8/11/2007

Presença de Luiz Lima Barreiros


MALTHUS AGAIN

Quem por primeiro se interessou, mais seriamente, pelo problema da superpopulação da Terra, foi o inglês Thomas Malthus (1766/1834), cuja teoria afirmava que o limite máximo de crescimento da população humana, é proporcional à quantidade de recursos alimentícios disponíveis ou produzidos. Em suas próprias palavras: "quando não controlada, a população cresce em progressão geométrica; e, a subsistência cresce apenas, em proporção aritmética"
Embora contestada em muitos pontos (o avanço das técnicas agrícolas foi enorme), até hoje a tese serve como referência e advertência.
Quase um século depois de Malthus, o naturalista Charles Darwin (1809/1882), autor do célebre livro "A Origem das Espécies", de 1859 (o romance realista "Madame Bovary", de Gustave Flaubert, é de 1857, e o "O Amante de Lady Chaterley", de D.H. Lawrence,de 1928, cuja personagem Constance é bem mais interessante, na minha opinião, de que Emma Bovary).
Malthus acrescentou: "o homem tende a crescer em proporção maior que seus meios de subsistência; por conseqüência, é ocasionalmente sujeito a uma dura luta pela existência".
No dia 01/07/1858, outro naturalista inglês, que deve ser sempre homenageado, Alfred Russel Wallace, apresentou em Londres, sua tese "Sobre a Tendência das Espécies se
Afastarem Indefinidamente do Tipo Original". E, nesta mesma tarde, Darwin leu em público "A Origem das Espécies pela Seleção Natural". Textos similares, pois ambam pesquisavam o importante assunto, para desmascarar fantasias seculares.
Ambos estiveram no Brasil. Mas, só Wallace, juntamente com Henry Walter Bastos, em Belém do Pará (1850), e ambos subiram o rio Amazonas, estudando nossa biodiversidade.
E, não esqueçamos que o abade austríaco Gregor Johan Mendel (1822/1884) foi o fundador da genética, ao cruzar ervilhas de características diferentes. Pois, esse negócio de clonagem não começou hoje, não...
Em 1968, Paul Ehrlich, com seu livro "The Population Boom" (A Explosão Populacional), assustou o mundo. O debate foi acirrado, mos meios acadêmicos. Alguns especialistas, em 1970, reunidos no Clube de Roma, previram verdadeiras catástrofes para os países do tal de Terceiro Mundo, recomendando a urgente limitação da natalidade. E, continuam sem resposta, as seguintes questões: o que fazer para alimentar um mundo com o dobro da população, e qual a densidade populacional máxima dos diferentes territórios?
Agora, em 1995, uma equipe da Universidade de Cornell (USA), concluiu que a Terra só tem tem condições de suportar mais dois bilhões de pessoas (aos seus quase oito), com o mesmo padrão de vida dos países desenvolvidos.
Lamentavelmente, em novembro de 1997, durante a Conferência do Cairo (FAO/ONU) sobre o tema , o Vaticano e os xiitas do Irã, estiveram unidos, tentando boicotar a reunião.
E, um científico, democrático, ecumênico e amplamente debatido, controle da natalidade é necessário.
Para que tipo de felicidade, ou para que escusas manobras
servirão tantos famintos subnutridos, na Terra ?
Deixando de lado falsos moralismos (ou otimismos fantasiosos, do tipo de que "tudo vai dar certo"), é preciso optar, com urgência, entre uma tétrica ratoeira humana ou uma feliz
Espaçonave Terra !

LUIZ LIMA BARREIROS
10.08.2007

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