2/05/2009

José Wilson Malheiros


O CARDEAL

A imprensa mundial está noticiando com acentuada evidência o caso do Cardeal que foi punido pela Igreja Católica por adotar posições radicais, quem sabe até mesmo nazistas, quando teria afirmado que o holocausto dos judeus, durante a segunda guerra mundial, não foi tão pavoroso como afirmam, já que os martirizados foram “apenas” trezentos mil (vejam bem, trezentos mil!!!!) e não os seis milhões propalados pela história.
Ora, de saída é bom dizermos que se essa infelicidade tivesse atingido apenas UMA pessoa, um ser humano já seria abominável e o delito não seria e nem é menor.
Não se pode medir a gravidade, a crueldade, de crimes como esse, pelo número de vítimas. Seria o mesmo que afirmar: Sim, matei o fulano, mas não dei dez tiros, como andam propalando. Disparei uma bala, apenas.
Pensamento igual tem, por exemplo, o ditador do Iran, que, por sinal, talvez nem tenha os compromissos éticos de um sacerdote.
No campo da religião, nada temos a ver se o Vaticano reabilitou ou não esse padre. Trata-se de assunto interno que não nos cabe comentar, inclusive porque cerca de noventa por cento dos que se dizem católicos nunca leram a Bíblia (ou o que restou dela, após centenas de alterações, acréscimos etc), nem pela letra que mata, nem pelo espírito, como diz o Apóstolo Paulo.
É como um Advogado que nunca leu a Constituição e um Médico que nunca abriu um livro de Patologia. Mas não podemos silenciar sobre as repercussões do caso.
Estamos com o teólogo e ex-padre, o renegado Leonardo Boff, quando temos certeza que Jesus Cristo, hoje dia, se viesse à Terra, não mais reconheceria como Seus representantes esses senhores que afirmam serem os donos da Verdade.
Mas, quando falamos em direitos humanos, em crimes hediondos contra a humanidade, não é bom calar ante essa jogada política urdida nos porões de Roma, por certo em nome do poder temporal, quando o Cristo falou abertamente que seu reino não é deste mundo.
E daí, como ficam os milhões de fiéis que acreditam cegamente nos dogmas, nos exemplos, nas orientações de uma pessoa que – não sei com quais intenções – tenta escamotear, tenta encobrir o genocídio judaico?
Sabemos que esse Cardeal não representa toda uma instituição, é claro.
Mas, cada vez mais me convenço da inutilidade dos ISMOS: catolicismo, protestantismo, budismo, espiritismo etc, cabrestos que com passar do tempo já não mais ficam servindo no pescoço e nos corações da humanidade deste milênio que ora começa.
O que importa não é o rótulo e sim a conduta reta, pautada pela consciência, sem pieguismos, sem complexos de culpa e coisas do gênero.
Viva Jesus Cristo, viva Buda, viva Lao-Tsé, viva Maomé e o bem que todos eles pregaram e pregam até hoje, sem fanatismos ou sem interesses subalternos.
Na essência, as mensagens desses e de outros avatares da humanidade é a mesma.
Religião e política não combinam. Se você gosta da Bíblia, leia. Se gosta do Alcorão, leia e assim por diante. É questão de foro íntimo que ninguém tem o direito de interferir dizendo que você está certo ou errado.
Mas, por favor, não se deixe levar, como cordeirinho, pelos radicais interesseiros de todos os credos, cegos que conduzem cegos, como dizia o Cristo.

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