4/28/2007

Mais um conto de Luiz Lima Barreiros (4)


Kátia foi passear no Bosque

(Esta é a autonarrativa do desvirginamento de Kátia, ao som de uma valsa de quinze anos, feita livremente por ela, que deixa de ser uma pirralha levada e se torna mulher nos braços de um jovem estudante, que morava em sua rua e que ocupou seu bosque encantado)

, pequeno chato, eu vou te contar ... eu ainda estava estudando minha quinta série, porque me atrasei, devido às viagens da família pra Macapá, os empregos e as transferências do meu pai, essas coisas todas... eu já ia fazer quinze anos... e fui lá para o grupo escolar, onde realmente menstruei, certa vez, sentada na carteira, naquele dia, como já te falei, Antônio ... as coleguinhas me caçoaram, sim, e mais que a professora, foi a Olga que me ajudou, mas nós não éramos saboeiras... bom, aí eu fui para o grupo, eu e meu vizinho Richard, louro, alto ... eu estava flertando com ele, tinha enjoado das bonecas, mas não vivia suspirando, nem sonhando acordada, as condições financeiras da família não me induziam a estes enlevos ... ele já tinha passado , recentemente , no vestibular , e aí um dia , ele pegou me convidou para dar um passeio lá no Bosque , pra eu faltar à aula , que depois ele me ensinava ... e as aulas eram chatas mesmo , e já estava se aproximando o fim do semestre , aí , eu peguei , gazetei ... lá no Bosque , começamos a andar por lá, e , tal e tal , e aí, paramos lá no meio ... não tinha quase ninguém , era um fim de tarde de verão , e somente uns vigias limpando e varrendo ... aí , de novo , começamos a andar por lá , ele me olhava esquisito , culpa minha , sabia , e aí, então, nós paramos, e começamos a nos abraçar e a nos beijar , essa confusão de sentimentos toda ... ele falando baixinho, fungando , de leve no meu pescoço , eu ,às vezes , fingindo que achava chato, mas no fundo, cada vez mais gostando ... e ele me beijando , e começou a pegar nos meus seios , o que eumais gostava , a me afagar , e meteu a mão por dentro da minha calça verde , e foi me apalpando toda , e fui perdendo mesmo todo o controle , ficando meladinha ... aí,, ele foi levantando a minha saia , essas coisas todas ... só sei que foi rápido ... senti uma dorzinha, sei lá ... aí, eu comecei a me empurrar , a querer me afastar , me livrar um pouco dele , mas acabava deixando ... eu acho que ele chegou a gozar ... eu nem olhei direito pro negócio dele , ainda tinha medo ... aí , quando o homem ... aí eu disse que queria ir embora , que eu estava toda suja , e que eu queria ir embora , quando surgiu o homem do bosque ... mas , antes , ele me explicou que era natural que isso acontece , que ele não tinha me ofendido em nada ... aí, tá certo , eu não fiquei gostando : ele dizendo que não , e aí , eu dizendo que sim , e ele que não me estava ofendendo em nada , começou de novo a querer me convencer ... aí surgiu um homem berrando , para acabarmos com aquela sem-vergonhice , armando um escândalo , e depois querendo dinheiro, e eles discutindo ,e eu aproveitei uma oportunidade, e me mandei sozinha ... e, já na rua , é que fui ver que estava com a calcinha e a saia toda suja ... aí, tá ... aí, passou um bom tempo sem a gente se ver, e ele teve que fazer o tal negócio de Projeto Rondon , nas férias de julho , e nós não nos encontramos ... mas , pouco antes , tinha sido meu aniversário , e a gente ainda estava assim , assaz , assados ... talvez , quem sabe ? ... por isso , que ele começou com uma tal de Gilda , que morava perto de casa , e aí é que eu fui ver que ele não estava ligando muito pra mim , e eu não quis mais saber dele ...
No dia do meu aniversário , encontrei-me com ele numa festa , perto de casa , aí ele veio com um papo de me dizer que não tinha me enganado em nada , que tudo aquilo era bobagem minha, essas coisas todas ... voltei pra casa com o pessoal , a mamãe não abriu a porta , papai tinha saído , depois de beber ... aí, eu peguei , voltei com a mana Lucinha e um irmão menor , e aí ele já estava atracado com essa tal de Gilda , e por isso que eu fiquei muito puta ... quando ele voltou das férias de julho , do Projeto Rondon , foi falar comigo , me trouxe , de presente, uma caixa de bombons ... peguei , não quis ... disse que não aceitava ... ele disse que podíamos sair , conversar, peguei disse não ... aí , tá , ele continuou com a Gildinha dele , e, depois , eu soube que ele tinha se mudado de lá... quem me disse foi o Renato , colega dele ... mas , também não sabia para onde ele tinha ido , e pronto , eu o esqueci um tempo ... esqueci não , eu continuei pensando nele , mas passou um bom tempo , um bom tempo mesmo ... e eu, que já tinha feito minha primeira comunhão , comecei a fazer minha primeira série no ginásio ... e às vezes , eu o via de longe , mas , nunca senti vontade de chamá-lo e ir com ele conversar ... uma vez , eu o vi lá no Comércio , perto do Mercado do Ver-o-Peso , mas não cheguei a falar com ele ... aí, passou um outro tempo , Antônio ... e, como nós , mulheres , também temos desejos !... e , eu encontrei-me com ele ... eu saí com o Betinho, na primeira vez que este meu irmão quebrou o braço , e eu o levava pra fazer massagens ... o ônibus deu prego , na Padre Eutíquio , e nós saltamos , pegamos outro , e ele estava neste , e eu fiquei olhando pra ele , até que nos falamos ... perguntou se eu estava estudando ... estava ... onde? ... no Instituto de Pedagogia ... estava já fazendo o segundo ano ... aí, ele perguntou que horas eu entrava ... peguei , disse ... quando foi no outro dia eu ia entrando no colégio , e ele estava lá no canto , chamou-me , perguntou se eu ia assistir aula , e eu disse que sim ... e ele propôs se eu não queria falar com ele ... fiquei assim pensando ... e , depois disse : vamos , aí nós fomos , e ele me convidou pra irmos no apartamento dele , que agora ele não estava mais morando numa república , e sim na Praça Brasil ... aí ficamos conversando e tal ... e ele me levou para o quarto dele , depois de ouvirmos música e tomarmos duas doses , e eu não quis aceitar de novo ... já estava sem blusa exibindo meus seios , que muitos acharam lindos, e ele mandou que eu tirasse a saia , eu disse não , e ainda não consegui fazer desta vez ... aí, no outro dia , ninguém se encontrou ... que decepção , não achas cínico ? ... quando terminou a aula , eu voltei pra casa ... quando foi no fim de semana , ele , de novo ,e sempre, com a minha tabelinha de menstruação , cujos cálculos de fertilidades , o Richard, no começo, fazia só com ele... numa sexta-feira, noite de lua cheia, ele apareceu... aí, tá, eu fui e, desta vez, se completou... eu usava calcinha verde, lembro-me, e já estava pra fazer dezesseis anos... resumindo: nós trepamos muitas vezes, e eu comecei a perder aulas, parei um tempo de estudar, arrumei meu primeiro emprego... eu não queria dólares, o que eu queria era amar... aí, uma vez ele foi em casa, se apresentou, deu boa-noite pra mamãe, ela não respondeu, e ele aproveitou o pretexto pra não mais aparecer... onde estão os incas? ... eh, lá vens tu de novo... e os maias?... aí, isto foste tu que me ensinaste... e os astecas?... ah, ah, ah, a Amazônia está morrendo... e os encontros com ele foram se rareando... tá bom, Anthony?... ei, pequeno chato, pára! California dreams... Califórnia dreams...

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