3/03/2016

RAY CUNHA



Ensaio sobre o equilíbrio



  
O equilíbrio está sempre à beira do abismo
Do fio da navalha
Da perda
Do berro
Do nada
Equilíbrio é o cataclismo do beijo
Da rosa o vermelho
Do poema o perigo
Poemas verdadeiros são perigosos
Voar na luz é o que importa
Equilibrar-se é pairar no precipício
O conforto de um Boeing a 10 mil metros de altura
É o combustível do primeiro beijo
Cataclismo na alma
Fortaleza de rosas nuas
Jasmineiros que choram nas noites prenhes de acme
A danação das tempestades
O voo alucinante dos astros
Os delírios mais divinos de Beethoven
Do mar, a loucura
É a noite, quando assassinos me perseguem
Derroto-os e durmo com a princesa.
Equilibrar-se é estar sempre a um passo da harmonia
E do desespero
 
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••• RAY CUNHA – Escritor e Jornalista baseado em Brasília-DF, Brasil

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