5/11/2009

Mãe, sinto a tua falta


Hoje Mãe, o teu dia, não vou ao cemitério. Sabes que não gosto de lá ir, sobretudo nesta altura. Lá só está o que menos importa de ti. Por isso não vou. Sei que qualquer dia desses irei me juntar a ti, com o meu corpo plantado ao teu lado neste espaço no campo santo do Guamá, que é nosso, é perpétuo.
Tu estás é aqui, perto de mim. Estás presente nas fotografias - as poucas que tenho de ti - eras avessa a foto -, nas memórias, nos corações – meu e de uma pá de amigos que fizestes em 96 anos de vida.
Vives em cada momento nos olhos deste teu filho – uma criança grande como sempre dizias, iguais aos teus. No sorriso que me destes por tanto tempo. Nos gestos que se repetem. Vives, sobretudo, escondida no cantinho especial do seu quarto sempre limpo e bem arrumado onde guardo todas as lembranças de ti - o som do teu radinho de cabeceira onde escutavas o Programa do Costa Filho, na Rádio Liberal AM; e as transmissões esportivas da Rádio Clube do Pará... principalmente quando o teu Clube do Remo jogava; da tua TV moderninha que tinha ciúme, os cheiros, a voz doce, a maciez das mãos, essas mesmas mãos que arrefeceram um dia por entre as minhas... e me carregaram quando eu era criança travessa e cheia de dengos.Vives na estrela-maior em que a teu filho te imagina, perto, bem pertinho do Criador.
Por isso, não sinto necessidade de rezar por ti. Preciso mais de te pedir que continues, de longe, a ser a minha Mãe e a fazer com que eu possa ainda mais, sentir a tua presença e o teu amor. As flores do dia de hoje estão lá dentro - para ti e para todos os outros que nos eram queridos e já cá não estão, e de quem tenho tantas, tantas saudades. Mas nenhumas como aquelas que sinto de ti, Mãe.

Aí no céu, cuida de mim – a tua criança grande. (A.F.)

Um comentário:

Anônimo disse...

querido feio,não te preocupas porque sua mãezinha vai ficar sempre olhando por voce.