6/18/2009


Sarney e a CPLP

O autor de Marimbondos de Fogo tem livro publicado até nos Estados Unidos. Medíocre, porém, sua literatice não revela, não esclarece verdadeiramente sua pátria, como o faz todo grande escritor; fica na superfície, falta-lhe verdade literária, que somente os escritores classe A logram marcar em tudo o que escrevem.
O que José Sarney tem a ver com a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)? Tudo. Em primeiro lugar, o Brasil exerce liderança natural no bloco, até porque, hoje, a língua brasileira tem muito mais influência no planeta do que a língua portuguesa. É claro que os portugueses não entenderão o que eu estou dizendo, nem as ex-colônias portuguesas, com exceção dos brasileiros e também dos brasilianistas lusófonos. Nesse contexto, Sarney é presidente, pela terceira vez, do Senado da República, que atravessa sua pior crise, tão grave que inclusive caiu na clandestinidade.
Foi identificado um bando, envolvendo senadores e funcionários, especializado em patrimonialismo, isto é, se espoja no dinheiro público, por meio de, por exemplo, nepotismo. Só da família Sarney já foram identificados oito parentes, com gordos salários, um dos quais vive na Espanha. Sarney também já usou publicamente funcionário do Senado para trabalhar em campanhas políticas para a família. Sarney pôs a culpa da bandalheira nos funcionários, chorou como jacaré e reclamou que no Brasil não respeitam nem autoridades da estatura dele. Pelo menos Sarney tem todo o apoio do presidente Lula.
Assim, o Brasil, que deveria dar exemplo aos demais países da CPLP, pela sua importância incontestável no clube, não, revela é a safadeza que há, hoje, nos meios políticos. Rouba-se, hoje, no Brasil, mais do que um Cabo Verde por ano. Nepotismo é apenas uma modalidade de furto. No caso de Sarney, enquanto a família dele engorda cada vez mais, a base da pirâmide maranhense fica cada vez mais pobre e mais crianças morrem de fome.
Em segundo lugar, Sarney - posando de estadista, exibindo seus títulos, os mais untuosos dos quais a presidência da República e o fardão da Academia Brasileira de Letras (ABL), além da presidência do Senado - pavoneia-se como arauto da liberdade de imprensa, e, no entanto, ele sufocou a mídia do estado do Amapá, onde o PMDB, seu partido, lhe deu vaga para o Senado, pois os maranhenses já estavam fartos dele. Para se perpetuar na teta amapaense, Sarney levou para lá um servidor do Senado, advogado, e montou uma indústria de ações contra jornalistas, todos que ousaram desmitificá-lo, e ganhou a parada no Tribunal Regional Eleitoral, em Macapá.
Dois dos mais combativos jornalistas de Macapá, a poeta Alcinéa Cavalcante e o competente Corrêa Neto, deram um tapa na mordaça e devem, hoje, ao TRE, R$ 1 milhão, cada um, em multas.
Em terceiro lugar, Sarney é escritor. O autor de Marimbondos de Fogo tem livro publicado até nos Estados Unidos. Medíocre, porém, sua literatice não revela, não esclarece verdadeiramente sua pátria, como o faz todo grande escritor; fica na superfície, falta-lhe verdade literária, que somente os escritores classe A logram marcar em tudo o que escrevem.
Essa é a razão pela qual Sarney vem pontificando nas páginas do CONEXÃO CPLP.

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