2/18/2007





PÚBLICO OU PRIVADO?

Desembargador do Amapá quer a imprensa amordaçada

Brasília
– De 1943 a 1990, especialmente durante a ditadura dos generais, de 1964 a 1985, os jornalistas do então Território Federal do Amapá sobreviviam numa espécie de front, pois o estado não se fazia presente em terras tão longínquas do Rio de Janeiro e, depois, de Brasília. O estado democrático muito menos. Com a ditadura, jornalista que se metesse a rabequista era logo jogado na Fortaleza São José de Macapá e, de lá, em algum porão em Belém do Pará. Mas, ainda hoje, o Amapá, estado desde 1990, está muito distante de Brasília. Ou perto demais.
Só para dar um exemplo, nas últimas eleições, o senador maranhense José Sarney, eleito pelo PMDB do Amapá, instituiu a censura aos jornalistas que participaram do movimento “Xô, Sarney!”. Em outubro passado, o TRE do Amapá acatou incontáveis ações, multou e censurou vários jornalistas amapaenses, entre eles Corrêa Neto e Alcinéa Cavalcante, apenados em mais de R$ 1 milhão.
Há até um caso hilariante. Sarney entrou com uma ação na Justiça e conseguiu que agentes da Polícia Federal deixassem seu trabalho de lado para inquirir a jornalista Alcinéa Cavalcante, ao longo de três horas, porque um internauta registrou no blog da jornalista, em agosto do ano passado, que a família de Sarney “fede”.
Agora, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE), desembargador Honildo Amaral de Mello Castro, está movendo ações civis e criminais contra os jornalistas Corrêa Neto e Alcinéa Cavalcante e uma interpelação judicial contra a jornalista Luciana Capiberibe, filha do ex-senador João Capiberibe e da deputada Janete Capiberibe.
O crime: Honildo Castro se ofendeu porque os jornalistas publicaram que o juiz está construindo um hotel no centro de Macapá, estimado em mais de R$ 1 milhão.
Segundo o site Folha do Amapá, recentemente, o juiz Antônio Ernesto Colares concedeu liminar em ação de indenização por danos morais movida pelos advogados de Honildo Castro, determinando a retirada de “fotografias do prédio e comentários sobre o proprietário dele”, publicados na mídia, por entender que não existe “interesse público” na notícia. Mas Honildo não é funcionário público? Não é ele pago com nosso suado dinheirinho?
“Na ação civil contra Corrêa Neto e Alcinéa Cavalcante, o desembargador cobra indenização no valor de R$ 105 mil por danos morais” – diz a Folha.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) deverá enviar um representante ao Amapá para acompanhar os processos.

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