2/18/2017


Vereadores tentam cercear a imprensa






A presidente do Sindicato dos Jornalistas no Estado do Pará, Roberta Vilanova, terá audiência com o presidente da Câmara Municipal de Belém, Mauro Freitas, na segunda-feira/20), às 8h, para tratar sobre a decisão arbitrária, tomada pelo Colégio de Líderes, que proíbe assessores parlamentares e de imprensa de fazerem fotos e vídeos dos debates entre vereadores durante as sessões. A jornalista Sara Portal vem denunciando essa prática ilegal e abusiva, que impede o exercício profissional dentro da Casa Legislativa, desde junho de 2016. Na ocasião, a presidente do Sinjor-PA oficiou ao então presidente da Câmara, Orlando Reis, sem resultado.
Na terça-feira passada, o deputado Carlos Bordalo(PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alepa, repudiou durante a sessão ordinária, em plenário, tentativa de intimidação à jornalista Carolina Menezes, do Diário do Pará, em razão de matéria assinada por ela.
A questão é muito clara e simples: os jornalistas têm a prerrogativa de informar à sociedade as decisões dos agentes públicos, e estes, por sua vez, têm obrigação de prestar contas dos seus atos à população em geral. 
O Sinjor-PA acompanha os casos de violência contra jornalistas e os notifica para que componham o Relatório de Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, editado anualmente pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). Por isso, a medida tomada pela Câmara de Belém já consta na edição 2016 do Relatório, lançado em janeiro deste ano no Rio de Janeiro, tendo sido registrado como caso de impedimento ao exercício profissional, assim como também constam os casos de agressão física e de intimidação/ameaça ocorridos naquela Casa Legislativa no ano passado. 
O Pará ocupa o 3º lugar em casos de violência contra jornalistas, ao lado de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande Sul, perdendo apenas para São Paulo e Rio de Janeiro, que ficaram com o 1º e o 2º lugares, respectivamente. Em 2016, assim como em 2015, o Pará foi o Estado mais violento da Região Norte, com 10 casos registrados, sendo 04 de agressões físicas (incluindo o caso da assessora do vereador Cléber Rabelo, Andréa Neves, que foi agredida pelo vereador Luiz Pereira); 02 casos de ameaças/intimidações (incluindo o caso do repórter fotográfico Ney Marcondes, do Diário do Pará, que foi ameaçado pela ex-vereadora Meg Barros); 01 caso de cerceamento à liberdade de imprensa por ações judiciais; e 03 casos de impedimento ao exercício profissional (incluindo a decisão da Câmara de Belém).
Conforme o Relatório, os políticos, seus assessores e parentes ocupam o 3º lugar entre os principais agressores dos jornalistas. Em 1º lugar vêm os policiais militares e guardas e em 2º os manifestantes. O documento completo está disponível no site www.fenaj.org.br.
Na segunda-feira, às 9h30, os jornalistas vão se manifestar contra os abusos na Câmara Municipal de Belém. O Sinjor-PA informa aos profissionais que devem denunciar imediatamente qualquer tipo de cerceamento ou violência (e-mail sinjorpa@gmail.com), a fim de que o caso seja notificado e medidas necessárias tomadas

Compilado do

Blog da Franssinete Florenzano


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