2/07/2007



ALTAR EM CHAMAS
João de Jesus Paes Loureiro oferta rosas para Belém do Pará

Brasília – O mundo já conta com o blog de um dos maiores escritores da Amazônia, o poeta paraense João de Jesus Paes Loureiro (paesloureiro.blogspot.com). Prêmio nacional de poesia, com Altar em Chamas, o poeta já foi publicado nos Estados Unidos, França, Alemanha, Japão, Itália, Portugal e Colômbia, além do Brasil. Doutorou-se na Sorbonne, Paris, com a tese Cultura Amazônica - Uma poética do imaginário, livro fundamental para se entender a Amazônia.
Paes Loureiro é filho ilustre da cidade de Abaetetuba.

O poeta inaugurou seu blog com um poema que é um beijo em Belém do Pará, Mangueiras de Belém. Deguste-o.

Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?
O rio se curva e te oferta
um branco buquê de espuma.
A noite deita nos becos
e a cuia da lua derrama.

Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?
Ruas de anjos com asas
de verde beleza arcana.
Ai! Mangueiras da Cidade,
que o sol esculpiu na sombra,
por vós o poeta implora,
por vós a poesia clama...
Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?

Por que vagam na cidade
assassinos de mangueiras,
matando-as por querer
ou matando de encomenda,
matando à sombra da lei,
essa lei sem lei, sem lenda?
Essa triste lei da morte
que tem na morte sua vida.

Não deixem que passe impune
esse crime, essa desdita.
Fotografem, multipliquem
vosso “não” pela internet,
pelos blogs, no youtube,
nos orkuts, nos e-mails,
nas asas dos passarinhos
que estão perdendo seus ninhos,
no peito dos que se amam,
nos muros e nos caminhos...

Quem pode lavar a mão
olhando esse arvorecídio?
Que frutos hão de brotar
nos galhos da solidão?
Que é feito do coração
desses que sem piedade
arrancam pela raiz
as raízes seculares
da alma desta cidade?

Ai! Mangueiras de Belém!
Anjos de verde folhagem,
que fazem sombra com as asas
mas são em poste enforcadas.
Verdes berlindas de mangas
no Círio de cada dia.
Campanários de andorinhas
nos corais da ave-maria.

Quem te vê e não te ama?
Tua leve melancolia
presa em gaiolas de chuva.
Teu dia, garanhão de auroras
tua noite sempre viúva...
Belém, donzela das águas,
no rio do verso encantada.
Oh! Barca de verdes velas,
no Ver-o-Peso aportada.

Um comentário:

Anônimo disse...

Meu amigo:

Vc foi muito feliz em promover através desse blog interessante. uma figura ímpar na história da literatura, da cultura de uma forma geral no Estado do Pará.
João de Jesus Pares Loureiro ou JJ Paes Loureiro, um abaetetubense assumido e juramentado.
Desde cedo teve “queda” para as letras.
De Abaeté veio para Colégio Salesiano Nossa Senhora do Carmo – como aluno interno. No colégio de D. Bosco e Domingos Sávio fez o ginásio e o científico honrando o velho colégio da Cidade Velha.
No científico ajudou a fazer o jornal O Paladino – da justiça e da verdade – junto com José de Souza Gorayeb e Eduardo Albedenor (falecido).
Fui para a Faculdade de Direito; tornou-se advogado; foi perseguido pela “Redentora”; fez um monte de coisas; fez uma revista – Reportagem – junto com Rita Feitosa, que só teve seis edições. A censura não deixou mais sair... colaborou com a página literária da “Folha do Norte” editada por Eliston Altemann, por muitos anos.
Foi professor de Vestibular (o Ruy Barbosa) que ajudou a levar um monte de jovens para as faculdades de Direito. Filosofia e Economia da UFPa, em 1968.
Foi Secretário de Educação do Município de Belém.
Escreveu “Poemas de amar, de amor e de Paz”, um dos seus primeiros livros com páginas soltas para serem guardadas...
Ah... Paes Loureiro é demais.
Um paraense que honras suas origens papa chibés.
Meus cumprimentos pela lembrança.

Manoel de Souza Martins Grello