6/23/2009


A república dos canalhas e o papel da imprensa

A tolerância ao roubo do dinheiro público chegou, no Brasil, a nível venezuelano, com o Senado da República caindo na clandestinidade e seu presidente, o maranhense José Sarney, maior patrimonialista e nepotista do país, dando as cartas.
Sarney está caindo de podre, mas não larga o osso, e ainda exige respeito, julgando-se acima do bem e do mal, em que, aliás, recebeu apoio explícito do presidente Lula. Para Lula, uma pessoa como Sarney pode empregar o parente que quiser, com o salário que for, pois quem paga a conta são os brasileiros e brasileiras.
Estranho que senadores como Arthur Virgílio (PSDB), Cristovam Buarque (PDT), Pedro Simon (PMDB), Jarbas Vasconcelos (PMDB), não exijam imediato afastamento de Sarney da presidência do Senado e a instituições como o Ministério Público, a Polícia Federal, o Tribunal de Contas da União e a Ordem dos Advogados do Brasil que façam uma sindicância daquelas de não deixar pedra sobre pedra, com a punição, exemplar, de todo mundo que vem roubando dinheiro público há anos e anos, inclusive por meio de aumentos salariais abusivos e pagamento de horas extras que não existem.
É hora deste país começar a ser passado a limpo e de se tirar do convívio da sociedade os larápios de colarinho branco, ladrões de merenda escolar e, por extensão, assassinos de crianças. Está na hora de se investir de verdade na educação, na pesquisa e na tecnologia, como fizeram todos os países do Primeiro Mundo, para que o governo de plantão não tenha como usar a política da bolsa-esmola e para se evitar que estados, como o Maranhão, não sejam tão apenados pela oligarquia.
Está na hora de os leitores exigirem que a imprensa faça jornalismo investigativo e interpretativo, deixando de se arreganhar para os governos - todos eles - fechar os olhos e dizer amém. Os leitores podem fazer isso não comprando jornais, muitos dos quais são, de fato, diários oficiais, encobrem banditismo.
É preciso que as instituições sérias ajam para desmascarar tanta indecência, tanta ambição por mais e mais dinheiro espúrio, enquanto crianças morrem de fome, comidas por vermes e microrganismos, por estupro e por escravidão. Uma nação com tais carmas precisa de muita luz, de humanismo, de homens e mulheres iluminados, precisa que cada qual faça corretamente a sua parte.
Basta de mentira, de hipocrisia, de safadeza, de bandalheira, de sacanagem, de bacanal com dinheiro público, e essa consciência só será alcançada por meio da mídia, quando o combate aos políticos canalhas for implacável, nunca desestimulado, continuado, pois essa gentalha é o tipo mais perigoso de criminoso, já que mata em escala.

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