5/05/2007



DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Governo federal parece barata depois da primeira chinelada

Brasília – A utilização até a náusea principalmente de petróleo desequilibrou o clima global. (Deus é equilíbrio!). O que a humanidade vem testemunhando – desertificação, savanização da Amazônia, secas, incêndios florestais, regiões e grandes cidades varridas por cataclismos – é sopa. O pesquisador da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), Eneas Salati, disse, em audiência pública sob o tema “Os efeitos das mudanças climáticas sobre o Semi-Árido brasileiro”, na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, dia 2 de maio, que o volume de carbono lançado na atmosfera da Terra, no século 20, aumentou 32%. O calor espalhado nessa bolha é equivalente à explosão de 16 bombas atômicas tipo Hiroshima por segundo.
Estados Unidos, China, Japão, os países industrializados de um modo geral, não frearão seu crescimento, e o Brasil continuará torrando suas florestas. O cenário dantesco que se descortina não afetará as famílias ricas, mas será fatal para os pobres que não conseguirem se tornar criados dos ricos. No Brasil, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lembra uma barata atingida por uma chinelada mal dada. Ela fica zonza, corre cega, até a pancada fatal. A máquina pública aparelhada pelo PT e agora também pelo PMDB é, por sua vez, como alguém de 120 quilos – lerdo e dispendioso.
“Temos problemas de orçamento e de equipe” – afirmou o coordenador Técnico de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente, José Roberto Lima, na mesma audiência pública. Ele ressaltou, porém, que, até 2003, esse tema era marginal no âmbito do governo federal. Quis dizer que a barata não se arriscava. Terá se referido ao tucano Fernando Henrique Cardoso?
Eneas Salati vê o Brasil engatinhando no que diz respeito a mudanças climáticas. Pior: “não há investimento” – afirmou, sugerindo que o Congresso Nacional pressione o governo por mais recursos para o setor de meio ambiente. O problema é que Lula é um sujeito todo baleado, mas andando firme. Algo paradoxal. Enfrenta oposição? A impressão que temos é que os parlamentares batem boca em público mas riem a pregas soltas em reuniões de madrugada.
O deputado Edson Duarte (PV/BA), autor do requerimento da audiência pública, criticou o soco que Lula deu no combalido Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), fragmentando-o. Na fragmentação, rebaixou de gerência para coordenação o setor que trata da questão do aquecimento global.
Segundo o especialista em mudança climática, consultor do Banco Mundial, Antônio Rocha Magalhães - um dos redatores da segunda parte do Relatório do Painel Intergovernamental de Mudança do Clima de 2007 (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU) -, que participou também dos debates, 1,6 bilhão de pessoas enfrentam, hoje, escassez de água. Até 2050, serão 6,9 bilhões. A população da Terra é estimada, hoje, em 6,5 bilhões de habitantes. Magalhães informou que três quartos das terras agricultáveis da Ibero-América sofrem processo de degradação; as geleiras andinas derreterão, com impacto sobre as bacias hidrográficas da região; e a Amazônia Oriental sofrerá um processo de savanização.A solução: desenvolvimento sustentável e articulação entre a União, os estados e os municípios, para o que é fundamental uma reforma política na verdadeira acepção do termo.

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