9/19/2009


O enriquecimento da família Sarney é revelado no livro Honoráveis Bandidos, de Palmério Dória

Será lançado no dia 24 de setembro Honoráveis Bandidos, de Palmério Dória, livro que entra nos bastidores do enriquecimento e tomada de poder do coronel José Sarney. Trata-se de reportagem de longo fôlego que todos que querem entender o Brasil recente devem ler. O camaleão maranhense terá poder para tirar o livro de circulação?

Brasília
- A partir das 19 horas de quinta-feira~/24, será lançado no shopping Higienópolis, em São Paulo, com apoio da Saraiva MegaStore, um livro que se constitui em verdadeira bomba, Honoráveis Bandidos (Geração Editorial, 208 páginas, R$ 29,90), dos jornalistas Palmério Dória e Mylton Severiano. Na capa, uma foto do camaleão maranhense José Sarney, que será exibido, com todas as suas deformações à mostra, em praça pública. Sarney conseguirá tirar o livro das livrarias?
Palmério Dória, um dos jornalistas mais respeitados do país, conta, pela primeira vez, numa reportagem de longo fôlego, a história secreta do surgimento, enriquecimento e tomada do poder regional pela família Sarney, no Maranhão, e o controle quase total do Senado, pelo coronel de barranco que virou presidente da República acidentalmente, transformou o Maranhão no quintal da sua casa e beneficia parentes e amigos espojando-se no erário.
Quem sabe o livro fale também sobre o mal que Sarney causa ao Amapá, desde que caiu de para-quedas naquele estado amazônico. A propósito, a jornalista Alcinéa Cavalcante, que teve coragem de peitar o dinossauro maranhense em Macapá, está devendo ao Brasil uma reportagem de longo fôlego para que ninguém esqueça o mal que Sarney já causou ao Amapá, e ao Brasil, e continua causando. A população precisa ser alertada para casos como Sarney como o mundo é alertado o tempo todo para o Nazismo, para que o ovo da serpente não volte a vingar.
Honoráveis Bandidos é um livro arrasador, que todos quanto se interessem pela verdade devem ler, na mesma linha de Memórias das Trevas, protagonizado pelo coronel baiano Antonio Carlos Magalhães, e que já vendeu mais de 80 mil exemplares.

Mulher em vestido de seda

Não estava pensando em coisa alguma. Deixava-me caminhar sentindo os raios de sol nas frestas das árvores, embalado pelo canto dos pássaros e flutuando na sensação do não pensamento quando ela surgiu, de repente, no meu raio de visão.
Eu caminhava pela alameda que ladeia ao norte a superquadra 311 Sul. Era uma ensolarada manhã de domingo, ainda cedo. O canto contínuo de um sabiá sobressaía-se ao dos outros pássaros, exceto quando casais de joão de barro cantavam subitamente. Ia comprar o Correio Braziliense na banca da 311/212.
Ela se materializou à minha frente. Poderia alcançá-la, se quisesse. Bastaria que apressasse o passo, pois ela caminhava lentamente. Parecia que acertara o passo comigo, distante talvez três metros adiante de mim. A primeira coisa que me chamou a atenção foi seu vestido de seda, longo e estampado de rosas vermelhas sob fundo azul. O vestido era quase justo e as ancas da mulher moviam-se esculpidos sob a seda. Seus tornozelos eram bem torneados e seus pezinhos flutuavam em sandálias Havaiana rosas. Subi com meu olhar o dorso da mulher inesperada e concentrei-me nos seus cabelos, que jorravam em aneis negros sobre os estreitos ombros, contrastando, livres, no decote, com a estampa da seda. Sua pele tinha a cor de jambo maduro.
Qual seria seu nome? Onde morava? Aonde ia? Era a síntese perfeita do Brasil, no seu traje, no seu caminhar, na sua pele, naquele mistério intrínseco à sensualidade. Uma ideia, que me pareceu absurda, me assaltou. Ia chamá-la. Diria a ela que queria apenas vê-la de mais perto. Só isso. Ela não se furtaria a isso, de deixar-se ver, num gesto redentor. Não tive, porém, a ousadia de chamá-la. Apressei o passo, então. Estava quase alcançando-a quando ela sumiu, assim como surgiu. Só então percebi que meu subconsciente me enganara. Ela existe, sim, mas é uma personagem de ficção e, quem sabe, estará livre em 2010.
Entrei na banca, olhei as capas das revistas semanais, folheei a National Geographic de setembro, que tem uma matéria interessante, sobre a calha norte do baixo Amazonas, Comprei o Correio Braziliense e voltei para casa.

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Ray Cunha

ray.cunha@uol.com.br

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