3/14/2016

LÚCIO FLÁVIO PINTO



A confraria de Ray Cunha

 
 
A realidade da Amazônia pode ser tão bizarra, surrealista e paradoxal que sua tradução literária costuma ser feita através da paródia, do roman à cléf ou do folhetim. O picaresco combinado com a reconstituição de fatos, personagens caricatamente fictícios por detrás de máscaras de seres reais.

CONFRARIA CABANAGEM (210 páginas, edição do autor), do jornalista e escritor paraense Ray Cunha, se enquadra nessa categoria. O enredo: uma confraria contrata um detetive para impedir o assassinato de um senador Fonteles (Paulo Fonteles), candidato ao governo do Pará. À medida que essa investigação avança, conduzida por Apolo Brito (Apolonildo Sena Brito), “as entranhas da Amazônia são reveladas”.

Os nomes reais são embaralhados, a ordem do tempo subvertida e a trama sai do enredo romanesco para se tornar uma colagem de material da imprensa. O leitor pode se divertir (sem se esclarecer muito) tentando identificar a inspiração (por vezes óbvia) para Alexandre Cunha Silva e Silva, Organizações Rio-Mar, Jarbas Barata, o Poste, Gilberto Soares Fonteles, o marqueteiro O Bezerro. Há nomes verdadeiros fora das suas biografias, como Batista Campos, Benedicto Monteiro, P.P. Condurú, Luiz Braga. É um autêntico pout-pourri. Uma lambada na ficção estrito senso.

A CONFRARIA CABANAGEM está à venda nos sites:



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LÚCIO FLÁVIO PINTO
Jornal Pessoal

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