2/23/2014

RAY CUNHA







IASMIM, MEU AMOR!

Comecei a sentir tua presença logo nos primeiros dias após tua concepção, pois Josiane, tua mãe, começou a ficar ainda mais bonita, a desabrochar como rosa grávida. Eu sentia no ar tua presença como a luz na alma; a música de Mozart nunca pulsou tão divina e o perfume da vida me extasiava. Eras tu que estavas vindo, para alegrar, para sempre, minha vida.

Logo o ventre da tua mãe começou a crescer. Eu o beijava e tu tentavas, lá do teu mundo uterino, tocar em mim. Os meses passavam e eu, agora, tinha duas namoradas. E queria também ficar juntinho do ventre da tua mãe, e líamos contos dos gênios da literatura infantil para ti. Abraçado à tua mãe, eu te sentia; e me sentia Deus. Já não criava somente personagens de ficção, mas estava prestes a ver o triunfo de uma criação perfeita.

Josiane ficou esplêndida, um santuário que eu beijava ajoelhado. Uma noite, 22 de fevereiro de 1990, o rio da tarde acabara de desaguar no Ocidente quando tu anunciaste que querias nascer. Joanira, um anjo que te acompanha desde sempre, levou tua mãe e eu ao Hospital Regional da Asa Norte, e, às 23h40, os jardins do mundo se iluminaram, pois nasceu um jasmim.

Na manhã do dia seguinte, fui te conhecer. Quando te vi, filha, senti uma emoção tão azul que vertia rubis, diante da luz, intensa, redentora, que tu emanas. Sabíamos que somos um, tua mãe, tu e eu. Pedi a Deus, meu Pai, que arrumasse a manhã para ti, a manhã da tua vida. Ele, então, me muniu de amor, luz, sabedoria, gentileza, para que eu cuidasse de ti.

E tu cresceste como um botão que abre imperceptivelmente as pétalas ao sol, como um poema cada vez mais azul. Eu lia histórias para ti, até um dia que tu mesma começaste a ler, e não paraste mais. O riso da tua infância, que guardo no relicário do meu coração, é minha perene alegria.

Todos os anos eu te dou o mesmo presente, que sou eu. Pertenço à tua mãe, de quem tu fazes parte, e sou teu também, porque és parte de mim, por isso te dou meu coração, que é o que me resta, pois nas histórias que te contei já te dei o mundo, e todos os jardins, e todas as rosas, e os girassóis de Van Gogh, e todo o perfume, e a música de Mozart.

Tu és meu exército; basta evocar teu riso. Quando nasceste, ganhei asas, e minha mente quebrou todos os grilhões que me acorrentavam ao átomo, e o mundo rebentou em jardins se derramando no espaço sideral. Tu és forte como os olhos dos bebês felizes, como pétalas ao sol, como o amor, porque nada temes.

Assim que te vi recém-nascida, dei-te para sempre a firmeza das minhas mãos, a fortaleza dos meus músculos e pedras preciosas que escavo na minha alma. Ouço, desde então, a música de Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig van Beethoven, e sinto o cheiro do mar, mesmo em Brasília.

Tua beleza, suprema, que vai muito além do teu sorriso, nasceu da minha conjunção com a mulher amada, em explosões lá para os lados do Grande Atrator. Nasceste sob o signo do amor, no Lar do Progredir Infinito. Meu Pai me tocou com Seu hálito, e então criei a flor definitiva, como o azul, que, de tão intenso, esparge quantum em tal plenitude que nos permite ver Deus.

Desde que nasceste, flutuo num voo perene, ao lado dos condores, dos Boeing, dos foguetes que partem de Cabo Canaveral, na Flórida, e de Kourou, na colônia francesa da Guiana. Quando menino voava nos Douglas DC-3, conduzidos, com segurança, em terra, por meu pai, teu avô, no Aeroporto Internacional de Macapá, e nunca mais parei, principalmente agora, que me dás o combustível para eu cavalgar a luz.

Tua é minha fé, que é muito, muito mais forte do que titânio e angelical como leão alado. Teu é o meu coração, e tua a minha vida, e tu serás sempre o meu bebê, e eu, um ser híbrido de anjo e leão, empunho uma espada de luz, para garantir que teu caminho esteja prenhe de manhãs, jardins e sol.










Teu!


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