 1998 a 2000, mais de R$ 28 milhões, alocados para garantir a obra, dinheiro devolvido à União por causa do embargo judicial. "Como cidadãos paladinos da lei e imbuídos das melhores intenções, acredito que os procuradores da República hão de saber avaliar o sofrimento por que passa a gente marajoara, e que muito maior será o mérito do Ministério Público Federal ao reconhecer o clamor público por melhores condições de vida e a necessidade imperiosa da construção do canal ligando os rios Atuá e Anajás, e permitir, com isso, o fim do isolamento físico, econômico, social, cultural e político da área central do Marajó, onde persistem altos índices de pobreza e miséria, que assolam a população" – apelou o senador eleito.“É, no mínimo, estranho que a Hidrovia do Marajó esteja embargada sob alegações ecológicas, quando é do conhecimento público a retirada ilegal de madeira na área do sítio arqueológico encontrado durante a elaboração do EIA/Rima da hidrovia. A irregularidade foi constatada há anos, durante os trabalhos de resgate das peças arqueológicas. Naquela época, com um inventário fotográfico comprovando a ação depredatória, o fato foi denunciado ao Ministério Público Federal para que tomasse as providências, das quais não se tem conhecimento até hoje" - disse Mário Couto, advertindo também para o nível de poluição no rio Anajás, devido a óleo e graxa lançados na água, de embarcações que trafegam na área. "Também não é segredo para ninguém a retirada abusiva de palmito.”

Pois bem, a hidrovia acabará com esses problemas, pois, segundo Mário Couto, com ela haverá, necessariamente, fiscalização das embarcações e das atividades madeireiras e de coletores de palmito. Devido ao difícil acesso à região, ninguém denuncia, atualmente, os abusos cometidos aos órgãos competentes, que, assim, não conseguem combater os crimes ambientais.

Mário Couto ressaltou que, como filho da região, sabe o quanto a falta de transporte eficiente no arquipélago marajoara entrava o incremento e o escoamento da produção, principalmente de açaí, palmito, carvão e cerâmica. Alerta que, na época de chuvas, há grande incidência de malária no município de Anajás; a doença vem proliferando em toda a região, ameaçando a saúde do arquipélago inteiro. A facilidade de acesso que a hidrovia proporcionará vai permitir a implementação ininterrupta das campanhas de saúde junto às comunidades na parte central do arquipélago - argumenta.

A pobreza dos municípios do arquipélago marajoara foi muitas vezes denunciada pelo criador do Museu do Marajó, padre Giovanni Gallo, denúncias que poderão ser constatadas em documentos oficiais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), clamando por mais atenção. "Por causa das dificuldades de transporte, qualquer obra na região é caríssima, impedindo investimentos nos setores produtivos e nas áreas de saneamento básico e saúde" - observa Mário Couto. "O Ministério Público Federal já recebeu mais de 50 quilos de documentos da parte do governo do Pará, mostrando que os impactos ambientais da hidrovia serão mínimos, comparados aos impactos positivos que ela proporcionará. As medidas mitigadoras e ações compensatórias, já detalhadas em farta documentação, superam qualquer dano que a obra possa causar."

Trata-se de mais um ataque histérico de ambientalistas?

Por acaso, quem responde a essa indagação é outro tucano, mas um dos cientistas paroaras mais gabaritados, o deputado federal Nilson Pinto, responsável pela interiorização da Universidade Federal do Pará (UFPA): "A Hidrovia do Marajó é uma obra de infra-estrutura fundamental para o estado do Pará, promovendo a ligação mais eficiente entre Belém e Macapá, passando pelo centro da ilha do Marajó e economizando horas de viagem. Essa obra, que é simplíssima, enfrenta percalços por falta de conhecimento, pelo excesso de zelo gerado pelo desconhecimento de algumas autoridades. O Ministério Público entende que a obra criaria problemas ambientais e tem procurado impedir de todas as formas que seja realizada, e tem conseguido isso, até agora. Há excesso de zelo de um lado e desconhecimento de causa por outro lado. Tem-se apenas de construir um canal de 32 quilômetros, numa região plana, desabitada, sem, absolutamente, nenhum tipo de problema que possa surgir com a construção do canal. A obra se resume, praticamente, na construção do canal."

Para quem acha que isso é algo portentoso e agressivo ao meio ambiente, eu recomendo que faça uma visita, in loco, ou pela internet, ao canal Reno-Danúbio, na Alemanha, concluído há várias décadas e que liga a bacia do rio Reno à bacia do rio Danúbio. O Reno deságua no Mar do Norte. O rio Danúbio deságua no Mar Negro. Assim, os alemães ligaram o Mar do Norte ao Mar Negro. Trata-se de um canal de 171 quilômetros de extensão, com 66 eclusas, com desníveis fantásticos, tudo em plena operação, no coração da Alemanha, passando por terras que têm toda uma história pretérita, que vem do tempo do Império Romano, passando por preciosidades arqueológicas, passando pelo coração de um país que tem um amor pela questão ambiental fantástico. A obra foi feita no meio da Alemanha e não gerou absolutamente nenhuma reclamação, no país que mais cuida do meio ambiente no mundo."

Para fazer uma obra cinco vezes menor, de impacto ambiental mil vezes menor, na ilha do Marajó, nós temos um problema terrível com o Ministério Público. Eu não acredito que seja por conhecimento de causa, o que mostraria que essa obra não causará praticamente nenhum impacto ambiental. Acredito, sim, que é desconhecimento de quem acha que vai preservar a Amazônia impedindo que as pessoas que nela moram tenham melhores condições de sobrevivência. É um enorme equívoco do Ministério Público, que não tem competência técnica para opinar e está exorbitando da sua função. Deveriam se basear nos trabalhos dos órgãos técnicos competentes nessa área e não emitir pareceres apenas para defender uma posição aparentemente de defesa da Amazônia, do meio ambiente, mas que, na verdade, é uma posição absolutamente retrógrada, que nada tem a ver com desenvolvimento sustentável."

O Ministério Público se arvora o direito de defender uma causa que não é de ninguém, mas causa de um ou outro visionário que resolveu fazer de uma questão pequena algo grandioso, não sei com que finalidade. O caso está na Justiça, que tem de se basear naquilo que é correto do ponto de vista do aproveitamento das nossas hidrovias, dos rios, que são as vias naturais que temos para deslocamento na Amazônia; tem que se basear na verdade extraída da competência técnica das instituições amazônicas, para poder dar a decisão. Não podemos ficar com uma visão unilateral emperrando o desenvolvimento da região, a melhoria da qualidade de vida da população. A posição do Ministério Público é contraditória com os interesses da população do Pará. Essa posição já foi claramente demonstrada quando construímos a alça viária, uma obra fundamental para a integração do Pará e que o Ministério Público tentou de todas as formas obstruir. Hoje, a alça viária está lá, mostrando sua importância para a população. O Ministério Público precisa se reciclar. A minha sugestão é que o pessoal do Ministério Público estude mais. Não basta trabalhar com a visão ideológica. Aliás, o Ministério Público não existe para trabalhar com visão ideológica. Ele tem de trabalhar pelo interesse da sociedade, dentro da visão legal."

Há um claro exagero por parte dos ambientalistas. É necessário para qualquer obra importante, em qualquer lugar e, principalmente, na Amazônia, que se tome os cuidados para se evitar impactos ambientais de porte. Isso é necessário e existe conhecimento técnico em várias instâncias, neste país, para assessorar a realização de uma obra sempre que isso é necessário. O que nós não podemos aceitar é a visão da redoma, a visão da preservação pela preservação, em que, a priori, se diz que não se pode abrir a estrada, ou não se pode asfaltar a estrada que já está aberta porque isso vá implicar em dano ambiental. Isso é um excesso. Por exemplo, temos o caso da BR-163, a Santarém-Cuiabá. Pará lá, foram levadas centenas de milhares de pessoas, que vivem lá, são brasileiros e precisam sobreviver e produzir. O correto, agora, é o asfaltamento da estrada, sem maiores discussões. Há toda uma discussão na tentativa de se criar obstáculos para o asfaltamento dessa estrada, como se o não-asfaltamento fosse servir para preservar o meio ambiente. A rodovia está aberta, temos que pavimentá-la e ordenar a ocupação, o que se faz por meio de zoneamento ecológico e econômico. É ilusão imaginar que o Pará, onde vivem mais de 6 milhões de pessoas, possa ser pensado como uma grande área de preservação. Somos frontalmente contra a visão preservacionista que vê apenas a floresta e esquece as pessoas que moram na floresta, uma posição absolutamente atrasada".

O que é a Hidrovia do Marajó

O projeto da Hidrovia do Marajó é fruto de convênio celebrado entre os governos estadual e federal, com contrapartida de 50%. "Já foram realizados todos os estudos técnicos e ambientais (EIA/Rima) para a dragagem de 32 quilômetros do canal destinado a perenizar a interligação das bacias dos rios Atuá e Anajás, interligação já existente pela própria natureza, mas durante somente seis meses de cheia" - explica o engenheiro da Administração das Hidrovias da Amazônia Oriental (Ahimor), Antônio Alberto Pequeno de Barros.

Se essa besteirada toda não continuar, serão dragados 9 milhões de metros cúbicos na área entre os rios Atuá e Anajás, a fim de garantir a navegação, na época da seca, de comboios com até 2.800 toneladas de capacidade de carga em quatro chatas, de Belém a Macapá, vice-versa. Segundo o projeto, a hidrovia atravessará pelo meio o arquipélago, no sentido sudeste-noroeste, levando novas oportunidades de emprego e de renda para a população local e facilitando o escoamento da produção de todo o Marajó. Os 580 quilômetros que hoje separam Belém de Macapá, porque a ilha do Marajó tem de ser contornada, diminuirão para 432 quilômetros pelo meio da ilha. Haverá uma redução de 148 quilômetros entre a capital do Pará e a capital do Amapá."

Além disso, a obra vai permitir acesso aos diversos recursos naturais da região marajoara, modernização do seu parque agropecuário e suprimento dos mercados consumidores de Belém e Macapá, viabilizando a criação de bacias leiteiras e estimulando a piscicultura" - observa Antônio Alberto Pequeno de Barros, alinhando, também, entre os impactos sócio-econômicos, o desenvolvimento do turismo flúvio-ecológico e a integração nacional do Marajó e do Amapá por meio da futura - e pelo que se vê também abortada - Hidrovia Araguaia-Tocantins, outra obra da maior importância para a região amazônica.Há nove anos, a Secretaria Executiva de Transportes do Pará - dirigida na época pelo engenheiro Amaro Klautau e depois pelos engenheiros Haroldo Bezerra e Pedro Abílio Torres do Carmo -, aliada à Ahimor, cumpriram todas as exigências legais, tais como elaboração de EIA/Rima e realização de audiências públicas. Desde setembro de 1998, a Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio-Ambiente do Pará concedeu a licença ambiental para instalação da obra, que foi renovada anualmente, até 2002. Acontece que, por força da ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal, até hoje o projeto da hidrovia não conseguiu sair do papel. A conseqüência disso é que a população do Marajó sofre os efeitos devastadores de doenças infecto-contagiosas, principalmente malária, de erradicação remota diante da dificuldade de acesso para a implementação de ações necessárias para debelar a doença.

O governo do estado e o Ministério dos Transportes chegaram a tomar todas as providências para o início das obras, inclusive a avaliação das terras localizadas nos municípios de Anajás e Muaná, feita por técnicos do Instituto de Terras do Pará (Iterpa). Procuradores do estado foram ao encontro dos comunitários para fazer o pagamento das indenizações no próprio local. Um convênio para distribuição do material lenhoso também foi celebrado com as prefeituras de Anajás e Muaná. Além disso, um plano de saúde foi elaborado para atender a área de influência da futura hidrovia. O plano envolve a construção de ambulatórios, proteção aos operários que trabalharão na obra e imunização contra doenças endêmicas. O fato é que está tudo pronto para que a obra seja realizada. Só depende do Ministério Público Federal.

A visão do Ministério dos Transportes

Segundo o site do Ministério dos Transportes, a Amazônia, graças à sua vasta rede hidrográfica, presta-se naturalmente à construção de hidrovias, em conexão com as demais vias de superfície (ferrovias e rodovias), bem como o sistema de transporte aéreo. Portanto, novas tecnologias de transporte devem ser objeto de pesquisa, visando ao desenvolvimento da região. A política de transporte para a região deve ser embasada no eficiente aproveitamento dessa potencialidade, fazendo da rede hidroviária a espinha dorsal do sistema integrado de transportes. A Hidrovia do Marajó consiste basicamente na instalação de uma via navegável que cruze a ilha do Marajó, da baía do Marajó ao rio Amazonas, propiciando uma ligação mais direta entre Belém e Macapá e facilitando o transporte e a comunicação na parte central da ilha. Para isso, o projeto prevê a interligação, por um canal de 32 quilômetros, dos rios Atuá e Anajás.

As obras incluídas na ligação dos rios Atuá e Anajás compreendem o melhoramento para navegação do rio Atuá, de sua foz à fazenda Caiçara, em uma extensão de 67 quilômetros; do rio Anajás, de sua foz no Canal Vieira Grande, no rio Amazonas, à desembocadura do Igarapé Anajás-Mirim, com cerca de 207 quilômetros; e a abertura de um canal artificial com 31,42 quilômetros, da margem esquerda do rio Anajás à margem esquerda do rio Atuá. Os rios Atuá e Anajás localizam-se na parte central da Ilha do Marajó e sua ligação, através do canal artificial, permitirá o tráfego direto de comboios de empurra entre a Baía do Marajó e o rio Amazonas, conseqüentemente, entre Belém e Macapá.

A proximidade da Hidrovia do Marajó com o porto de Santana, na zona metropolitana de Macapá, possibilitará que produtos paraenses, como açaí, cheguem aos Estados Unidos, Europa e Japão com redução de custo. Essa é a melhor maneira do país crescer, e não a última piada que Lula contou, antes de mais um passeio no Aerolula, o tal do PAC.


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Ray Cunha
(Por cortesia do site ABC Político)