8/18/2012

ESFORÇO DE UM DIAGNÓSTICO CONJUNTURAL


Muitas são as questões que nos defrontamos no dia-a-dia e que entendo seja chegado o momento de procurar diagnosticá-las na tentativa de entender a dinâmica do seu processamento. Para não ser prolixo e maçante nas apreciações, querendo abranger todos os Poderes da nossa maltratada República, vamos nos cingir unicamente a dois dos mais momentosos poderes: o Poder Político e o Poder Militar.

Digo somente esses dois poderes em razão do caos que se instalou no País, tanto no que se refere à conduta dos agentes públicos, quanto aos insistentes esforços na compreensão do papel das FFAA ante o imobilismo sobre questões fundamentais, tanto no campo moral institucional, como no campo do atendimento às carências operacionais e assistenciais da Família Militar. Com relação ao Poder Político, observa-se que o País ainda não encontrou o seu caminho, interno e externamente, possivelmente em razão de uma balbúrdia de natureza ideológica que mais se coaduna com o interesse maior de perpetuação no Poder, como partido único, com o objetivo de esvaziar os cofres públicos ante a anuência e passividade da população.
Na tentativa de definir o sistema de governo que ora vivenciamos poderíamos dizer que, hoje, vivemos sob a égide de uma república sindicalista autocrática de viés ideológico oportunista, cujo estímulo principal é a dilapidação do dinheiro público.
Pautado nessa concepção, tudo é válido de ser feito: mentiras em abundância, acobertadas por uma mídia financeiramente comprometida, hipocrisia na divulgação de informações de uma maneira geral, e tantas outras dissimulações que procuram fazer com que os menos avisados acreditem estarem vivendo um momento de grande felicidade e estabilidade. Isso é o que nos cabe dizer de forma bastante sintética e objetiva.
Resumidamente podemos inferir que caminhamos celeremente rumo à falência total do Estado, em especial em termos morais e éticos. Já com relação ao Poder Militar ficamos numa imensa e interminável dúvida sobre o papel das FFAA diante desse caos: devem elas manterem-se alheias aos acontecimentos no pressuposto de que tudo que aí está é decorrente da vontade popular, e como tal precisa ser ignorado, ou é apenas um sentimento incompreensível de se considerarem derrotadas no movimento contrarrevolucionário de 64? Ou então a combinação de ambos que as tornam inermes?
Em recentes acontecimento ocorrido no Clube Militar do Rio de janeiro, causou-nos perplexidade a omissão e a indiferença com que foi tratada a afronta de uma “cusparada” dirigida a um inativo. Se as autoridades militares pensam que isso ficou no esquecimento é ledo engano, pois a decepção pela inação oficial foi muito maior do que se poderia esperar, e com ela ficou a certeza de que as FFAA se recusam a honrar o seu passado, ignorando que o seu futuro está irremediavelmente ele ligado, queriam ou não.
Quanto mais tentarem ignorá-lo piores serão as consequências decorrentes, pois é fato as manobras  para a desmoralização das instituições permanentes, conduzidas, de modo orquestrado pelos meios de comunicação, para fazer a população ver no soldado um agente potencial da violência e da truculência comportamental. Não adianta recorrer a pesquisas de opinião, pois quase sempre elas não são conduzidas com isenção e bem se assemelham a espasmos momentâneos cuja repercussão é fortemente contida.
Ainda com relação ao Poder Militar, fica difícil entender a passividade com que tratada a nossa questão salarial, mesmo com a divulgação de eventuais duvidosas atitudes, que expressam a tentativa de fazer-nos crer que fazem o que podem, mas não encontram receptividade naquilo que pleiteiam.
O curioso nisso tudo é que as instituições permanentes que são as FFAA não existem para se sujeitar aos humores do governo; elas servem ao Estado e como tal, precisam impor-se para não chegarem ao ponto de implorar por reajustes salariais, como agora ocorre. Sim, porque os Comandos são os verdadeiros responsáveis pela situação crítica salarial em que nos encontramos, seja pela tímida e contida ação reivindicatória, seja pela conveniência de um silêncio acomodativo.
É esse sentimento de acomodação que pode explicar a nossa preocupante situação de desaparelhamento operacional e de desmotivação profissional crescente que parece ser o grande objetivo de um governo ideologicamente estrábico, que não sabe distinguir o que é permanente do que é transitório, como ele o é. É voz corrente atribuir ao Ministério da Defesa a responsabilidade pelo atendimento das carências das FFAA.
Ledo engano, pois desde que foi instaurado, ele tem o único propósito de escoimar a presença militar junto às decisões políticas. A confirmação disso vamos encontrar nas sucessivas nomeações de indivíduos despreparados e neófitos em questões militares, que nada sabem nem se interessam pela vida militar, pois eles ai estão para servir ao governo e não ao Estado.
Triste sina a que somos obrigados a enfrentar: Poder Político desacreditado e Poder Militar sem vontade de exercer a sua autoridade para moralmente se impor ao respeito de quem tem a missão constitucionalmente definida de garantir a defesa do Estado Brasileiro. Somos todos culpados pelo momento que estamos vivendo, pois os que aí estão o foram pelo desejo inconsciente ou não da população, que por não saber distinguir o que é importante para o País colocou sua opção pelo que de mais podre existe na natureza humana.

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Waldemar da Mouta Campello Filho
Capitão-de-Mar-e-Guerra
Presidente e Coordenador do Sistema CONFAMIL

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