12/04/2012

RAY CUNHA





Fim da era Lula


BRASÍLIA, 2 de dezembro de 2012 – A era Lula durou precisamente oito anos – 2003-2010; acabou em 1 de janeiro de 2011. Lula e a nomenklatura do Partido dos Trabalhadores (PT) sonhavam, e sonham ainda, com uma ditadura de esquerda (as de direita são a mesma coisa). Sonho apenas. Jamais se concretizará. Mais adiante direi por quê. Lula, durante seu governo, agiu como um ditadorzinho. Aparelhou o Estado, incluindo as agências reguladoras, criadas por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e, claro, aparelhou também a Petrobras. Tentou a Receita e a Polícia Federal. Não conseguiu. A corrupção espirrou onde quer que Lula metesse o bedelho, até desaguar no Mensalão.
Em 2010, Lula, ídolo inconteste do povão, que, no fim das contas, é quem determina a fauna que vai para o Congresso Nacional, elegeu Dilma Rousseff, certo de que estaria elegendo um títere. Enganou-se. Dilma sabe o que é uma ditadura, pois já a sentiu na pele; foi torturada pelos militares durante a aventura dos generais (1964-1985), embalados pelo status quo da classe, então, dominante. Também é instruída, diferentemente de Lula, e sabe que a economia de mercado é o único caminho, pelo menos neste início do século 21. Até a ditadura de ferro da China reconheceu isso. Dilma não está disposta a embarcar na canoa furada de Lula, e dá claros sinais disso.
Lula passou oito anos gastando e acobertando corrupção histórica. Enquanto presidente da República, foi blindado e se beneficiou da propaganda nazista, que só o PT sabe e é capaz de fazer. Mas oito anos de corrupção é muita coisa. Bastou um ano fora do poder para o lamaçal começar a se agitar. Um nome começa a se insinuar, com insistência, em escutas legais da PF. Só falta decifrar a criptografia.
Lula e nomenklatura emanam a melancólica visão de empoeiradas teias de aranha. O mundo que desejam ardentemente é impossível. O Brasil já é uma potência democrática e isso não será mudado, por uma razão: as instituições que formam o Estado brasileiro se fortalecem a cada dia, de modo que os ladrões de merenda escolar já não podem mais agir à luz do dia, como tem sido.

     

 RAY CUNHA – Escritor e Jornalista baseado em Brasília-DF, Brasil

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