5/19/2009

Antônio Cavalcante


Esses Imigrantes Maravilhosos

Quando a esquadra cabralina aportou por essas paragens, seu escrivão expôs toda a sua admiração no primeiro registro literário sobre a terra recém descoberta, No documento oficial, a carta narrativa da viagem ao rei de Portugal D. Manuel o Venturoso, o nosso escriba predisse: que nesta terra em se plantando tudo dá.
Assim como os imigrantes que aqui chegaram em busca de oportunidades, e a esperança de construir fortuna ajudando o país que o recebeu a tornar-se uma grande nação. A natureza também forneceu seus representantes para auxiliar esses intrépidos imigrantes na concretização dos seus sonhos. O resultado desse processo migratório é que esses produtos transformaram-se na base da agropecuária brasileira, frutos como a cana-de-açúcar que veio da Nova Guiné, tornou-se um dos primeiros ciclos de ordem econômica existente no país desde os tempos de Brasil colônia, gerando muitas histórias que enriqueceram a literatura brasileira e tiveram como cenário a região nordeste, virou, muitos anos depois fonte de energia alternativa na primeira crise do petróleo ainda no século passado, que por sua vez tornou-se política de sustentação nos governos militares através do PROALCOOL, além de ser a matéria prima principal, do aperitivo símbolo do Brasil que é a cachaça ou aguardente de cana.
O café é outro produto estrangeiro oriundo da Etiópia, introduzido no país de forma meio romântica através de Francisco Palheta via Guiana Francesa pelo Estado do Pará no norte do país de onde foi levado para as regiões sul e sudeste e se firmou como o produto símbolo do país, aonde por muito tempo comandou a política econômica gerando divisas para a implantação do maior parque industrial da América Latina no estado de São Paulo, tornando-a capital econômica do Brasil.
O arroz é originário das Filipinas, componente da alimentação básica do brasileiro, principalmente como ingrediente, do mais brasileiro, de todos os pratos da gastronomia dessa terra, que é a feijoada. A dobradinha feijão com arroz tornou-se o prato mais popular do Brasil é encontrado desde o mais refinado ambiente ao mais humilde.
O trigo tem sua origem no continente asiático, e está presente diariamente na maioria das mesas brasileiras na forma de pão, bolos e outras iguarias assim como, as frutas européias: Uvas, maçãs, peras, pêssegos, trazidas pelos imigrantes que aqui chegaram.
A soja e a laranja vieram da China, bem adaptada ao solo brasileiro sendo expoentes na pauta de exportação brasileira contribuindo sobremaneira com a geração de divisas.
O gado veio da Índia, e seu processo criatório transformou-se como a cana de açúcar em um ciclo econômico no período colonial brasileiro, ajudando também na expansão territorial do país. Os cavalos da Ásia Central, incorporados aos regimentos de cavalaria do exercito imperial ajudaram a consolidar a independência do Brasil. Outros animais introduzidos no país: como as carpas, vieram da china, as tilápias do Egito, a bípede avestruz da Oceania, ajudaram a compor o processo produtivo rural brasileiro.
Vale ressaltar ainda as essências florestais e forrageiras importadas de outros continentes como a Ásia e a África com boa adaptação e resposta excelente na produção de ração para a pecuária e de madeira para as carvoarias existentes..
“Segundo o francês Jean de Léry que visitou o Rio de Janeiro por volta de 1576, em seus relatos já mencionava a existência de arvores exóticas no país. “Embora antigamente não existissem laranjeiras nem limoeiros nessa terra da América, como ouvi dizer, depois que os portugueses as plantaram perto da costa, estas plantas se multiplicaram de modo admirável e produzem laranjas a que os selvagens chamam morgônia, do tamanho de dois punhos e limões ainda maiores, em grande abundância”.
Aqui no Brasil houve o casamento produto & produtor, ou melhor, a relação desses imigrantes foi impressionante na concretização dos seus sonhos, gerando grandes fortunas. Sendo, portanto um ícone nas transformações sociológicas registradas no país, bem como, matéria prima básica nas outras atividades relacionadas à economia, as artes, a política, e a construção da história dessa grande nação.
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Tatá Cavalcante
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