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8/07/2007

A caça ao poder no Pará


Os Maiorana e os Barbalho estão em nova rodada de escaramuças. Desta vez não é apenas por motivos políticos: as razões comerciais se tornaram mais fortes. Agora, o grupo Liberal já não é o único dono das comunicações no Pará. A situação mudou de vez ou pode reverter? É o que está por trás da nova temporada de acusações.
Os Maiorana e os Barbalho estão em nova rodada de escaramuças. Desta vez não é apenas por motivos políticos: as razões comerciais se tornaram mais fortes. Agora, o grupo Liberal já não é o único dono das comunicações no Pará. A situação mudou de vez ou pode reverter? É o que está por trás da nova temporada de acusações.
Começou e está em pleno curso uma nova temporada de caça entre os Maiorana e os Barbalho, que dividem – e disputam – o controle das comunicações no Pará. Desta vez, a declaração de guerra partiu do grupo Liberal. Uma sucessão de matérias foi desencadeada a partir do dia 16, quando o jornal O Liberal noticiou, com grande destaque, a proposição de uma ação civil pública em Brasília. O Ministério Público do Distrito Federal requereu a extinção da concessão feita à TV RBA e a realização
Os Maiorana e de uma nova concorrência para o canal 13 de televisão. Alegou que a transferência da concessão para o Sistema Clube do Pará de Comunicação, como forma de contornar o impedimento à renovação, por causa dos débitos da RBA junto ao governo federal, violava os princípios da legalidade, da moralidade e da impessoalidade. A ação tramita perante a 1ª vara da justiça federal em Brasília. Se a liminar requerida pelo MPF não for concedida, o processo deverá seguir a instrução regular, com provas e contra-provas, alegações e contraditas. Enquanto isso, será mantido o status quo: a Rádio Clube, como sucessora da RBA, continuará a usufruir do canal 13, cuja concessão foi renovada pelo Ministério das Comunicações, graças à renegociação do seu débito, principalmente previdenciário. A dívida seria de 80 milhões de reais, segundo o grupo Liberal, ou de um valor "infinitamente menor", de acordo com a RBA, que não se referiu a números na nota que divulgou.Enquanto a questão fica à espera de uma definição judicial, a opinião pública, acostumada a essas escaramuças sazonais, se pergunta pela motivação real por trás do reaquecimento das denúncias do grupo Liberal. Elas visam o principal inimigo e concorrente dos Maiorana, o deputado federal Jader Barbalho, sócio-cotista tanto da RBA quanto da Rádio Clube (e por isso, independentemente do aspecto legal referente à renovação da concessão, responsável solidário pela quitação do débito, numa como noutra empresa).


Rosas e espinhos


O incidente em torno do canal, embora tenha seu significado intrínseco e constitua assunto de real eresse público, serviu de pretexto para uma nova onda de ataques contra o líder do PMDB no Pará. Há dois componentes no contencioso, o comercial e o político. O comercial foi agravado pelo enfraquecimento empresarial do grupo Liberal e a ascensão do grupo RBA, com destaque para a área do jornalismo impresso, no qual começa a assumir a liderança, pondo fim à hegemonia quase absoluta do jornal O Liberal. A queda de faturamento fez os Maiorana investir com maior agressividade sobre o ponto vulnerável do concorrente: a figura polêmica do seu dono, o político Jader Barbalho.

Há o nítido esforço para destacá-lo, não só explorando seus pontos fracos, especialmente o uso de verbas públicas, como tentando, por meio dele, atingir sua principal aliada política no Estado, a governadora Ana Júlia Carepa. No mesmo movimento em que voltaram as críticas contundentes a Jader, brotaram elogios e mais elogios a Ana Júlia, além de notas curtas e venenosas sobre um desentendimento crescente entre o PT e o PMDB.

As relações entre os dois partidos nunca foram pacíficas e naturais: há suspeitas, animosidades e retaliações mútuas dentro deles, que ainda não foram superadas e é pouco provável que um dia o sejam. Há sempre rastilhos de pólvora sendo espalhados, chegando em alguns casos próximos do ponto de explosão. Os petistas reclamam da entrega aos peemedebistas de órgãos públicos estaduais "de porteira fechada", na sugestiva linguagem dos currais eleitorais. E peemedebistas se queixando de serem sabotados pela direção do PT, ainda mais quando nela há um grupo mais fechado e exclusivista, como a Democracia Socialista. Mas essa pressão das bases fará os líderes dos dois grupos usá-la como arma de combate até um inevitável rompimento aberto e definitivo?Os Maiorana parecem apostar que sim, disparando notas – com texto até ingênuo, de tão óbvio – para azedar e azucrinar a aliança PT-PMDB, depois de passar o tempo anterior entremeando rosas e espinhos no colo da governadora, ora soprando, ora mordendo. Ao mesmo tempo em que procuram mostrar força, fazendo sentir o quanto será ruim enfrentá-los, oferecem os serviços de sua ainda poderosa corporação. Poderosa sobretudo, a esta altura do enfraquecimento do jornal, por causa da associação com a Rede Globo de Televisão.


Ponto de entendimento


Até aqui, esse jogo tem sido mais favorável aos Maiorana do que aos seus aliados, aliados em trânsito, ex-aliados ou novos adversários. Mas há uma novidade em relação às quedas-de-braço anteriores (com a CVRD, a Rede/Celpa e o Banco da Amazônia): o grupo já não é tão poderoso quanto antes. Pode ser que tenha realmente ingressado numa era de declínio, sem possibilidade de reconquistar a posição anterior. Essa nova situação não está ainda consolidada por deficiência do seu principal concorrente, o grupo RBA. Carente de efetiva profissionalização, ele revela sua fraqueza nos momentos de confronto exatamente por sua estreita vinculação ao ex-ministro Jader Barbalho, que sempre é explorada com bons rendimentos, sejam ou não procedentes os argumentos usados contra ele. Jader é o anti-teflon: tudo que é atirado contra sua imagem, gruda.
Essa fragilidade de imagem do seu grupo de comunicação só não se tornou uma barreira intransponível ao crescimento por dois motivos: a falta de profissionalização do próprio grupo Liberal, erodido por cisões internas, e o surgimento de alternativas comerciais, com ênfase para a Rede Record de Televisão, a que mais tem investido no jornalismo local.

Por diferentes motivos, o longo reinado dos Maiorana nas comunicações deixou de ser um dado inquestionável, tornando-se, na melhor das hipóteses para a corporação, numa dúvida a apurar. O maior anunciante privado do Pará, o grupo Yamada, resolveu pagar para ver: há dois meses se mantém fora dos veículos das Organizações Romulo Maiorana, uma atitude inimaginável até recentemente. O maior precedente anterior foi o da Companhia Vale do Rio Doce, que reagiu a uma campanha agressiva do grupo levando-o à justiça. Mas o presidente da empresa, Roger Agnelli, preferiu contemporizar as coisas e voltar a agradar a família. Os processos dormem a sono solto em duas varas cíveis de Belém, órfãos de movimentação.
Os Yamada manterão a atitude de resistir à pressão dos Maiorana por mais tempo que a Vale, ou por todo tempo que for necessário? Outras empresas seguirão seu exemplo? Começará a se fortalecer uma postura menos condescendente aos atos de império dos Maiorana, que conseguiam fazer prevalecer suas vontades sobre a dos anunciantes – e sobre qualquer mortal em geral no Pará?
A dúvida também se aplica à governadora. As sugestões para que rompa com Jader Barbalho são quase diárias nos veículos do grupo Liberal. Há influentes petistas engrossando esse coro e há peemedebistas tão insatisfeitos com a situação que uma reunião foi convocada para o próximo dia 2. Nela, Jader seria pressionado pelos seus correligionários a endurecer com a governadora e o PT. Ciente desses movimentos, Ana Júlia optou por uma conversa com seu principal cabo eleitoral na eleição do ano passado.
O ex-governador deixou seu veraneio em Fortaleza para uma conversa a portas fechadas e sob luz vermelha, no gabinete de Ana Júlia, no palácio dos despachos da Augusto Montenegro. O encontro durou quatro horas. Dele, o Diário do Pará deu apenas uma curta nota na coluna Repórter Diário. Sugeriu que houve conciliação de parte a parte, com recuos mútuos na busca de um novo ponto de entendimento. O PMDB continuou com a Secretaria de Saúde, mas perdeu seus órgãos internos. Se ainda persistem divergências, a tensão foi rebaixada. Significa que não há antídoto para o envenenamento das relações entre aliados compulsórios, mas eles estão tentando se acomodar.


Jogo de cartas


A atitude tem sua razão de ser na eleição municipal de 2008. Em Belém, por exemplo, com pouco mais de um quinto do eleitorado, PMDB e PT correm o risco de ficar de fora do 2º turno se não somarem votos (se tal for possível). Nenhum dos dois partidos dispõe, hoje, de um nome forte para enfrentar o projeto de reeleição de Duciomar Costa, muito enfraquecido, mas com a máquina nas mãos, e de Valéria Pires Franco, que surge como a alternativa dos derrotados no ano passado, com promessa de retaguarda robustecida. Ou de um tucano capaz de rebrotar do desgaste da legenda e do governo, mas ainda sem qualquer vislumbre de força.
Mesmo que PT e PMDB prefiram ir para o 1º turno com candidatos próprios, expostos a uma derrota já nessa etapa, se um deles passar para o 2º turno terá que somar cada voto para tentar a vitória nessa probabilidade de disputa acirrada. Os votos do PMDB foram decisivos para Ana Júlia derrotar Almir Gabriel. Poderão ter a mesma função em 2008. Uma vitória na capital será um trunfo nada desprezível para Ana Júlia usar em 2010.
Resistir ao canto de sereia do grupo Liberal, porém, terá um preço – e ele não será exatamente barato. Os veículos das ORM têm tido um comportamento dúbio em relação ao governo: ora o apóiam, ora o combatem. A incapacidade de dar um tratamento jornalístico à administração estadual evidencia o movimento pendular da corporação.
Como ela ficou dependente das abundantes verbas públicas durante os 12 anos de governos tucanos, não sabe qual o tamanho do custo da abstinência. Por isso, ainda tenta restabelecer a farta dieta antes de experimentar o confronto aberto e, talvez, irremediável.O problema, nesse caso, é de dosagem: até que momento a hostilidade é eficaz e a partir de quando se torna contraproducente? Qual o limite para passar da apresentação de dificuldades ao oferecimento de facilidades, que constitui a quintessência das campanhas interesseiras? Acostumados a impor sua vontade, os Maiorana podem ter perdido o tato para esse ponto de equilíbrio, tanto em relação às empresas (como no caso Yamada) quanto ao governo. Só que não lhe resta mais escolha: têm que continuar a praticar esse jogo até que ele gere seus efeitos. Ou se torne um jogo de vida e morte, sem alternativas.
Às vezes os jogadores, mesmo os mais habilidosos, perdem o domínio da situação, que constitui sua razão de ser, quando blefam demais. É pouco provável que esse seja um método de sucesso sem fim, mas não se pode dizer que o jogador audacioso ou voluntarioso esteja próximo do desastre sem examinar atentamente as cartas na mesa. Um observador cético da cena paraense, acostumado à fraude recorrente de suas elites, pode achar que há cartas escondidas: debaixo da mesa ou na manga dos jogadores.
O noticiário recente do jornal O Liberal pode ser explicado segundo os parâmetros desse jogo de cartas. Um dos recados para a governadora, que tem as melhores cartas nas mãos (porque controla as verbas públicas), é no sentido de se desgarrar do aliado pesado, que sempre está no meio de denúncias de malversação de dinheiro público, enriquecimento ilícito, tráfico de influência e irregularidades em geral, abusando do poder que seus votos lhe conferem. Se tomar essa atitude, contará com o calor de veículos de comunicação que podem fazer a diferença na hora de influir sobre a opinião pública (embora tenham mais perdido do que ganhado eleições).


Resposta prática


Outro recado é mais sutil. As referências elogiosas a Ana Júlia insinuam que já houve, está em andamento ou pode vir a existir uma negociação secreta entre os Maiorana e a governadora para restabelecer a antiga parceria, muito forte na era dos tucanos, com proveito mútuo. Como não há uma "terceira via" qualificada no Pará, as ondas de boatos vão e voltam desse ponto: um acerto de bastidores entre o grupo Liberal e Ana Júlia, pessoalmente ou com a participação do seu partido. Algumas correntes têm esse dado como real, defintivo, talvez exatamente porque sobrem boatos e faltem informações checadas na mesa do jogo.
Um dos termômetros dessa questão é o contencioso entre a Funtelpa e a TV Liberal. A anulação do convênio, herdado de Almir Gabriel e Simão Jatene, já privou os cofres da emissora de três milhões de reais nestes sete meses. É dinheiro para deixar anêmica uma empresa que gira mais à base do escambo da permuta do que do faturamento real. E que vive uma grave crise de liquidez justamente por causa dessa anomalia comercial. O pior é que, desde o dia 6 de junho, a Fundação de Telecomunicações do Pará é co-autora da ação popular visando anular o tal convênio, por ser um contrato disfarçado para permitir várias irregularidades na relação, e, mais do que isso, fazer a TV Liberal devolver o que recebeu indevidamente. Na conta atualizada, esse débito é de mais de R$ 40 milhões, ou equivalente a metade do que os Maiorana dizem que a RBA deve ao governo federal. Essa atitude do governo do PT pode não passar de jogo de cena, que não negaria (antes esconderia) o entendimento de bastidores? Não é impossível, mas já não é muito provável. A apelação da Funtelpa contra a decisão da juíza da 21ª vara cível de Belém, Rosileide Filomeno, que, surpreendentemente, considerou legal o convênio, já foi recebida na instância superior do Tribunal de Justiça do Estado. Mesmo que a ação demore a ser definida, prolongando-se até a decisão de último grau, com a mudança de posição da Funtelpa, que deixou de ser ré para se tornar autora da ação, a posição da TV Liberal na demanda se enfraqueceuPode ser também que a estratégia jurídica adotada pelo governo deixe uma brecha para a TV Liberal explorar através de uma ação judicial própria. É que a Funtelpa continua a transmitir a programação da emissora dos Maiorana, apesar de declarar nulo o contrato e suspender o pagamento da mensalidade. Como o advogado da emissora sustenta que ela realiza um serviço de utilidade pública e se qualificou para desempenhá-lo, respondendo à convocação do governo no sentido de reforçar a integridade do Pará através de uma programação televisiva com linguagem e conteúdo regional, a TV Liberal pode ir à justiça para cobrar os quase R$ 6 milhões que lhe cabiam até o final deste ano, prazo que a Funtelpa prorrogou em 31 de dezembro do ano passado.
O governo Ana Júlia podia ter simplesmente revogado de imediato esse aditivo, pondo fim, sem qualquer efeito colateral, aos 10 anos de relação esquizofrênica, na qual a Funtelpa pagava caro para ter seus equipamentos e seu pessoal usados pela TV Liberal.
O governo ainda pagará por esse erro, se foi um erro? A resposta prática virá logo, ou muito antes da resposta judicial. Quem prestar atenção, verá.


Respostas: cadê?


Na nota através da qual retrucou às matérias do jornal O Liberal, a direção da RBA julgou "importante ressaltar" que todo o processo de transferência de outorga do canal de televisão que possui para a outra empresa do grupo, a Rádio Clube, "ocorreu quando presidia a Comissão de Ciência e Tecnologia, o Dep. Vic Pires Franco, ex-apresentador da TV Liberal e amigo da mais íntima intimidade de Romulo Maiorana Júnior, conhecido como Rominho no seu círculo de amizades, e não quando a presidência do órgão estava sendo ocupada pelo Dep. Jader Barbalho, sócio cotista da RBA, que como todos sabem, é o grande alvo da ação apresentada pelo procurador e divulgada por setores bem identificados da imprensa que lhe fazem oposição".
Talvez conviesse ao deputado federal Vic Pires Franco retomar a prática salutar que manteve até recentemente em blogs da rede mundial de computadores: responder à nota, esclarecendo se o que ela diz corresponde ou não à verdade e como foi o trâmite da questão durante o tempo em que presidiu a comissão especializada da Câmara Federal.
Mais adiante, a mesma nota garante que a renovação de outorga da TV Liberal "tramitou por incríveis 12 anos no Congresso Nacional em virtude da falta de certidões negativas de débito junto a União e só foi concluído no final do ano passado".
Como até 2005 as demonstrações financeiras de Delta Publicidade, empresa responsável pela edição do jornal, mantinham rubrica com a pendência dos débitos federais, em valores expressivos, a direção da empresa podia esclarecer ao público se conseguiu a renovação porque finalmente quitou a dívida. Como o grupo Liberal não aborda o que não lhe interessa, talvez seja preciso esperar pela publicação do balanço de 2006 para saber. A publicação, como nos anos anteriores, está atrasada. Mas como a Delta é uma sociedade anônima, terá que sair da casca algum dia.No balanço de 2005, com a dívida federal pendente, a empresa fechou as contas com prejuízo (acumulado desde exercícios anteriores), com capital líquido negativo e endividamento crescente. Ou seja: tecnicamente, em estado pré-falimentar.


LÚCIO FLÁVIO PINTO

■ Publicado originalmente na edição de julho do Jornal Pessoal.

(Transcrito do portal Agencia Amazônia)


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PS – Publicado em atendimento a várias solicitações.
O jornalista e sociólogo Lúcio Flávio Farias Pinto é meu amigo e colega (d
e turma) desde os tempos do curso clássico do velho Colégio Estadual Paes de Carvalho, no final dos anos sessenta.
1968, para ser mais exato.
Naquele tempo ainda não existia o Curso de Comunicação Social da UFPa.
Ele foi para Ciências Sociais. Eu para Direito, como faziam todos os que trabalhavam em jornal,.
Como era o meu caso. (A.F.)

8/03/2007


CARNAVAL

Macapá vai aparecer na Globo por somente R$ 7 milhões

Brasília - Macapá será tema do enredo da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis no Carnaval de 2008, em fevereiro, fatalmente aparecendo na TV Globo, por apenas R$ 7 milhões. Seguir-se-ão, em outubro, eleições municipais. O prefeito de Macapá, João Henrique Pimentel (PT), afirma que essa fortuna será paga por estatais, Ministério da Cultura e empresas privadas que atuam no estado do Amapá. Escolas de samba cariocas, dirigidas por nebulosos chefões, tornaram-se balcão de negócios.
O enredo, “Macapaba: equinócio solar, viagens fantásticas ao meio do mundo”, conta a história da descoberta do Amapá até a fundação do estado, destacando aspectos culturais e geográficos, como o Marabaxo e a Festa de São Tiago, e a linha imaginária do Equador, que corta a cidade.
Cariocas, brasileiros de todas as latitudes e gringos vão ao Sambódromo para ver mulheres esculturais nuas e o espetáculo coreográfico. Quem estiver deveras interessado na história do Amapá deve ler pelo menos dois livros: Amapá: A terra onde o Brasil começa (Edições do Senado Federal, Volume 35, 269 páginas, Brasília, 2004), de José Sarney e Pedro Costa; e História do Amapá – Da autonomia territorial ao fim do Janarismo - 1943-1970 (Governo do Estado do Amapá, Macapá, 1998, 205 páginas), de Fernando Rodrigues dos Santos.
Em Amapá: A terra onde o Brasil começa, o senador maranhense José Sarney (PMDB) - eleito senador vitalício pelos amapaenses, presidente do Senado à época do lançamento do livro - tenta fazer poesia e faz propaganda pessoal, o que torna a leitura um desafio. Posto isso de lado, Amapá: A terra onde o Brasil começa é a mais importante pesquisa publicada sobre os primórdios do Setentrião.
História do Amapá – Da autonomia territorial ao fim do Janarismo - 1943-1970 é uma edição de autor, patrocinada pelo socialista, então governador, João Capiberibe (PSB). A pesquisa de Fernando Rodrigues dos Santos, graduado em História pela Universidade Federal do Pará (UFPA), é a única, sobre a história recente do Amapá, publicada em livro.
Aviso aos navegantes: Macapá não tem esgoto; suas ruas são esburacadas; falta água encanada, apesar de a cidade ser banhada por 200 mil metros cúbicos de água doce por segundo, pois situa-se na boca do maior rio do mundo, o Amazonas; a empresa de energia elétrica do estado - Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) – está falida; pelo menos um bebê morre por dia na maternidade local, contaminado por infecção hospitalar; pacientes morrem nos corredores do sistema de saúde local, saqueado pela máfia da Saúde (alguns foram presos, mas não devolveram dinheiro algum); macapaenses morrem de dengue aos magotes; a violência toma conta da cidade.
Quando ao Estado, o Amapá é o mais rico do país em pescados, pois suas costas atlânticas recebem húmus do rio Amazonas, mas quem pesca são piratas estrangeiros; muito do pescado vendido em Macapá é oriundo de Belém e Manaus. A Universidade Federal do Amapá (Unifap) não oferece curso de oceanografia, nem de engenharia de pesca.
Há mais de meio século, jorra dinheiro para a construção da única rodovia federal do estado, a Macapá-Oiapoque, BR-156, jamais concluída; já engoliu mais verba do que o Porto de Santana, na zona metropolitana de Macapá - um porto estratégico e subutilizado, que já deveria ter sido federalizado, mas nenhum político se interessa por isso. Por que será?
O Carnaval de 2008 será apenas mais um Carnaval para macapaenses e amapaenses, mas um Carnaval especial para o prefeito João Henrique Pimentel e para o governador Waldez Góes (PDT).

7/31/2007

Presença de Luiz Lima Barreiros


A melhor das maravilhas:

A MURALHA DA CHINA

Ninguém sabe como começou esta obra. Um jornalista (do ramo de ficção científica,talvez) escreveu em 1893, que ela seria a única construção terráquea visível da Lua. O homem foi à Lua, em 1969, e em, mais cinco vezes,e constatou que a afirmação era mentirosa. De lá, com luneta (não seria, terreta?) se poderá ver no máximo, a grande cadeia de montanhas. Já o francês Lavoisier (aquele do "nada se cria...tudo se transforma", olhou para a muralha e fez outra frase:
"É superior às Pirâmides do Egito, em utilidade e tamanho". O escritor tcheco Franz Kafka escreveu um livro de contos chamado "A Muralha da China".
Dizem que foi o imperador Shi Huang-ti, no ano de 221 a.C quem determinou (conclusivamente) a ligação de uma série de fortes já existentes, serpenteando vales e montanhas chinesas, numa construção viária única; onde vários governos meteram dinheiro na obra e nos bolsos. A soldadesca não gostava de ficar parada na solidão das montanhas e abandonava, constantemente seus postos.
Ela vem desmoronando há séculos. Camponeses sempre tiraram pedras para fazer suas casas. Hordas de guardas vermelhos de Mao Tsé-tung se deram ao trabalho de derrubar trechos inteiros, nos anos 60, durante a famigerada Revolução Cultural , para malhar o passado imperial. A Grande Muralha da China, com seus 2.400 km. de extensão, demorou séculos para ser construída. Jamais seguiu o projeto e o cronograma inicial.
Consumiu vários orçamentos públicos e milhares de vida. Na verdade, muitos dizem que ela foi um monumento ao desperdício. Nunca cumpriu sua pretensa função de defender o país. Os mongóis de Gêngis Khan, por exemplo, numa bela noite, subornaram os guardas de fronteira e invadiram a China, sem dar um tiro sequer. É isso aí... e, pois bem , foi este monumento que foi o mais votado, internacionalmente, para ser a maior das maravilhas do mundo atual .
A Estátua do Cristo Redentor, tirou apenas o terceiro lugar. Mas, aproveito a oportunidade para parabenizar o governo municipal, o estadual e o federal, no Rio de Janeiro, pela realização dos Jogos Panamericanos, que foi modelo de eficiência e organização, na realização do evento... controlando inclusive a bandidagem que preocupava a todos. Talvez para lamento dos catastrofistas que torcem sempre pelo fracasso de tudo e de todos.

31.07.2007

7/28/2007



A LETARGIA DE LULA

Carta de um intelectual do Pará

Brasília - Em carta a este colunista, o diplomata José Varella, presidente da ONG Universidade Livre do Marajó, medita sobre o artigo “A letargia de Lula” - publicado antes ... e não contemplado por este blog, já que a minha coluna neste espaço é semanal. Como a missiva de José Varella contribui para o debate político e aborda a questão amazônica, objetivo maior do Enfoque Amazônico, achei por bem publicar a epístola do intelectual paraense, a qual se segue.


Estimado conterrâneo e colega Ray


Permita-me divergir do seu artigo “A letargia de Lula”, para assinalar o vício maniqueísta da mídia nacional formada desde a escola até às redações em amar ou odiar o "rei" provisório, eleito para Presidente...

Dessa longa série fizeram melhor o papel Vargas, que foi mais realista do que o Príncipe (o poder), com sua vocação dramática até o suicídio; e Juscelino, com seu ar de seresteiro e a minerice de imperador do Egito ao lado do sumo-sacerdote Oscar Niemayer, Lúcio Costa e o vidente de Monte Claros, Darci Ribeiro, que viria depois com a utopia tropical da UnB, abatida em pleno vôo e castrada pelo golpe de 64...

O mal é de nossos usos e costumes colonizados no caldo de cultura ibérico em luta permanente entre Deus e o Diabo (lembre-se, por exemplo, da festa de Mazagão, com seus mouros e cristãos se engalfinhando por causa da doidice marroquina d'el-rei dom Sebastião, lá no Amapá...).

Você fala numa corrente filosófico-religiosa que vem de berço oriental e tem grande penetração no Ocidente cristão através de imigrantes japoneses. Esse caldeamento de corpos e espíritos diversos que vem na contramão de toda e qualquer ortodoxia, e faz a nossa mestiçagem brasileira, é a grande novidade no mundo. Pois aí está a abertura para a convivência e a tolerância mútua, única saída para um mundo supercomplexo.

Não bote todo esse enorme abacaxi pra descascar no colo de um Presidente na solidão do Planalto...

De fato, entre o que a nossos olhos parece "branco" ou "preto" há uma gama enorme de variações de tonalidade... Não sou do PT nem lulista roxo, mas é injusto (para não dizer preconceituoso) o nível de ataques ao atual presidente da República, que descamba do necessário debate crítico para a desqualificação abusada. Tudo indica, será pior à medida que 2010 se aproximar com ensaio geral em 2008...

Tá todo mundo louco! Doido para o "piloto" sair de cena (nenhuma hipótese de sabotagem pode ser afastada, mesmo com risco do Jabor com cara de santarrão fanfarrão da TV invocar a tese da paranóia governamental)...

Dane-se o Brasil, o que uns e outros querem é “Puder”!...

No fundo, todos adoravam o falecido ACM (que Deus o tenha e não vá ele encrencar agora com a gestão do chaveiro do Céu pra lhe tomar o cargo; já pensou o que poderia acontecer com o arquiinimigo Waldyr Pires quando chegar o seu dia e se apresentar na portaria celestial? E a tremenda revanche da discussão com seu colega senatorial Barbalho sob as barbas de São Pedro?)...

ACM chamou de ratazana ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (ao qual apoiara na eleição presidencial pra fazer ciúmes a FHC e se vingar de José Serra, atropelador da candidatura da filha do amigo Sarney); a plebe rude queria ver sangue, mas o Lulinha paz e amor venceu o sapo barbudo muito bem, e assim, entre mortos e feridos, todos se salvaram... Pontos para o presidente Lula.

A turma está vendo a floresta, mas não enxerga a árvore. Não é verdade que a Amazônia é algo remoto para Lula: ele estava lá pelas bandas de Xapuri quando o comuna Chico Mendes estava em apuros sob a mira dos fuzis do latifúndio e ninguém no Sul Maravilha tinha ouvido falar de uma futura ministra Marina Silva...

O buraco da camada de ozônio é mais embaixo, no subsolo... Lá no teu, no meu, nosso Amapá, estavam passando contrabando de material radioativo extraído das beiras da Serra do Navio... Levado em sacos ordinários em caminhonetes através da GF... Suspeita-se que iam parar no Oriente Médio; jornalistas na outra margem do Oiapoque levantaram suposta informação de que à França restou o minério atômico em questão no atol de Mururoa, naquela experiência em que foi afundado o navio do Greenpeace e morreu a bordo na explosão provocada pelo serviço secreto um militante português...

O mundo ficou "jito", mas o Oiapoque é longe do Brasil primeromundista... Um Lula lá tem só uma agenda de 24 horas ao dia, tirando o cerimonial, o protocolo e as viagens... O que é que sobra para "tomar conta" deste país imenso? Não há Presidente que possa, é preciso o Super-Homem, mas o que havia no cinema caiu do cavalo e fraturou a coluna... Já não se fabricam mitos como no tempo da Cobra Grande...

O que acontece é que Brasília - nascida de um sonho de integração continental - se transformou no reino da Lua (culpa dos congressistas que a gente manda pra lá), longe da Amazônia e das mais regiões dos Brasis...

Qualquer patriota que venha, por exemplo, lá dos Pampas, como Jango, ou de Mecejana, como o cearense Castelo Branco, acaba sendo envolvido pela solidão do Cerrado, um certo espírito celestino, longe da materialidade da terra em transe...

Não podemos vaiar o Lula sem vaiar a nossa própria sociedade bacana vidrada em Miami e adjacências, a mediocridade nacional em assumir de fato este país-continente. É nossa culpa - há quase 400 anos - se a Amazônia é longe do Brasil e do mundo. Somos nós, os brasileiros do Norte, que temos que amazonizar o Brasil. Sei que você está aí batalhando com o nome Amazônia na capital da República...

Mas é o sistema presidencialista, irmão. Perfeito motivo para manter a alienação política da nação... Os espertos nos ensinam, mirem-se no Tio Sam... Sim, eu adoraria trazer de lá, por exemplo, a DEMOCRACIA MUNICIPAL, que está à base da velha democracia americana que Tocqueville invejava, para aplicar na imperial e aristocrática França... Apenas remediada agora com a União Européia e o PARLAMENTARISMO moderno...

Em BSB falam em reforma política, mas quem vai reformar o quê? Time que está ganhando... Lembre-se de Jango, Janio, Collor... FHC, segundo Elio Gaspari, este último estava seqüestrado no porão do Planalto e o sósia dele mandava esquecer tudo que havia escrito.

Movidos pela mídia entreguista, a minha geração votou (eu não, graças a Deus estava nas ruas de Belém com carro de som gritando Lott-Jango...) no destrambelhado agente yankee Janio (aquele da vassoura de bruxa, varre-varre vassourinha anti-corrupção, querendo dar o golpe que viria, depois, dos quartéis, você era jovem e não se lembra da imortal UDN, avó da Arena et caterva com o espelho da moralidade burguesa à mão), quando era para eleger o general nacionalista Lott, que tinha impedido o golpe e segurado Juscelino...

Humberto de Alencar Castelo Branco poderia ter sido o nosso Hugo Chávez, mais sizudo, mais sertanejo do que Lula, talvez; mas o bacharelismo burguês e a famosa "esquerda burra", que não lembrava que o tenente Luiz Carlos Prestes tinha atravessado o país a pé, o Cavaleiro da Esperança, pisou na bola e lá se foram os anos de chumbo, desde um 1968 pelo avesso do 68 de Paris...

Lula está refém (Zé Genoíno, Dirceu e outros pagaram pra ver, mas até os tapetes do Planalto sabiam que era inevitável, dizem que o palácio Alvorada é visagento, deve ser alma penada de algum bandeirante tipo Anhanguera, que andou matando índio pelos sertões de Goiás) dos usos e costumes da poderosa elite neocolonial. Esta, com seus "representantes do povo" no Congresso, não quer nem ouvir falar em governo parlamentar... ficaria exposta, entende? Carece de um "rei" momo, de tempo em tempo...

Logo, um homem do Povo na Presidência é alvo fácil para distrair as massas e dizer, vejam como não dá certo! Suspiros pela volta de Dom Pedro II, a cada erro de concordância gramatical do Lula é o Presidente que leva palmada...

Pannis et circens... Mas, como diz o pragmático vice José Alencar, Lula é um gigante... O homem certo no lugar certo, na hora incerta. Não embarque nessa, amigo.

Alfredo Ramos



Esse meu Payssandu... é um desmancha prazer...

Estive em Belém durante duas semanas e entre outras louváveis intenções era ver o Paysandu detonar o Ananindeua pela segunda rodada do grupo 3, Série C. Fazia um bom tempo, desde 2005, que não visitava minha cidade natal e, portanto, a expectativa era maior para voltar a ver meu time jogar na Curuzu.
Pois não é que não vi nada! Ou melhor, vi um amontoado de perebas vestindo a gloriosa camisa bicolor. Um time horrível, pior, muito pior que o time de várzea do meu bairro aqui em Sampa.
O Ananindeua não venceu, mas o Papão conseguiu com sua ruindade deixar escapar a vitória cedendo o empate em 3 a 3 por três vezes consecutivas. Decepção e revolta para quem depositava fé e esperança nesse time, muito mais por não me conformar com a derrota sofrida pelo Papão logo na estréia para esse medíocre time chamado Imperatriz.
Esperava ficar até o ultimo jogo, dia 5/8, e vir a assistir o jogo final do grupo contra o Araguaina e comemorar com a Fiel Bicolor a passagem do Paysandu para a segunda fase da Série C. Mas, a derrota para o Ananindeua, no jogo seguinte no Mangueirão por 1 a 0, foi a gota d’água, a decepção final. O Paysandu com seu treinador Paulo Roberto e seus jogadores importados dos piores times do interior paulista, foi uma calamidade sem precedentes. Não sei em que cabecinha ou cabeçona saiu essa idéia de se montar um time com jogadores sucatas da Série B-1 do Campeonato Paulista. É como se você fosse em Igarapé-Miri e trouxesse nove jogadores de lá para jogar no Paysandu. Só podia dar no que deu, vexame.
Não deu outra e minha estada em Belém já não fazia sentido e acabei motivado por tanta raiva, comprando passagem e no dia seguinte, com os inevitáveis atrasos de vôos, desembarcado em São Paulo.
Mas não foi só de tragédia essa minha passagem pela bela Belém que por sinal, achei bem diferente de dois anos atrás, meio suja e abandonada pela jura que fizeram seus dois governantes. Um prefeito motorista que não cuida do transito e a outra que governa em cima do palanque no velho estilo mancada sindicalista do caos, o Lula Congonhas.
E para não dizer que não fui a Roma e não vi o Papa, estive na orla de Icoaraci, com meu velho amigo e cunhado, Aldemyr.
Bom papo, um pouco de cerveja para acompanhar o prato do dia, uma dourada à moda paraense 0 que, por sinal, foi servida na base do bom humor local. É que pedi a dourada (peixe), mas a garçonete oferecida jura que eu pedi para comer uma dourada preta.
Pois é, como é a vida.
O que era para ser duas semanas de boas férias só deu mesmo para aproveitar o peixe, pois tartaruga (Ananindeua) não era prato da semana. Mas com certeza, o Papão, antigo lobo mal tinha virado um au-au qualquer.

E para concluir uma foto, tirada na orla de Icoaraci, o que sobrou das minhas lembranças em Belém: o peixe, eu e meu cunhado Aldemyr, titular deste blog.
Tchau.
Até qualquer dia.

São Paulo, 18 de julho de 2007.

7/21/2007


MODERNIZAÇÃO DA AMAZÔNIA

Estado de Carajás sacode Belém

Brasília – O processo de modernização da Amazônia encontra-se ante a perspectiva de novo salto, a criação do estado de Carajás, do tamanho de um terço do Pará. Esse processo político começou em 1737, quando o estado do Maranhão passou a ser chamado de estado do Grão-Pará e Maranhão e a capital foi transferida de São Luís para Belém. Em 3 de março de 1755, foi criada a Capitania de São José do Rio Negro, dependente do estado do Grão-Pará e Maranhão.

Até 1772, o território do Grão-Pará era integrado pelos estados do Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Piauí e Roraima. Em 20 de agosto de 1772, foi dividido em dois: estado do Grão-Pará e Rio Negro, com capital em Belém, e estado do Maranhão e Piauí, com capital em São Luís. Em 5 de setembro de 1850, o Grão-Pará foi desmembrado em duas unidades, as províncias do Pará e do Amazonas, denominadas estados após a Proclamação da República (15 de novembro de 1889).

Em 1943, foi desmembrado do Pará o Território Federal do Amapá, hoje, estado do Amapá. Agora, políticos paraenses querem criar mais dois estados, Carajás e Tapajós, e o Território Federal do Marajó. Se isso acontecer, o Pará perderá a mais estonteante região do planeta, o Marajó, para quem Belém esteve sempre de costas; perderá os investimentos da Companhia Vale do Rio Doce; e a bela região tapajônica.

Carajás, no sudeste do Pará, tem 289.799 quilômetros quadrados, um terço do Pará. Se criado, será o nono maior estado em área, com 39 municípios, 1.143.910 habitantes (IBGE/2000) e 18% dos eleitores do Pará. Será maior do que países como Portugal, Uruguai e Equador. Somente 11,04% de sua população são paraenses. Maranhenses, são 23,08% e mineiros, 11,17%. O restante da população migrou de todo o Brasil.

A sacudida no estado paraense é instrutiva. Seus governadores recentes, de diversas cores partidárias, são todos iguais no comportamento. Agem como se vivessem na Província do Grão-Pará.

7/18/2007

Parabéns, Telma


Na busca por igualdade conseguiste importantes conquistas, firmando-se como força de mudança sem perder a graça, a beleza e o encanto, qualidades que somadas à tua vocação de semear a vida, te fazem especial.
Tomei emprestado esta frase de um autor que desconheço – eu pincei de um velho caderno de escola - para cumprimentar uma pessoa muito especial, a minha mulher Telma Menezes que hoje/18, completa mais um ano de vida.
Tinha muita para lhe dizer, mas nessa hora me faltam palavras.
Quero, publicamente, reafirmar o meu amor por esta mulher diferente que ao longo desses quase 22 anos eu apreendi a estimar, a respeitar e amar.
Depois do meu filho – Luís Eduardo, fruto do meu amor primeiro -, a Telma(foto), de quem tanto me orgulho e, disso não faço segredo, é a minha razão de viver.
Obrigado, meu amor por esses anos todos de paciência e tolerância.
Agradeço a Deus por ter feito você e a colocado no meu caminho.
Parabéns.

Te amo.

7/14/2007

Presença de Luiz Lima Barreiros


Monumentos Maravilhas do Pará

Amigo Guilherme:

nesta enquete que você abre, para eleger o mais maravilhoso monumento do Pará, fiquei com atrozes dúvidas, atroado mesmo:
afinal, como escolher entre a Estátua da Liberdade da Pedro Álvares Cabral, o Menino Jesus de Marituba, o Cristo Redentor de Castanhal, o Canguru Móvel da Radiolux....e também, a Gurijuba Gigante de Pedra da Vigia (maior que qualquer estatuazinha de Itu), o ET Chupão de Colares, e o Fictício Colosso da Virgem de Nazaré (sempre falado,e de origem disputada,mas nunca visto),numa ilhota qualquer da Guajará, perto do Aeroporto... são sete maravilhas, de abalar as certezas de qualquer um ...
um abraço:

Luiz Lima Barreiros
(ainda vivo)

NÃO AO COLONIALISMO

Eduardo Braga lança frente dos governadores da Amazônia

Brasília - O governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), é, atualmente, o mais importante líder da Amazônia, ao lado do ex-governador do Amapá, João Capiberibe (PSB). O marajoara Capiberibe, que, com sua esposa, a deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP), participou da resistência à Ditadura dos Generais (1964-1985), imprimiu, nos seus dois governos (1994-2002), o desenvolvimento sustentável , rompendo com a subserviência ao colonialismo com que o Sudeste, principalmente São Paulo, encaram a Amazônia. Apeado do Senado da República por meio de um processo judiciário infame, que enoda esse poder, legou o Projeto de Lei Complementar 217/2004, que prevê que todo o poder público exponha suas contas na internet; Capi deu o exemplo no Amapá. Falta esse projeto ser votado no plenário da Câmara e, se aprovado, seguir para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Mas “a transparência nas contas públicas é um poderoso instrumento de controle social republicano, que reduz as práticas criminosas na aplicação do dinheiro do contribuinte” – observa Capi. Lula sancionará o projeto de Capi?
Já Eduardo Braga, que nasceu em Santarém, também no Pará, como Capi, caboclo marajoara, tomou duas atitudes que merecem aplausos: decidiu transformar a BR-316, a Manaus-Porto Velho, em ferrovia; e se associou à governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), para liderar uma frente amazônica. Era do que o Trópico Úmido precisava. Não se pode esperar nada de Ana Júlia Carepa, que só se interessa por nepotismo e cabides de emprego, mas seu estado é o mais importante da Amazônia.
Pois bem, Eduardo Braga, que participa, em Belém, do Quinquagésimo-Nono Encontro Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), convidou Ana Júlia para participar, em Manaus, de reunião, prevista para agosto, com o objetivo de reunir forças com osdemais estados da Amazônia e conseguir a liberação de verbas federais para a região, especialmente a área de ciência e tecnologia.
Eduardo Braga e Ana Júlia reclamaram do tratamento desigual que a Amazônia recebe de Brasília. "São Paulo tem 36% do Produto Interno Bruto (PIB) da nação e recebe 42% dos recursos para educação. Isso, nós não podemos aceitar" – Eduardo Braga protestou. "Precisamos acabar com essa disputa besta, que vem da época do Brasil Colônia, entre Amazonas e Pará. Nossas bancadas no Congresso, por exemplo, não têm quantidade e sim qualidade. Mas se nos juntarmos, todos os estados da Amazônia, seremos mais fortes" – afirmou o governador amazonense.
Ana Júlia concordou e disse que está disposta a participar de um encontro de governadores em Manaus. "Sou contra a disparidade de investimentos entre os estados brasileiros" – disse.
Com efeito, a federação brasileira é trôpega.

Hélio Dória fala sobre o Outeiro


Comentário levado ao ar no início do Programa Hélio Dória – Rádio Transpaz – AM - de ontem:

Estive no Outeiro e vi como aquele balneário está abandonado. Fiquei muito triste mesmo com a situação do Outeiro. Eu fui visitar o Outeiro que á terra do meu pai, meu pai nasceu no Outeiro.
Confesso, fiquei triste com o que eu vi. O sistema de transporte coletivo do Outeiro está falido, rigorosamente falido. Eu não tinha noção do tamanho do problema em que o Outeiro se encontra. Eu fui com alguns amigos do Colégio Rui Barbosa cujo sítio fica na Brasília. Eu tive de atravessar o Outeiro de ponta a ponta, fiz um ângulo que quase 360 graus, fui por uma via e voltei por outra. Fiz isso para ver melhor, para conhecer melhor o Outeiro. Andei pela orla, por diversas vias, fiquei impressionado... o que tem de kombi velha circulando no Outeiro fazendo transporte de passageiro...não é brinquedo. Eu andei fazendo perguntas acerca dessas kombis, e um cidadão lá do bairro de Brasília me disse com toda a convicção: Isso é que tem nos salvado...veja, Duciomar, o que os moradores do Outeiro tem dito. Essas kombis velhas, esses paus velhos que rolam por lá é quem tem salvado essas pessoas...!
Eu disse: não é possível?! E os ônibus? Ele me disse: nós temos seis ônibus para servir a ilha do Outeiro toda... seis ônibus que circulam na ilha do Outeiro, o que ele disse eu tomei como verdadeiro, e que me pareceu um cidadão sério, já de idade, morador antigo do Outeiro.
Fiquei observando por alguns minutos aquela situação.
Quando eu vinha voltando – nós viemos pela orla – quando estávamos subindo ali na Praia Grande, eis que vem um ônibus que faz a linha para o Outeiro com bastante passageiro, ônibus superlotado. O ônibus pára e desce alguns passageiros, aliás, os passageiros que desceram o fizeram pela porta da frente, portando, subentendem-se que eles viajavam com carteirinha, dois ou três passageiros... tinha uma menina de mais ou menos 12 anos de idade com a mochila de estudante, mas não estava fardada... essa menina tentou subir no ônibus e o motorista arrancou de forma brutal e a menina ficou lá aguardando. Ora, a subida do ônibus não é pela frente? O motorista sabia se aquela menina iria ou não pagar a passagem? Então como é que ele arranca de forma tão irresponsável?
Aí eu voltei. Pedi para que o Helinho, que foi comigo, que voltasse e me dirigi à menina. Ela ficou até meio assustada comigo. Eu lhe disse, minha filha não tenha medo. Perguntei-lhe se o ônibus não tinha parado para ela... a garota além de afirmar, disse mais: eles não param nunca, nem para criança e nem para velho.. e aí eu pergunto – e eu quero fazer essa pergunta ao meu particular amigo Mário Martins, presidente do Setrans-Bel... como que você estão brigando para acabar com as kombis, se quando é para cumprir o preceito, que é o direito do cidadão, vocês não cumprem.. que é de parar para idoso e para menor? É um absurdo uma coisa dessa. É um absurdo... porque você vê que um cidadão é idoso o motorista arranca para que não possa subir no ônibus. Se ele vê que um estudante que vai pagar meia passagem, ele arranca não deixa entrar no ônibus. Parece que a orientação é uma vingança: se não anda no ônibus, na kombi também não anda porque vai pagar ingresso total ou vai andar de graça...
Mas eu quero dizer que o idoso não anda de graça no ônibus. Pode não ter custo para o idoso... mas isso esta incluso na planilha de custos do transporte coletivo. Está incluso o percentual de pessoas que andam gratuitamente no ônibus, em especial, os idosos; portanto não atendê-lo, não prestar o serviço de transporte ao idoso é uma excrescência, é uma imoralidade e a CTBel não pode permitir.
Agora, por falar em CTBel, é inaceitável que você não tenha na ilha do Outeiro um único agente da CTBel, ou uma viatura da CTBel para tentar visitar os pontos finais, para ficar circulando na ilha do Outeiro para evitar que abusos possam ser praticados. O que não se admite e andar de ponta a ponta no Outeiro e não encontrar uma única viatura da polícia.
Eu dei uma descida ali na Praia Grande, já vindo embora – fazia um bom tempo que eu não ia ao Outeiro... e para falar a verdade, eu não conhecia nem aquelas barracas que foram construídas, eu acho na época do Hélio Gueiros, quando prefeito – achei interessante... estão meio abandonadas, mas é interessante.
Agora tem umas placas lá, do Governo do Estado, que dizem que está sendo revitalizada a orla do Outeiro... corram porque senão vocês não irão nem encontrar a estrada para levar a piçarra para fazer a orla. porque a erosão já está comendo e levando tudo ali na Ilha da Caratateua, conhecida como ilha do Outeiro,
Outeiro está entregue à própria sorte, me disse uma senhora de setenta e tantos anos de idade na frente do mercado da Brasília. Ela me disse: meu filho, filme tudo, não deixe escapar nada... eles pensavam que eu estava a serviço de algum canal de televisão.... já que levei uma câmara digita; Mas a intenção mesmo é mostrar pra todo o mundo como está o nosso ponto de recreação mais perto e mais barato.. é lamentável a situação em que se encontra o Outeiro sem que ninguém faça absolutamente nada.
A única coisa que funciona na ilha do Outeiro é a boa vontade, a educação das pessoas sempre solícitas. Quando você pede uma informação elas dão sorrindo conquistando a gente de imediato... agora estão à míngua e abandonadas de tudo e jogados à própria sorte. Outeiro pede socorro e nós nos somamos ao grito dos moradores do Outeiro estamos cobrando das autoridades, segurança... estamos cobrando das autoridades municipais uma ação imediata e efetiva na ilha do Outeiro, que possa minimizar o sofrimento daquela população.
Ó Pai ajuda o povo do Outeiro porque a situação não está fácil".

7/08/2007

Alfredo Ramos


Seguinte:
Estou um tanto sumido devido a um pequeno acidente quando cai do segundo para primeiro andar - vão da escada – aqui em casa, em Sampa. Fraturei o pulso, vinte pontos na cabeça e quatro no nariz
Como esta difícil escrever passo a bola pra vocês.
Fico aqui curtindo a fiel – eu tenho um blog, a Fiel Bicolor – dos torcedores do Payssandu em são Paulo. São muitos!!! – que para falar a verdade está bem melhor com o Carlos Cidon nas entrevistas e nas noticias; a Iva Muniz nas reportagens e o João Santos como webmaster. Fico no suporte.
Estou melhorando. Pelo menos da pra usar um pouco a cpu.
Dia 13 estarei aí em Belém se o PT deixar e os controladores de vôo deixarem.
Para que vocês não se esqueçam de mim, publico um aspecto da Festa Caipira na creche da minha neta, Camila, ontem, junto com a minha mulher – a Célia – irmã do Aldemyr Feio, titular do blog.
Até pelaí gente.
Estou louco para tomar açaí recém saído da máquina.

JUSTIÇA DE OLHOS DE ÁGUIA

Farsa de Joaquim Roriz enseja revisão do caso Capiberibe


Brasília - O ex-senador João Capiberibe, do PSB do Amapá, e sua esposa, a deputada federal Janete Capiberibe (PSB-AP), foram cassados, em 2004, sob a acusação da compra de dois votos, por R$ 52, num processo que enlameia o Judiciário. Segunda-feira 2, Capi, como é conhecido pelos amapaenses, encaminhou uma carta ao ex-ministro Carlos Velloso, relator dos processos contra os Capiberibe, criticando-o por agir “menos como juiz e mais como advogado de defesa” no processo contra o então governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), hoje senador, flagrado com a boca na ratoeira. Contra Roriz, havia uma tonelada de provas do uso escancarado da máquina pública na sua reeleição, mas a raposa escapou, com toda sua felpa. A propósito, Roriz é aquele que pagou R$ 250 milhões por uma ponte que custaria R$ 75 milhões.
Carlos Velloso disse ao jornal Folha de S.Paulo que não condenou Capiberibe nem absolveu Roriz: "Fui apenas o relator do processo; quem condenou foi o TSE”.

Segue-se a carta de Capi a Carlos Velloso, aposentado:

Ao iniciar a elaboração destas mal traçadas linhas me assaltou uma dúvida. Confesso que estou encontrando uma certa dificuldade em relação ao tratamento que devo dispensar-lhe. Pensei inicialmente em tratá-lo de excelência; logo me dei conta que não seria o caso. Lembrei-me que, tanto eu como você, já não correspondemos às qualificações exigidas para merecer tal distinção; em outras palavras, não somos mais excelências. É verdade também que perdemos a primazia do tratamento por razões muito diferentes.
No seu caso, foi o epílogo de uma carreira bem sucedida, imagino, sem maiores obstáculos, que incluiu a presidência da mais alta corte de justiça de nosso país. Você concluiu uma carreira de grande sucesso, cercado de direitos e garantias que raros brasileiros conseguem atingir; fecha seu ciclo produtivo gozando de privilégios reservados a poucos. Sai de cena perdendo apenas a primazia de ser distinguido com o tratamento de Vossa Excelência, porém passa a dispor de todo o seu tempo e claro, de uma generosa aposentadoria paga por todos os brasileiros.
Já no meu caso, as turbulências são freqüentes em razão de minhas utopias, com momentos de alta tensão. Não seria nenhuma novidade falar-lhe que perdi o tratamento de excelência de forma abrupta, até mesmo inusitada; mais adiante entraremos no mérito. Perdi, além da primazia no tratamento, o mandato concedido pelo povo do Amapá. Devo dizer-lhe que, na minha obsessão no combate aos privilégios, eliminei uma vantagem pessoal, por considerá-la injusta, a aposentadoria de ex-governador.
Acrescentarei umas poucas palavras sobre nossa trajetória. Mesmo sendo uma carta pessoal, permita-me abordar esse assunto no plural. Faço parte de uma geração que exagerou em sua generosidade, colocando a própria vida em risco na defesa de ideais de liberdade e justiça. À nossa maneira, certos ou equivocados, a verdade é que ousamos lutar por uma pátria mais justa e democrática. Em conseqüência, muita gente, dessa honrosa geração, amargou a dolorosa experiência da prisão, da tortura e do exílio. Com Janete, minha companheira de vida e de luta, enfrentamos aqueles tempos sombrios. Também juntos, na volta do exílio, retornamos à militância e conquistamos vários mandatos eletivos; finalmente, juntos, tivemos também nossos mandatos abruptamente interrompidos.
É hora de esclarecer as razões que me levam a escrever-lhe, afinal trilhamos caminhos tão diferentes, que seria inimaginável um ponto de encontro, um cruzamento nessa trajetória, capaz de criar afinidades geradoras de diálogo e comunicação entre nós. Ocorre que optamos pela vida pública, você na função de magistrado e eu de militante político, eventualmente exercendo cargos eletivos. Foi por isso que, em momentos diferentes de nossa história individual, nossas vidas terminaram se cruzando.
Antes de esclarecer o que me leva a escrever-lhe, tomo a liberdade de incluí-lo entre os brasileiros chocados e indignados com os escândalos que finalmente, graças à ação competente de nossas forças policiais, estão sendo revelados à toda a sociedade. Quando tomei conhecimento do escândalo da semana passada, envolvendo o senador Joaquim Roriz em partilha de dinheiro, bateu-me a necessidade de me comunicar com você, para relembrar alguns fatos que remontam aos tempos de sua vida ativa como magistrado.
Na última semana do mês de abril de 2004, você atuou como juiz do TSE, relatando dois processos.
Em um, você conseguiu enxergar o que o Ministério Público Eleitoral e o TRE do Amapá, agindo com extremo rigor, não conseguiram enxergar: a compra de dois votos por R$ 26 cada. Acusação em nosso desfavor, sustentada por declaração em cartório de duas testemunhas analfabetas, que também declararam não nos conhecerem. Foi aí então que você, atuando menos como juiz e mais como eloqüente advogado de acusação, conseguiu convencer seus pares pela cassação do meu mandato de senador e o de deputada federal de minha companheira Janete.
Ainda naquela semana de triste memória, no processo em que figurava como réu o então governador Joaquim Roriz, você, atuando menos como juiz e mais como advogado de defesa, não conseguiu enxergar as provas documentais e testemunhais que o Ministério Público havia demonstrado nos autos, conseguindo dessa forma convencer seus pares da inocência do acusado.
É sobre esses fatos, que já passaram à história, que gostaria de comentar com você. Veja bem, agentes políticos detentores de mandatos eletivos têm suas vidas permanentemente fiscalizadas pela opinião pública. Fatos de suas vidas são revelados, seja através da imprensa, seja por seus adversários políticos ou até mesmo, como tem ocorrido nos últimos tempos, por investigações policiais e judiciais. Assim sendo, considerando que você, como julgador de políticos, conhecia tanto eu como minha companheira e, com maior razão o então governador Roriz, que governava a cidade de seu domicílio, pergunto-lhe:
1 - Você sabia que o então governador e hoje senador Joaquim Roriz respondia e continua respondendo dezenas de processos criminais por improbidade administrativa?
2 - Você sabia que em relação a mim e a minha companheira Janete não existe um só processo criminal em nosso desfavor por improbidade administrativa?
Finalmente, concluo com mais duas questões:
1 - Você considera que sua decisão em cassar meu mandato e o de minha companheira Janete melhorou a vida política brasileira?
2 - Você considera que a sua decisão de inocentar Joaquim Roriz melhorou a vida política brasileira?
Na esperança de uma pronta resposta, subscrevo-me, atenciosamente.

João Alberto Capiberibe (

Ex-preso e ex-exilado político, foi prefeito de Macapá, governador do Amapá por dois mandatos, senador com mandato interrompido por decisão de Carlos Veloso, quando ministro do TSE)

6/30/2007


ÓBVIO ULULANTE

Desmatamento zero na Amazônia minimizará o aquecimento global

Brasília – A queima em escala, no penúltimo século, de petróleo e carvão; o pantagruélico consumo de carne de gado; e o desmatamento do planeta alteraram a temperatura da Terra em menos de um grau centígrado. Um desvio milimétrico da coluna vertebral causa dores no corpo todo, até nos olhos. Da mesma forma, o aumento centesimal que seja da temperatura da Terra causa cataclismos de toda ordem em todas as regiões do planeta.
Já não há mais como reverter o problema. A única atitude que a raça humana pode tomar, agora, é criar um arcabouço jurídico, financeiro e econômico global focado no desenvolvimento sustentável do planeta, com o objetivo de que nossos descendentes sejam felizes. E depois, além do desmatamento zero na Amazônia minimizar o aquecimento global, representa a exploração sustentável do maior patrimônio biológico da Esfera Azul.
O Brasil é o quarto poluidor do mundo, atrás dos Estados Unidos, Japão, China e Índia, e a contribuição do Brasil com o aquecimento global é, simplesmente, o desmatamento. Assim, basta que os parlamentares criem uma lei de desmatamento zero, apenando os bandidos do meio ambiente com cadeia, inclusive, se for o caso, prisão perpétua.
Arrasar florestas, como se faz na Amazônia, da qual são torados pelo menos escandalosos 12,5 mil quilômetros quadrados de árvores por ano, é estupidez. É como se uma quadrilha assaltasse um banco por dia com ajuda do estado.
A Amazônia é um patrimônio da humanidade de fato. Assim, os caboclos estão pagando pela destruição da Amazônia, conseqüência da irresponsabilidade criminosa da máfia de colarinho branco e daqueles que se locupletam nessa bacanal; os caboclos são eviscerados a motosserra – escravidão, tráfico de mulheres e crianças para escravidão sexual, assassinatos recrudescem na hiléia.
A bancada boa da Amazônia no Congresso Nacional precisa deixar de timidez. Por que é tão tímida? É necessário berrar alto. Berrar limpa os pulmões e a alma.

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Cortesia do site ABC Polítiko

6/24/2007

Campanha Social


Todos nós sabemos que a linguagem publicitária é composta por técnicas psicológicas, estéticas e mercadológicas e que exercem um profundo poder de persuasão na consciência das pessoas. Quando esta mesma linguagem é feita com ética, a coletividade tende a ganhar muito do ponto de vista social e moral.
Formar essa consciência cidadã entre as novas gerações de publicitários e, sem dúvida, um grande desafio. Digo desafio porque esses jovens podem facilmente se deslumbrar com uma linguagem que trabalha com o encantamento e com as fantasias das pessoas e concluir que a ética seja algo secundário em sua profissão. Acabam por acreditar na categoria da genialidade da criação de imagens sedutoras e sem nenhuma responsabilidade moral.
Mas talvez estejamos respirando um ar de renovação nas faculdades de publicidade. Esse é o caso dos alunos de produção publicitária da Faculdade de
Tecnologia da Amazônia que campanha “Sou cego, mas você quem não me vê” como trabalho de conclusão de módulo e criado especialmente para da Associação Paraense das Pessoas com Deficiência. A campanha fala da indiferença das pessoas em relação à vida dos cegos. Mas o que mais chama a atenção é que essa campanha não é ditada pelo tradicional tom de piedade. O que ela diz claramente é que existe um outro tipo de cegueira: a cegueira moral. Ela nos faz lembrar inclusive de uma máxima moral de Platão na famosa alegoria da caverna que dizia que ter olhos não é a mesma coisa que perceber e, portanto, nos levaria a perguntar: de que vale ter olhos se ele não serve para produzir conhecimento?
Desse modo, é bastante louvável uma campanha como esta, feita por alunos de publicidade e que estão aprendendo uma das lições mais importantes nesse curso, a saber: que o ser humano não pode ser reduzido à esfera de uma mercadoria, de uma coisa vendável.

Amaury de Souza Filho
appd.appd@yahoo.com.br

(Transcrito do Diário do Pará, de ontem, sábado, 23 de junho de 2007 – Espaço do Leitor).

Em tempo – A Campanha que o Amaury Filho – presidente da Associação Paraense das Pessoas com Deficiência (APPD) – se refere foi lançada e apresentada aos dirigentes da APPD, na noite de sexta-feira/23, como se vê na foto, tendo Amaury - o quarto da esquerda para direita - deficientes e o pessoal do projeto, Alexandre Filizola, Érica Macedo, Igor Lopes, além de Hélio Doria Jr.

RENANGATE

Caso Renan mostra o quanto a Amazônia é importante

Brasília – O presidente do Senado, Renan Calheiros, não precisa se preocupar com essa ondinha que a imprensa está fazendo sobre ele. E depois, o Brasil precisa de gente como Renan, um dos mais representativos caciques do PMDB, liderança que divide com o senador maranhense José Sarney e com o deputado federal paraense Jader Barbalho, dois dos maiores políticos brasileiros, que ajudaram a escrever a história recente do país. São tão importantes que de Jader, Lula beijou a mão; quanto a Sarney, ouve-o antes de tomar qualquer atitude de grande estadista que Lula é – grande líder da América do Sul, à frente inclusive de Hugo Chaves, de Evo Morales e de Rafael Correa.
Aqui, faço um parêntese, para dizer que Lula ganhou um grande reforço no quadro de seus conselheiros, ao chamar para dirigir o trigésimo e tanto ministério (perdi a conta), a imprescindível Sealopra (Secretaria de Assuntos de Longo Prazo), o filósofo Mangabeira Unger, para quem já providenciou mais de 600 aspones ganhando os tubos, e um carrão para o filósofo relaxar a gozar o “puder”. Falar em relaxar e gozar, Lula reforçou seu ministério com outra importante figura, a ministra do Turismo, Marta Suplicy. Sobre ela, não é necessário tecer qualquer comentário, pois todos sabem da sua capacidade de trabalho, demonstrada como prefeita de São Paulo, e da sua brilhante verve.
Voltando a Renan Calheiros, trata-se de um produtor de supergado. Renan, aliás, deverá ser o sucessor de Lula. Se o país cresce, agora, como uma China ocidental, avalie-se com Renan comandando o destino dos brasileiros!
Mas por que a Amazônia é importante nessa história? Por causa de três senadores biônicos e um pára-quedista. O primeiro deles é Sibá Machado, do PT do Acre. Sibá não tem um voto furado sequer, mas colocou o Acre na mídia nacional com sua atuação ímpar como presidente e relator do Caso Renan no Conselho de Ética do Senado. Quem derrubará Renan com um cara desses na defesa dele?
Além de Sibá, Renan conta com Gilvam Borges, do PMDB do Amapá. Gilvam tem em comum com Sibá que também não tem voto. Gilvam é tão macho que já quis anexar ao Brasil a Guiana Francesa; quis acabar com o Exame da Ordem dos Advogados do Brasil; e é veemente defensor do nepotismo.
O pára-quedista é o senador maranhense José Sarney, imortal da Academia Brasileira de Letras; ex-presidente da República; ex-presidente do Senado; o homem que tornou o Maranhão o estado mais rico do país; intransigente defensor da liberdade de imprensa. Os amapaenses o amam tanto que lhe deram vaga vitalícia no Senado. O PMDB do Amapá disse para a cabocada (sic) do curral eleitoral que não há nada mais chique do que ter um ex-presidente da República como senador, muito mais para um Território Federal que estava começando a ser estado.
E depois, qual é o crime de Renan? Só porque um lobista estava pagando pensão para a filha de Renan com sua ex-amante? Só porque Renan tem a boiada mais vitaminada do país, igual as super-rãs de Jader Barbalho? Só porque espalhou-se, criminosamente, o boato de que o Senado seria utilizado para encontros amorosos? Inveja! Tudo isso é inveja de Renan. Renan sairá do Senado diretamente para a poltrona de Lula, no Planalto.

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Cortesia do site ABC Polítiko

Padre CID completa 29 anos de sacerdócio


Neste dia festivo de São João, a comunidade católica de Icoaraci – distrito de Belém do Pará - comemora os 29 anos de vida sacerdotal do padre Raimundo Possidônio Carrera da Mata, ou simplesmente Padre CID titular da Paróquia de São João Batista e Nossa Senhora das Graças, - a mais antiga da chamada “Vila Sorriso”.
É-me muito grato falar deste homem de Deus, meu amigo, meu irmão e meu pastor, no esplendor dos seus 54 anos.
Nascido aqui mesmo em Icoaraci, bom menino, bom filho e temente a Deus, desde cedo manifestou aquela imensa vontade de servi-lO mais e melhor.
Concluído o antigo curso primário e o ginásio, o piedoso jovem, morador da Travessa Souza Franco, próximo a Rua Siqueira Mendes (Antiga 1ª Rua) ingressou no Seminário São Pio X.
Após anos de estudos (Filosofia, Teologia, etc) no dia 24 de junho de 1978, Raimundo Possidônio foi ordenado sacerdote pelo falecido (e sempre lembrado) D. Alberto Gaudêncio Ramos para sempre “...Tu es sacerdus in aeternum segundo ordinem Melchisedeque”.
Nesses quase seis lustros de intensa vida apostólica, Raimundo Possidônio – carinhosamente chamado de “CID”, em alusão ao grande e legendário herói espanhol, ativo, destemido e empreendedor, apelido adquirido desde menino, exerceu muitas atividades.
Há cerca de cinco anos, “CID” por seus méritos, foi escolhido pela Arquidiocese de Belém – e especialmente pelo então Arcebispo Metropolitano de Belém, Vicente Zico, atual Arcebispo Emérito - para fazer Doutorado em “História da Igreja” na Universidade Gregoriana, Roma, em virtude do trabalho desenvolvido ao longo de 25 anos – pela da Igreja, com fé, piedade, devotamento, zelo e entusiasmo.
Após três anos de intensa atividade acadêmica “CID” que escreve a tese de pós-graduação que tem como tema A Igreja na Amazônia e o Episcopado De D. Alberto Ramos, após entregar ao diretor da tese o 1ª capítul0o (Contexto geral da história da Igreja na Amazônia, do séc. XVII aos inícios do século XX), teve que retornar a Belém. “Para poder relaborar os outros capítulos - mais 3 - e, ao mesmo tempo para pesquisar sobre a Igreja Regional, cujos documentos e fontes só se encontram aqui, nos arquivos, academias, institutos etc.”
As muitas atividades desenvolvidas pelo nosso “CID”, como pároco, professor do Seminário e Chefe do Cerimonial da Arquidiocese de Belém o impediram de retornar a para escrever, concluir e defender ante a uma banca examinadora de alto nível a sua tese de Doutorado. “CID” será, como disse muitas vezes nos meus artigos, Santo Agostinho e tantos outros, “Doutor da Igreja”, para o gáudio da gente icoaraciense.
Quando esteve em Roma, “CID” não se encontrou com o saudoso papa João Paulo II. Participou de várias missas jubilares na Praça de São Pedro ou na Basílica. Ele disse, na época, “que não é lá muito fácil conseguir audiência com o Pontífice, “sobretudo neste tempo de tantas solicitações de grupos que vão a Roma para o jubileu. Mas não faltará oportunidade.”
Infelizmente não deu.
Agora “CID” só verá o grande Pontífice – um dos maiores que a Igreja já teve, no céu.
“CID” esteve por algum tempo servindo na Igreja de Sant’ana, devido à ausência do então titular, padre Jaime Sidônio – ele já esteve em Icoaraci -, que tirou alguns meses de licença.
Também esteve, por duas vezes, à frente da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição do Outeiro e Ilhas Adjacentes onde realizou um excelente trabalho –eu sou testemunha – fazendo com que retornasse à Vinha grande quantidade de operários.
Deixou muitas saudades.
Após Outeiro, foi designado para Icoaraci.
Quanto não está mergulhado nos livros e pesquisando na internet, “CID” está na casa de sua família em Itaiteua – um bairro do Outeiro -, onde normalmente se refugia nos finais de semana, quando lhe sobra tempo.
“CID” como todos os grandes homens, é modesto.
Certa ocasião pedi ao Padre “CID”- como disse linhas acima, meu irmão querido em Cristo, a quem estimo como se realmente fosse - uma fotografia para ilustrar uma matéria sobre ele.
Além de não possuir nenhuma onde se encontrava, lembrou que os seus "bagulhos" estão espalhados por aí: em Itaiteua, e na casa dos irmãos em Icoaraci... “depois, não vale a pena estragar o seu jornal e a sua página na internet com uma "beleza" como a minha...
É o que ele pensa.
“CID” é belo no coração, na aparência – os cabelos brancos prematuros que teimosamente começam a aparecer dão o maior charme ao maninho -, e nas atitudes firmes e decididas. Um verdadeiro sacerdote plenamente identificado com Arcese Cristã e com a atualidade apostólica. Icoaraci tem muito orgulho do seu pastor que eu, sem heresia, carinhosamente chamo de “D. CID”.
É como eu sempre digo e repito: quiçá a Igreja tivesse uns 100 padres como ele!
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A Comunidade de São João Batista, regozijada pelo transcurso dos 29 anos de vida sacerdotal do padre Raimundo Possidônio Carrera da Mata – “Padre CID”- seu conterrâneo e pároco de São João Batista e Nossa Senhora das Graças, através deste veículo, o cumprimenta efusivamente desejando muitas felicidades e que continue sendo o padre simples, amigo, conselheiro e companheiro.
E que Deus O abençoe sempre nas suas ações e na missão de conduzir a primeira Igreja de Icoaraci até a Jerusalém celestial.
Aproveitando o espaço da internet, quer dizer ao mundo do seu orgulho de tê-lo como irmão e Pastor – Bom Pastor.
Eu, também, aproveito a deixa para reforçar tudo o que a comunidade deseja ao “CID” para dizer-lhe:
Obrigado, irmão.
E que Deus esteja com você, hoje, amanhã e sempre.
Parabéns, “CID”.

6/21/2007

Campanha Social dos alunos da FAZ


Haroldo, Hélio, Erika e Igor - Primeira apresentação do projeto

■ Este trabalho foi inicialmente proposto como tema para o TCM (Trabalho de Conclusão de Módulo), sob a orientação do Professor Heraldo Cristo, na FAZ - Faculdade de Tecnologia da Amazônia, Belém, Pará, 2007. Devido a sua complexidade e também a sua relevância social, os membros do grupo decidiram aprofundar o tema desenvolvendo-o conjuntamente em todas as disciplinas do segundo semestre do curso de Produção Publicitária. Assim sendo, ele foi abordado subjetivamente na disciplina de Psicologia Publicitária, da Prof. Célia Amaral; objetivamente em Pesquisa de Mercado, do Prof. Eduardo Ventura; analisado em Mercadologia, da Prof. Karla Gil; destinado em Planejamento de Mídia, da Prof. Christiane Dias; e destrinchado em Planejamento Estratégico, da Prof. Rosilene Vieira.
A APPD (Associação Paraense das Pessoas com Deficiência) foi escolhida como a destinatária do estudo e esforços de campanha. Como as diferentes deficiências exigem diferentes abordagens, definiu-se como meta da ação, a deficiência visual.
Através de pesquisas realizadas junto aos membros da própria associação e as referências bibliográficas relacionadas ao final do trabalho, entendeu-se que existem ações sociais, públicas, privadas, leis, que poderiam ser adotadas na ação publicitária. Porém, todas exigem graus de complexidade e investimentos que demandariam tempo de retorno de médio e, principalmente, de longos prazos. A ação mais simples, imediata e que ainda assim agrega grandes benefícios à qualidade de vida dos deficientes visuais, é a sensibilização social. Com o engajamento ou, pelo menos, uma maior compreensão das pessoas a cerca da realidade e das necessidades dos cegos, há a formação de uma base para que se trabalhe futuramente todas as outras questões com maior eficiência. E a capacidade individual de cada um interferir diretamente ao auxiliar um cego em atividades quotidianas, é de grande impacto para eles, que começariam a usufruir destes benefícios ao mesmo tempo em que a campanha ocorre.
O mote estabelecido foi: “Sou cego, mas é você que não me vê”. Esta frase, associada às peças publicitárias evidenciando o “cego invisível na sociedade”, traduzem a intenção de despertar a atenção social para a questão.
A divulgação de massa mostrou-se como a forma mais eficiente para disseminação do conceito, uma vez que toda a população belenense é eleita para esta sensibilização.
A árdua tarefa acadêmica dos primeiros dias, aos poucos foi cedendo espaço ao carinho e empenho pessoal dos membros da equipe ao redor desta causa. E eles, que hoje consideram um privilégio terem tomado contato com a realidade dos deficientes visuais, certamente consideram-se tocados por esta causa e para sempre modificados em suas realidades individuais através deste fio de luz, que os permitiu vislumbrar um pouco deste mundo “às escuras” e nele enxergar o cego, antes invisível aos olhos da mente e do coração.

6/19/2007

Oseás Silva Jr: “Semad resgatou memória documental do município”

Foto: Antônio Silva
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Há dois anos, os documentos da Secretaria Municipal de Administração estavam jogados em local impróprio, como o banheiro, um desrespeito à memória do município, segundo o titular da Semad, Oséas Batista Júnior. Eram documentos de nomeações, exonerações, salário-família, aposentadorias, licenças, gratificações, leis, decretos e bibliografias. Para preservar a memória documental de Belém, a Semad, por meio de seu Núcleo Setorial de Planejamento, desenvolveu o Projeto de Gestão da Documentação Administrativa (GDA).
Estagiários da Universidade Federal do Pará tiraram os documentos, que se encontravam em blocos, os grampos e os clipes de ferro, substituindo-os por material de plástico. Poeiras, detritos e microorganismos também foram retirados da documentação. Atualmente, esse material está ordenado por mês, ano, alfabeticamente, em caixas de arquivo identificadas e guardadas em estantes de ferro na sede da Semad. Essas informações foram divulgadas durante o I Fórum Municipal de Gestão de Documentação Administrativa, realizado pela Semad, que, iniciado na manhã de segunda-feira, 18, terminou nesta terça-feira, 19, no auditório do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Importância - O secretário Oséas disse que o fórum é importante porque é o início de um projeto mais ousado da prefeitura - a criação do Arquivo Público Administrativo Municipal. Segundo ele, o projeto de Gestão da Documentação Administrativa (GDA), é uma nova política pública que objetiva desenvolver e unificar a gestão documental administrativa, promovendo uma unidade nos procedimentos técnicos, além de estabelecer diretrizes para a preservação, resgate, divulgação e acesso à documentação em toda a esfera administrativa municipal.
Durante os dois dias do fórum, a Semad forneceu informações sobre como encontrou os documentos e os procedimentos adotados para organizá-los e higienizá-los, aumentando sua vida útil. A coordenadora do Arquivo Museu Paraense Emílio Goeldi, Aldeides Rodrigues, reconheceu a iniciativa do município de Belém, destacando a "sensibilidade" do secretário Oséas. O arquivo, disse ela, é a memória de um povo, falando da importância de que esses documentos sejam devidamente cuidados para que preservem a história. Afinal, como ressaltou o prefeito Duciomar Costa na abertura do fórum, "um povo sem memória não tem história e não pode projetar o seu futuro".
O projeto GDA propõe uma metodologia baseada em três dimensões. A primeira é a valorização do documento como patrimônio público. Os documentos são patrimônios públicos, tanto no sentido administrativo como do ponto de vista cultural. Ou seja, a comunidade delega à prefeitura o dever de zelar por todo o patrimônio. Além disso, são também instrumentos da ação do governo municipal a eficiência e a eficácia.
Memória - A segunda é a preservação da memória administrativa. O direito à memória, do ponto de vista do município, significa não só criar condições para que os pesquisadores realizem suas pesquisas, mas para que a sociedade possa constituir e reforçar sua identidade cultural. Portanto, os documentos administrativos devem ser conservados e organizados de forma que seja um espaço para a pesquisa histórica.
A terceira dimensão é o direito à informação. O acesso à documentação pública, entende a Prefeitura de Belém, é fundamental para se promover o direito à informação. Se a guarda e conservação impedem que se tenha acesso ao seu conteúdo, ela provavelmente estará privando os cidadãos não só do direito à informação como, também, de outros direitos.
Nesta terça-feira, também houve o relato de representantes da Companhia de Informática do Município de Belém (Cinbesa) - que, assim como o Museu Paraense Emílio Goeldi, é uma parceira importante da Semad - e de representantes da Montreal Informática, que falaram sobre tecnologia para gestão eletrônica de documentos, e da Albrás, que relataram experiências da empresa nessa área.

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Dilson Pimentel

6/17/2007



OS RATOS

Brasília em chamas

Brasília
– Naveguei em busca de flores e as encontrei no novo jardim da poeta; quando não publica flores no seu blog, Alcinéa semeia poemas. Precisei de flores porque os sites de notícias tresandam ao miasma da corrupção. Criminosos de colarinho branco, bandidos imunizados, quadrilheiros encastelados em Brasília povoam as páginas da mídia. Os ratos do esgoto labiríntico ameaçam as rosas que desabrocham ao sol. Assim, bati palmas para a poeta e também para a Caneta Sem Fronteira; esses blogs espargem perfume e riso na nossa alma e nos fazem esquecer a lama que enlameia o Brasil.
Dinheiro enlouquece os ratos, que são capazes de assassinar até crianças por dinheiro, roubando-lhes a merenda escolar. Os ratos são compulsivos, não dormem, e mentem o tempo todo. São cegos para flores e surdos para o riso, inclusive o riso das crianças. Seu único prazer é roubar. São capazes de escravizar anjos e furtar as rosas da manhã. Esses ratos são capazes de tudo, até de furtar o perfume dos jasmineiros que choram nas noites tórridas da Amazônia.
Falar em Amazônia, os ratos estabeleceram uma política para a região mais esplendorosa do planeta, a de terra arrasada. Os ratos querem ver a Amazônia fantasmagórica como mulher currada. Alguns ratos da Amazônia são ratazanas. Em Macapá, cidade natal da poeta e minha também, há ratazanas, embora na cidade não haja esgoto. Nem água potável, apesar de Macapá banhar-se na boca do maior rio do mundo.
Foi-se a manhã. O rio da tarde murmura. Encontro-me na minha trincheira, escavada com palavras. As torres do labiríntico Congresso Nacional fincam-se no céu azul tangível da cidade-estado. Começa a tarde. A grama estala como palha, ao sol do Planalto Central. Um automóvel, grande e negro, chapa branca, vence o Eixo Monumental. O vidro da janela de trás, à direita, é baixado e alguém atira um toco de cigarro na grama seca, e a palha logo começa a crepitar.
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Contos – Informo que autografei o livro Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (edição do autor, Brasília, 2000, 116 páginas, R$ 20), na última terça-feira/12, às 19 horas, no T-Bone Açougue Cultural, na Entrequadra 712/713 Norte, Bloco B, Loja 30. Trópico Úmido encerra os contos Inferno Verde, Latitude Zero e A Grande Farra. Selecionei o mais curto especialmente para os leitores do Enfoque Amazônico. Latitude Zero é uma história ambientada em Macapá, minha cidade natal, e datada nos anos sessenta.
Inferno Verde é a história de um jornalista às voltas com o aterrorizante bandido Cara de Catarro, que seqüestra a filha do jornalista para trocá-la por um diamante. O conto se passa em Belém, com desfecho no Marajó. A Grande Farra narra o drama de um candidato a escritor que gasta seu tempo numa grande farra; essa narrativa se passa em Manaus e em Rio Branco. RC

6/04/2007

Alfredo Ramos


Fala Aldemyr!

Conforme te disse, ao me cobrares: Queres mesmo a Coluna
do Alfredo, mesmo fazendo esse frio arretado aqui em Sampa?
Cara. Seguinte: melhor tomar uma caipirinha e ficar de papo pro ar.

Mas fiquei meio cabreiro.
Semana passada passei pelo supermercado e fiz umas compras de emergência. Esqueci o vinho.
Estacionei o “possante” e fui a pé até o boteco da esquina.
Pensei em tomar uma caipirinha, mas fiquei na duvida,,, se o coração ia agüentar. Então pedi um vinho.

- O melhor que tenho é esse, o São Tomé.

- Égua! Não tem o Frei Galvão, não??? Mandei pra dentro rapidinho.

Cheguei a tempo de abrir a porta do banheiro, em casa, e vomitar até as tripas.

- Égua, mais uma vez.
Esse vinho só pode ter sido feito de mistura de álcool e solvente.

E o frio?

- O frio que se dane, vou continuar é vomitando.

Grande Aldemyr, me desculpe.
A coluna dessa semana não ficou bem humorada.
Prometo que na próxima, sairá sem vinho etílico.

Tchau e benção.

São Paulo, 04 de junho de 2006

6/02/2007


NAVALHADA NO BOLSO

José Sarney e Waldez Góes se enredam na Gautama

Brasília – O governador do Amapá, Waldez Góes (PTB), foi pego mais uma vez com o queijo na boca. Assinou um contrato de R$ 143.655.395,68, por meio da Secretaria de Transportes, com a “construtora” Gautama, no dia 28 de abril de 2006 e publicado em 3 de maio do ano passado no Diário Oficial do estado, para a construção de pontes na malha viária amapaense. Embora setores da imprensa do Amapá especulasse sobre o assunto, Waldez Góes fez boca de siri e se amoitou.
A Gautama era sede de uma poderosa quadrilha que fraudava licitações da União, estourada pela Polícia Federal. Até o ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, indicado pelo senador maranhense eleito pelo Amapá, José Sarney (PMDB), caiu na Operação Navalha, planejada pela inteligência da PF.
Waldez Góes, José Sarney e o ex-deputado Gervásio Oliveira (PMDB) constam na relação de políticos que receberam presente da Gautama. A Polícia Federal encontrou documentos com o registro do trio no escritório da “construtora”.
Waldez Góes é o mais atolado. Sua campanha à reeleição foi parcialmente financiada pelo empresário (?) Zuleido Veras, dono da “construtora”. Em 2006, o governador recebeu R$ 200 mil da “empresa”, o segundo lugar em volume de dinheiro doado pela Gautama em todo o país.
A ligação espúria envolveria também a primeira dama do estado, Marilía Xavier Góes. Recentemente, foi publicado um termo aditivo referente às obras do Aeroporto Internacional de Macapá em nome da esposa do governador. A Gautama integra o consórcio Gautama-Beter, responsável pela construção do novo aeroporto, fruto de emendas do senador José Sarney, aliado de primeira hora de Waldez Góes e velho conhecido do quadrilheiro Zuleido Veras.
Em 2006, o Tribunal de Contas da União (TCU) detectou superfaturamento na obra do aeroporto em mais de R$ 50 milhões. Essas irregularidades deverão ser investigadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo. Serão mesmo? Sarney é poderoso, mas o relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), afirmou que pretende convocar para depor o “empreiteiro” Zuleido Veras, caso seja comprovado superfaturamento nas obras de ampliação do Aeroporto de Macapá, administrado pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).
Também segundo relatório do TCU, foram pagos ao consórcio 9 meses de serviços não-prestados, no valor de R$ 2.040.281,18. Ainda, foi detectada irregularidade na contratação de equipe de apoio administrativo pelo consórcio. Era da responsabilidade da Infraero atender a serviços como o de copeira e de auxiliar de limpeza e a Gautama-Beter apresentou gastos de R$ 22.800 referentes a salários das copeiras por um período de 15 meses. Cada copeira receberia um salário de R$ 1.520, segundo os valores levantados pelo TCU. Já os auxiliares de limpeza receberiam, pelo mesmo período de trabalho, salário de R$ 1.337,60.
Mais, o TCU detectou falhas na contratação de profissionais por prazo superior ao período de execução das obras para as quais trabalhariam no exercício de 2006. O relatório cita uma série de serviços que seriam executados entre 7 e 8 meses, como topografias, instalações elétricas e eletrônicas e instalações mecânicas e de utilidades, mas a mão-de-obra para esses serviços foi contratada para período de trabalho que variava entre 22 e 28 meses.
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Com informações do site Folha do Amapá (www.folhadoamapa.com.br)Cortesia do site ABC Polítiko

Mais um conto de Luiz Lima Barreiros (9)


NOVELA BOSSANOVE

(Narrada por um ângulo mais que restrito)

1º capítulo
Ela, inicialmente, inclusive para se eximir um pouco de culpa, deve ter culpado muito ao preceptor, que não era o primeiro, e sim, se considerarmos a nobreza decadente. Em parte, uma transferência para consolar ao outro. E, em parte, este deixou-se acreditar para autoconfortar-se. Isto, na fase inicial de reencontro. Ambos fizeram concessões, para melhor compreender a atitude do outro. (E, sejamos claros: para sobreviverem!.). Especialmente, ele para ela. Depois, de leve, acho que ele soube manobrá-la muito bem; fazendo ao seu jeito, com que ela contasse detalhes da aventura. (Como assim ele deve julgar; e foi.). E ela, com usa voz singela, com seu jeitinho cativante de enjeitada (e de arrependida, no caso), foi –lhe narrando o sucedido, no mês de junho.

2º capítulo (De alto teor moral)
Como é que nós vamos agir, daqui pra frente, com eles? E o que é que nós esperamos que eles façam, diante de nossos atos? Qual a reação que a sociedade passará a ter , a partir de agora, ou de sempre, pois isso não é um problema absolutamente novo, em cada gesto cometido por nós?

3º capítulo
Foi aduzido um dado novo ao conceito moral de cada um.

4º capítulo
Esta forma estranha, intelectualizada, racionalizada, pragmática, atenta e quase filosófica de ódio, não tem também expressão prática, e nem terá, além da fronteira do rompimento com ela. Ou seja: nada, por qualquer que seja o sentimento que o possua, nada mais grave fará ele, em quaisquer circunstâncias, do que romper com ela. Este é o limite aonde ele vai!

5º capítulo
É dela que se deve esperar um imprevisto, além do rompimento, e não dele. Sob este aspecto, ela é muito mais criativa, se bem que as criações dela fossem prejudiciais. Ela é muito mais inventiva, e muito mais desprovida desse mecanismo de contenção e censura que ele possui. Ou seja, ela está muito mais apta, (o termo é este, porque isso é uma aptidão), do que ele, a fazer o que lhe for mais proveitoso, sem guardar qualquer outro sentimento de remorso, ou algo parecido, do que eles.

6º capítulo
Ele lhe deu o mote. Antes, o outro deu-lhe outro. Ela, recuada, aos poucos, foi aceitando-os. O espírito de aventura se esvai, e o senso de segurança adquire peso. E ela tem necessidade de proteção!

7º capítulo
Nada firme. Tudo experimentalmente difuso, como um teste. E em que se pergunta: terá sido?

8º Capítulo
(Flash-back: reprise de um emocionante capítulo, atendendo milhares de pedidos)
Estavam na sala, sentados no sofá. Estavam tão pertos, mas ainda assim se achavam distantes um do outro. As palavras começaram a sair indolentes, com dificuldade, desnecessárias... E, quando sentiram com mais ardor a quentura de suas faces, tiveram que resolver ir ao encontro do mar.

9º Capítulo
A vida deles ficou realmente transtornada pelo incidente, numa curva do espaço-tempo.
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Nota complementar:
As censuras cortaram o décimo e subseqüentes capítulos