12/20/2008

Dênis Cavalcante


Até quando?

Conheci Salvador Nahmias montado num rabo de foguete. Estava em São Paulo, as coronárias obliteradas, hospital, médicos estranhos. Opera não opera. E eis que surge meu Salvador. Pelo telefone, ele deu as coordenadas para minha mulher. 'Leva o Denis pro Hospital do Coração e deixa o resto comigo'. Pensei com meus botões: mas ele mora em Belém...
- Batata! Em menos de duas horas, uma equipe de médicos gabaritados remendou meu coração. Uma semana depois retornei a Belém. Desde então, ele acompanhou todos os meus passos. Quando me mudei pro prédio que ora resido, imaginem quem foi meu primeiro vizinho? Ele, Salvador Nahmias. Tem coisa melhor? Eu morando no vigésimo primeiro andar e ele no vigésimo. Se o meu o coração ratear é só descer um andar. Acreditem – um dia aconteceu. Eu, sozinho em casa, a mulher viajando e o coração disparou. Interfonei pro seu apê e em minutos lá estava ele. Estetoscópio, aparelho de pressão, o carinho, a competência de sempre.
O destino vive a nos pregar peças. Um belo dia, cheguei na garagem pitando um proibitivo cigarro. Chamei o elevador e, antes de entrar, dei a derradeira tragada. Pra quê! Imaginem quem entrou no térreo? Salvador. Sorridente, entabulou conversa. E eu com a fumaça presa nos pulmões. La pelo décimo andar, o fôlego nas últimas, capitulei colocando pra fora a fumaça retida. Em pouco meses, outros moradores se juntaram a nós. Demorvan, Resque, Magela, Alberto, Lima... Amante inconteste de carnes, tratei de comprar uma churrasqueira movida a gás. Foi uma festa! Todos os fins de semana, descíamos para fazer um churrasco. Eram tempos de bonança. Na última sexta, encontrei com ele na garagem e solicitei a requisição dos exames pra o check-up anual. Foi a última vez que nos falamos.
Num piscar de olhos, perdi meu amigo, meu vizinho, meu médico. Um meliante ceifou sua vida em troca de um punhado de dinheiro. Sem saber, (sabendo) seus pais deram-lhe o nome de Salvador. Por 30 anos ele foi o 'Salvador' de milhares de pacientes. A crônica saudosa, se encerra nesse parágrafo.
Se o poder público não tem condições, se vê impotente para coibir a violência que grassa em nossa cidade, cabe a nós, cidadãos, a sociedade civil constituída, aos órgãos de classe (OAB, ACP,APL,CRM, FIEPA, CDL...) nos mobilizarmos e tentar por a termo o caos instalado.
Por que nossa prestimosa governadora não coloca nas ruas os militares que dormitam em repartições, realizando funções burocráticas? Lugar de polícia é na rua! Se estão faltando armamentos, viaturas, motos, bicicletas... Vá a Brasília. A senhora não é unha e carne do Tarso Genro, do Lula? Dispense concorrência. Compre urgente. Belém agradece.
E o que dizer dos banqueiros? Os cofres abarrotados, fruto de juros escorchantes. Por que não disponibilizam profissionais em suas agências, a fim de coibir a ação de meliantes travestidos de clientes? Se um sujeito entra numa fila e não paga, não recebe, não deposita, e ainda por cima, cola o ouvido no celular – aos costumes. Pau nele!
Não podemos fazer olhos, ouvidos de mercador. Basta! Chega de omissão! Às favas os filisteus, os energúmenos, os sacerdotes que acolhem, defendem esses bandidos se valendo de direitos humanos. Direitos humanos? Nessas horas sou obrigado a repensar o lema do truculento Mariel Mariscott: 'Bandido bom é bandido morto!'
Perdoem o cronista. É que eu estou indignado. Raciocinem comigo. Ano passado foi o Cavaleiro de Macedo. Mês passado foi o advogado do Grupo Líder. Sexta foi o Salvador. Amanhã pode ser eu, vocês.

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