6/02/2007


NAVALHADA NO BOLSO

José Sarney e Waldez Góes se enredam na Gautama

Brasília – O governador do Amapá, Waldez Góes (PTB), foi pego mais uma vez com o queijo na boca. Assinou um contrato de R$ 143.655.395,68, por meio da Secretaria de Transportes, com a “construtora” Gautama, no dia 28 de abril de 2006 e publicado em 3 de maio do ano passado no Diário Oficial do estado, para a construção de pontes na malha viária amapaense. Embora setores da imprensa do Amapá especulasse sobre o assunto, Waldez Góes fez boca de siri e se amoitou.
A Gautama era sede de uma poderosa quadrilha que fraudava licitações da União, estourada pela Polícia Federal. Até o ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, indicado pelo senador maranhense eleito pelo Amapá, José Sarney (PMDB), caiu na Operação Navalha, planejada pela inteligência da PF.
Waldez Góes, José Sarney e o ex-deputado Gervásio Oliveira (PMDB) constam na relação de políticos que receberam presente da Gautama. A Polícia Federal encontrou documentos com o registro do trio no escritório da “construtora”.
Waldez Góes é o mais atolado. Sua campanha à reeleição foi parcialmente financiada pelo empresário (?) Zuleido Veras, dono da “construtora”. Em 2006, o governador recebeu R$ 200 mil da “empresa”, o segundo lugar em volume de dinheiro doado pela Gautama em todo o país.
A ligação espúria envolveria também a primeira dama do estado, Marilía Xavier Góes. Recentemente, foi publicado um termo aditivo referente às obras do Aeroporto Internacional de Macapá em nome da esposa do governador. A Gautama integra o consórcio Gautama-Beter, responsável pela construção do novo aeroporto, fruto de emendas do senador José Sarney, aliado de primeira hora de Waldez Góes e velho conhecido do quadrilheiro Zuleido Veras.
Em 2006, o Tribunal de Contas da União (TCU) detectou superfaturamento na obra do aeroporto em mais de R$ 50 milhões. Essas irregularidades deverão ser investigadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo. Serão mesmo? Sarney é poderoso, mas o relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), afirmou que pretende convocar para depor o “empreiteiro” Zuleido Veras, caso seja comprovado superfaturamento nas obras de ampliação do Aeroporto de Macapá, administrado pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).
Também segundo relatório do TCU, foram pagos ao consórcio 9 meses de serviços não-prestados, no valor de R$ 2.040.281,18. Ainda, foi detectada irregularidade na contratação de equipe de apoio administrativo pelo consórcio. Era da responsabilidade da Infraero atender a serviços como o de copeira e de auxiliar de limpeza e a Gautama-Beter apresentou gastos de R$ 22.800 referentes a salários das copeiras por um período de 15 meses. Cada copeira receberia um salário de R$ 1.520, segundo os valores levantados pelo TCU. Já os auxiliares de limpeza receberiam, pelo mesmo período de trabalho, salário de R$ 1.337,60.
Mais, o TCU detectou falhas na contratação de profissionais por prazo superior ao período de execução das obras para as quais trabalhariam no exercício de 2006. O relatório cita uma série de serviços que seriam executados entre 7 e 8 meses, como topografias, instalações elétricas e eletrônicas e instalações mecânicas e de utilidades, mas a mão-de-obra para esses serviços foi contratada para período de trabalho que variava entre 22 e 28 meses.
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Com informações do site Folha do Amapá (www.folhadoamapa.com.br)Cortesia do site ABC Polítiko

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