12/09/2011

Pe. AGOSTINHO CRUZ


A Igreja é a minha casa; por isso voltei!


Hoje me proponho a partilhar uma das experiências mais belas da vida da Igreja, a graça de poder receber de volta os seus filhos, que por qualquer motivo andaram errantes em suas vaidades pelos caminhos tortuosos da vida. É a experiência concreta de um amor que desconhece barreiras, que não se limita aos limites da fragilidade humana, e nem se importa com o que ficou para trás.
Durante a quinzena do Círio de Nossa Senhora das Graças, em Icoaraci, estou, junto com outros sacerdotes, atendendo as confissões dos fiéis. Posso dizer-lhes, Deus está no meio de nós! Há um cumprimento de sua palavra: “Eu estarei convosco, até o fim do mundo” (Mt 28,20). Estando eu, a atender os penitentes, que movidos por uma graça toda especial, vem em busca da misericórdia de Deus, vejo o quanto Deus opera no silêncio dos corações; a maioria dos que entraram no confessionário, há muito haviam abandonado a fé, estavam afastados da vida da Igreja, seja por uma revolta pessoal contra Deus, seja por frustrações com as pessoas; mas, entre todas foi unanime a resposta de dizerem que não querem mais se afastar da Igreja, que arrependidos estão e que sentem falta da Igreja, pois a Igreja é a sua casa.
Eu, enquanto sacerdote, pedi-lhes somente que estivessem na Igreja, e que juntos pastor e ovelha, pudéssemos, com a comunidade dos fiéis, voltar o nosso olhar continuamente para o Senhor, presente no sacramento do Altar, pois só lá podemos descobrir a plena manifestação do imenso amor de Deus. Quem ama quer ver retribuído o seu amor, a final, “amor com amor se paga!”. A confissão é pascal. É a oportunidade que essas pessoas tem, assim como eu e você temos, de poder fazer a nossa “passagem” da morte para a vida, recordando que o pecado gera a morte e faz-nos perder do amor de Deus, pois assim Jesus instruiu-nos através da eloquente parábola do Filho Pródigo: “Este meu filho estava morto, e voltou a viver; estava perdido e foi encontrado” (cf. Lc 15,11-32).
Eu vi, nos olhos desses irmãos, homens e mulheres, das mais variadas idades, o desejo de Deus. Todo ser humano deseja a Deus, fim último e feliz consumação de nossos dias. Por uma intuição e feliz recordação, parece que tenho diante de meus olhos, prostrado no genuflexório do confessionário, a mesma experiência que Nosso Senhora teve diante da pecadora arrependida, que Deus banhou os seus pés com suas lágrimas. Estas são inevitáveis, uma vez que na sinceridade rasgam os corações, deixando expostas as misérias que carregaram durante anos. O bom mesmo, é saber que na Igreja elas podem se chegar e deixar cair de seus ombros esses pesados fardos, e experimentar a leveza e a suavidade do julgo do Senhor.
“Padre, eu me arrependo de ter me afastado da Igreja; estou a mais de um ano fora, por mágoas, não procurei nenhuma seita, apenas deixe de vir a minha casa, que é a Igreja”. Essas são palavras que emanaram de um coração que voltou; de alguém que viu que estava longe, mas que agora quer retomar a vida em Deus. “Padre, já se passaram mais de 20 anos de minha última confissão, estou arrependido, venho buscar o perdão de Deus; será que Deus me aceita de novo?” “Meu filho, você é filho, e como tal, tem que viver dessa herança que o Pai tem para ti dar; que bom que você voltou; hoje é um dia de grande alegria para nós, por termos você de volta!” Esses fragmentos de diálogos, se dão no mistério da misericórdia de Deus no ato das confissões. Quantas maravilhas em saber que a nossa casa é a Igreja, e que dela recebemos o amor de Deus em sua Palavra, no Sacramento do Altar, e no abraço misericordioso da confissão.
É sempre bom saber que a Igreja, é a nossa casa, é o lugar de meu encontro com Deus, é o espaço de minha comunhão com Deus e com os irmãos, e que por ela podemos chegar ao céu. Vivemos na Igreja, não num aprisionamento, mas na mais pura liberdade dos filhos de Deus, onde os corações sentem-se reconciliados com a Trindade e irmanados com os outros.

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