6/23/2008

Presença de Luiz Lima Barreiros


VAL-DE-CANS

É bom que os colegas saibam do significado etmológico do nome da antiga vila de Val-de-Cans, hoje aprazível bairro de Belém, onde fica situado nosso aeroporto internacional, de onde na época da II Grande Guerra Mundial, levantavam vôos as fortalezas voadoras B-17, B-19, B-24 e B-25 para, fazendo escala em Natal, bombardear Dakar, na África, prenunciando o Dia D, na Normandia.
Há cerca de um século, Val-de-Cans, era um pequeno povoado, habitado , em sua maioria, por escravos negros alforriados, e outros anteriormente foragidos, naquele quilombo. Eram muitos negros, já velhos, quase todos de cabelos brancos, como bem lembrou Olavo Guimarães Ferreira, em seu livro homônimo , editado pela já foi grande CEJUP, do amigo Gêngis Freire, em 1989.
Lá pelo ano de 1895, uma comitiva do então governador Lauro Sodré, saiu de Belém, por via fluvial, com destino à Vila de Pinheiro, hoje bairro de Icoaraci (lugar onde o Sol se encontra com a Lua)), em uma gaiola, e teve sua atenção voltada para uma multidão de negros, neste pponto intermediário da viagem, quase todos de cabelos brancos, de pé, assistindo a passagem da comitiva fluvial. E, o governador exclamou: -“Isto é um verdadeiro Val-de-Cans!”.
Isto é , um vale de pessoas de cabelos brancos: do latim canus, que quer dizer cabelos brancos. Ficando assim o povoado batizado de Val-de-Cans.
A confusão do nome para Val-de-Cães, consistiu no fato de que quando o Brasil declarou guerra às potências do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), um jornal nazista publicou vários artigos insultuosos ao Brasil, um dos quais dizendo que Cordel Hull já tinha entregue a Oswaldo Aranha ( então ministros das Relações Exteriores dos USA e do Brasil, respectivamente), um talão de cheques em branco, acusando nossas autoridades governamentais (muitas das quais mentalmente minadas pela ideologia fascista, na ditadura Vargas), de corruptas e dizendo que iriam bombardear o “val-de-cães”, para desalojar dali, os cães norte-americanos, dando um sentido pejorativo a Val-de-Cans.
Diz-nos Olavo G. Ferreira : “Muitas pessoas acolheram a forma errada de vale de cachorros, mas os mapas do Detran e os velhos álbuns da Prefeitura Municipal de Belém, ainda conservam a forma correta : VAL-DE-CANS.
Creio que explicado o imbróglio, com pesquisas e citando as fontes, não é verdade ?
Outra confusão que se faz, costumeiramente, é com o nome do Igarapé das Almas, ou das Armas ( a atual Doca de Souza Franco). Somos a favor das duas formas. Pois lá, na época da Cabanagem (1823 / 1840), tanto entraram armas para abastecer os cabanos; como também , em algumas batalhas lá havidas, morreram muitas almas.
A mesma confusão acontece com o nome da ilha de Mosqueiro, o mais aprazível bairro/ilha de Belém. Houve corruptela entre com a língua dos índios tupinambás, que lá residiam e os primeiros brancos e mestiços que lá passaram a residir. Os índios a chamavam ilha do moquero, ou do moquém, pois, nas praias, após abundantes pescas, moqueavam os peixes, que é o modo indígena de conservar os alimentos. No caso, após tirar as vísceras, cozinhavam –nos em buracos de terras, enrolados com folhas. Ora, as vísceras e os próprios peixes não aproveitados, podiam atrair para as praias, enxames de moscas. Daí a confusão...
Gostaria que não se esquecessem de respeitar o nome do bairro da Campina, o segundo da cidade , logo após a fundação de Belém, em 12 de janeiro de 1916. Ele é que vai provocar o chamamento do primeiro bairro de Cidade Velha.
As placas modernosas estão chamando a Campina de Comércio, e as autoridades competentes não tomam as devidas providências.

VER-O-PESO


E, aproveitando o embalo... o Ver-o-Peso é o ponto mais pitoresco da cidade de Belém do Pará, mesmo com um certo e esporádico abandono e persistente insegurança e sujeira.

Ele é uma ampla doca aberta, onde deságua o igarapé do Piri, numa das margens da baía do Guajará, e toda a área que fica nas suas proximidades, com aquela agitação permanente de barcos aportando, e de pessoas no mercado e feiras homônimos. Lá se amontoam canoas, trazendo os peixes, mariscos, frutas, farinhas e ervas do sertão, desde o tempo do colonialismo lusitano, quando também atracavam outras naves estrangeiras.
A Câmara Municipal de Belém recebeu àquela época, em 1688, por decreto do rei de Portugal (no dia de 26 de março),e que concedia a Câmara o poder de tributar, na fiscalização das rendas do ver-o-peso (impostos pagos pelos caboclos, que lá comerciavam, vindos da interlândia). A Câmara de Belém municipalizou este decreto régio, no dia 30.09.1688 . Portanto, em muito breve, estará fazendo 320 anos de atividades. E, espero que festeje o aniversário, de roupa nova, bonito e cheiroso. Só assim poderá continuar sendo poetisado, narrado, fotografado , filmado, pintado, esculpido, teatralizado , musicado, etc...
E, que cada artista (local ou alienígena) dê sua cota de tributos criativos, e de preferência, com peso.
Carpe diem ...


LUIZ LIMA BARREIROS

Nenhum comentário: