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3/07/2009



Seu sexo cheirava a rosas e sua pele tinha a contextura de seda chinesa do século dezenove. Sua boca era grande e estava sempre sorrindo, um riso jovem e cristalino, como só as ninfetas mais puras podem emitir, e o início da noite era um rio de perspectivas.


Há um momento em que, aparentemente, perdemos tudo, e nos sentimos cair no vazio, que, além de vazio, é pegajoso. Tentamos nos agarrar nas paredes do vazio até compreendermos que não há paredes. Mas se compreendemos que a queda é um paradoxo paramos de nos debater e respiramos.


As possibilidades, no Conjunto Nacional, são infinitas, ainda mais em março, quando o ano começa. Passo sempre na Livraria Sodiler. O La Selva, grupo que comprou a Sodiler, deverá distribuir meu livro O casulo exposto às suas 60 livrarias, em março. As livrarias Leitura de Brasília já o têm. Vi-o na Leitura do Conjunto Nacional. Almoço no restaurante Viva Brasília! A tarde chega como o pulsar da música de Mozart, trazendo perfume e tênue cheiro de maresia, embora estejamos tão longe do mar. Contudo a dimensão da tarde, não importa aonde chegue a tarde, contém o mar.


Este conto foi extraído do meu último livro, O casulo exposto, composto de 17 histórias curtas ambientadas no submundo de Brasília, inclusive político. Se você o procurou na sua livraria predileta e não o encontrou, avise ao seu livreiro que pedidos devem ser feitos à LGE Editora (www.lgeeditora.com.br), ao editor Antonio Carlos Navarro (55-61) 3362-0008/lgeeditora@lgeeditora.com.br. Em Brasília, O casulo exposto já está à venda na rede de livrarias Leitura.


Meu posto ficava a meia dúzia de metros dela, permitindo-me percorrer com o olhar a jovem mulher impunemente e sem pressa. Já disse que seus olhos eram como o Atlântico e o Pacífico, e sua pele, rosada, tinha a contextura das pétalas das rosas ao orvalho e ao sol.


A Rodoviária do Plano Piloto, o coração de Brasília, é tratado pelo governo do Distrito Federal como uma pocilga. Mesmo assim, é infinitamente melhor do que a Rodoferroviária, que recebe e despacha ônibus interestaduais. Na Rodoferroviária, os banheiros fedem a podre e o prédio lembra ruínas, e seu subsolo é uma câmara de gás, pois a fumaça de velhos ônibus é excessiva e os exaustores não funcionam.


A Hiléia é como a menina de Abaetetuba, atirada em uma cela com dezenas de bandidos perigosos, durante um mês, estuprada e torturada dia após dia. Delegados, inclusive uma delegada, até uma juíza de direito, e toda a cidade, sabiam da ignomínia que se cometia naquele pântano humano. No fim, os policiais justificaram sua loucura alegando que a criança se oferecia aos presos, e que era débil mental. A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, achou tudo natural.


Nós, brasileiros, somos mesmo colonizados, até hoje. No Congresso Nacional, sede do parlamento brasileiro, em Brasília, o uniforme é o do velho colonizador - paletó e gravata. Nossas Havaianas, bermudas e camisetas só imperam nas cidades de praias. A propósito, apesar de possuirmos as melhores praias do planeta, muita gente sonha com os pedregulhos e areia grossa da Grécia, ou com os balneários frios, mas badalados, do Mediterrâneo e da Península Ibérica.


Acordo, às vezes, de madrugada, o coração disparado, pois no sonho fui atacado por um leão, ou perdi a mulher amada. O melhor de tudo é quando sonho com rosas vermelhas colombianas. Sei, então, que o dia seguinte será ensolarado, e que a mulher amada dirá que me ama.


Nem os ratos que te conspurcam os seios, que te assaltam, que te depredam, que te estupram, te derrotarão. Não derrotarão tua beleza, nem emporcalharão tua dignidade, nem tua história de guerras, nem diminuirão tua glória, Belém. O amor que tantos sentem por ti te eterniza.

Homenagem ao Dia da Mulher


DIA DA MULHER

TODO DIA É DIA DELAS,
MAS HOJE É UM DIA ESPECIAL.
GOSTO DELAS MANHOSAS,
GUERREIRAS, CHEIROSAS,
FACEIRAS E O PRINCIPAL,
DO CHARME DE SER MULHER.
MULHER VERDADEIRA,
MULHER QUE LUTA,
MULHER QUE AMA,
MULHER QUE CRIA
MULHER QUE CHORA E QUE RIR
MULHER QUE CLAMA JUSTIÇA E PERDÃO,
QUE SE DOA E ADOTA
COMO MÃE NO PROCESSO
EVOLUTIVO DA CONCEPÇÃO.
TODO DIA É DIA DELAS,
MAS HOJE É UM DIA ESPECIAL.
É UM DIA DE ORAÇÃO, DE GRATIDÃO.
VAMOS REVERENCIAR
ESSAS MULHERES BENDITAS,
PARCEIRAS, AMIGAS,
AMANTES E COMPANHEIRAS
CÚMPLICES NO ATO DE PROCRIAR,
DE ESCREVER E CONTAR
A HISTORIA DA HUMANIDADE
DESDE O INÍCIO DA CRIAÇÃO

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Tatá Cavalcante
Rua Boaventura da Silva nº 361 Apto. 803 CEP: 66.053-050

Mais homenagens no Dia Internacional da Mulher


Pastoral DST/AIDS do Regional Norte II da CNBB promove na manhã deste domingo/08, e na próxima quinta-feira/12, uma série de atividades em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.
A ação começa às 8h neste domingo com a ‘blitz’ pela valorização da vida, na Praça da República, próximo ao Teatro Waldemar Henrique. Serão distribuídos materiais didáticos de cunho educativo religioso sobre como se prevenir contra as doenças sexualmente transmissíveis. A Pastoral preparou cartazes e cinco mil panfletos para serem distribuídos na Praça.
A Comissão de Justiça e Paz do Regional (CJP) estará também presente na Praça da República coletando assinaturas para a Campanha Ficha Limpa. A intenção é conseguir a aprovação do Projeto de Lei de Iniciativa Popular sobre a vida pregressa dos candidatos. Se for aprovada a Lei tornará inelegíveis candidatos condenados em primeira instância por crimes graves, ou políticos que renunciam a mandatos para fugir de cassação.
Na próxima quinta-feira, 12, outra atividade da Pastoral DST/AIDs será realizada no Centro de Reeducação Feminino, no bairro do Coqueiro. As presidiárias vão receber profissionais de um instituto de beleza para realizar tratamento estético, com corte de cabelo, manicure, pedicure, chapinha e limpeza de pele.
“Esta é uma forma de resgatar a auto-estima dessas mulheres e fazer com que se sintam bem mais valorizadas e consigam retomar a confiança em si”, diz Eduardo Brasil, secretário-executivo da Pastoral DST/AIDS no Regional Norte 2

Homenagem ao Dia Internacional da Mulher


Yuri Guedelha /Sarau Brasil e convidadas, apresentam: “Por Elas”, neste domingo 8 de março na Estação Gasômetro, a partir das 19 hs

O Show “Por Elas” faz parte doparte do Evento de Lançamento da Campanha Mulher 2009 na luta contra DSTs e AIDs pro movido pela SESPA com desfile de estilistas locais. O repertório do Show é composto por 12 músicas de Yuri Guedelha em parceria com 12 poetas paraenses, a saber: Aline Brandão; Adna Bezerra; Isabella Grandi; Izarina Tavares; João de Jesus Paes Loureiro; Jorge Andrade; Jorge Campos; Juraci Siqueira; Max Martins; Nelson Corrêa; Rita Melem; Ronaldo Franco.
As músicas serão interpretadas por doze mulheres cantoras de destaque da terra. São elas : Adriana Cavalcante; Aíla Magalhães; Cacau Novais;Dulce Cunha; Gigi Furtado; Glafira; Juliana Sinimbú; Lívia Rodrigues; Madalena Aliverti; ; Nana Reis; Nívia Magno; Renata Del Pinho.
Se estiver em Belém, apareça.

2/28/2009

Mensagem para D. Orani Tempesta



A CIDADE DE BELÉM PERDE UM GRANDE AMIGO, MAS SEU REBANHO EMBORA SAUDOSO SENTE MUITA GRATIDÃO PELO MISSIONÁRIO EXEMPLAR QUE POR AQUI PASSOU CUMPRINDO A SUA MISSÃO EVANGELIZADORA A FRENTE DA ARQUIDIOCESE DESTA SANTA MARIA DE BELÉM DO GRÃO PARÁ.
OS VOTOS DE GRANDE SUCESSO NA NOVA MISSÃO A SER CUMPRIDA NA MINHA CIDADE NATAL.


Tatá Cavalcante
Rua Boaventura da Silva ● nº 361 ● Apto. 803 ● CEP: 66.053-050

2/27/2009

Dom Orani é o novo arcebispo do Rio de Janeiro


O papa Bento XVI nomeou dom Orani João Tempesta arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, transferindo-o da Arquidiocese de Belém, no Pará, onde está desde dezembro de 2004. Ele vai suceder ao cardeal dom Eusébio Oscar Scheid, 76, que renunciou ao governo da arquidiocese do Rio conforme o cânon 401 § 1º do Código de Direto Canônico que prescreve a renúncia do bispo ao completar 75 anos. A nomeação foi anunciada hoje, 27, ao meio dia, horário de Roma. Normalmente, as nomeações para bispos no Brasil são anunciadas nas quartas-feiras.
Grande Monge - Dom Orani, 58, nascido em São José do Rio Pardo (SP), religioso da Ordem Cisterciense, foi ordenado padre em 1974 e bispo de São José do Rio Preto (SP) em 1997 e, sete anos depois, em 2004, é transferido para a Arquidiocese de Belém.
Atual vice-presidente do Regional Norte 2 da CNBB (Pará e Amapá), dom Orani é presidente, pela segunda vez consecutiva, da Comissão Episcopal Pastoral para a Educação, Cultura e Comunicação da CNBB. É membro dos Conselhos Permanente, Episcopal de Pastoral e Econômico da CNBB. No Rio de Janeiro, dom Orani contará com a colaboração de seis bispos auxiliares, entre os quais o secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa.
A CNBB, por meio de sua Assessoria de Imprensa, cumprimenta dom Orani pela nova função que lhe é confiada pelo papa e agradece ao cardeal dom Eusébio pelo frutuoso pastoreio na Arquidiocese do Rio de Janeiro.

** Fonte: CNBB Brasília

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Nota do Redator – A última vez que mantive contato com dom Orani João Tempesta – que também é Jornalista – foi em dezembro último por ocasião do Círio de Nossa Senhora da Conceição, do Outeiro, que ele fez questão de comparecer.
Suado após fazer uma caminhada de quase duas horas – do bairro da Brasília até o de São João do Outeiro, onde está situada a Igreja-Mariz (Rua Manoel Barata) – mas feliz, caminhando na procissão, dom Orani me falou e respondeu - com seu modo afável, carinhoso de Pastor -, as minhas perguntas, as quais foram publicadas nesse espaço virtual.
Peço a Deus a quem o “confrade” Orani dedicou a sua vida há 25 anos, como padre – ele disse no “Jornal da Tarde” da Rádio Cultura FM que sempre quis ser padre; e que a sua elevação ao Episcopado foi uma dádiva do céu e nunca deixou de ser padre - seja muito bem sucedido no Rio, e com a sua doçura permita levar mais amor à mais bela cidade brasileira, berço do meu único filho, cujas maravilhas eu amo de paixão.
Obrigado dom Orani por seu trabalho nesses quatro anos que esteve conosco.
Volte para o Círio.
Para que possamos matar as saudades. (A.F)

LURDINHA BEZERRA recomenda



Esse negão aí é o meu irmãozinho
Janjão que faz comigo o
Clube do Samba, todos os
sábados na Rádio Cultura FM,
a partirdo meio dia.
Não percam.


PROJETO RODA DE CARIMBÓ 2009

O projeto RODA DE CARIMBÓ propõe sua realização nos meses de março, agosto, setembro, novembro e dezembro.
As realizações acontecerão no Parque Aquático do SESC Doca aos domingos no horário de 10h00 às 15h00 e no Restaurante ou no Terraço do SESC Doca, às sextas-feiras de 20h00 às 00h00. O projeto terá a participação direta do Conjunto Regional do SESC, tendo na sua formação ex-alunos da Casa de Música do SESC e também de 02 (dois) grupos convidados, os grupos trarão em seu repertório músicas dos principais compositores paraenses além de outros ritmos regionais.
O evento terá cobrança de ingressos, nos dias de realização do projeto, no valor de R$ 2,00 (dois reais) para usuário e R$ 1,00 (um real para comerciário),
Objetivos principais:

● Manter viva a tradição de músicas regionais que impulsionaram tal evolução, é não permitir que esqueçamos de nossas raízes, é nesse contexto que propomos a reedição do projeto “Roda de Carimbó” que fará um resgate das principais músicas regionais de nosso estado.
●Divulgar a música regional em suas manifestações e seus valores culturais, além de fomentar a produção de músicas regionais em nosso Estado.
●Promover um intercâmbio e maior proximidade dos comerciários, dependentes e usuários com a cultura popular oferecida pela Instituição.
Dias do evento : 06 de março às 20h, 30 de agosto às 10h, 16 de setembro às 10h, 13 de novembro às 20h e 11 de dezembro às 20h.

INFORMAÇÕES: 4005-9512

CASA DA SERESTA
Áurea Gomes, da Casa da Seresta mais uma nota:
Dia 27/02, sexta-feira, a partir das 23h30, tem show dos cantores Adelaide Matos e Marcelo Val na Casa da Seresta.Sábado, 28/02, a cantora Rosângela (Roberta Miranda paraense), se apresenta ao lado dos Irmãos Sertanejos.
Na tradicional domingueira dançante, além do bingo com valiosos prêmios, a Banda Sabor Moreno vai comandar a animação.
O endereço da Casa da Seresta é travessa Ferreira Pena, nº 354 (esquina da travessa 14 de março) - Bairro Umarizal.

WORKSHOP DE SAMBA DE GAFIEIRA

Cronograma do Evento:
Data: 17, 18 e 19/04/2009 (sexta, sábado e domingo)
Local p realização do Workshop: Academia RÍTMOS ( Trav. São Pedro,
Shopping Somensi, Altos)
Professor Convidado: Carlos Henrique (Bolacha) e Kessy sua assistente
(Rio de Janeiro)
Turmas: Iniciante/Iniciados/Profissionais
Carga Horária: 4:00h e 1/2
Baile dia 17/04/2009 na Tuna Luzo Brasileira a partir das 22:00h com
apresentação do professor convidado e companhias de dança da cidade.
Coordenação do Evento: Franck Coêlho
Produção: Sandra Condurú
Contatos para Inscrição: Franck (818333030) Sandra (99690848) e Somensi (32254744)

MENSAGEM AOS QUE FIZERAM O CARNAVAL 2009

Queria parabenizar todas as escolas de samba de Belém, pelo empenho em mostrar um Carnaval, que na minha opinião, foi o chute inicial para uma nova etapa.
Os resultados, sejam eles positivos ou negativos, soma-se ao esforço de cada uma das escolas, isso se deve, à boa vontade das pessoas que se propõem a realizar essa festa, mesmo nas condições mais precárias.
O samba tem isso, uma força estranha, que leva o imaginativo, onde possamos alcançar, viva o carnaval de Belém, e espero que a prefeitura, ou os órgãos responsáveis desta festa, se mobilizem para que o Carnaval , melhore a cada ano.
Grande abraço a todos.

Lourdinha Bezerra
Jornalista, produtora, amante do Samba e do Carnaval.
27 de Fevereiro de 2009

TV Cultura inaugura mais duas retransmissoras: Breves e Mãe do Rio


O sinal da TV Cultura agora chega a 27 municípios do Estado. Até 2010, serão 80 retransmissoras em várias cidades do interior do Pará

No dia 13 de fevereiro, outros dois municípios paraenses passaram a integrar a área de cobertura do sinal da TV Cultura do Pará: Cametá e Curuçá, no Nordeste do Estado. Em continuidade ao projeto de expansão do sinal da Rede Cultura para o Estado do Pará, mais duas retransmissoras serão inauguradas neste sábado/28, nos municípios de Breves e Mãe do Rio. Duas inaugurações simultâneas no mesmo dia.
A solenidade de inauguração no município de Breves - Av. Rio Branco, nº 1010 – Centro -acontecerá às 10h deste sábado. Na oportunidade, o diretor da TV Cultura do Pará, Dimitri Maracajá, apresentará a programação.

Programas conhecidos e campeões de audiência dividem espaço com as novidades na grade de programação 2009 da Rede Cultura de Comunicação, que estreou no último dia 16. Os mais de 94 mil habitantes do município terão acesso a programação da emissora pública e educativa do Pará através do Canal 10.
Mãe do Rio
- Já no município de Mãe do Rio, os quase 28 mil habitantes poderão acompanhar, pelo Canal 11, os programas da TV Cultura, como o Catalendas, Sem Censura Pará, Jornal Cultura, Café Cultura, Timbres, Cena Musical, entre outros programas. A presidente da FUNTELPA, Profesôra Regina Lima e o diretor da Rádio Cultura, Antônio Carlos de Jesus, juntamente com a equipe de técnicos da Funtelpa e personalidades do Poder Executivo do município, inauguram o sinal da TV Cultura em Mãe do Rio, também às 10h deste sábado, dia 28. A estação retransmissra está instalada niComplexo Administrativo, s/n. Bairro: Santo Antônio
Com a inauguração em Breves e Mãe do Rio, 27 municípios do Pará, além da Região Metropolitana de Belém, a Rede Cultura de Comunicação chega à marca de 27 retransmissoras inauguradas no Pará. Até o final do ano, a meta é chegar a mais 65 municípios.
Retransmissoras inauguradas: Abaetetuba, canal 11; Castanhal, canal 8; Bragança, canal 11; Salinópolis, canal 8; Igarapé-Miri, canal 9; Óbidos, canal 5; Monte Alegre, canal 13; Tomé-Açu, canal 12; Capanema, canal 9; Santa Maria do Pará, canal 6; Alacilândia (Conceição do Araguaia), canal 5; Floresta do Araguaia, canal 3; Brasil Novo, canal 5; Medicilândia, canal 7; Vigia, canal 12; Goianésia, canal 13; São Félix do Xingu, canal 9; Marapanim, canal 11; São Miguel do Guamá, canal 10; Igarapé-Açu, canal 12; Santa Luzia do Pará, canal 13; Ipixuna do Pará – Canal 21; S. José Porfírio – Canal 11; Cametá – Canal 3; Curuçá – Canal 5.

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Lorena Filgueiras

2/25/2009

COLUNA DO HP


Acabou o Carnaval

Acabou o carnaval. Foram quatro dias de folia, muita animação e reverências mil ao Rei Momo, o primeiro e único monarca da Pandegolândia. Voltamos ao mundo real nesta quarta feira de cinzas, preguiçosa, com muita gente ainda tentando se restabelecer das extravagâncias proporcionadas pela época. Bailes, desfiles de Blocos e Escola de Samba, arrastões e outras manifestações, povoaram nossas vidas em Belém e no interior do Estado, como também no resto do Brasil e em algumas partes do mundo.
Neste período, esquecemos a crise econômica mundial que está afetando diretamente o nosso mercado e desempregando pais de famílias, deixado muitas pessoas sem perspectivas. Mas era carnaval. Esquecemos dos graves problemas políticos que nos afetam diretamente como casos de corrupção por parte de alguns políticos maliciosos, como aquele do Castelo de Minas Gerais. Mas, era carnaval.
Deixamos de comentar os escabrosos casos de pedofilia e abuso sexual contra adolescentes. Mas, era carnaval.
Bem já que estamos pisando em “terra firme” de novo, vamos voltar a nos preocupar com a nossa economia, tentar resguardar nosso precioso dinheirinho, enquanto a espada de Dâmocle estiver sobre nossas cabeças. Voltemos a atentar para as nossas crianças e protege-las contra os “testicocéfalos” que andam a espreita por aí.
Pensemos na melhor forma para conter a insegurança pública que nos atormenta diariamente. O carnaval passou e voltará novamente em 2010, mas até lá,vamos tentar consertar o que está errado, para quando a nova festa momesca chegar, estejamos despreocupados para esbanjarmo-nos no tríduo dedicado a Momo.

HajaPaz.
Sempre.

Hamiltonpinheiro_1@hotmail.com

Antônio Cavalcante


OBRA DE GUSTAVE EIFFEL EM BELÉM, A NOSSA TORRE EIFFEL
Segue mais uma produção da minha safra literária para o blog mais famoso de Belém

É meus amigos! Belém de vez em quando surprende a gente. Depois de James Bond ter passado por aqui deixando a sua marca, implantando na metropole da Amazônia o serviço de transporte urbano, agora descubro nessas minhas pesquisas na internet, que um outro estrangeiro famoso mundialmente, também deixou sua marca na Cidade das Mangueiras, antes mesmo carimbar seu nome na história com a construção da famosa torre parisiense em 1888. Isso mesmo! Gustave Eiffel teve uma obra sua instalada em solo paraense.
Adquirida em 1884 na fase áurea da borracha, através da Casa de Comécio Tony Dussieux, na época em que era moda a importação de produtos, como materiais de construção, estruturas metálicas além de outros ícones da chamada arquitetura de ferro da Europa, notadamente de paízes como a França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Belgica, dentre outros para embelezar e transformar a cidade de Belém na Metropole da Amazônia.
Construída em forma cilindrica em ferro forjado e sustentado por colunas de ferro fundido com cerca de 20 metros de altura, além de ter capacidade de mais de um milhão e meio de litros, a Caixa D’água de São Brás como é conhecido o elegante e centenário reservatório da cidade, teve sua obra concluída em abril de 1885, sendo a água captada nos mananciais Aureliano, Buiussuquara e Antão todos localizados e protegidos pelas matas do Utinga para abastecer os bairros de São Brás, e áreas adjacentes quando Belém possuia pouco mais de 100 mil habitantes. Atualmente é um patrimônio estadual tombado como monumento histórico, turístico e paisagístico compondo com outros ícones como o também centenário Mercado de São Brás, e a Praça Floriano Peixoto a marca registrada do Bairro.
Hoje em dia através da Companhia de Saneamento do Pará – COSANPA abastece os Bairros de São Brás, Canudos, Terra Firme sendo referência no tratamento de água potavel que chega nas torneiras das casas desses logradouros da cidade.

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Tatá Cavalcante

Rua Boaventura da Silva nº 361 Apto. 803 CEP: 66.053-050

José Wilson Malheiros


AS CULPAS DO CARNAVAL

O Carnaval acabou. Saudade imensa dos carnavais da minha juventude, quando eu ainda tocava saxofone, gostava de pular nos salões e as marchinhas de duplo sentido eram inocentemente cantadas, quando os blocos de sujo andavam pelas ruas vestidos de “mascarado fobó” e meu pai comprava máscaras para nós ali no Café Chic, em Santarém.
Sem saudosismos, o Carnaval autêntico de hoje é um ato de resistência contra a indústria das escolas de samba, dos abadás e coisas do gênero. É um ato de heroismo em favor da espontaneidade e do verdadeiro Momo.
A propaganda das agências de viagem é que todo brasileiro gosta de carnaval, pois tem alegria, tem colorido, tem mulata, bunda, peito, sexo, cerveja, turista, dinheiro, praia, e principalmente um longo feriado.
Mas, gostar de Carnaval, ao contrário dos arautos do apocalípse, não é o caldeirão do inferno.
Refiro-me àquela brincadeira em família reunida, fantasiada, curtindo-se mutuamente o que, digo logo, é uma raridade hoje em dia.
O filósofo alemão Nietzsche fala sobre a importância do fútil, do frívolo e do inútil, principalmente em uma sociedade cuja a preocupação fundamental é com o trabalho e com o ganha pão.
Ora, se não fossem o fútil, o frívolo e o inútil, aí sim, nossa vida seria uma chatice sem tamanho, pois quem quer viver só para trabalhar? Quanto ao resto das críticas ao carnaval é realmente de se questionar se é válido sentir culpa por ousar gostar da festa.
Se você brincou carnaval de maneira sadia, com sua família, com seus amigos, para esquecer, um pouco, as agruras da vida, não sinta complexo de culpa.
Não caia na armadilha daqueles que querem te impor, para te dominar, um sentimento de culpa que em realidade você nem está sentindo.
Minha avó dizia que “um triste santo, é um santo triste”. Não acredite em máscaras usadas fora do ambiente carnavalesco para aparentar suposta seriedade.
Os santinhos do pau ôco são os piores. Se você brincou seu Carnaval de maneira sadia, estenda sua alegria pelo ano todo e fique de cabeça erguida porque Deus não pune ninguém por ter uma alegria sã.

2/23/2009

Casa em que viveu Antônio Tavernard está em ruínas

Imóvel onde viveu o poeta está entregue ao abandono total

Apesar da sua importância histórica, imóvel está preso entre trâmites burocráticos do governo

A casa onde morou o poeta icoaraciense Antônio Tavernard, conhecida pelos moradores de Icoaraci como “Casa do Poeta”, encontra- se em completo abandono. Apesar das comemorações e homenagens dadas ao autor durante a Feira Pan-Amazônica do Livro, no ano passado, nada foi feito para restaurar a casa onde ele viveu, localizada na rua Siqueira Mendes, esquina com a travessa São Roque.
Das paredes em estilo colonial, só restam escombros e colunas que mal se sustentam. Portas e janelas já vieram abaixo pela ação do tempo. O mato tomou conta de todo o interior do imóvel, com raízes espalhadas naquele que deveria ser um patrimônio histórico preservado, um testemunho da vida e obra do autor e também um dos tesouros históricos de Icoaraci, que a cada ano vê seus casarões desaparecerem nas estações chuvosas.
O ator e estudante universitário Evanildo Mercês desabafa ao relatar o estado da edificação. “Essa situação é um desrespeito à sociedade paraense. A casa que deveria ser, pela sua forte simbologia, um espaço dinâmico da linguagem literária ou de realização de atividades artístico-culturais permanentes não passa de ruínas invadidas pelo matagal da área que cresce a cada dia, destruindo os restos mortais do prédio, dando, ao mesmo tempo, lugar a uma paisagem urbana desastrosa, fedida e aterradora”, diz ele.
Entre os moradores que frequentam as proximidades do local, é comum perceber movimentações de mendigos e assaltantes, que utilizam o terreno como ponto de esconderijo durante a noite.
Procurados pelo Diário do Pará, os órgãos públicos apontam possíveis motivos para a situação da velha casa. Segundo a assessoria da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), a casa do poeta foi repassada à Secretaria de Segurança Pública (Segup) ainda na administração anterior. Durante esse período, a casa ficou sem nenhuma manutenção. Ainda de acordo com a assessoria, a Secult está começando um processo de negociação com a Segup para retomar o imóvel e, desta forma, realizar um projeto de revitalização. A Segup também foi procurada pela equipe de reportagem, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.
A questão é que o imóvel, de grande importância histórica está preso entre os trâmites burocráticos do poder público. Se o governo não as- sumir a responsabilidade pelo local, não sobrarão nem as colunas da casa como testemunhas da história do poeta. Aliás, a casa está tão deteriorada, que só é possível reconhecê-la graças a uma placa trilíngue (em português, inglês e francês) com os seguintes dizeres: “Casa do Poeta Antônio Tavernard. Casarão antigo do século passado”.

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Diego Andrade
Diário do Pará ● 23/02/2009

2/22/2009

A poesia icoaraciense




OLHE PRA TRAZ
E veja o que você plantou;
E mesmo o que você está colhendo
Se analise, reflita,
E ponha numa balança
As coisas boas e ruins que praticou
E observe pra onde vai pender.
OLHE PRA TRAZ
E veja o que você já fez
Pelos seus semelhantes
Se você foi um amigo leal,
Ou um inimigo leal;
Se vasculhe, e veja
Se você foi ao encontro de guerras.
Ou se preferiu ficar em paz.
OLHE PRA TRAZ
E procure somar, de maneira justa
Todas as suas boas ações;
Se você foi capaz de ajudar
Quem precisou,
Ou se você sempre agiu
De maneira egoísta
Pensando sempre em si próprio.
OLHE PRA TRAZ
Faça um clip da sua vida;
E veja, se você ajudou mais do que foi ajudado;
Se você deu mais do que recebeu;
Se amou mais do que foi amado;
Se você praticou a caridade
Durante toda a sua vida.
AGORA, OLHE PRA FRENTE,
Se você errou, tente de novo:
Desta vez você vai vencer.
Pratique mais a caridade;
Seja humilde, não deixe
Que ninguém humilhe você
Porque você filho de Deus.
E VOCÊ PODE TUDO:
VOCÊ NASCEU PRA SER FELIZ.


Walter Borges Correia

Quinze anos sem Paulo Carvalho


Nesta segunda-feira, 23 de fevereiro - também chamada de segunda-feira gorda - completam-se 15 anos do falecimento do jornalista PAULO DE SOUZA CARVALHO, um grande mestre e companheiro. Falar desse homem, é falar da própria história do jornalismo paraense. Nos 65 anos de vida, mais da metade foi dedicado à atividade de Gutemberg. Ele foi o responsável pela formação de uma legião de profissionais, que atuam nos mais diferentes campos do jornalismo e da publicidade. Com o seu jeito carinhoso e ao mesmo tempo exigente, emprestava o melhor de si para ajudar os que iniciavam nas lides de imprensa.
Foi assim no Imparcial Esportivo, cuja secretaria ocupava, revezando ora com Ossian Brito, ora com Thomaz Nunes: no Flash, onde teve passagem rápida, cobrindo as ausências de Helena Cardoso; e na Folha do Norte, na função múltipla de redator /revisor/ “penteador de telegramas” da Asapress, Transpress, DPA, Ansa e UPI (alguns vinham em inglês e espanhol e os tirava de letra!) e por vezes editor, pois sabia de cor todos os corpos (comuns, cerifados e itálicos), das linotipos da velha oficina das "Folhas", principalmente da APL, uma máquina que fazia títulos dos corpos 48 até 120, usados normalmente na página literária do Eliston Altmann, publicada aos domingos na capa do 2º caderno. Paulo Carvalho permaneceu na Folha até o seu fechamento.
Bom papo e boêmio – não raramente, após o fechamento da edição da Folha, Paulo Carvalho se reunia com alguns companheiros no “Bar do Espanhol” – a poucos metros do prédio do jornal, quase na esquina da 1º de Março – para tomar umas cervejas, acompanhados de tira-gostos, feitos especialmente para ele na base do peixe “escabeche”. Os participantes dessas cervejadas eram especiais. Paulo Carvalho sabia escolher as suas companhias.
Romântico, apreciava a boa música, principalmente as criações de Vinícius de Moraes, como por exemplo, “Eu sei que vou te amar” e “Samba em Prelúdio”. Um mês antes de falecer, nas horas ociosas da redação do Jornal Popular - seu último jornal -, ou mesmo num barzinho próximo, na Rua 28 de setembro, ele ainda curtia (e cantava) essas músicas, acompanhado pelo cartunista Marco Bleuris D’ Queiroz, ao violão.
Autodidata, Paulo Carvalho conseguiu superar-se. Entendia o vernáculo como nenhum outro titulado em letras. Até jocosamente seus companheiros o apelidavam de “dicionário ambulante”. Consta, e isso não é folclore, que de certa feita, residindo no Rio de Janeiro, arrumou uma confusão com Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, autor do Dicionário da Língua Portuguesa, por discordar do significado e grafia de duas palavras ligadas à nossa Região, contidas numa das edições da obra. A coisa rendeu; mas, nas edições futuras, o velho mestre – de saudosa memória – cedeu às ponderações de Paulo Carvalho e retificou as palavras.
Apaixonado pelo jornalismo, cresceu na profissão e entendia todos os assuntos que lhe propunham. Dono de um caráter exemplar, homem sério e rigorosamente honesto, além de estudioso e esforçado, ainda jovem aprendeu a ler, traduzir e falar inglês e francês, principalmente esse último idioma.
Esteve um longo tempo no Rio de Janeiro, onde atuou nos jornais O Globo e Jornal do Brasil, com rápida passagem pelo vespertino Última Hora, convidado por Ari de Carvalho, falecido - pouco antes de fechar – e pela Livraria Hachette do Brasil (no antigo endereço da Rua Décio Vilares, 178 – Bairro Peixoto – Copacabana, em frente a Artplan Publicidade, no seu primeiro endereço, onde eu trabalhava), que representava no jornal o matutino francês Le Figaro, onde fazia as traduções dos despachos e documentos que vinham diretamente de Paris, além de artigos e crônicas de jornalistas franceses, o qual distribuía para os jornais cariocas. Também andou rapidamente por São Paulo, atuando em alguns jornais.
Apaixonado por Belém, abriu mão da vida pacata (e boêmia) que levava no Rio de Janeiro e retornou à nossa cidade. Colaborou com vários jornais sem caráter de exclusividade; editou O Tablóide, um mensário quente e polêmico como seu criador, e que teve uma vida efêmera; até que juntamente com Sillas Assis, falecido – seu velho companheiro de redação das "Folhas" e de ideais, tornou realidade o projeto do Jornal Popular.
Paulo Carvalho morreu trabalhando, como aliás, sempre desejou: “Quero morrer diante de uma máquina de escrever”, - haja vista, que nunca se adaptou ao modernismo da computação – dizia sempre. Ele morreu em pleno exercício da profissão que escolheu, vítima de um câncer provocado por uma vesícula malvada.
Como todo jornalista, tinha dois vícios: fumo e bebida...além do amor e da beleza dos textos que produzia. O velho coração que amou tanto o jornalismo, como os pupilos, os amigos e as mulheres - na sua juventude, bem entendido – deixou de funcionar.
Paulo Carvalho, o chato, enjoado, exigente e turrão está fazendo falta. Jorge Nascimento, repórter-fotográfico – o nosso querido Paquinha - onde andará? - uma das “crias” do grande morto, é um dos que mais sentiram a sua morte. Paulo Carvalho chegou publicar uma gostosa crônica dedicada a ele, com o título “As Desventuras do Jorginho” onde analisava as dificuldades de quem se inicia no jornalismo, do “foca”.
Aliás, não apenas o Jorge, mas muita gente que o magrão com cara de “curica”, - como era carinhosamente chamado na Folha do Norte – formou com o seu exemplo, ensinamentos e proteção lembram com saudade do grande jornalista.
Eu sou um deles.
Eu era o Aldemyr “foca horrível”, devido ao sobrenome!
Aliás, foram seus ensinamentos que me valerem todos os pontos da redação no Vestibular de 1968, para a Faculdade de Direito da UFPa.
Paulo Carvalho era demais. Culto, inteligente, fora-de-série. Como todo gênio morreu simples. Ele, se vivo estivesse, vibraria - quem sabe... - com a nova fase do jornalismo paraense, tudo na base da automação.
Como disse o compositor Sérgio Bittencourt, “amigo de copo” de Paulo Carvalho nas noitadas do Baixo Leblon, e que também já retornou ao Pai – naquela mesa esta faltando ele, e a saudade dele está doendo em todos nós, que fazemos o bom jornalismo.
Paulo Carvalho, onde você estiver, receba o carinho e a nossa homenagem de seus antigos pupilos.
Nunca o esqueceremos.

2/19/2009

Enzo Carlo Barrocco



É POSSÍVEL QUE A MANHÃ VENHA NUBLADA

A preamar se deu às cinco e nove
a madrugada sente o seu cansaço,
estamos pelo dia dez de março
e antes que amanheça chove, chove.

É possível que a manhã venha nublada,
o frio, por conseguinte, é seu parceiro,
o sol não despontou, virá primeiro
um cheiro de hortelã e de alvorada.

Brevemente a longa madrugada
desaparecerá quase por encanto;
o vento que perpassa é um acalanto

à vida que ainda vai desacordada.
A reponta da maré reaguardada,
O ciclo recomeçará, portanto.


***

Enzo Carlo Barrocco, no batismo Efraim Manassés Pinheiro, paraense de Tracuateua, poeta, contista, cronista e pesquisador literário, no convés da fragata desde 1960, caminha por vários gêneros poéticos, como o soneto, o poema livre, o poetrix a trova, o hai-kai, embora algumas vezes tenha enveredado pelas sendas do conto, da crônica e da pesquisa. O poeta tem vários textos espalhados por sites na Internet , e a síntese, como ele próprio gosta de afirmar, é a sua principal característica.

***
www.jiraudiverso.blogspot.com
UMES

A União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Santarém (UMES) foi declarada entidade de Utilidade Pública mediante Projeto de Lei 157/08 do Deputado Ítalo Mácola (PSDB) aprovado na Assembléia Legislativa. O Projeto foi aprovado em primeiro e segundo turnos, restando à redação final para ser encaminhado à sanção governamental. A UMES é uma Entidade de pessoa jurídica de direito privado e sociedade civil sem fins lucrativos com sede e foro na cidade de Santarém/PA. Com esta concessão, a UMES passa a usufruir dos efeitos decorrentes da Lei 4.321 de 03/09/1970 que considera Entidades como de Utilidade Pública.

ORATÓRIA
Prefeito José Maria Tapajós, em pronunciamento feito na Câmara Municipal, na Sessão Solene de abertura da 16ª. Legislatura disse: “Governar esta cidade tem sido um grande desafio, mas nada impossível, porque contamos com a ajuda de Deus e de toda a sociedade santarena. Posso fazer um balanço positivo das ações de nossa administração em busca do desenvolvimento do nosso município, que sem dúvida, também é um dos objetivos deste poder. Neste momento, ainda de indefinição política, conto com o apoio e compreensão do Poder Judiciário, Ministério Publico, OAB, Secretários, Coordenadores, Funcionários Públicos Municipais, Imprensa, Sociedade Organizada e do Povo em geral, para que possamos garantir a tranqüilidade que todos os munícipes santarenos precisam e merecem”. Tapajós foi aplaudido no meio do discurso.

VERGONHA
Um em cada três líderes no Congresso é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). Cobiçados pelos parlamentares por causa da visibilidade e do poder político, os gabinetes das lideranças abrigam, sem discriminação, deputados e senadores com pendências na Justiça. Levantamento feito revela que 11 dos 36 líderes com assento na Câmara ou no Senado respondem a procedimentos que vão de crime contra a administração pública e a ordem tributária, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

VERGONHA II
Em cinco casos, o Supremo encontrou elementos para transformar os inquéritos (investigações preliminares sobre a ocorrência do crime) em ações penais (processos que podem resultar na condenação dos acusados). Com isso, quatro parlamentares passaram de investigados a réus. Os ministros do STF aceitaram as denúncias feitas pela Procuradoria Geral da República contra os senadores João Ribeiro (TO), líder do PR, e Mário Couto (PSDB-PA), que lidera a oposição. E também contra os deputados Sandro Mabel (GO), líder do PR, e Cléber Verde (MA), do PRB. Égua, quando o tema é corrupção, tem que ter um paraense no meio. O artista agora é o senador e ex-bicheiro Mário Couto. Isso é uma vergonha, como diria o jornalista Boris Casoy.

SEGURANÇA
A partir de 0h desta sexta-feira/20, a Superintendência Regional de Polícia Rodoviária Federal dará início a 'Operação Carnaval 2009', com o objetivo de implementar reforço de policiamento e fiscalização nas rodovias federais do Pará. A ação será encerrada às 24 horas do dia 25 de fevereiro. Aqui em Santarém não será diferente, as autoridades de Segurança Pública já elaboraram o esquema que funcionará em conjunto. Policias Militar, Rodoviária, Civil e Corpo de Bombeiros colocarão nas ruas de Santarém e Alter do Chão um número considerável de policias, no sentido de proporcionar mais segurança para milhares de foliões que a partir de hoje, caem nos braços de Momo.

ACIDENTES
Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) revelam que aconteceram 69 acidentes no feriado de Carnaval em 2008. A maioria deles foi provocada pela falta de atenção do motorista, ultrapassagens perigosas, excesso de velocidade e problemas com a manutenção dos veículos. 'Antes de viajar faça uma revisão no carro. Veja o óleo de motor, freios, pneus... Assim você não correrá o risco de ficar no meio da estrada e acabar provocando acidentes', afirma o inspetor Max Silva, da PRF no Pará. E evitar problemas com o carro é possível. Basta fazer uma revisão antes de pegar a estrada.

BOLSA
Mais de 300 municípios brasileiros vão deixar de receber, a partir de março, o repasse dos recursos para a gestão do Bolsa Família porque não repassaram ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) o mínimo de 20% de informações, referentes ao segundo semestre de 2008, do monitoramento de saúde das famílias cadastradas. Santarém vai continuar recebendo em função do excelente trabalho que vem sendo realizado pela Secretária Ana Elvira Alho.

CAMISINHA
Nesta sexta-feira/20, o tradicional “Bloco da Camisinha” coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde se apresenta em Santarém e na segunda-feira/23, desfila em Alter do Chão com cerca de 1.500 brincantes. O Bloco foi criado com a finalidade de chamar atenção dos foliões com relação às doenças sexualmente transmissíveis. Os brincantes distribuem preservativos a todos que participam da folia de momo.

MOTINHAS ___________________________________
Profundo conhecedor da Amazônia, o vice-governador do Pará Odair Corrêa, recebeu parabéns de todos os governadores que participaram na última sexta-feira/13 do IV Fórum de Governadores da Amazônia Legal em Boa Vista (Roraima), pelo brilhante pronunciamento. ●●● O Prefeito Interino, José Maria Tapajós, deu total apoio através das Secretarias de Finanças e Planejamento ao Cristoval 2009, considerado o maior retiro espiritual da região. Na oportunidade, o governo municipal repassou à equipe organizadora, através de um contrato, um cheque no valor de R$ 30 mil para ajudar na realização do evento, que acontece entre 21 e 24 de fevereiro, no Barbalhão. ●●● Entusiastas da Pomba, Floriano e Kleper (BB), comandam o bloco mais animado do carnaval em Alter do Chão. ●●● Hotel Belo Alter dos amigos Zampietro e Irene recebem todos os anos turistas de Manaus que brincam o carnaval em Alter do Chão. O segredo é o tratamento nota 10. ●●● Causídico José Ronaldo, esposa e filhas curtem o carnaval com a tranqüilidade e conforto da sua mansão na Vila. ●●● Os médicos oftalmologistas advertem. Trigo é prejudicial aos olhos, este ano em Alter do Chão vamos usar somente Maisena, dos males o menor. ●●● Quem diria a cerveja Nova Schin que liderou o Ranking de vendas em outros carnavais, está perdendo mercado, graças ao novo gerente administrativo. Quem está segurando a crise é o gerente de vendas Fauzer Vicente. ●●● Restaurante Piracema continua fazendo sucesso com a famosa Yakissoba Mocoronga (pirarucu, camarão, legumes e jambú regado ao tucupi). Personalidades de bom gosto, Alba Valério, Euler Amaral, e Bethânia Conrado, são freqüentadores assíduos. Av. Mendonça Furtado 73 – Prainha – entre Rosa Passos e Dom Frederico Costa. Fone 3522 7461. Almoço terça a domingo. Jantar quinta a sábado. ●●● O melhor Açaí da cidade é com o casal Leitão e Terezinha, na Borges Leal, feito dentro do mais alto padrão de higiene. ●●● Dedé o “Rei do Frango”, Picanha, Lingüiça e Costela. Silva Jardim entre Borges Leal e Marechal Rondon. Fone 3523 7363. ●●● Acompanhe os campeonatos Paraense, Carioca, Paulista, Italiano e Espanhol no BAR DO NILO. Ambiente saudável e papo gostoso, sempre ao lado da cerveja gelada e tira-gosto de qualidade. Barjonas de Miranda próximo a Rui Barbosa. ●●● Aniversariou na última segunda/16 o mosqueteiro Diego. Recebeu abraços de parabéns dos pais Dedé e Noemi, irmãos Genaro e Patrick.e uma legião de amigos. ●●● Antenor Giannini, uma enciclopédia ambulante, é nosso leitor assíduo. Obrigado. ●●● Nelson Vinencci além de excelente cantor e blogueiro é profundo conhecedor da Ciência da Computação. Está montando o site do vereador Bruno Pará. ●●● Espero que o patrão Almeida esteja em forma neste Carnaval. Vamos brincar ao lado da Loira Gelada, Ruiva Destilada e exuberante Morena Quente. Fui.

Antônio Tavernard é homenageado com biblioteca comunitária


O distrito de Icoaraci ganha mais um espaço de leitura. Trata-se da Biblioteca Comunitária Antônio Tavernard que funciona em uma extensão da residência de Frank Quadros, onde antes era um açougue, na Rua Santa Isabel, 684 - 6ª Rua -, entre as travessas Lopo de Castro e Pimenta Bueno.
A biblioteca, que presta homenagem ao poeta Antônio Tavernard, filho de Icoaraci, conta com quatro mil livros, entre eles uma raridade: um livro de História do Brasil, datado de 1815.
Por enquanto a biblioteca, que funciona em horário comercial, não faz empréstimo de seu acervo, a leitura é feita somente no espaço de leitura da biblioteca mas, segundo Frank Quadros, já está sendo feito um cadastro dos visitantes interessados em levar os livros em forma de empréstimo para ler em casa.
Para aumentar o seu acervo, a biblioteca está aceitando doações de livros, periódicos, revistas e outros impressos. As doações podem ser entregues diretamente da biblioteca ou pelos telefones 3227-8472 ou 8871-5991.
Um bibliotecário do curso de biblioteconomia da UFPA (Universidade Federal do Pará) é o responsável pela administração do local que aproveita o nome do Antônio Tavernad para fazer uma denúncia sobre o abandono em que se encontra a Casa do Poeta, na Vila Sorriso.
O local pretende ser um ponto de encontro para quem aprecia uma boa leitura, além de reunir os acadêmicos moradores do distrito. “Esse será também um espaço destinado a levar educação e conhecimento para as pessoas que, muitas vezes, não tem o hábito de apreciar um bom livro”, informou Frank Quadros.
“Eu ainda pretendo doar outro espaço da minha casa para construir um jardim de leitura. Será um local bastante tranqüilo onde as pessoas poderão ler com toda segurança e prazer. Esse é o meu sonho”, completou Quadros.

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Ronaldo Quadros

2/18/2009


Mulher sozinha na parada de ônibus
Meu posto ficava a meia dúzia de metros dela, permitindo-me percorrer com o olhar a jovem mulher impunemente e sem pressa. Já disse que seus olhos eram como o Atlântico e o Pacífico, e sua pele, rosada, tinha a contextura das pétalas das rosas ao orvalho e ao sol.

Brasília e os ratos
A Rodoviária do Plano Piloto, o coração de Brasília, é tratado pelo governo do Distrito Federal como uma pocilga. Mesmo assim, é infinitamente melhor do que a Rodoferroviária, que recebe e despacha ônibus interestaduais. Na Rodoferroviária, os banheiros fedem a podre e o prédio lembra ruínas, e seu subsolo é uma câmara de gás, pois a fumaça de velhos ônibus é excessiva e os exaustores não funcionam.

A tragédia da Amazônia
A Hiléia é como a menina de Abaetetuba, atirada em uma cela com dezenas de bandidos perigosos, durante um mês, estuprada e torturada dia após dia. Delegados, inclusive uma delegada, até uma juíza de direito, e toda a cidade, sabiam da ignomínia que se cometia naquele pântano humano. No fim, os policiais justificaram sua loucura alegando que a criança se oferecia aos presos, e que era débil mental. A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, achou tudo natural.

O paraíso é o Brasil
Nós, brasileiros, somos mesmo colonizados, até hoje. No Congresso Nacional, sede do parlamento brasileiro, em Brasília, o uniforme é o do velho colonizador - paletó e gravata. Nossas Havaianas, bermudas e camisetas só imperam nas cidades de praias. A propósito, apesar de possuirmos as melhores praias do planeta, muita gente sonha com os pedregulhos e areia grossa da Grécia, ou com os balneários frios, mas badalados, do Mediterrâneo e da Península Ibérica.

Sonhos
Acordo, às vezes, de madrugada, o coração disparado, pois no sonho fui atacado por um leão, ou perdi a mulher amada. O melhor de tudo é quando sonho com rosas vermelhas colombianas. Sei, então, que o dia seguinte será ensolarado, e que a mulher amada dirá que me ama.

Belém, meu amor
Nem os ratos que te conspurcam os seios, que te assaltam, que te depredam, que te estupram, te derrotarão. Não derrotarão tua beleza, nem emporcalharão tua dignidade, nem tua história de guerras, nem diminuirão tua glória, Belém. O amor que tantos sentem por ti te eterniza.

A boa vida segundo Hemingway
Durante 14 anos, o jornalista americano Aaron Edward Hotchener foi amigo do escritor Ernest Hemingway. Nessa fecunda convivência, Hotchener anotou, inclusive em guardanapos de papel, tiradas do grande escritor, no convívio com outras pessoas do seu tempo, muitas delas celebridades também, em vários lugares do mundo, além de fotografar Papa na sua casa em Cuba. O resultado disso é um livro delicioso.

O bom lugar é um paradoxo
O título desta crônica poderia ser O boa vida, ou Deu no New York Times. De qualquer forma, falo um pouco de uma espécie de catedral que me maravilha cada vez mais, me hipnotiza e me torna lúcido, e onde sinto a intimidade da alma: as livrarias.

Tanto mar?
Entregaram-me, hoje, em casa, um exemplar de Tanto mar? Portugal, o Brasil e a Europa, do embaixador Francisco Seixas da Costa, que deixou Brasília para servir em Paris. Pus o volume sobre a pilha de livros que preciso ler, por diversas razões...

2009
A infância e a juventude servem para sentirmos as dimensões do mundo, funcionam como o lento encarnar do espírito, a caminhada rumo à luz. Essa metamorfose ocorre inúmeras vezes. E nessa caminhada, sensações e aprendizados vão nos preparando para a ascensão na escala infinita da vida.

2/15/2009

Ray Cunha e "O Casulo Exposto"

Foto: Iasmim Cunha

Um breve bate papo com Ray Cunha, direto de Brasília. Especial para os amigos do Jornal do Feio

- O que o levou a escrever O Casulo Exposto?
Ray Cunha - Costumo ambientar meus livros na Amazônia, especialmente Belém, minha cidade predileta. Porém vivo em Brasília desde 1987. Do início de 1996 ao fim de 1997, voltei a morar em Belém, mas por questões profissionais retornei a Brasília. Uma estada tão longa nos leva a conhecer bem o ambiente onde vivemos; assim, é natural que comecemos a escrever algumas histórias com a geografia da cidade onde moramos. Em 2008, observei que já escrevera 17 contos ambientados em Brasília e com personagens que são, quase sempre, migrantes, que transitam nas ruas e nos meios jornalísticos e políticos da cidade-estado. Submeti os 17 contos à leitura do Maurício Melo Júnior, escritor talentoso e crítico literário bem-preparado. Ele escreveu a apresentação do livro e sugeriu que o levasse ao Antonio Carlos Navarro, diretor da LGE Editora, que resolveu editá-lo.
Maurício Melo Júnior, ao apresentar o livro, afirma que “O que interessa ao escritor são os resultados daquelas experiências, são os personagens que ficaram depois das epopeias”. Por que?
RC - Um dos fios condutores de O casulo exposto são as personagens, em geral migrantes, às vezes frustrados ou duplamente frustrados. As epopeias a que Maurício se refere é a construção de Brasília - uma fase da cidade que já acabou. Restaram os candangos bem-sucedidos, como o empresário Paulo Octávio, dono de boa parte da cidade, e muita gente que mora em assentamentos e invasões. Migrantes continuam chegando, mas agora tudo está lotado. Os contos, portanto, não enfocam uma epopéia, mas a miudeza do dia-a-dia na capital da república.
Maurício também afirma: “Ray Cunha ainda lhes dá um tratamento recheado de um humor cáustico, em alguns momentos até cruel”. O que ele quis dizer com isso?
RC - Algumas das personagens dos contos são tragicômicas. Outras, apenas trágicas. Creio que o humor cáustico a que Maurício se refere é o que costumamos chamar de humor negro, quando situações, apesar de dramáticas, ou trágicas, contêm, mesmo assim, viés risível.
Seus romances e contos são, geralmente, ambientados na Amazônia. Qual a sensação de escrever um livro "candango", ou seja, produzido com as coisas que acontecem em Brasília?
RC - É a mesma sensação de trocar pirão de açaí com dourada frita por pão de queijo, ou de trocar a Estação das Docas por shopping. São duas situações absolutamente diferentes. No meu caso pessoal, caio de joelhos por tudo o que diz respeito à Amazônia, mas também curto Brasília. Assim, sinto-me perfeitamente à vontade tanto na Amazônia como em Brasília.
“O casulo é uma alegoria à redoma legal que engessa o Patrimônio Cultural da Humanidade...” mas “também tresanda a perfume, romance e esperança, nas luzes da grande cidade”. Dá para explicar?
RC - O casulo do título evoca o fato de que Brasília é reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade. Em termos práticos, não se pode mudar a arquitetura original do Plano Piloto de Brasília, que compreende o projeto do urbanista Lúcio Costa, excluindo-se as cidades-satélites. Então, o Plano Piloto é protegido sob uma redoma legal, um engessamento legal. É Patrimônio Cultural da Humanidade, mas nas suas ruas e nos seus subterrâneos não há romantismo, como em toda metrópole brasileira, inchadas e perigosas. Apesar disso, há contos de puro perfume, romance e esperança. O conto que encerra o livro, A Caça - que inclusive já foi publicado pela Editora Cejup -, quase no fim, refere-se às luzes de Brasília e termina no quarto de um bom hotel.
Você acha que o leitor vai entender as suas colocações contidas no "Casulo"?
RC - Certamente que sim. A literatura, como qualquer arte, tem algo maravilhoso. No seu caso específico, as palavras remetem o leitor a mundos que são somente dele. O escritor é um mero porteiro. Lembrei-me de um caso que ocorreu com William Faulkner. Alguém o informou que leu duas vezes um livro seu e não entendeu a história. Faulkner sugeriu que lesse mais uma vez.
Nos "casos" relatados no livro você teve alguma participação ou foram vivenciados apenas superficialmente?
RC - O senso comum mistura atores com personagens e acredita que ficção é o que conhecemos como realidade. Se assim fosse, quantos escritores não estariam atrás das grades por assassinato? O fato é que até nas autobiografias há mais ficção do que realidade. O escritor que faz seu trabalho com seriedade não está interessado em jornalismo. Estou certo de que pelo menos 75% do que os jornais publicam originam-se de interesses dos donos, de ideologia, de conjecturas, de boatos, ou de mentiras pura e simplesmente. Também o escritor não está interessado em si mesmo, pois todos os escritores são pessoas comuns e, muitas vezes, introvertidas. Qual a participação que um escritor pode ter numa história que se passa em outro planeta? Como Antoine de Saint-Exupéry criou O Pequeno Príncipe? Esta é a diferença: as antenas especiais com que os escritores nascem, o que permitiu, por exemplo, que Ernest Hemingway criasse uma mulher abortando, em Adeus às Armas, ou que John Steinbeck desse vida a uma mulher que acaba de perder seu bebê recém-nascido e dá de mamar a um ancião que está morrendo de fome, em Vinhas da Ira.
Quem é Ray Cunha?
RC - Nasci em Macapá, na margem direita do estuário do rio Amazonas, cortada pela Linha Imaginária do Equador, em 7 de agosto de 1954. Fui educado na Amazônia. Conheço a Hiléia razoavelmente, por longa leitura e por ter estado lá. Vivo em Brasília por uma questão de mercado de trabalho. Aqui, consigo oferecer à minha família razoável padrão de vida, sustentado pela minha profissão, jornalismo. Literatura, para mim, é minha missão pessoal. Embora morando em Brasília, a internet me permite ficar ligado o tempo todo à Amazônia. Tenho ligação íntima com Belém, um dos meus grandes amores, e, naturalmente, com Macapá. Quanto a Brasília, já somos velhos namorados. Brasília me deu duas mulheres fundamentais: minha esposa, e minha luz, Josiane, e uma flor, minha filha Iasmim.

2/14/2009

Dênis Cavalcante



Gurijuba ou Pescada Amarela?

Os secadores de plantão têm que dar a mão à palmatória: o Fórum Social Mundial trouxe benefícios inestimáveis a nossa cidade. Durante uma semana, Belém tornou-se vitrine nacional e internacional. Pessoas de todas as etnias aqui vieram, com o intuito de debater, decidir políticas públicas para o bem da Amazônia, do Planeta. Concomitantemente, queiramos ou não, auferimos dividendos. A segurança melhorou 1000%. O turismo idem. Vias foram asfaltadas. O comércio vendeu como se estivéssemos no Natal. Pelas beiradas, mesmo sem estar oficialmente incluído no roteiro dos visitantes, o cronista também se beneficiou (e como!) com o evento.
Minha livraria e meu Restô – literalmente – bombaram! Teve noites em que fui obrigado a recusar clientes. Numa memorável incursão gastronômica, a filha de Che Guevara detonou meu estoque de unhas de caranguejo. Uma troupe de Panamenhos fez o mesmo com a Tequila. Finda a Tequila, passaram a tomar rum. Americanos e Canadenses esvaziaram hectolitros de Bourbon. Assim foi com os pastéis, os bolinhos de bacalhau, os sanduíches de rosbife, o chope, as cervejas… Quase tudo se esgotou, graças ao voraz apetite dos visitantes. Mas nem tudo foi um mar de rosas.
Na terça, um grupo de nativos chegou esfomeado: Tem macaco torrado?
Acho que eles tavam a fim de horrorizar. Macaco velho do rabo pelado, não me fiz de rogado.
- Me perdoem. O macaco torrado, o guisado de preguiça e o ensopadinho de jacaré acabaram agorinha. Se vocês tivessem chegado mais cedo… Mas ainda temos filé, picanha, frango, camarão, peixe, bacalhau…
Comeram, beberam e se fartaram, Na hora da dolorosa, a tentativa do aplique.
- Não temos grana. Somos índios. Somos inimputáveis.
- Não sei o que é isso. Mas vocês vão pagar! Ah vão!
- Brincadeirinha…
Pagaram em euro. De quebra, deram uma polpuda gorjeta pros garçons. É mole!
De outra feita, um grupo de franceses pediu o cardápio e perguntou o que era farofa. Vai um beócio como eu traduzir farofa. Meu francês é cametaense. Já me vu. Merci bocu… Sou ignorante, mas não sou burro. Fui à cozinha e retornei com um prato da dita cuja. Eles adoraram!
Mas o melhor (ou pior) depende do ponto de vista, estava por vir. Lá pelas tantas, me aparece um sujeitinho pra lá de circunspeto. Como pouco ou nada falou, era humanamente impossível definir sua origem. Podia ser português, italiano, espanhol, argentino… Como saber? Sentou no balcão e pediu uma Devassa geladéssima. Calma! Trata-se de uma espetacular cerveja. Beberica a loura com vagar, mordisca uma nigérrima e suculenta azeitona, enquanto espalha uma porção generosa de gorgonzola no crostine. Momentaneamente, deixo de lado o solitário e enigmático cliente. O dever me chama. Paulo Lazera e seu séqüito chegam a fim de uma mesa. Edson Salame idem. Os pedidos se avolumam na cozinha. Bacalhau à lagareira, Escalopinho à Mauro Guimarães, penne com camarões, arroz de pato…
Mesmo sem possuir o dom da ubiqüidade, me desdobro para atender a todos. Esgotado após a maratona culinária, tiro o avental e me quedo exausto no quintal. Nem deu tempo de relaxar o esqueleto. Sabem aquele cliente? Pois é.
- O senhor tem pescada amarela? Só aí descobri que o cara não era turista, era daqui.
- Temos sim!
- Manda uma na chapa. Purê de batatas e arroz.
Retorno pra cozinha e capricho no prato. Como todo gourmet, fico à espreita, esperando a reação do cliente. Acho que ele gostou. Afinal, raspou o prato e pediu um sorvete. Só então eu me cheguei. Como estava a pescada?
- Aquilo não era pescada, era gurijuba. Mas o sorvete de açaí estava divino. De onde é?
- É do Bode.
O cliente sempre tem razão.


cronista9@hotmail.com

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N. da R. – Por motivos técnicos a crônica de Dênis Cavalcante não pode ser atualizada. A partir da próxima, esse problema será regularizado.
Agradeço as mensagens. (A.F.)