4/06/2007

ELOY SANTOS. Icoaraci chora a morte do filho ilustre


Eloy Albuquerque de Oliveira Santos já mais existe.
Uma das importantes referências do rádio paraense se foi de forma violenta, vítima de atropelamento de motocicleta. Como disse Hilbert Nascimento, diretor da Rádio Liberal AM, última emissora que em trabalhou e por onde se aposentou há cinco anos. “Eloy Santos foi um homem que marcou a sua época, com um jeito muito pessoal de fazer rádio, sempre polêmico e firme nas suas colocações, e que o consagraram como o “Rei do Rádio”.
“Chegou o lindo, chegou o lindo, veio contente, seja bom-vindo. Meu carro é vermelho....” estas músicas Eloy iniciavam todos os dias o seu programa na Rádio Liberal, levado ao ar todos os dias de 15 às 18 horas, com quase 100 por cento de Ibope.
Não tinha pra ninguém.
Eloy Santos nasceu aqui perto de casa na Rua Manoel Barata, esquina da Travessa Itaboraí há 69 anos, onde hoje se encontra o Laboratório Guadalupe. Ali funcionava a farmácia do seu Santos, pai do nosso herói. Mas quem disse que o Eloy Santos queria saber de remédio? O caso dele sempre foi o microfone. Depois de cursar o curso primário no antigo Grupo Escolar Coronel Sarmento – mais antigo da minha Vila Sorriso -, se mandou pra Belém. Precisamente para o bairro da Pedreira.
O empresário Raul Ferreira, criador dos Sonoros Rauland – ele comprou dois automóveis “Pontiac” nos quais instalou duas “cornetas” na capota e saia todos os dias pelos bairros de Belém fazendo propaganda volante. Raul brigava com a Propaganda Volante A Voz do Dia, de Manoel Buraco, “a única que se mantém no ar diariamente com o seu programa Belém Bom Dia”. Eles foram os pioneiros desta atividade – arrendou o “Pedreira Bar’ na parte frontal do Mercado Municipal da Pedreira, esquina da Travessa Mauriti e, além da propaganda instalou um serviço de alto-falante que fez história. e que revelou grandes nomes e vozes do rádio paraense de antanho – Jaime Bastos, Laércio Ramos (falecido), Max Menezes, Diel Carvalho (onde andas, meu?), Antônio Maria Zacharias da Costa, o nosso Costa Filho, que à época era conhecido como Costinha, Jorge Silva e outros.
E um belo dia adivinham quem aparece no “Pedreira Bar”? O Eloy Santos – moço de 16 anos esperto, simpático, prestativo, - já com aquele vozeirão - doido para falar para no microfone super sensível RCA Victor do "Pedreira Bar". O “seu” Raul não deixava por menos: importava todo o equipamento eletrônico diretamente dos Estados Unidos. O “Pedreira Bar” tinha uma programação noturna que começava às 18 horas e encerrava às 21 horas. Foi o precursor das chamadas rádios de porte. Só que transmitia com vários projetores no próprio local. Os técnicos davam um jeito e o som ia longe!
Eloy conquistou todo mundo e foi “adotado” pelo “seu” Raul. Fazia “de tudo” sendo muito útil para a empresa e principalmente para o Laércio Ramos que era genro do patrão.
Não demorou muito e lá estava o Eloy Santos de microfone na mão rodando pelas ruas de Belém no carro volante.
Passaram-se os anos e vamos encontrar Eloy Santos sendo motorista de praça fazendo ponto na Praça da República próximo do Teatro da Paz, com carro próprio, sem nunca perder a proteção do velho Raul. Depois disso ele virou patrão sendo dono de vários carros e ajudando outros colegas motoristas, dentre esses o mais famoso – o Nenca.
Eloy nunca negou que começo a sua vida profissional como motorista de praça.
Logo após houve um teste para locutor da PRC-5 – Rádio Clube do Pará – a voz que fala e canta para a planície. Muita gente se inscreveu. Sabe quem levou o primeiro lugar? Ora, o Eloy Santos.
Começou como locutor comercia; todavia, Mário Barradas, diretor artístico da emissora, acreditou no moço - que só “andava na pinta” e era muito querido pelos ouvintes - e lhe deu a responsabilidade de apresentar o “Parabéns pra Você” – o calendário social de Eloy Santos – tradicional programa de emissora que era apresentado de segunda a sábado de 13 as 14 horas.
Foi o começo.
Da Rádio Clube foi para a Rádio Marajoara, TV Guajará (atual Rede Boas Novas) e depois para Rádio Liberal AM onde encerrou a carreira em grande estilo, com os programas Eloy Santos Show e A Hora e a vez do boêmio, de 22 à zero hora.
Autodidata e muito inteligente, lia muito e estava por dentro de tudo o que girava na cidade, no estado e no país. Ele próprio escrevia o texto do Comentário de Eloy Santos, que era lido no início do seu programa. Mesmo usando uma linguagem simples e elegante, não livrava a cara de ninguém. Suas manifestações críticas eram acatadas pelo público senão os muitos telefonemas e as suas muitas cartas que recebia.
De 1987 a 1989 fui Assessor Parlamentar do prefeito Coutinho Jorge, dando expediente no plenário da Câmara Municipal, época em Eloy Santos era vereador. Posso testemunhar que ele sempre foi um político sério, ético, responsável e comprometido com o seu eleitorado. Seus pronunciamentos eram incisivos, polêmicos sempre em favor dos humildes. Tudo o que falaram dele nos jornais, rádio e TV, é verdadeiro.
Eloy Santos ingressou na política através do coronel Jarbas Passarinho. Filiou-se à então Arena e nunca mudou de partido. Até mesmo quando perdeu a eleição, após duas legislaturas, permaneceu na legenda, apesar dos muitos convites para mudar de time.
Uma das muitas virtudes de Eloy Santos era ser autêntico, verdadeiro. Muitas vezes arranjava inimigos devido a essa sua postura. Reconhecido, quando Passarinho exercia poderes em Brasília e anunciava a sua vinda a Belém, Eloy era primeiro chegar ao aeroporto para recebê-lo e fazia questão de conduzi-lo â cidade no seu carro.
A morte de Eloy Santos é mais um golpe na chamada era de ouro do rádio paraense, dos grandes comunicadores do porte de Paulo Ronaldo, Jaime Bastos, Grimoaldo Soares, considerados grande comunicadores.
O estilo polêmico será a maior lembrança deixada por Eloy, assim como os bordões ainda hoje recitados por centenas de ouvintes, entre eles o famosíssimo 'Desejo vida longa aos meus inimigos para que possam assistir de pé a minha vitória'.
E muitos passaram... e ele ficou... até ontem.
Pois é, Se fosse das muitas facetas da vida de Eloy Santos o espaço deste blog seria pouco;
Eloy Santos, - icoaraciense de muitos amores, o amigo dos humildes, dos desafortunados e das velhinhas se foi, infelizmente.
Todas às vezes quando encerrava o seu programa, com aquela voz magnífica que Deus lhe deu, ele dizia: Linda, já vou... bem.
E foi... para não mais voltar.
Tchau conterrâneo.
Até qualquer dia.

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Aldemyr Feio

6 comentários:

Hanna disse...

Noossa, é muito lindo essa reportagem que você escreveeu sobre meu pai, vc sabe muita coisa sobre e estas falando mt bem dele, brigada por falar tão bem assim do meu pai .
eu ate me emocionei quando li !

beijos
Hanna Santos

xixito disse...

o eloi me ajudou a construir a minha casa ate hoje eu nao esqueço dele foi muito meu amigo eu sentir muito a sua morte um abraço roberto

mauro ferreira disse...

Eloy Santos foi um das melhores vozes que esse paìs já teve ,resido em Fortaleza/ce sou paraense de icoaraci e lenbro de sua voz na rauland fm um verdadeiro expetáculo pena que não está entre a gente,mais tenho certeza que onde ele estiver ele está bem.

Anônimo disse...

Sou parente de longe dele nunca tive a oportunidade de conhecê-lo. Pelo que falam era uma pessoa bacana, queria ter conhecido.
Conheço seus filhos e sua mulher. Eles devem sentir até hoje sua perda.

Obg pela reportagem que fizesse dele, pude conhecê-lo mais.

Anônimo disse...

Hanna eu tbm sou filho do eloy naum tive a oportunidade de conhecer vc mais gostaria.
Meu nome é Angelo Sousa se você quiser pode m ligar 96991397494 ou 96981014786

Anônimo disse...

Gente eu sou filho do Eloy tambem mais não tive a oportunidade de conhecer o restante dos meus irmãos me ajudem a realizar este sonho Meu nome é Angelo meus contatos são 96991397494 ou 96981014786 obrigado gente me dão essa força....