9/04/2012

Comandante CAMPELLO





O Grito


Para nós, brasileiros, dois gritos são emblemáticos em nossas vidas: o grito de JESUS na cruz, e o grito do Ipiranga. Inegavelmente, essas duas manifestações da sublimação de sentimentos diferenciados em sua essência, mas significativos quanto ao momento da exteriorização de um desafogo interior no qual o mais profundo de um ser decidiu manifestar-se, por razões não comparáveis, mas que expressam o ápice de um desespero ante a inevitabilidade do que o destino lhe colocara à frente.

Vivemos hoje um mês no qual a data marcante do SETE DE SETEMBRO se nos afigura como um marco indelével de uma atitude que mudou o curso da nossa história, transformando-nos numa nação independente, libertando-a da condição humilhante de ser uma colônia desejada pelo reino português. Não está em discussão o mérito das variáveis que intervieram nesse processo que nos tornou independentes de Portugal, mas sim a avaliação do que isso significou para o Brasil em termos de afirmação de nossa identidade como nação.

Nesse ponto é importante destacar a presença das FFAA junto ao imperador dando-lhe a garantia da unidade e da força da população para a decisão de tornar-nos independentes. Essas apreciações têm o propósito de mostrar, a tantos quantos lerem esse editorial, que é inaceitável a campanha persistente de uma escória de pretensos brasileiros, contra nós militares, no pressuposto alienado de que somos truculentos e perniciosos às ambições daqueles que desfrutam atual e transitoriamente do poder.

O grito da independência foi o grito uníssono de um povo jovem que repudiava a condição de colônia que lhe queriam impor; ele nem de perto pode ser comparável ao de JESUS na cruz, mas é profundamente expressivo em sua significância em bradar ao mundo o desejo de ser uma nação livre. Hoje nos defrontamos com uma situação inusitada na qual prepondera um sentimento de desalento ante o desgosto de ver o quanto fomos e continuamos a ser ludibriados e manipulados por uma agremiação partidária que emergiu da lama moral em que sempre viveu, com uma proposta de pureza moral e ética que, em momento algum, se dispôs a exercitar.

O exemplo disso está à vista de todos, como o mensalão, a corrupção, a hipocrisia, a mentira e a atual e arbitrária autocracia de privilegiar recursos orçamentários para atender projetos de cunho eleitoral que, além de nunca se concretizarem, disfarçam a real intenção de continuar a alimentar a corrupção. Assim como os gritos emblemáticos que citamos, urge que a população brasileira, aquela que congrega pessoas de bem e que valorizam os gestos extremos de nossa história, gritem igualmente, do fundo de suas almas, contra a desmoralização dos atos dos agentes públicos.

É inadmissível continuar a viver esse estado de coisas que nos afrontam a cada dia. Nós, militares, temos o dever e a obrigação de reagir ao que aí está; temos que olhar a responsabilidade que assumimos desde que D. Pedro I lançou o grito de Independência, um grito que não sai do pensamento de todo autêntico brasileiro que ama a Pátria que o acolheu em seu nascimento e o acolherá em sua morte.

Sigamos o exemplo de DEUS que na cruz proferiu um grito que ecoa a mais de 2000 anos e ainda a muitos comovem por ver que, mesmo à época, tocou a tantos que dele souberam e que serviu de estímulo a expansão do cristianismo. A nação, o seu povo ordeiro que valoriza os fundamentos de sua nacionalidade, aguarda, com muita ansiedade, mais um grito semelhante ao da nossa Independência. O exotismo ideológico dos que poluem o poder não traz, no seu bojo, qualquer sentimento de Pátria, e sim de autoritarismo exacerbado que ignora as aspirações de diferentes classes trabalhadoras, na já surrada alegação de uma crise que, há exatos 52 anos, se mantém sempre que, a cada ano, se começa a falar em reajustes salariais.

É uma mentira que, como se repete muitas vezes, passa a condição de ser admitida como verdade. Vamos, pois, neste sete de setembro, dar um novo grito do Ipiranga, tão alto quanto se possa imaginar, mas que tenha, no exemplo do grito de DEUS na cruz, o desejo de mostrar ao mundo o quanto o povo brasileiro está desalentado pela carência de um gesto que marcou a nossa história.



• Waldemar da Mouta Campello Filho. Capitão-de-Mar-e-Guerra –Presidente da CONFAMIL do Sistema CONFAMIL.











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