1/17/2013


     Foto: João Gomes



Chalé Tavares Cardoso recebe ação emergencial
 Prefeitura pediu apoio dos bombeiros para retirar a água que tomava conta do subsolo do prédio  há pelo menos um ano


Vinte homens da secretaria municipal de Saneamento e doze do Corpo de Bombeiros participam da operação emergencial para retirar a água que toma conta do terreno e já invadiu o subsolo do Chalé Tavares Cardoso, prédio tombado pelo município onde funciona a biblioteca municipal Avertano Rocha, no Distrito de Icoaraci.
 O alagamento chegou a cerca de dois metros de altura, segundo estimativas dos bombeiros, e uma bomba de sucção precisou ser usada para retirar a água do prédio e despejar no rio. “Nosso trabalho é reduzir o nível dessa água para que os homens da prefeitura possam atuar na limpeza com segurança e técnicos tenham condições de avaliar a situação do prédio”, informou o tenente Rodrigo Martins, que coordena a ação dos bombeiros no local e prevê que o trabalho dure pelo menos dois dias, devido a grande quantidade de água represada, cerca de sete mil metros cúbicos, segundo cálculos feitos pela corporação.
A situação do Chalé Tavares Cardoso foi denunciada pela própria população ao prefeito Zenaldo Coutinho durante o início do mutirão “Cuida Belém, Cuide também” em Icoaraci, na última quinta-feira, 10. O prefeito conferiu de perto a situação de abandono do prédio histórico que apresenta rachaduras, vidraças quebradas e o parapeito do andar de cima completamente deteriorado. Zenaldo determinou intervenção imediata para garantir a segurança de quem trabalha e de quem frequenta a biblioteca municipal, além da recuperação do patrimônio público.

A bibliotecária Silvia Marques trabalha há dezesseis anos no Chalé e diz que a situação é resultado do descaso do poder público nos últimos anos e garante que os funcionários, apesar do medo de acidentes e até de doenças como a dengue, só não abandonaram o prédio por amor. “Nós temos projetos belíssimos desenvolvidos aqui e essa é a única biblioteca pública do município a serviço da população aqui do Distrito, não queríamos que fechasse”, disse a bibliotecária.
 De acordo com a diretora geral da Agência Distrital de Icoaraci, Maristela de Souza, ainda não é possível saber se o alagamento do subsolo do prédio, que já dura mais de um ano, provocou danos na estrutura. “Nós acabamos de assumir e nos deparamos com essa situação. Só depois de retirar a água é que os bombeiros e os nossos engenheiros e técnicos vão poder avaliar as condições do prédio e aí sim, a gente vai adotar as providências necessárias para preservar esse patrimônio tão importante para o nosso Distrito”, explicou Maristela.
Paulo Laurentino, coordenador da limpeza feita pela secretara municipal de Saneamento, estima que o trabalho de desobstrução da tubulação, principal motivo do alagamento do prédio, leve de quatro a cinco dias. “Nós chegamos aqui e vimos que não dava para trabalhar com segurança. O nosso caminhão de hidrojato não conseguiu liberar a tubulação e pedimos ajuda dos bombeiros para evitar riscos ao nosso pessoal”, detalhou Laurentino.
A diretora da biblioteca, Socorro Baía, informou que por enquanto o atendimento ao público está mantido, mas já está sendo procurado um prédio para abrigar a biblioteca, caso sejam identificados problemas na estrutura. “Inclusive já está sendo discutida uma reforma aqui no Chalé e dessa maneira, nós teremos que transferir as atividades para outro lugar”, afirmou Socorro que garante que a população , principalmente, os estudantes, não ficarão sem um lugar para estudar, ler e pesquisar.

Sobre o Chalé Tavares Cardoso

O Chalé Tavares Cardoso foi construído entre os anos de 1870 e 1912 por Eduardo Tavares Cardoso, dono de livraria que tinha o sonho de manter um recanto para a família e amigos em Icoaraci. Estimulado pelo momento econômico favorável, período áureo do ciclo da borracha, Eduardo Tavares construiu um prédio com traços característicos da Belle Époque com um lago artificial usado para passeios de barco durante a maré alta. Com a morte dele, o prédio foi adquirido pelo governo do Estado na década de 50 e repassado a município na década de 70, quando foi transformado em biblioteca pública municipal de Belém, por iniciativa do ex-prefeito Nelio Lobato. Em 2000 passou a abrigar também o museu de Artes Populares e se tornou pólo cultural do Distrito.

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Comus


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