4/26/2012

ESCOLA BOSQUE, 16 anos depois






No dia 26 de abril de 1996, um belo sábado cheio de sol, o ex-prefeito Hélio Gueiros – de saudosa memoria - juntamente com a secretária municipal de Educação, professora Therezinha Gueiros, a diretora, professora Stella Guimarães e o vice-prefeito Aldebaro Klautau, inauguravam a Escola Bosque, com a presença de autoridades municipais e do governador em exercício, Hélio Gueiros Júnior além do então deputado federal Vic Pires Franco.
A solenidade reuniu ainda os presidentes da Assembleia Legislativa, deputado Zenaldo Coutinho, o vereador Paulo Roberto, presidente da Câmara Municipal; o chefe do Ministério Público do Estado, Manoel Santino, dentre outras personalidades.
Estiveram presentes também o principal idealizador do projeto da Escola Bosque, o sociólogo Mariano Klautau de Araújo – falecido -, presidente do Conselho de Representantes da Ilha de Caratateua (Consilha) e representantes de entidades de preservação ambiental e líderes comunitários e o povo em geral.
Na ocasião foi prestada uma comovente homenagem ao professor e pesquisador Eidorfe Moreira, um estudioso sobre a Amazônia, - que dá nome à escola - morto em 2 de janeiro de 1989, aos 77 anos, que lutou contra a ditadura e em favor das liberdades públicas, que foi representado por sua irmã, Lindaura Moreira Gueiros, que inclusive, descerrou a fita alusiva da inauguração da escola.
A Escola - Para quem está um pouco esquecido, vale a pena falar da obra que, sem dúvida alguma, marcou a administração Hélio Gueiros. Conhecido apenas como Escola Bosque do Outeiro, o Centro de Referência Ambiental Escola Bosque Professor Eidorfe Moreira - que é o seu nome real foi idealizado ainda nos tempos da campanha de HG.
Ela surgiu em atendimento a um antigo pleito dos membros do Conselho de Representantes da Ilha de Caratateua, que, acreditando no potencial econômico e ecológico da ilha, mais conhecida por Outeiro (um bairro da aprazível ilha de Caratateua) tinham certeza de que a ilha merecia um empreendimento desse porte.
A concepção da Escola Bosque foi abraçada por aquela que seria a futura secretária municipal de Educação, professora Therezinha Moraes Gueiros, com base na plataforma política de Hélio Gueiros, que desejava uma administração fundamentada no desenvolvimento autossustentável, na melhoria de vida da população e na educação prioritária como modelo de desenvolvimento. O projeto fez parte da primeira mensagem do Executivo à Câmara Municipal, em 1993, como meta a ser executada no decorrer de seu mandato como prefeito municipal. E foi o que ocorreu.
Edificada numa área que, ao todo, possui 120 mil metros quadrados de floresta, a escola - foi, e é, pioneira no gênero na América Latina. Começou a ser construída no final de 1993 e custou cerca de R$ 5 milhões.
Fruto da parceria entre Secretaria Municipal de Educação e o Conselho de Representantes da Ilha de Caratateua (Consilha), a instituição tinha como meta principal oferecer o ensino formal, atendendo alunos do pré-escolar (ou educação infantil, para alunos de Quatro aos seis anos) ao segundo grau. Na época de sua inauguração, 750 alunos estavam matriculados na Escola Bosque. O segundo grau, profissionalizante, objetivava formar especialistas para atender ás necessidades crescentes na região, como o manejo da fauna e da flora e ecoturismo.
Estrutura - Ligado à Secretaria Municipal de Educação (Semec), o Centro de Referência Ambiental, à época de sua fundação, - contava dentro outros apoios, com o suporte da Fundação Parques e Áreas Verdes de Belém (Funverde), no que se referia à manutenção da área verde de 120 mil metros quadrados onde está implantado.
O ensino interativo com o meio ambiente era incentivado com a participação de grandes instituições ligadas à conservação do meio ambiente, entre elas a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), Universidade Federal do Pará (UFPA), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-Pará), Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (Fcap) e Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG).
A atividade educacional desenvolvida na Escola Bosque era baseada no currículo formal acrescido de conteúdos voltados à educação ambiental. A filosofia educacional da instituição obedecia às orientações do educador e sociólogo Pedro Demo, para quem o conhecimento do aluno deve ser adquirido por ele mesmo, de posse de condições para adquirir o aprendizado. Apostando neste princípio, a Escola Bosque já funcionava antes mesmo da sua inauguração, desde o segundo semestre do 1995, em caráter experimental, para testar a proposta de ensino e traçar o perfil do alunado.
A ex-diretora, professora Stella Guimarães recorda que a magnitude da nova escola lhe causava uma certa preocupação, especialmente quando a imprensa a procurava para pedir informações. “Eu ficava impressionada porque a Escola Bosque nem tinha ainda sido inaugurada já me falavam dela como se existisse há muito tempo. Apesar de tudo, fico feliz de saber que a nossa ousadia de implantar um centro de referência ambiental inédito como Escola Bosque, deu certo.”
Pioneira – A proposta avançada da Escola Bosque se destacou como pioneira no gênero em toda a América Latina e fez dela um modelo educacional, copiado inclusive por algumas instituições de países vizinhos, soube-se posteriormente.
Devido à sua importância, ineditismo e singularidade, conseguiu atrair a atenção de autoridades e ministros da área da Educação, da Cultura, da Tecnologia e Meio Ambiente, como também da professora, pesquisadora e botânica venezuelana Marguerita Pacheco; do presidente do UNICEF no Brasil, Agop Kayayan, além do interesse da imprensa internacional. Era comum ver-se quase todas as semanas, equipes de TV de outros países fazendo algumas tomadas no interior da Escola Bosque.
Afirmo esse fato porquanto assessorei várias colegas jornalistas
... mesmo não falando inglês, arranhando um pouco o francês.
O então secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, Haroldo Matos Lemos, que a conheceu ainda em obras, ficou fascinado com a escola já pronta e funcionando; tanto que ele próprio a definiu como um marco referencial da educação ambiental no Brasil, e anunciou que a Escola Bosque serviria de referência ao Programa Nacional de Educação Ambiental, que seria executado em parceria com o Ministério da Educação, em futuro próximo.
Pedagogia - A linha pedagógica da escola, segundo a Secretaria Municipal de Educação, foi definida a partir da construção do conhecimento pelo próprio aluno. Seus técnicos destacavam que a educação ambiental desenvolvida e ministrada na instituição seria usada para promover o desenvolvimento da comunidade de Outeiro, com quem a escola deveria interagir de forma integrada.
Informática - Outro aspecto importante que vale destacar, é que a Escola Bosque foi a primeira instituição pública de ensino, no Brasil, a utilizar a Informática como ferramenta pedagógica, em todos os seus níveis de ensino. Em seu laboratório de informática, cuidadosamente projetado, havia 14 computadores e duas impressoras a lazer. Os alunos eram acompanhados de per si pelos especialistas em informática educativa e pelo professor da turma, que atuavam como intermediadores do processo de construção do conhecimento.
Louvores - Os líderes comunitários do Outeiro proclamavam ufanosos aos quatro ventos que a Escola Bosque foi concretizada graças “a sensibilidade do grande amigo do Pará, o prefeito Hélio Gueiros”. Da mesma maneira elogiavam o trabalho de Therezinha Gueiros e sua equipe: “A Escola Bosque, através de seus técnicos, veio até às comunidades do Outeiro e de Caratateua para ouvir e discutir os nossos problemas. Eles ouviram, analisaram e fizerem ao contrário de muitos políticos que aqui vêm e nada fazem!... e se de louvar a dedicação do prefeito Hélio Gueiros, que usa o dinheiro dos impostos pagos pela população para construir obras em benefício da comunidade”.
O ex-prefeito Hélio Gueiros disse, em contrapartida, que a maior parte dos que foram à Escola Bosque estavam “admirados” e não acreditavam no que viam. “Essa é uma obra quase inacreditável, que, para ser concretizada, foi preciso ter muita fé em Deus e no futuro. O povo tem razão, ela foi construída com os recursos da Prefeitura de Belém; ou seja, com o dinheiro desse mesmo povo bem empregado."
Hélio Gueiros fez o melhor da Escola Bosque. Tentaram modificar: O povo esteve e atento e preserva aquele monumento de cultura, saber e ecologia.
Para os menos informados e bom, que se diga - a construção da Escola Bosque partiu de uma ideia do sociólogo Mariano Klautau de Araújo, que nos deixou no ano passado. Meses após a posse de Hélio Gueiros, ele esteve com a professora Terezinha Gueiros levando em mãos o projeto da Escola-Bosque, de sua autoria com o apoio da comunidade do Consilha – Conselho das Ilhas do Outeiro. Terezinha o aconselhou que procurasse Rita Nery – falecida há dois anos -, à época, Diretora de Ensino da Semec.
A educadora achou o projeto surpreendente aconselhou a professora Terezinha Gueiros que o aprovasse junto ao prefeito. Logo após foi criado o Centro de Referência em Educação Ambiental – Escola Bosque Professor Eidorfe Moreira, numa homenagem ao professor que havia falecido meses antes e entusiasta em meio ambiente.
A comunidade participou ativamente das démarches para a desapropriação da área onde foi construída a Escola Bosque - Avenida Nossa Senhora da Conceição esquina com a Rua Manoel Barata – Bairro de São João do Outeiro.
O projeto da Escola Bosque, aprovado pela Câmara Municipal, diferia das demais escolas do município. Era um centro de referência de alto nível, Tanto que os professores selecionados possuíam pós-graduação, e ganhavam um pouco mais do que os seus colegas da rede municipal de ensino; e os alunos selecionados passavam o dia na escola em atividades escolares e extraescolares voltados para o meio ambiente, com direito a almoço.
O sucesso foi tanto que houve necessidade da criação de seis anexos na área do distrito do Outeiro, inclusive nas ilhas de Jutuba I e Jutuba II, em frente ao Cotijuba.
Tudo foi pensado. 
As salas de aula da Escola Bosque no formato octogonal – com oito lados – foram concebidas de modo a não cansar o aluno, assim como, despertar-lhe a criatividade. O auditório foi construído de forma triangular não para somente servir de palco de encontros e eventos. como também para a apresentação de peças teatrais e até mesmo óperas. Nada foi esquecido, inclusive a acústica.
A Escola Bosque tornou-se famosa como centro de referência em educação ambiental e ganhou prêmios e menções honrosas fora do Brasil, na Argentina, Chile Equador, Guatemala e no México.  
 Descaracterização - Mas nem tudo são flores, Lamentavelmente, a Escola Bosque nos oito anos da antiga administração municipal foi totalmente descaracterizada e sucateada, em todos os aspectos. Os partidários do candidato derrotado, inconformado, e vingaram tendo como meta de sua sanha a Escola Bosque. O estabelecimento começou a sofrer represálias de toda espécie; as salas de aula eram utilizadas para reuniões político-partidárias, e no final sempre apareciam equipamentos danificados ou quando não sumiam.
Mas, baseado na fase da professora Rita Nery ao participar de uma audiência sobre Educação promovida pelo Capra, um conselho que congrega as entidades e associações que funcionam naquele distrito, realizada no auditório da Escola Bosque, logo após a assunção de Duciomar Costa a Prefeitura de Belém Escola Bosque do Outeiro ressurgirá das cinzas".
E ressurgiu.

É importante ressaltar: fiel as suas origens, a Escola Bosque em como objetivo principal contribuir para a formação de uma nova ética social e ambiental, aliando a preocupação com os problemas globais ligados ao processo de degradação do meio ambiente, aos problemas cotidianos, resultantes da ação predatória do homem, tendo como horizonte a afirmação da cidadania.
Enquanto centro de referência, é finalidade da Escola Bosque fomentar a educação ambiental em caráter formal e não formal, difundindo-a prioritariamente junto à Rede Municipal de Ensino de Belém, mediante a formação de profissionais ligados à área de estudos sobre o meio ambiente e a implementação de projetos e ações educacionais voltados para a sua preservação. Atuando em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, a Escola tem também como prioridade o atendimento à demanda educacional das ilhas, que representam 69% da superfície do Município de Belém.
A formação educacional oferecida pela Escola Bosque baseia-se nos princípios da democratização do acesso e garantia de permanência dos alunos na escola, na qualidade do ensino, na gestão democrática e no desenvolvimento comunitário. A Escola Bosque é pioneira no ensino público da América Latina no que se refere ao tratamento dado à formação profissional, por qualificar técnicos em Manejo de Flora, Manejo de Fauna e Ecoturismo, voltados para o atendimento das demandas crescentes da região amazônica.
A Funbosque está estruturada sobre o tripé pesquisa-ensino-extensão, que se interligam para formar o Centro de Referência em Educação Ambiental. Juntamente com a comunidade, que tem voz ativa na Fundação, através das assembleias populares mensais e do conselho escolar, realiza uma experiência ímpar, visando a educação ambiental para o uso adequado e sustentável dos recursos naturais das ilhas de Belém.
A pesquisa está voltada para questões ecológicas gerais das ilhas, como a reciclagem e compostagem de resíduos sólidos, o levantamento de plantas medicinais e suas formas de utilização pelas populações ribeirinhas do Município, alimentação alternativa, além de aspectos nutricionais dos estudantes. Também são planejados projetos de avaliação do ensino de educação ambiental e desenvolvimento de novos programas de ecologia e preservação ambiental.
A proposta de educação ambiental sempre esteve voltada para a melhoria da qualidade de vida da população, valorização da cultura amazônica, dissociabilidade entre pesquisa-ensino-extensão e participação popular. A Escola possui brinquedoteca, biblioteca, sala de leitura, salas de multiuso, laboratório de informática educativa, laboratório de química e biologia, auditório, refeitório e alojamentos para facilitar a cooperação interinstitucional, tanto nacional como internacional. A Fundação Centro de Referência em Educação Ambiental dispõe ainda de um parque zoobotânico com área de 25 hectares, localizado próximo à Escola, que se constitui em laboratório vivo para o desenvolvimento de pesquisa de campo e atividades didáticas.
As experiências na área de educação não formal, durante esses 16 anos de atividades da Escola, baseiam-se em projetos e ações educacionais, tais como coleta seletiva, compostagem e reciclagem de lixo; conhecimento sobre o uso, plantio e conservação de plantas medicinais; estudo da qualidade da água nos domínios da bacia hidrográfica do rio Maguari (no âmbito do projeto de conservação de bacias hidrográficas); alimentação alternativa; hortas comunitárias, entre outros. Tais experiências visam a permitir a apreensão por parte dos alunos, da sua realidade socioambiental, e a elaboração de propostas concretas para o seu monitoramento.
Verdadeiramente a Escola Bosque e um núcleo irradiador, teórico e prático, de educação ambiental, e formadora de recursos humanos capazes de implementar programas e ações ligados ao manejo e conservação do meio ambiente. Objetivo desenvolver programas de educação formal e não formal, voltados para a demanda comunitária das 39 ilhas do Município de Belém, a partir da identificação das suas necessidades e do estabelecimento de parcerias com as comunidades, na busca de soluções para seus problemas, através de ações de desenvolvimento comunitário. Dessa forma, além de oferecer ensino fundamental, mediante um currículo crítico em educação ambiental, a Escola Bosque está projetada, também, como espaço de visitas e estágios destinado aos alunos da rede municipal, e de promoção de cooperação interinstitucional em nível regional, nacional e internacional.
Parceiros - Entre os parceiros que já desenvolvem projetos em conjunto com a Funbosque encontram-se o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), a Universidade Federal do Pará (UFPa), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Úmido (EMBRAPA/CPATU), a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP), a Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (FCAP), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (EMATER-Pa) e a Associação dos Povos Tupi dos Estados de Mato Grosso, Amapá, Pará e Maranhão (ANTAPAMA).
O desenvolvimento e a consolidação da Funbosque indicam estar a instituição tornando-se efetivamente um Centro de Referência em Educação Ambiental no Município de Belém, para a implantação do Sistema Municipal de Educação Ambiental, visando à realização de pesquisas na área de meio ambiente e educação ambiental, para atuação junto às comunidades das áreas insulares de Belém, contribuindo para a capacitação de lideranças locais, a geração de emprego e renda nas comunidades mais carentes e o desenvolvimento de uma consciência ambiental crítica entre crianças, jovens e adultos das ilhas de Belém.
Passados quase três lustros, a instituição se destaca oferecendo educação diferenciada, com foco no meio ambiente, capacitação profissional, geração de emprego e renda e preservação da cultura entre outros. A escola é formada com a sede, localizada na ilha de Caratateua, e mais sete unidades pedagógicas distribuídas nas ilhas de Jutuba, Cotijuba, Jamaci e Ilha Longa.

Futuro - A administração Duciomar Costa juntamente com a professora Terezinha Gueiros restauraram totalmente a Escola Bosque. Tudo foi feito de forma que ela que retornasse às finalidades iniciais de referência em Educação Ambiental, com menos alunos e um corpo docente de alto nível entre professores, engenheiros florestais e técnicos em turismo. Ela foi transformada no Centro e Desenvolvimento Insular, não apenas como referencial de Educação Ambiental como também de centro de irradiação de turismo com a participação total da Comunidade.
A Funbosque é presidida é presidida pelo educador Elton Braga.

Tinha muita coisa para falar sobre a Escola Bosque que vi nascer e acompanhei por algum tempo, mas acho que o escrevi acima já é suficiente.
Falta apenas dizer:

A Escola Bosque está situada na ilha de Caratateua, distrito de Outeiro o único oficial de Belém, uma espécie de subprefeitura, subordinado ao Gabinete do Prefeito - a 35 km do centro da cidade de Belém, capital do Estado do Pará, numa área preservada, de floresta tropical secundária, com 120.000 m2 (12 hectares). Da área total, apenas 4.100 m2, cerca de 3,4%, são ocupados com as instalações físicas da Escola, mantendo coerência com a sua proposta pedagógico-ambiental. A arquitetura dos prédios valoriza a adaptação às condições ambientais, de maneira a permitir uma coexistência harmônica entre o homem e o meio ambiente.
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♦♦ Aldemyr Feio, redator do Jornal do Feio  


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