8/30/2011

EDYR AUGUSTO



PAI






Chega mais um Dia dos Pais, data apropriada para o comercio mas, why not, aproveitamos para homenagear nossos pais, tao queridos. O meu já não esta mais por aqui. Nunca pensei que faria tanta falta. Penso nele diariamente, para tudo e por isso, considero que ele anda ao meu lado. Nos seus últimos anos de vida, viramos amigos muito próximos. Aposentado, passava diariamente em minha sala, para conversar. Altos papos. Herdei alguns dos seus amigos. Todos já se foram, também, mas ia lá comigo, tomar um cafezinho. Por questão de temperamento, nunca fui próximo fisicamente dele. Nada de abracos apertados, beijos e que tais. Se comunicava pelos olhos. Não gostava de teatro. Não era a dele. Preferia musica ou os filmes de Charles Bronson. Mas ia a todas as minhas estreias.
Quando trabalhei fazendo comentários esportivos, muitas vezes os colegas, ao inves de me chamarem Edyr Augusto, chamavam Edyr Proenca e queriam se desculpar. Desculpa nada, para mim, uma honra. Mas também nunca tive medo de seu nome. Nem eu nem meus irmãos.
Nao fomos criados assim. Fomos livres, cada qual escolhendo sua direcao, sem pensar ou sofrer com comparações. Fomos parceiros de musica e futebol. Fui seu companheiro, calado, no banco da PRC-5, nas cabines dos estádios durante muitos anos. Ele me ensinou a ver o jogo. Serve ate hoje. Foi com uma letra minha que ele voltou ao violão, a compor. Tenho musicas inéditas dele, aguardando a oportunidade para lançar em cd.
As vésperas de sua morte, cheguei perto e passei a mão em seus cabelos. Nunca havia chegado tão próximo. No dia em que se foi, nao tive tempo de chorar. Precisava cuidar dos preparativos para o enterro. O choro veio algumas semanas depois, quando meu filho contou um sonho que teve com ele. Puxa, como sinto sua falta.
E no entanto, agora sou um pai, na espera de mais um Dia dos Pais. Meus filhos são adultos, um deles esta casado com uma pessoa fantástica. Meu pai dizia que sabia lidar com cada filho, pois cada um era diferente do outro. Isso mesmo.
O amor de um pai para com seus filhos talvez seja o maior possível. Maior até do que por pai e mãe, se e que podemos medir isso. E dizer que são adultos! Para nos serão sempre crianças. E procurei ser muito próximo. Beija-los, abraçá-los, elogia-los. Os tempos são outros. Dividimos roupas, discos, livros. Discutimos todos os assuntos. Mas cada um e cada um.
Desde os primeiros dias, quando me perguntavam o que desejava que fossem, quando grandes, respondia: que sejam felizes. Penso neles o tempo todo. Agora um vai fazer uma viagem. Dessas que nos, dos anos 70, sonhávamos em fazer e não fizemos. O menor quer viajar. Mas já e um homem feito. Claro que vai. Vai em frente. Mas já disse, nao posso evitar, vai partir meu coracao. Mesmo. De chorar so de pensar. Vem mais um Dia dos Pais. Vamos sair para almocar. Felizmente, por forca de trabalho, estamos quase todos os dias juntos, de modo que o almoco e algo pro forma, embora o facamos com grande prazer. O que quero ganhar? Sempre me perguntam, claro, E eu respondo: Quero o amor de vocês. .


O texto acima, de autoria de meu velho amigo Edyr Augusto Camarão Proença e filho do meu confrade - de saudosa memoria – Edyr de Paiva Proença, locutor esportivo preferido do meu pai, Sebastião - que também já se foi há quase 15 anos -, através da Jornada Esportiva Gillete, transmitida pela PRC-5 Rádio Clube do Pará, “ a voz que fala e cantiga para a planície” em 1450 kilociclos, onda de 206.20 metros – foi solicitado por um leitor que não se identificou.
Mandou o artigo por e-mail.
Na oportunidade quero agradecer pelo o bom gosto do leitor e, ao mesmo tempo, cumprimentar o Edyr Augusto pelo belo texto, extraído pelas minhas pesquisas, do seu blog. Aliás, Edyr Augusto é um dos seguidores do Jornal do Feio.

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