4/07/2014

MEMÓRIA


A entrevista de Álvaro Jorge com o General Olympio Mourão Filho na Auditoria Militar em Belém-Pa

   Álvaro Jorge, em uma das muitas reportagtens da sua vida. Na foto com Barbosa Lima Sobrinho


N
este memorável dia 31 de março de 2014, completam-se 50 anos do golpe que implantou a Ditadura Militar Brasileira, atingindo nosso povo por longos 21 anos, com a marca do autoritarismo em todas as dimensões. Razão pela qual,no desempenho da minha função de repórter do jornal O LIBERAL, fui designado, no inicio da década de 1970, pelo Diretor-Superintendente Jornalista Romulo Maiorana, para entrevistar, na Auditoria Militar, nesta capital, o General Olympio Mourão Filho, autor do Manifesto da Revolução de Março-64, oportunidade em que , com muita segurança e objetividade, falou das razões que o levaram a elaborar esse importante documento, com as diretrizes básicas para a revolução que eclodiu em março de 1964,com a deposição do presidente João Goulart, “para eliminar os riscos da implantação do comunismo no país”.
Revelou que o seu verdadeiro e principal papel consistiu em ter articulado o Movimento em todo o país e depois ter começado a Revolução em Minas.  Pois, se nós não tivéssemos feito, ela não teria sido jamais começada. Pois o que articulou esta revolução – foi simplesmente a repulsa nacional, incontestável, que foi se tornando sempre mais forte na medida em que os torvos agitadores cresciam em audácia, na doutrina da subversão, os torvos agitadores cresciam em audácia, na doutrina da subversão do comunismo. Isto porque, disse, havia no consenso nacional a necessidade inadiável de pôr um termo às loucuras que se estavam praticando. Somente não estavam em sintonia com a consciência brasileira os chefes militares, enredados no falso legalismo, de braços cruzados e de ouvidos fechados no verdadeiro grito de medo, do pavor que se ouvia  indiscutivelmente em todos os setores, partindo de todos os lugares, das cidades e dos campos.
E, segundo afirma em seu livro-testamento, o primeiro ato de limpeza da área foi a deposição do Governo.
O segundo, foi tornar possível os processos dos subversivos e corruptos, para que os mesmos sigam os trâmites dos judiciários competentes. E a justiça militar ou civil cumpra sua missão, não permitindo que sejam arquivados os referidos instrumentos legais destinados a servir de base dos processos que ou absolverão os inocentes , ou condenarão os culpados.
Que cada um pague pelo que fez.
Do contrário, a Revolução terá sido frustrada num dos seus grandes objetivos: a sanção contra os que cometeram crimes .
Afirma no prefácio do seu livro, Memórias: A verdade de um Revolucionário, de autoria do jornalista Hélio Silva, edição -1978.

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 *Alvaro Jorge volta a colaborar com o Jornal do Feio. Em oito anos de vida,  este  importante jornalista foi o segundo que acreditou neste espaço.


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