1/14/2012

Prossiga, companheiro HP



Ontem, após assistir um filme pela Embratel – que tem sido uma ótima companheira na TV por assinatura, - ao abrir a Caixa de Entrada, dentre as muitas mensagens, uma delas, - assinada por um colega que não quis se identificar, - cobrava-me uma manifestação aqui neste espaço sobre o meu antigo chefe Hamilton Pinheiro, ou simplesmente “HP”, morto às 03h26m, de segunda-feira/9, num dos apartamentos do Hospital Saúde da Mulher.
Seria desnecessário contar a vida do “HP”, pois os jornais já o fizeram. Mas farei algumas observações.
Hamilton Pinheiro (da Costa) veio de Nova Timboteua – onde nasceu no dia 19 de abril de 1948 - ainda menino para a grande cidade. Em Belém, graças à sua habilidade, valor e competência conseguiu o seu lugar ao sol.
O moço gordo e baixinho, inteligente e esperto após muitas aventuras, apaixonou-se por uma bela morena, a “Dona” Nonata. Uma união que durou 33 anos, cujo resultado foi dois rapazes.
O primeiro, com o mesmo do pai, Hamilton Pinheiro da Costa Jr é inteligentíssimo. Há anos chefia a Gerência de Circulação do Diário do Pará; e em pouco tempo quintuplicou a tiragem do jornal e está sempre sendo visando novos mercados.
O outro flho é Mário Henrique Gama da Costa. Estudioso, formou-se muito jovem em Publicidade e Propaganda; e é um “expert” em marketing. Atualmente dirige o Núcleo de Marketing e Propaganda da Coordenadoria de Comunicação Social da Prefeitura de Belém/COMUS.
De acordo com a sua esposa, HP era um homem caseiro. Não via a hora de deixar o trabalho, para ficar ao lado ao lado da mulher e dos filhos.
Como um bom jornalista aproveitou muito bem a juventude. Nunca fumou. Há nove anos parou de beber. Era um profissional ético e correto, além de um pai de família exemplar.
HP veio, viu e venceu enveredando pelos caminhos do rádio. Começou na Rádio Clube do Pará como plantonista esportivo, dividindo com Zaire Filho. Na mesma emissora, produziu e apresentou programas especiais aos domingos, com audiências elevada; e, logo em seguida, optou pelo Jornalismo.
Passou pelas principais emissoras de Belém, iniciando como aprendiz, locutor noticiarista, assistente de rádio jornalismo, repórter e chefe de reportagem, cargo que mais exerceu em quase 44 anos de estrada, além de Diretor de Jornalismo.
Lembro em que 1968, HP junto com o Kzan Lourenço(falecido) comandou o desfile de blocos e escolas de samba aqui em Icoaraci, pela então Rádio Jornal Liberal – antes Rádio Difusora do Pará, criada pelo ex-governador Luiz Geolás de Moura Carvalho. Ao ser adquirida pelo empresário Romulo Maiorana, mudou para Rádio Jornal Liberal e, posteriormente para Rádio Liberal por imposição do DENTEL em 1.330 KHz, com 10 quilos na antena.
O desfile na época sob o comando do engenheiro rodoviário Evandro Simões Bonna – o maior e o mais importante subprefeito que Icoaraci teve nesses últimos 44 anos, falecido em setembro de 2010 – e pelo médico Stélio de Mendonça Maroja, prefeito de Belém, era o segundo mais importante de Belém.
Naqueles anos o corso carnavalesco era realizado na Rua Manoel Barata (2ª Rua), a partir da Travessa Pimenta Bueno até aqui, na Travessa Itaboraí, quando se processava a dispersão.
Os dois, HP e Kzan Lourenço, se revezavam na cobertura do evento, com o apoio do operador técnico Castelo Branco, que havia deixado, alguns meses antes, a ZYE-20, Rádio Marajoara “emissora associada de Belém”, que dava um jeito de botar no ar som cristalino igual às FMs de agora.
Aliás, não foi somente em 1968 que os dois animadores deram um show, mas em 69,70 e 71, quando foi feita a mudança dos apresentadores.
Anos mais tarde, já no Rio de Janeiro, soube que o HP estava ao lado de Linomar Bahia chefiando o jornalismo da TV Liberal - Canal 7, recém-inaugurada, sob a bandeira da Rede Globo, que antes pertencia a TV Guajará – Canal 4
Anos mais recentes, sendo funcionário da Coordenadoria de Comunicação Social da Prefeitura de Belém, Núcleo de Imprensa - após ter servido cinco anos aqui na Agência Distrital de Icoaraci (Assessoria de Comunicação),- retornei ao “Antônio Lemos”  fui designado para o Núcleo de Rádio.
Quem eu encontro Hamilton Pinheiro, Diretor do Núcleo.
Aí é que fui aprender como se escreve notícia para rádio. Com a sua paciência caraterística, HP me ensinou tudo sobre o assunto. Fiquei craque.Eu acho.
Naqueles três anos em que ficamos juntos na primeira administração do prefeito Duciomar Costa, tive o privilégio de conviver diariamente com o HP, ouvir as suas observações e me divertir. Ele, com aquela cara séria – por vez sisuda -, era um companheiro e tanto: sério, honesto e acima de tudo, profissional e responsável.
Nas horas ociosas, ele gostava de rascunhar caricaturas dos colegas.
Eu era o pato. Até mesmo pelo nome!
Um dia, em 2005, HP ele recebeu uma “bela” proposta ($$$) da Rádio Cultura, onde já havia trabalhado de 1984 a 1995.
Claro que aceitou.
Constrangido, nos disse tchau e se mandou.
Dinâmico, HP revolucionou o jornalismo da Cultura FM, tornando, sem dúvida, o mais importante de Belém. A partir do “Jornal da Manhã”, apresentado de segunda a sábado, às sete horas, por José Vieira e Bebel Chaves – uma das maiores audiências da emissora.
A convite da direção HP produziu por alguns anos um programa de musicas dos anos 70 e 80, o Alta Fidelidade, levado ao ar aos domingos pela manhã. O programa foi substituído pelo Baú da Cultura, apresentado diariamente pelo Paulo Brasil, a partir das 06h00m.
HP constituiu uma equipe de repórteres e redatores de primeira linha que honram o radio jornalismo paraense. Era Caxias: mesmo aposentado e doente não faltava ao trabalho; estava sempre presente na redação e era o primeiro a chegar. O carisma e o bom humor constante de HP - gozando os atrasildos e os colegas - lhe renderam o apelido de "Comandante HP".
Após sete anos, HP saiu do “magneto” para a eternidade.
O que falei na ocasião do velório na capela da Good Pax diante de todos, é verdadeiro: nós jornalistas paraenses perdemos um colega, mas o céu ganhou um santo.
Ao chegar às portas do Supremo Reino, pê da vida, pela agonia e pela tosse que lhe roubou  o ar, Hamilton Pinheiro achou esquisito: São Pedro já tinha aberto as portas e falou-lhe - “Fique Calmo. Não temas. Pode entrar. O Mestre precisou de você; e os seus colegas o estão esperando ansiosos para abraçá-lo".
E finalizou:
“A casa é sua. Prossiga, companheiro.”

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