11/08/2011

LUIZ OTÁVIO REI MONTEIRO



Simplesmente Ivy


Hoje fazem 30 dias de um vazio dentro de mim, uma saudade infinita de alguém que partiu sem dizer Adeus, até porque nunca gostou de despedidas, e sempre evitou e assim o fez.
Hoje não preparei nada especial, pois pedi para o padrinho de José, que é meu sobrinho e sua irmã preparar algo para dizer, pois nesses 30 dias ouvi deles com os seus 18 e 14 anos, com simplicidade, algumas palavras que me tocaram o coração quando falavam da tia Ivy, mas como estão em aula, ficará para a Missa da noite, então apenas abri o meu coração e escrevi algumas linhas, pois em Deus busco palavras e o caminho é nEle que encontro e me conforto.
Nesses 30 dias, acho que amadureci uns 30 anos. Através do site conheci um pouco mais com quem me encantei e vi mais uma vez, que nada acontece por acaso. Deus me pôs na vida de Ivy e vice versa para sermos contemplados por dois anos e meio de uma união que se destacava em todos os lugares que passávamos - no trabalho, em família, com os amigos, no encontro de noivos, no casamento. Parecíamos que já nos conhecíamos há muito mais tempo e digo, com toda a certeza, que o que vivemos tem casais que tem 10, 20, 30 anos e não vivenciaram o que a gente viveu.
Não deixamos de fazer nada o que queríamos. Choramos, sorrimos, brigamos e nos amamos muito... entrelaçamos as nossas famílias através do sacramento do Matrimônio, e geramos o mais sublime fruto desta união, o José.
José que enquanto teve a sua mãe viva. E a teve em tempo integral. E, tenho certeza, que isso fará muito a diferença, pois conseguiu passar em pouco tempo o que é ser Simplesmente Ivy.
Ivy não foi santa. Foi um ser humano, que passou 39 anos fazendo o bem, não importando a quem. Com o seu jeito meigo, foi mostrando competência e ascendendo na vida, sem precisar pisar em ninguém. Muito pelo contrário, por diversas vezes estendendo a mão, por isso a sua formação de Psicóloga. Devota de Diversos Santos, Nossa Senhora de Fátima, a Fatinha, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora de Nazaré que chamava de Nazinha, São José, etc...
Dia 01 de Novembro, um mês de José, foi comemorado o Dia de Todos os Santos. Imaginei a sua felicidade ao lado de todos eles lá no céu, pedindo... orando pelo meu português, pelo meu pequenino José, pela mama, pelo Papa, pela Miloca, pelo meu sogro, pelos manos, por toda a minha família e por todos os meus amigos... enfim por todos que carinhosamente chamava com um apelido carinhoso e os tratava com filhos.
Hoje não a temos mais presente neste mundo, mas a sua memória vai ficar guardada no coração de todos que tiveram o privilégio de conviver com ela, principalmente o povo de Icoaraci, onde ela nasceu, cresceu. Se foi... mas deixou suas marcas nas comunidades que ajudou nas famílias que estendeu a mão e às diversas pessoas que apenas deu algumas palavras de conforto, pois era tudo que poderia fazer. Como Agente Distrital se multiplicou para atender a demanda desse Distrito que ela amava e dizia que jamais iria abandonar. Se não fez mais é porque não teve condições de fazer, mas ele respirava Icoaraci todos os dias.
Entre os depoimentos que recebi através do e-mail ivyparasempre@gmail.com que criei para preservar a sua memória destaco o que o padre Agostinho citou num texto que emocionou a todos que tiveram a oportunidade de ler. Já tive a oportunidade de agradecer pelas palavras de tamanha inspiração.
Esses depoimentos que recebi, sem citar nomes, três falavam sobre pessoas que tinham perdido entes queridos e ela sabiamente dava o conforto e carinho com palavras de motivação, na qual foi comentar brevemente cada um.
Uma delas tinha acabado de perder seu filho de dois anos faltando 30 dias para se formar. Ivy conversou com a mãe, que era sua amiga, falou que iria ajudar a concluir o seu curso. Ficou este período dando apoio e defenderam seus trabalhos. Exatamente 30 dias depois juntas no mesmo dia e se formaram.
Outra pessoa lembrou quando sua mãe tinha perdido o marido ela passou tardes e tardes acompanhando quase que diariamente para acolhê-la. E a última, que contou que quando foi falar da morte de um ente querido, a Ivy levou a pessoa até a cozinha para fazer um bolo, para se distrair... e disse que o bolo é sinal de vida, alegria e que todas as vezes que tivesse triste fizesse isso, que era uma terapia oriental que teria aprendido com um amigo, e que foi confirmado pela minha sogra. Ela disse que em um momento difícil da vida pessoal dela, Ivy foi para a cozinha fazer quatro bolos de uma só vez e depois foi distribuir para as pessoas.
Enfim, me faltam palavras para expressar o que estou sentindo neste momento, mas o que posso dizer, é que fica uma lição a todos - viva intensamente cada momento de suas vidas com quem você ama.
Eu vivi intensamente esta mulher. Não medi esforços para fazê-la feliz. E tenho certeza que a fiz, pelas suas palavras, gestos e demonstração de carinho durante esses dois anos e meio de convivência.
Vou levar comigo seu exemplo de mulher, guerreira, determinada, dinâmica, eficiente, amiga fiel, adorada pela família, filha querida, nora desejada, mãe angelical e esposa virtuosa, perfeita e amada, que se eternizará em cada coração de quem pôde conviver com ela, pois na terra, ela foi Simplesmente Ivy.


●●● Esta mensagem foi lida com profunda emoção por Luiz Otávio Rei Monteiro, viúvo de Ivy de Menezes Veiga Portela, no final da Missa, em sufrágio de sua boníssima alma, celebrada na Igreja de São João Batista e Nossa Senhora das Graças, nessa segunda-feira/07, às 10 h, pelo padre Agostinho Cruz, Vigário de Icoaraci.

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