8/18/2007

Presença de Luiz Lima Barreiros


Hebreus no Pará

D
epois do catolicismo, foi o judaísmo a primeira religião introduzida no Pará, em termos institucionais (culto organizado e regular). Suas primeiras casas de orações datam do decênio da Independência (em 1823 e 1826: origem das duas atuais sinagogas,a da Rua Campos Sales e da Arcipreste M.Teodoro; a terceira, da Serzedelo é mais recente e para grupo fundamentalista)
As Ordenações do Reino e a Constituição Imperial (artigo 5º),eram rigorosas contra os “cristãos novos”, que vieram para o Brasil, desde as primeiras expedições. Eles não podiam exercer cargos eletivos, nem construírem sinagogas,etc : o catolicismo era a religião oficial. Alguns já vinham fugidos da tal de Santa Inquisição portuguesa, como bem lembrou o falecido professor Eidorfe Moreira, sobre o qual falaremos no final.
Os israelitas do Pará são maciçamente sefarditas, isto é, pertenciam ao ramo mediterrâneo (Serfadim); havendo poucas famílias de origem asquenazitas, quer dizer, do ramo nórdico ou teuto-eslavo (Asquenazim) .
Marrocos foi a principal fonte de irradiação hebraica para o Pará e à Amazônia. Com a evacuação da cidade marroquina de Mazagão , praça portuguesa sitiada pelos mouros, em 1768, foram seus habitantes transferidos para a Amazônia, onde fundaram a cidade de Nova Magazão, no Amapá, então pertencente ao Grão –Pará. (Há uma hipótese da vinda de judeus à América, junto com fenícios, pré-cabralina – o próprio nome do Rio Solimões (Alto Amazonas), seria uma corruptela de rei Salomão.
Em 1842, surgiu o primeiro cemitério hebraico, em Belém do Pará, anterior ao Cemitério da Soledade, que lhe fica em frente,na Avenida Serzedelo Correa. A primeira revista judaica fundada no Pará foi “A Coluna” (1916) por David José Perez, considerado o primeiro periódico judaico, fundado no Brasil. Houve depois, dois jornais hebraicos, no Pará: “A Voz de Israel” (1918),de Eliezer Levy, e “A Verdade” (1922), de propriedade de Pepe Larrat, e dirigido por Abraham Benoliel. Tinham títulos em caracteres hebraicos, mas eram escritos em português.
José Benemérito Cohen (outra lacuna dos autores do livro “Introdução à Literatura no Pará”, em oito volumes, da Academia Paraense de Letras, editada pelo CEJUP, de Gêngis Freire) foi o primeiro poeta de origem judaica, no Pará. Seu livro chama-se “Saltério”, ciotado por Eustáquio de Azevedo (1867/ 1943), no seu “Literatura Paraense” (1921, e a segunda edição, em 1943; foi prefaciado por Remígio Fernandez, e incluiu uma tradução do original hebraico do “Cântico dos Cânticos”. Ao poeta Cohen também se deve o livro “Através do Marrocos” (um relato de viagens , feito pelo próprio, através desse país, que tem sua contribuição demográfica para a formação da Amazônia). Nossos cronistas da História, deveriam estar mais atentos. A romancista Sultana Levy Rossemblat, hoje residente nos U.S.A, publicou “Uma Grande Mancha de Sol” (1951) e “Chavito Pietro” (1957).
O médico e estudioso de literatura, Elias Dahan, editou nos anos 80,um jornal da comunidade israelita, e podia nos fornecer mais informações sobre estes fatos. Tenho dito.


EIDORFE MOREIRA

O professor Eidorfe Moreira nasceu na Paraíba (30.07.1912),chegando a nossa querida Belém , com menos de dois anos de idade,onde faleceu à 02.01.1989. Legando ao país, vasta obra, tendo sido talvez, o maior ensaísta do Pará, até hoje.
Lamentamos que as visão filosófica do mundo, tenha estancado no filósofo Immanuel Kant. Seus livros estavam esgotados , e foram reunidos na totalidade, graças à iniciativa do Conselho Estadual de Cultura, da Seduc, nos anos 80, e da primorosa edição da extinta Graficentro do CEJUP,em 1990, em oito volumes.
A nova geração poderá ler trabalhos de fôlego, abalisados em sérias pesquisas (como faz o historiador Vicente Sales),tais como:
Conceito de Amazônia (1958), Belém e sua Expressão Geográfica (1966), Roteiro Bibliográfico do Marajó (1969), Presença do Mar na Literatura Brasileira (1962), Os Sermões que o Padre Vieira Pregou no Pará (1970), O Livro Didático Paraense (1979), O s Igapós e seu Aproveitamento (1976), Amazônia: o Conceito e a Paisagem(1960). O mundo intelectual paraense, e os estudiosos da Amazônia, devem ler e festejar esta edição, de nosso melhor filósofo da geografia.

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LUIZ LIMA BARREIROS - 18.08.2007

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