9/07/2007

AMAPÁ
Mamada descarada: governador Waldez Góes emprega 69 familiares

Brasília – Dentro do espírito do Enfoque Amazônico, de repercutir a Questão Amazônica, publico, na íntegra, matéria do veterano jornalista Ronaldo Brasiliense - publicada na edição do dia 31 de agosto do jornal O Liberal -, sobre a imoralidade que o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), está cometendo, ao empregar toda sua família e a de sua esposa, aparelhando a máquina administrativa do estado com parentes para mamar, de forma descarada, nas tetas do cofre público dos amapaenses. Segue-se a matéria de Ronaldo Brasiliense.Há quatro anos e oito meses no poder num dos menores Estados da Federação, o Amapá, o governador Waldez Góes (PDT) é, hoje, disparado, o campeão nacional do nepotismo. Juntinhos a Waldez, no poder, estão a mulher, Marília, primos, tios, sobrinhos, cunhados e até a sogra. No total, são 69 familiares do governador e da primeira-dama recebendo dos cofres do Estado salários que variam de R$ 350 a R$ 6.900.
Os mais de 60 Góes, somados, ganham mais de R$ 150 mil por mês ou mais de R$ 2 milhões anuais dos minguados cofres do tesouro amapaense, se somarmos os ganhos referentes a férias e décimo-terceiro salário. Marília Góes, a esposa do governador Waldez, foi nomeada pelo maridão para comandar a poderosa Secretaria de Estado de Inclusão e Mobilização Social. Num Estado onde quase toda a mídia é mantida sob controle, Marília manda e desmanda.
Outro manda-chuva no governo Waldez Góes é o primo, Alberto Pereira Góes, que dirigia o Gabinete Civil no início do primeiro mandato, mas, com o passar do tempo, virou secretário Especial de Governadoria, Coordenação Política e Institucional do Estado e, ainda, a Secretaria Especial de Desenvolvimento Econômico, como exibe o próprio site do governo amapaense - http://www.ap.gov.br/. Outro fenômeno do governo Waldez Góes chama-se Jorge Luiz Ricca Grunho, o Joca: saiu de motorista da campanha eleitoral para o comando da Secretaria de Desenvolvimento da Infra-Estrutura. Casado com Luzia Grunho, tia da mulher do governador, Jorge Luiz teve sob sua subordinação as secretarias de Infra-estrutura (Seinf), de Transportes (Setrap), além de poderosas estatais como as Centrais Elétricas do Amapá (CEA), a Companhia de Água e Esgoto (Caesa), além da Companhia de Gás, do Detran e a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Amapá. Teve que sair do governo, mas mantém seu poder.
A lista dos parentes do governador Waldez Góes e de sua mulher, Marília (veja nesta página) foi checada nas sucessivas edições do Diário Oficial do Estado do Amapá. A pesquisa no Diário Oficial confirma: não só o contingente de parentes do governador é numeroso e variado: se espalha, como um câncer, por quase todos os setores do governo amapaense.
As primeiras denúncias de nepotismo no governo Waldez Góes, por incrível que pareça, partiram de ex-aliados do governador amapaense. Em discurso na Assembléia Legislativa, o deputado Dalto Martins (PMDB) chegou a denunciar que a família de Waldez comandaria 80% dos órgãos do governo do Amapá. Dalto Martins, que fazia parte da base de sustentação do governo, chegou a ter o irmão Rostan Martins nomeado diretor da Imprensa Oficial do Estado e agiu para que o governo de Waldez fechasse um contrato de R$ 700 mil com a Sociedade Amapaense de Oftalmologia – onde a mulher de Dalto é vice-presidente –, teve também um imóvel de sua família alugado para a administração estadual, onde funcionou a sede da Promotoria de Defesa do Consumidor (Procon).
Ironia do destino, um dos maiores aliados do governador Waldez Góes é o folclórico senador Gilvan Borges (PMDB) – aquele que anda de sandália de couro no plenário da Câmara Alta –, que ganhou fama nacional como defensor-mor do nepotismo ao justificar por que empregava a mãe e a mulher em seu gabinete no Senado. “Minha mãe me pariu e minha mulher dorme comigo”, disparou, na maior cara-de-pau.
Até os alimentos para abastecer a residência oficial do governo do Estado são fornecidos por parentes, no caso pela empresa Prova ide Systems Ltda, de propriedade de um filho de criação da sogra do governador Waldez Góes, contratada com dispensa de licitação. Na lista de produtos adquiridos destaca-se o peixe tamuatá, considerado de terceira categoria, comprado a R$ 3 o quilo em qualquer feira de Macapá, mas vendido para a residência governamental por R$ 6,90, superfaturado, portanto.
As nomeações dos parentes do governador Waldez e da primeira-dama Marilia Góes podem ser cotejadas por qualquer pessoa no Diário Oficial do Amapá. Já a lista de compras para a residência oficial pode ser checada no site www.amapa.gov.br/gastos/consulta.php. No Amapá de Waldez Góes é assim: o nepotismo e a corrupção ocorrem dentro da mais absoluta transparência.

Todos os Góes no Governo

1- Aldicleia Lira Góes
2- Antônio da Costa Góes
3- Antônio Góes Parente
4- Antônio Waldez Góes da Silva
5- Benedita Elielza Góes de Oliveira
6- Benedita Góes da Costa
7- Brenda Kawanna Vale Góes
8- Carlos Alberto Ferreira Góes
9- Carmem Fabiola Pimentel Góes
10- Cleuma da Silva Braga Góes
11- Deyvide Góes Conrradondade
12- Edvan Farias Góes
13- Elck Sampaio Braga da Rosa Góes
14- Elenilze Góes Juarez
15- Elicia Baia de Góes
16- Fabio Silva Góes
17- Helia de Góes de Pinho
18- Helionney Góes de Castro
19- Helisia Costa Góes
20- Jose Ari Sigueira Góes
21- Jose Ribamar Góes da Silva
22- Jose Sidou Góes Miccione
23- Laercio Mendonca Góes
24- Leilane de Sousa Góes
25- Lindomar Góes Ferreira
26- Luiz da Conceicão Pereira Góes da Costa
27- Luzete Góes Ferreira
28- Luzia Alba Lima Góes
29- Maria Francisca Góes
30- Maria Goreti Góes da Rocha
31- Maria Neuci Góes de Lima
32- Marilia Brito Xavier Góes
33- Milton da Silva Goes
34- Nelbilene Góes da Silva
35 -Pequilo Pereira Góes
36 -Rita Edilena da Silva Góes
37- Rosângela Mendonca Góes
38- Sandro Góes Pinheiro
39- Valeria de Paula Góes da Trindade
40- Wellington de Souza Góes
41- Wilmar Celso Góes da Trindade
42- Adilberto de Souza Góes
43- Antonio Aristides Pereira Góes
44- Aristide Góes Miccione
45- Francisca das Chagas de Góes da Silva
46- Helionney Góes de Castro
47- Heliton Gomes Góes
48- Humberto de Góes Pereira Júnior
49- Jeanjorge Pereira Góes
50- Keila Góes da Costa
51- Marizete Góes de Magalhaes dos Santos
52- Alberto Pereira Góes
53- Antônio Roberto de Souza Góes
54- Bruna Raphaela Góes Costa
55- Claudio Celio Góes Conrado
56- Elck Sampaio Braga da R. Góes
57- Elza dos Santos Góes
58- Evandro Sarges Góes
59- Gracinete Ferreira Góes
60- Igor do Rego Góes
61- João Góes da Silva
62- Karla Marfizia Góes da Costa
63- Katia Góes Ferreira
64- Maria Delia de Souza Góes
65- Maria do Socorro Sandin Góes
66- Sílvia de Nazare dos Santos Góes
67- Adriano Brito Góes
68- Bento Góes de Almeida
69 - Luiza Brito Grunho

Primo de Waldez Góes é campeão de diárias

Um primo do governador Waldez Góes (PDT-AP) é o campeão no recebimento de diárias em um único exercício no governo do Amapá. Chama-se Luiz da Conceição Pereira Góes, e é - pasmem - delegado de polícia. Em um único ano, chegou a receber R$ 88.202,80 em diárias. Ocupa o cargo de secretário-chefe da Casa Civil do governo do primo Waldez. Em 2005, Luiz Góes passou o ano fazendo o curso de general-civil na Escola Superior de Guerra (ESG).
A revelação de que Luiz Góes recebeu R$ 88,2 mil está no site http://www.transparencia.amapá.net/, no Portal da Transparência, onde é possível consultar os gastos públicos do governo do Amapá. Os gastos com diárias para civis e militares nos três primeiros anos do governo Waldez, em seu primeiro mandato, chegaram a mais de R$ 18 milhões. Para os servidores civis foram mais R$ 15.714.280,05, enquanto para os militares o dispêndio foi de R$ 2.484.089,10.

Denúncias

Denúncias de irregularidades nos contratos de aluguel de caminhões dentro da Secretaria de Estado da Agricultura, Pesca, Floresta e Abastecimento (Seaf) chegaram ao Ministério Público do Estado (MPE) feitas por ninguém menos que o empresário Jorge Rocha Góes, outro primo do governador Waldez Góes (PDT).
Acompanhado do advogado Washington Picanço, Jorge Góes entregou ao promotor do Meio Ambiente e Patrimônio Público, Adauto Barbosa, uma representação criminal denunciando maracutaias que foram cometidas pelo governo Waldez Góes por meio do aluguel dos veículos.
Jorge Góes levou ao MPE farta documentação comprovando a gravidade das enúncias feitas por ele. De acordo com a denúncia, o governo do Amapá contratou 63 caminhões de duas cooperativas, mas somente 34 efetivamente prestaram serviços ao governo. Jorge Góes afirma ainda que parentes diretos do governador ganharam sem prestar serviço e que estaria havendo um desconto de R$ 2,5 mil no pagamento dos poucos caminhoneiros que realmente trabalham.

Declaração Fantasiosa

Bens declarados de Waldez Góes surpreendem - A declaração de bens e rendimentos do governador do Amapá, Waldez Góes, à Justiça Eleitoral amapaense surpreende. Ao Tribunal Regional Eleitoral do Amapá, nas eleições de 2006, Góes declarou uma relação de bens que, juntos, totalizavam pífios R$ 13 mil. A relação inclui uma residência localizada no bairro Buritizal, que parece não condizer com o valor declarado.
Na declaração ao TRE, o imóvel de Waldez Góes aparece no valor de R$ 3.172,45, metade do valor de um automóvel Saveiro, ano 1996, no valor de R$ 6,4 mil, que também integra a lista de bens do governador amapaense.Além da casa e do carro, fazem parte da relação de Waldez uma linha de telefone celular no valor R$ 353, um terreno urbano no valor de R$ 1,6 mil, além de duas linhas telefônicas convencionais de R$ 1,9 mil. Waldez Góes é funcionário público.
Waldez foi assessor do ex-senador e atual deputado federal Sebastião – Bala – Rocha (PDT), preso e algemado na Operação Pororoca, da Polícia Federal. Foi, também, assessor do ex-governador do Rio de Janeiro, Antony Garotinho (PDT).

A origem de tudo

Papas criaram nepotismo ajudando sobrinhos - O nepotismo vem de longe. Através da lexicografia descobre-se que a origem etimológica da palavra deriva de nepos, que significa neto, descendente ou sobrinho (Dicionário Latino - Editora Globo), aglutinando-se como nepotismo (nepote+ismo), que se traduz na “atitude de alguns papas que concediam favores particulares a seus sobrinhos...” (Koogan/Houaiss - Enciclopédia).
Tudo teria começado com o Papa Alfonso de Borja (em italiano, Borgia), que recebeu o cognome de Calixto III, e exerceu o pontificado em Roma durante três anos, beneficiando seu sobrinho Rodrigo Lançol y Borgia, que, também como seu tio, assumiu o papado, tendo exercido seu poder na Igreja Católica de 11 de agosto de 1492 até 18 de agosto de 1503, sob o título de Alexandre VI, durante onze anos e oito dias.
Rodrigo de Borja teve várias amantes e filhos. Com Vanezza Catanei tevequatro, entre os quais César Borgia (a quem Maquiavel homenageia em O Príncipe), ao qual nomeou cardeal em 1493. Um ano depois de assumir o pontificado tomou uma nova amante, Júlia Farnesio, com quem teve mais filhos. Assim, com um grande número de filhos, atribuiu-lhes vários territórios da Igreja.Seu nepotismo chegou ao paradoxismo quando, mediante bula fechada em primeiro de setembro de 1501, concedeu a seu neto com somente dois anos, filho de Lucrécia, o Ducado de Sermaneta, onde se situa a cidade de Albano. Esta é a história de dissolução e corrupção que jaz indelével no conteúdo conceitual que denota a palavra nepotismo.

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