11/15/2013

RAY CUNHA




Dois poemas do nosso homem em, Brasília
Os portões da Íris 


Procuro na luz dos teus olhos
Misteriosos como a noite
Nos teus lábios de rosa vermelha esmigalhada
Nos meridianos do teu mar
Perder-me no azul
E sentir o sabor da tua boca
Do teu leite
Do teu púbis
Num desejo que me consome e não cessa nunca

Mulher Amada

As mulheres são a ilusão mais pungente
Que existe
Porque tornam o desejo inesgotável
E não saciam nunca
Inacessíveis, são como mênstruo,
O parto de um monstro
Imaginado apenas pela dor
Mas que suporta-se pela esperança
Do sorriso
Basta o olhar da mulher
Para acenderem-se todas as chamas
Munir de asas o homem mais medíocre
E engravidar de perfume o mundo

Linha 152, Rodoviária-Cruzeiro Novo, 4 de novembro de 2013, uma segunda-feira, 15h50, sol de rachar

    

 

 RAY CUNHA – Escritor e Jornalista baseado em Brasília-DF, Brasil

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