2/20/2017

INTOLERÂNCIA






                                                             Franssinete Forenzano
C
omo mulher, mãe, cidadã, jornalista, advogada, servidora pública, membro da Comissão de Direitos Humanos do Sindicato dos Jornalistas no Estado do Pará e da Comissão Justiça e Paz da CNBB Norte II, manifesto veemente indignação e repúdio à selvageria perpetrada contra uma colega jornalista, trabalhadora de um dos grandes jornais de Belém do Pará. Todo e qualquer ato de violência é inaceitável e deve ser combatido com todas as forças pela sociedade. É inadmissível que principalmente mulheres, crianças, adolescentes e LGBTI sejam revitimados ao invés de amparados, como manda não só a lei como o mínimo senso humanitário.

Nós, jornalistas, temos o dever de servir de trampolim para os avanços sociais. De travar o bom combate em prol da justiça e da paz, do respeito às diferenças e aos princípios mais caros à Humanidade. Mas, desgraçadamente, assistimos, estupefatos, ao sacrifício da dignidade humana no altar do mercado, à banalização da violência, atrocidades praticadas em nome do jornalismo. 

Como milhares de mulheres anônimas, a jornalista teve seu drama pessoal exposto, seu direito ao nome e à imagem desrespeitado, o que se traduz em nova agressão pública, com o agravante de ter sido enquanto está gravemente ferida, sem sequer poder agir em sua própria defesa. É grotesco, desumano, bestial.

Todos os dias, mulheres espancadas e feridas de forma atroz por seus companheiros sofrem nova violência ao procurarem as delegacias de polícia. Não há especializadas em cada bairro, muito menos em cada município. Fragilizadas, humilhadas, machucadas no corpo, na mente e na alma, são ainda obrigadas a ouvir gracejos de misóginos, quando não são despachadas para outro local, estimulando a subnotificação e a invisibilidade do crime. E ainda são, mais uma vez, violentadas pela publicação de seu sofrimento.

A mídia é palco por onde desfilam as mais diversas forças, constrói mitos e estereótipos, sugere regras, modas e hábitos. Por trás desse véu sedutor, busca audiência e, consequentemente, lucros cada vez maiores. Lançar mão de artifícios infelizes fomenta o pensamento rápido e miserável, pobre e acrítico. Pautas importantes como os Direitos Humanos, entre outras, ocupam espaço pífio na agenda midiática e são apresentados de forma distorcida, como um "problema de polícia", minimizando a complexidade do tema. O jornalismo deve dar voz e vez às minorias, a grupos sociais que lutam por uma vida mais digna, a assuntos do interesse de todos. 

O princípio da dignidade humana, consagrado na ordem constitucional, é basilar do Estado brasileiro e matriz principal de nosso sistema de direitos fundamentais. A Constituição Federal, inspirada sobretudo nas Constituições da Alemanha, de Portugal e Espanha, bem como na Declaração Universal dos Direitos Humanos, dentre outros documentos de cunho humanístico, positivou um complexo sistema de direitos fundamentais buscando dar efetividade à dignidade humana, que não tem preço.




Postado há 2 days 

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