6/17/2007



OS RATOS

Brasília em chamas

Brasília
– Naveguei em busca de flores e as encontrei no novo jardim da poeta; quando não publica flores no seu blog, Alcinéa semeia poemas. Precisei de flores porque os sites de notícias tresandam ao miasma da corrupção. Criminosos de colarinho branco, bandidos imunizados, quadrilheiros encastelados em Brasília povoam as páginas da mídia. Os ratos do esgoto labiríntico ameaçam as rosas que desabrocham ao sol. Assim, bati palmas para a poeta e também para a Caneta Sem Fronteira; esses blogs espargem perfume e riso na nossa alma e nos fazem esquecer a lama que enlameia o Brasil.
Dinheiro enlouquece os ratos, que são capazes de assassinar até crianças por dinheiro, roubando-lhes a merenda escolar. Os ratos são compulsivos, não dormem, e mentem o tempo todo. São cegos para flores e surdos para o riso, inclusive o riso das crianças. Seu único prazer é roubar. São capazes de escravizar anjos e furtar as rosas da manhã. Esses ratos são capazes de tudo, até de furtar o perfume dos jasmineiros que choram nas noites tórridas da Amazônia.
Falar em Amazônia, os ratos estabeleceram uma política para a região mais esplendorosa do planeta, a de terra arrasada. Os ratos querem ver a Amazônia fantasmagórica como mulher currada. Alguns ratos da Amazônia são ratazanas. Em Macapá, cidade natal da poeta e minha também, há ratazanas, embora na cidade não haja esgoto. Nem água potável, apesar de Macapá banhar-se na boca do maior rio do mundo.
Foi-se a manhã. O rio da tarde murmura. Encontro-me na minha trincheira, escavada com palavras. As torres do labiríntico Congresso Nacional fincam-se no céu azul tangível da cidade-estado. Começa a tarde. A grama estala como palha, ao sol do Planalto Central. Um automóvel, grande e negro, chapa branca, vence o Eixo Monumental. O vidro da janela de trás, à direita, é baixado e alguém atira um toco de cigarro na grama seca, e a palha logo começa a crepitar.
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Contos – Informo que autografei o livro Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (edição do autor, Brasília, 2000, 116 páginas, R$ 20), na última terça-feira/12, às 19 horas, no T-Bone Açougue Cultural, na Entrequadra 712/713 Norte, Bloco B, Loja 30. Trópico Úmido encerra os contos Inferno Verde, Latitude Zero e A Grande Farra. Selecionei o mais curto especialmente para os leitores do Enfoque Amazônico. Latitude Zero é uma história ambientada em Macapá, minha cidade natal, e datada nos anos sessenta.
Inferno Verde é a história de um jornalista às voltas com o aterrorizante bandido Cara de Catarro, que seqüestra a filha do jornalista para trocá-la por um diamante. O conto se passa em Belém, com desfecho no Marajó. A Grande Farra narra o drama de um candidato a escritor que gasta seu tempo numa grande farra; essa narrativa se passa em Manaus e em Rio Branco. RC

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